Capítulo 70
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 70
Basquete? E ele nem conhecia as regras. Zero Nine ponderou por um momento. Talvez o mundo operasse sob a mesma aleatoriedade. Se nada desse certo, não apenas para ele, mas para todos, seria de certa forma reconfortante. O menino alto segurava a bola de basquete e se apresentou.
— Eu sou o Michael.
Como ele era alto, talvez naturalmente desempenhasse o papel de líder entre eles; os outros dois meninos também se apresentaram.
— Eu sou o Jacob.
— Eu sou o Tommy!
Após as apresentações, as três crianças olharam silenciosamente para Zero Nine. Tendo se apresentado, pareciam esperar que ele retribuísse. Zero Nine coçou o queixo brevemente. Dizer a eles que os primeiros Espers não tinham nomes parecia sombrio demais, e ele também não estava inclinado a inventar um nome falso. Então, decidiu ser direto.
— Zero Nine.
— Zero Nine?
— Isso é um apelido?
Em resposta à pergunta de Jacob, Zero Nine deu de ombros, sugerindo que eles poderiam pensar o que quisessem. Os meninos, sendo jovens, assentiram como se tivessem decidido algo.
— Zero! Você nunca jogou basquete antes?
— Nunca nem assisti.
— Então você deve ser o pior entre nós.
— Mas já que você é alto, talvez seja melhor que nós, tampinhas?
As crianças conversavam entre si, aparentemente chegando a alguma conclusão antes de lançarem a bola de basquete para Zero Nine. Ele a pegou sem esforço e os observou enquanto eles colocavam as mãos nos quadris e começavam a explicar.
— Pelo menos sabemos as regras básicas, então vamos te ensinar o básico.
As crianças falavam sem parar, explicando o drible apenas para subitamente divergir em histórias de um vizinho que caiu enquanto lavava o carro, a importância de não dar mais de três passos com a bola na mão, e como a peruca do homem da casa em frente se parecia com o gato de rua, Paw.
— Arremessar daqui te dá 3 pontos.
Depois de indicarem vagamente áreas de 2 pontos e 1 ponto com os pés, os meninos finalmente deixaram Zero Nine driblar a bola. Ele se moveu um pouco, driblando levemente a bola de basquete que cabia facilmente em uma de suas mãos. De alguma forma, em instantes, a bola ricocheteou em seu pé e rolou em direção a Tommy, que rapidamente a pegou e arremessou.
Bang!
A bola nem chegou perto do aro, batendo ruidosamente no chão enquanto os dois meninos corriam atrás dela. Michael agarrou a bola, o que não era surpreendente dado seu porte mais alto e membros mais longos. Conseguindo manobrar entre os outros, ele tentou um arremesso, apenas para a bola atingir a tabela e quicar de volta ao chão.
Seguiram-se chutes frustrados. Não é uma taxa de sucesso muito grande, pensou Zero Nine, segurando a bola de basquete que rolou de volta para ele e lançando-a em direção ao aro. Honestamente, fazer uma cesta não era difícil para ele, e a bola previsivelmente passou pelo aro com um som satisfatório.
— O que acabou de acontecer, como você fez isso?
— Só joguei.
— Você acha que a gente estava chutando a bola ou algo assim?
— Bem, talvez não.
Jacob resmungou enquanto pegava a bola que rolava livremente.
— Não importa quantas vezes a gente jogue, ela nunca entra.
— Acho que vocês não têm talento.
— Você se importaria de não esmagar os sonhos e esperanças das crianças?
— Hmm.
Zero Nine franziu a testa, ponderando como dizer gentilmente que lhes faltava talento enquanto preservava seus sonhos e esperanças. No fim, não conseguindo encontrar uma resposta, ele fez um pequeno som de frustração e Tommy, observando a cesta de basquete, comentou:
— Se, depois de arremessar todo dia por três dias seguidos, nem uma única entrar, talvez a gente realmente não tenha talento. Certo, Jacob?
— Mas faz só três dias, não faz?
Ouvindo essa conversa, Zero Nine soube que os meninos só estavam segurando uma bola de basquete há meros três dias. Bem, apenas três dias então. Ainda assim, se você não consegue acertar nem uma vez, talvez seja verdade que lhes falta talento.
Zero Nine percebeu que essa atividade trivial não era tão ruim, afinal. Sua cabeça latejava há instantes, mas ao considerar a infeliz falta de talento dos três meninos, de alguma forma sentiu que tudo ficaria bem. Ele olhou para a bola de basquete que Jacob segurava.
— Tente jogar agora.
— Você acha que vai entrar só porque eu vou jogar agora?
— Nunca se sabe. Talvez a fada do basquete ajude.
— Fada do basquete? Isso é ainda mais engraçado do que quando a senhora de duas casas adiante falou sobre o Papai Noel.
— O que tem de tão engraçado em falar sobre o Papai Noel?
Zero Nine perguntou, genuinamente confuso, e Jacob franziu o nariz.
— Ela tem quarenta e seis anos este ano! E ainda acredita que o Papai Noel vem visitá-la!
— Bem, isso pode acontecer.
Zero Nine lembrou que ele ao menos sabia sobre o Papai Noel em sua infância fora do laboratório. Após anos no laboratório, ele havia esquecido que o Papai Noel sequer existia e, com isso, qualquer crença nele. Olhando de volta para as crianças, embora elas pudessem não acreditar no Papai Noel, ele pensou que talvez pudesse fazê-las acreditar em uma fada do basquete.
— Dê um arremesso.
Jacob, parecendo estar ou cansado de falhar ou simplesmente entediado, lançou a bola de basquete. Ela voou fracamente, sem força suficiente sequer para alcançar o aro. Sem Zero Nine, a bola teria simplesmente caído no chão. Mas, em vez disso, ela voou graciosamente para dentro do aro com um som ressonante.
— Hã?
O rosto de Jacob estava pintado de surpresa. Os outros dois meninos gritaram:
— O quê, entrou!
— Eu quero tentar, eu quero!
Tanto Tommy quanto Michael se revezaram arremessando a bola, cada um conseguindo cesta após cesta. Seguindo o voo da bola com os olhos, Zero Nine riu e disse brincando:
— Talvez uma fada do basquete realmente exista?
As crianças encararam a bola de basquete sem entender nada. Não tendo outro propósito, Zero Nine brincou de ser a fada, sentando-se e lançando a bola que vinha do rebote novamente. Naturalmente, a bola encontrava seu caminho pelo aro suavemente. Michael pegou a bola que quicava, maravilhando-se com ela.
— Não tenho certeza sobre uma fada do basquete, mas o Zero certamente sabe como arremessar.
— Sério? Tenho algum talento, finalmente.
Ao que Tommy indagou:
— Você não tinha nenhum talento antes?
— Nenhum.
— Claro que você tem.
— Qual é?
Zero Nine perguntou, e os três meninos olharam para ele simultaneamente. Sentado ociosamente, ele percebeu. Bem, se ser bonito é um talento, então provavelmente é esse. Percebendo que Zero Nine havia entendido, os meninos continuaram seu falatório.
— A menina de três casas adiante disse que, se um cara é bonito, metade da batalha está ganha.
— Minha mãe diz o mesmo.
— Meu irmão disse a mesma coisa.
— Por que o seu irmão?
— Parece que a Jamie deu um fora nele recentemente.
Zero Nine ouviu desinteressadamente essa conversa e comentou:
— Ser bonito não resolve tudo.
— Dizem que resolve a maioria das coisas.
— Você está admitindo que é bonito agora?
— Eles também dizem que não é um problema se estiver relacionado a romance.
Zero Nine inclinou a cabeça pensativamente. Sua situação com Hexion não combinava exatamente com um contexto romântico, mas talvez não estivesse longe disso. Embora nunca tivesse vivido um romance, era difícil comparar de verdade. Apoiando o queixo, ele perguntou:
— Então, suponha que você goste de alguém, mas às vezes você realmente não aguenta essa pessoa. Você não pode terminar, nem quer realmente. O que você deve fazer?
As crianças trocaram olhares antes de concluírem:
— Parece com os nossos pais.
— Minha mãe diz que às vezes tem vontade de matar o meu pai.
— Mas ainda não o matou.
— Eles dizem coisas parecidas com você, sem saber o que fazer sem a outra pessoa.
— Você acabou de chamar o seu pai de “a outra pessoa”?
O local fervilhava com barulho caótico. Zero Nine esperou silenciosamente que o falatório das crianças diminuísse. Enquanto ele se sentava em silêncio, com os olhos abertos, as crianças chegaram à sua própria decisão e olharam para ele.
— De qualquer forma, você não quer se separar, certo? Então vocês vão continuar se vendo.
— Quando é que é bom e quando é que é ruim?
Tommy indagou, ao que Zero Nine respondeu:
— Eu gosto dele normalmente. Mas às vezes ele não considera os meus sentimentos e age por conta própria. É aí que eu desgosto um pouco dele.
— Você não pode simplesmente bater nele?
Michael sugeriu. Zero Nine ponderou momentaneamente.
— Acho que bati um pouco nele ontem.
— Oh, uau.
As crianças pareceram surpresas com aquela resposta. Jacob alternou o olhar entre eles e suspirou, falando de maneira adulta.
— Meu pai diz que, nessas horas, é bom desaparecer por um tempo.
— Desaparecer?
Jacob assentiu.
— Quando a mamãe fica brava, o papai se esconde como um fantasma. No começo, a mamãe fica furiosa, mas depois ela começa a procurar por ele, preocupada que ele possa estar bebendo de novo em algum lugar.
Ouvindo isso, Zero Nine coçou o pescoço. Não era exatamente a sua situação, no entanto, havia algo em comum no que tanto os velhos quanto os jovens pareciam dizer.
— Passar um tempo separados?
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna