Capítulo 79
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 79
Um nome como Argus era algo que Zero Nine não ouvia há eras. Ele piscou, pego de surpresa. Casey soltou uma gargalhada sozinha. Era o tipo de reação que se tem após pregar uma peça particularmente maldosa e depois dizer casualmente: — Só brincadeira. — Casey pegou seu sanduíche.
— Algumas pessoas parecem interessadas porque as coisas têm estado calmas em Argus ultimamente.
— …É mesmo?
— Sim, aqueles com muito dinheiro. Talvez queiram testar sua riqueza. Até mesmo a perigosa Argus é apenas mais um ponto turístico para eles. Esse tipo de coisa.
Casey murmurou entre as bocadas de seu sanduíche. Zero Nine ponderou sobre Argus. Apesar de ter vivido lá por muito tempo, estar confinado em um laboratório significava que ele não sabia mais sobre o lugar do que qualquer outra pessoa saberia.
— Na verdade, eu devo saber menos do que a maioria.
Zero Nine balançou a cabeça com esse pensamento. Por qualquer que fosse o motivo, ele não queria voltar para Argus, a menos que tivesse um desejo de morte, claro. Ele continuou mastigando seu sanduíche agora morno e levemente endurecido.
— Você disse que estava aqui a trabalho, certo?
— Sim.
— Que trabalho envolve saber tais coisas?
— O meu?
Casey deu de ombros com indiferença.
— Sou intérprete.
— Isso é surpreendente.
— Por quê?
— Achei que pudesse ser do FBI ou algo assim.
— A única certeza é que eu trabalho mais do que o FBI.
Casey respondeu com um suspiro profundo enquanto terminava sua cola. Uma intérprete jantando sozinha em um ponto turístico tão movimentado não parecia algo incomum.
— Ultimamente, tenho recebido mais consultas de lunáticos sobre excursões em Argus. Quanto tempo faz que a guerra acabou? Sinceramente.
Casey limpou as mãos. Olhando para o lado, ela notou que seu prato estava vazio, tendo devorado a refeição substancial durante a conversa. Zero Nine olhou para o pedaço de sanduíche que lhe restava. Em vez de sair imediatamente, Casey enfiou a mão no bolso e lhe entregou um cartão de visitas.
— Aqui está, Tommy. Entre em contato comigo se precisar de uma intérprete.
— Oh, uh, tudo bem.
Em vez de dar desculpas, Zero Nine aceitou o cartão em silêncio. Casey tocou os lábios com um guardanapo, recolheu rapidamente seus pertences e desapareceu como se tivesse sido levada pelo vento. Para alguém que estivera tão engajada na conversa durante a refeição, ela pareceu partir sem pensar duas vezes. Zero Nine piscou para a porta por onde ela saiu, terminou seu sanduíche e se levantou.
— Aquela moça pagou o seu também antes de sair.
— Pagou?
Parado sem jeito no balcão, Zero Nine foi informado pelo funcionário que anteriormente recomendara que ele compartilhasse a mesa. — Que sorte a sua — comentou o funcionário com um sorriso, achando graça da refeição gratuita. Coçando a cabeça, Zero Nine pensou no cartão de visitas que havia enfiado apressadamente no bolso, sentindo que estava acumulando dívidas ao vagar sozinho por aí. Por que Casey, de todas as pessoas, compraria uma refeição de oito dólares para o filho de um proprietário rico como ele?
— Para onde agora?
Zero Nine virou a cabeça, sentindo a brisa suave. Se Casey não tivesse mencionado Argus, ele poderia ter ido para a Austrália ou Mongólia.
— Não estou muito a fim de deixar a América.
Ele pegou um guia turístico gratuito colocado ao lado da lanchonete. Embora as bordas estivessem gastas por muitas mãos, ainda era legível. Folheando-o, Zero Nine pareceu encontrar seu próximo destino e misturou-se à multidão.
↫─⚝─↬ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna
Hexion estava sentado em seu escritório, com os cotovelos apoiados nos braços da cadeira enquanto batucava ritmicamente na mesa com a outra mão. O escritório silencioso ecoava apenas sua leve agitação. Seu secretário permaneceu em silêncio até que o batucar parou, antes de falar.
— Descobrimos doze lugares até agora.
O secretário percorreu o tablet, examinando cada relatório de avistamentos de Zero Nine de vários centros nos Estados Unidos antes de relatar as localizações.
— Visto no Monte Lee em Hollywood Hills, relatado perto da fronteira entre Nova York e Canadá, e depois nas Black Hills de Dakota do Sul…
Hexion levantou a mão, interrompendo abruptamente o relatório do secretário. Damian, que estava sentado no sofá de visitas do escritório, então falou.
— Ele está vagando por todo lugar.
— O letreiro de Hollywood, as Cataratas do Niágara e o Monte Rushmore. Exatamente como um turista.
— Eu sugeri isso, mas não achei que ele realmente levaria adiante.
Com os olhos e as bochechas inchados, Damian rasgou as embalagens de hambúrguer que o secretário havia trazido. Ele tinha que ficar perto de Hexion até encontrarem Zero Nine. Apesar de aparentemente não ter intenção de se esconder, Zero Nine circulava livremente. Consequentemente, embora os avistamentos fossem comuns, capturá-lo provou-se impossível, e todos os relatórios permaneciam como meros avistamentos.
— Os centros não estão ficando irritados a esta altura? — perguntou Damian.
— Sim.
Hexion admitiu, olhando para seu relógio de pulso. Os centros de fato o bombardeavam com mensagens ultimamente.
— Eles estimam o nível de estresse de Zero Nine em cerca de 90%.
— Devem estar ansiosos.
Zero Nine estava por aí, esquivando-se do centro há quase dois meses. Hexion checou um artigo recente em seu smartphone.
[Monument Valley: uma aparição inesperada de uma espécie estranha no deserto vermelho…]
O artigo detalhava uma ocorrência estranha onde uma criatura bizarra apareceu em um ponto turístico lotado, apenas para ser eliminada antes que qualquer dano pudesse ocorrer. Consistentemente, as pessoas repetiam:
— Ela sumiu bem diante dos nossos olhos!
— A criatura se amassou como papel e desapareceu.
— Eu nem soube o que aconteceu. A criatura sumiu tão rápido!
Hexion sentiu uma mistura de irritação e espanto. O sujeito insolente estava lidando diligentemente com espécies estranhas enquanto fazia turismo. Rotulá-lo como trabalhador parecia irrelevante. Hexion desligou seu smartphone.
— E o smartphone de Zero Nine?
— Estamos rastreando, mas continua desligado, então não há sinal.
O relógio de Zero Nine fora encontrado no escritório de Damian, mas seu smartphone não fora visto em lugar nenhum. Isso sugeria que ele ainda o possuía, a menos que o tivesse descartado.
— Continuem rastreando.
— Entendido.
Enquanto Hexion e seu secretário conversavam, Damian murmurou, mastigando uma bocada de seu hambúrguer.
— Viver com trezentos dólares por dois meses? Isso é apertado.
Hexion naturalmente franziu a testa com esse comentário. Seria sequer possível sobreviver com uma quantia tão pequena? Talvez um ser de calamidade pudesse manter seu corpo sem comer. Caso contrário, dois meses com trezentos dólares pareciam impossíveis. Notando o desagrado de Hexion, Damian comentou secamente.
— Ele não é uma criança. Ele pode se virar.
— Ele é uma criança.
— Você está dormindo com uma criança então?
Damian provocou, mas Hexion dirigiu silenciosamente seu olhar para ele. Aquele olhar frio fez Damian recuar, enterrando o rosto de volta em seu hambúrguer.
— Sinto que entendo o que ele quer, mas ao mesmo tempo não entendo.
Hexion estava perfeitamente ciente de que aquilo era uma forma de protesto, semelhante à demanda de uma criança emburrada para conseguir o que quer. Ele estava disposto a satisfazer tais caprichos até certo ponto. No entanto, desde o dia em que Zero Nine desapareceu, deixando para trás seu relógio, algo vinha o corroendo persistentemente.
— Um esper não consegue sobreviver sem um guia de qualquer maneira. No fim, ele tem que voltar para mim.
Por que, então, algo ainda parecia tão errado? Hexion mordeu o lábio inferior, seus caninos ligeiramente mais afiados rasgando a pele fina. O gosto metálico do sangue atingiu sua língua, fazendo-o franzir o cenho.
— Devo admitir, no entanto. Mesmo que ele eventualmente retorne para mim, é… inquietante agora.
Hexion admitiu prontamente. Ele estava desconfortável o suficiente para que, se Zero Nine voltasse pacificamente agora, ele pudesse até fazer algumas concessões. Hexion olhou pela janela do último andar de sua empresa, observando a paisagem urbana.
— Seria sensato parar e voltar logo.
Entretanto, o protesto de Zero Nine, se é que se podia chamar assim, continuou por mais um mês, levando o centro a emitir um aviso para Hexion.
— A esta altura, ele provavelmente entrou em uma fase de descontrole.
Irritado pela mensagem que chegava pelo telefone, Hexion respondeu rispidamente.
— Eu sei.
— Por mais de duas semanas, seu paradeiro tem sido ambíguo. É provável que ele esteja se escondendo por estar em uma fase de descontrole.
Hexion, irritado pela repetição robótica da equipe sobre coisas que ele já entendia, desligou a chamada abruptamente. A esta altura, sua ansiedade também atingira o pico.
— Diretor Executivo!
Naquele momento, seu secretário entrou às pressas no escritório.
— O smartphone de Zero Nine foi ligado!
Hexion levantou-se imediatamente e, enquanto outro secretário pedia um helicóptero, ele se dirigiu ao telhado. O secretário o seguiu, começando a relatar.
— O sinal foi detectado há 30 minutos.
— A localização?
Hexion, pressionando ele mesmo o botão do elevador, perguntou, e o secretário respondeu.
— As coordenadas são…
Ao ouvir a resposta, a testa de Hexion se franziu em pensamento, transformando-se rapidamente em um sorriso feroz.
— Seja como for, parece que ele quer resolver as coisas.
As coordenadas apontavam para o deserto onde os dois homens se encontraram pela primeira vez. Mais precisamente, apontavam para aquele lugar semelhante a uma prisão escondido no subsolo.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna