Capítulo 99
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 99
Zero Nine mexia em seu smartphone, encarando-o após enviar uma resposta para Hexion. Suas trocas nunca eram de grande importância, mas Hexion sempre levava um tempo considerável para responder. A ameaça de Zero Nine de ir caçá-lo se ele não respondesse após um dia pairava ao fundo, garantindo que Hexion nunca se esquecesse completamente de responder.
Leona, movimentando-se pela cobertura, preparando-se para um passeio com o namorado, parou e questionou Zero Nine, que estava confortavelmente sentado no sofá.
— O que o Hexion está fazendo? Ele nunca responde minhas mensagens.
— Ah, parece que nada de mais está acontecendo — respondeu Zero Nine, grato por Hexion responder, embora com atraso, mesmo ignorando Leona.
Enquanto Zero Nine mexia no telefone sem resposta, Leona, agora vestindo seu casaco, sugeriu: — Se você está preocupado, dê uma ligada para ele.
— Se ele quisesse, ele mesmo ligaria.
— Tão cauteloso, não é?
— Mais como se ele estivesse ocupado.
— Ele ainda atenderia suas ligações, mesmo durante reuniões.
Provavelmente verdade, pensou Zero Nine, sentindo uma estranha confiança de que Hexion poderia atender durante uma reunião. Mas sentindo-se um pouco infantil ao pensar nisso, Zero Nine mudou o tópico, perguntando a Leona:
— Então, para onde você vai hoje?
— Meu namorado está na cidade. Vou vê-lo.
— Oh, aquele que chegou separadamente?
— Sim, parece muito animado. Tem gastado horrores em compras desde que pousou nos Estados Unidos.
— Você deu seu cartão para ele também?
— Sim.
— E a escola que você frequenta é bem cara, certo?
— Ah, ele tem uma bolsa esportiva, então a mensalidade é coberta.
— Hmm, entendo.
Dar um cartão de crédito a um parceiro não era incomum para um herdeiro de uma família rica, no entanto, Leona parecia inexperiente. Percebendo os pensamentos de Zero Nine, ela riu:
— Que tipo de problema ele poderia arrumar?
De fato, desde que o namorado de Leona não estivesse comprando aviões de caça, não deveria haver problemas. Zero Nine ocasionalmente achava o tom de Leona reminiscente do de Hexion, no entanto, ele sempre desviava o olhar e seguia em frente.
— E você? Não recebeu um dele?
— …Geralmente, eu estou com o Hexion.
— Então acho que não importa. Bem, estou indo agora.
— Você volta com seu namorado hoje à noite?
— Não, reservei um hotel para ficarmos separados.
— Oh? Por que não ficarem juntos?
Ouvindo isso, Leona riu enquanto apertava o botão do elevador.
— O quê, eu deixo as coisas estranhas quando é apenas você e o Hexion na casa?
— Há um pouco de verdade nisso.
— Você é honesto.
— Não há sentido em mentir.
Quando o elevador chegou com um ding, Leona olhou para Zero Nine:
— Bem, eu na verdade acho melhor ficar com meu namorado, mas minha mãe quer que eu fique perto do Hexion.
— …Oh, sério?
— É, mas ele foi para a Alemanha agora de qualquer forma, então não importa. Até mais.
Ela acenou com a mão através das portas do elevador que se fechavam, e Zero Nine acenou de volta distraidamente. Com a partida dela, a sala de estar pareceu estranhamente silenciosa. Talvez mais ainda devido à ausência do pequeno hábito de Hexion de tamborilar nas telas de dispositivos eletrônicos quando estava pensativo. Zero Nine olhou para o relógio. Sem alertas de quaisquer anomalias hoje também; quaisquer anomalias existentes parecem já ter sido contidas por outras equipes.
Debatendo se ligaria a TV, Zero Nine optou pelo tablet ao seu lado, já que não havia programas específicos para acompanhar. Parecia algo que Hexion costumava carregar, embora devesse ter deixado para trás desta vez.
Hexion nunca compartilhara as senhas diretamente, mas também não as ocultara de Zero Nine, tornando fácil desbloqueá-lo. Um artigo de notícias chamou imediatamente a atenção de Zero Nine:
“[Fundação G e Fundação H estabelecerão instituições educacionais para Despertados…]”
O artigo era breve, praticamente uma manchete com quase nenhum detalhe adicional. Apresentava uma foto de representantes da fundação apertando as mãos, um dos quais era um rosto muito familiar.
— Uma dessas fundações tem laços com a Corporação Theobald?
A fisionomia inconfundível de Raga Theobald estava em frente a um edifício impecável na foto do artigo. A Corporação Theobald, embora tecnicamente uma negociante de armas, parecia estar transbordando de riqueza, levando-os a investir e doar amplamente em vários setores.
— Uma instituição educacional para Despertados, hein.
Uma vez maduros, os Despertados são invariavelmente recrutados para o exército. No entanto, colocar menores no exército convidaria a reações severas de grupos de direitos humanos. No entanto, dadas as diferenças marcantes, eles também não poderiam simplesmente frequentar escolas regulares. Assim, agora, instituições educacionais para Despertados menores eram indispensáveis, e a opinião pública favorecia essa iniciativa.
— Parece inquietantemente perturbador…
Zero Nine se concentrou, detendo-se em uma única palavra do artigo conciso.
[As duas fundações começaram a educar menores que necessitam de proteção de primeira linha, prometendo apoio irrestrito para sua independência…]
Zero Nine inclinou levemente a cabeça, focando na frase: Menores que necessitam de proteção de primeira linha.
— Parece que estão falando de pessoas como eu.
Menores sem guardiões, Despertados vulneráveis por definição — embora pareça altruísta, Zero Nine viu isso com ceticismo, especialmente vendo o sorriso de Raga na foto, que parecia mascarar segundas intenções.
Então veio o “ding” conspícuo do elevador chegando. Tirando os olhos do tablet, Zero Nine olhou em direção ao elevador.
As portas se abriram, revelando uma figura vestida com um jaleco branco — um rosto muito familiar da equipe de pesquisa do centro.
— O Coronel não está?
— Oh, ele saiu no momento. O que o traz aqui?
O pesquisador respondeu: — Os resultados da pesquisa saíram em relação à haste de metal encontrada no monstro.
↫─⚝─↬ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna
O que se retorcia e se debatia na cela de vidro não era uma anomalia mutante. Eram humanos. Meras crianças, muito menores do que adultos comuns.
— Eu vivi para ver o dia…
Um espetáculo tão sombrio se desenrolava diante dele que as palavras evaporavam no meio da frase, dissolvendo-se amargamente na língua. Hexion sentiu um desejo profundo de um cigarro. Ele tirou um maço do bolso, mordeu um e roeu o filtro. Ele não se incomodou com o isqueiro; a necessidade de acendê-lo parecia ausente. Cigarro preso entre os dentes, ele se aproximou do invólucro de vidro, espiando para dentro. Na luz fraca do laboratório, ele contou doze corpos.
Tap-tap.
Hexion bateu no vidro, esperando provocar uma reação, mas as crianças jaziam apáticas, com os olhos fechados ou olhando fixamente para o nada. Assim como os sedativos enfraqueceriam os mutantes, esses corpos jovens pareciam não ser diferentes, carecendo de energia.
— Ela falou tanto sobre fazer experimentos no Zero Nine.
Já que não podiam fazer isso, teriam mudado para isto, ou já estavam fazendo isto? Ele rapidamente deduziu que a fundação — uma das fundações de Raga Theobald — que fora criada era uma instalação de educação para Despertados e que eles estavam fornecendo os fundos para isso.
Foi cerca de um mês antes que essa notícia surgiu, mas com tanta coisa acontecendo recentemente, Hexion não dera muita atenção. As empresas, no pós-guerra, vinham mergulhando no reino da integração de indivíduos aprimorados na sociedade — não havia muita margem para foco.
— Francamente, como eles pensaram que não seriam pegos fazendo uma coisa tão absurda está além de mim.
Embora conhecida por uma natureza impetuosa e ardente, Raga Theobald não era tola. Os Despertados estavam sob estrita supervisão estatal, portanto, levá-los embora para tais empreendimentos parecia ilógico.
— Ou eles estavam confiantes de que não seriam pegos…
Hexion franziu a testa.
— Ou eles não se importavam, mesmo se fossem pegos.
Ele se inclinou para o último cenário. Experimentar para fortalecer monstros, fabricar algo dentro de seus corpos — essas enigmáticas hastes de metal. Testes envolvendo Despertados menores. À medida que Hexion juntava cada elemento, uma risada sem alegria escapou dele.
— Eles parecem empenhados em provocar outra guerra.
Avançando pelas vitrines de vidro, Hexion aventurou-se mais fundo no interior. Aparatos experimentais permaneciam posicionados ali, com vários ativos, suas telas emitindo tons azuis.
Em um monitor, um objeto muito familiar surgiu, e Hexion o reconheceu instantaneamente.
A haste de metal em questão. Em meio a uma enxurrada de texto e imagens na tela, uma frase chamou a atenção de Hexion.
[Fortalecimento de indivíduos aprimorados usando soro de monstro.]
A raiva mordeu sua bochecha enquanto ele processava essa linha.
— Na guerra, a menos que se lancem bombas nucleares, fortalecer os Despertados renderia a vitória.
No entanto, tal método exigia indivíduos aprimorados prontos. Mesmo que o apoio financeiro de Theobald descobrisse maneiras de aprimorá-los ainda mais, uma nação desprovida desses indivíduos não poderia utilizar tais táticas.
— Mas por quê…?
Convencido de que havia mais sob a superfície, Hexion aproximou-se do aparato. Mas, naquele momento, passos ecoaram da entrada. A narrativa não contada ficou suspensa no ar.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna