Capítulo 71
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 71
— Provavelmente, sim?
As crianças, absortas em seu falatório, mal se lembravam do que haviam deixado escapar. Zero Nine tirava conclusões precipitadas, e as crianças apenas assentiam. Jacob, acariciando distraidamente uma bola de basquete como se fosse um animal de estimação, de repente mencionou algo de que se lembrara.
— A professora geralmente sugere conversar.
— Jacob, o revólver da sua mãe não se chamava “Conversa”?
— Não, se chama “Juízo Final”.
— Por que isso?
— Ela sempre diz que o dia em que puxar aquilo é o dia em que nossa família encontra seu juízo final.
— Ah, faz sentido.
Zero Nine ouviu a troca das crianças com uma dose razoável de aflição. Tommy, que estivera escutando Jacob e Michael, interveio.
— Mas Zero, você já não recorreu à violência?
As crianças todas se viraram para olhar para Zero Nine.
— É verdade, você não disse que bateu em alguém?
— Você bateu no seu parceiro? Zero Nine, isso é horrível.
Zero Nine corrigiu calmamente o primeiro equívoco deles.
— Não é um parceiro.
— Não é um parceiro? Então é alguém por quem você tem uma queda? Não é ainda pior bater em alguém por quem você tem uma queda?
— De qualquer forma, bater em uma garota não é certo.
Ele suspirou interiormente com a mente fechada das crianças e as corrigiu novamente.
— Era um homem.
As crianças trocaram olhares de compreensão, como se algo tivesse feito sentido para elas.
— Eu não tinha pensado nisso.
— Você tem razão.
— Mas ainda assim, bater em uma pessoa, seja homem ou mulher, é errado. Especialmente porque o Zero é bem alto, não é?
— É, bater em alguém mais fraco não é certo. Zero, ele é menor que você?
Zero Nine respondeu com uma expressão vaga.
— Tamanho parecido, na verdade.
As crianças franziram as sobrancelhas, contemplando seriamente.
— Então, está decidido. Luta até a morte, e o vencedor leva tudo.
— De repente, isso não parece extremo demais?
— Se for entre dois homens com quase 2 metros, parece justo.
Parecia que caras grandes na sociedade precisavam seguir a lei da selva. Zero Nine riu suavemente, percebendo a futilidade dos conselhos deles. Olhando para o relógio, notou que a hora do almoço se aproximava. Ele deveria voltar? Ele hesitou. Embora tivesse fugido de certa forma, retornar após apenas seis horas não era atraente. Talvez devesse vagar mais. Enquanto refletia, Michael fez uma sugestão.
— Quer almoçar?
— Hm, desculpe, mas estou sem dinheiro.
— Um adulto que parece normal também pode estar sem dinheiro, hein?
Aliviado por não ser confundido com um sem-teto novamente, ele riu sem jeito enquanto Michael respondia casualmente, abraçando sua bola de basquete.
— Os pais do Tommy e do Jacob não gostam de visitas. Mas a minha mãe adora.
— Você quer dizer aquela com a arma “Juízo Final”?
— É, a “Juízo Final” é nossa amiga.
Zero Nine respondeu com um rosto peculiar.
— Nada mal ter o “Juízo Final” ao lado de um “Desastre”.
Ele deu de ombros, e um Michael sem entender nada acenou para seus amigos. Crianças famintas e em crescimento não fizeram objeções enquanto partiam alegremente para o almoço. Michael olhou para Zero Nine enquanto segurava sua bola de basquete ao lado do corpo. Zero Nine olhou de volta, coçando a bochecha.
— Você vai mesmo me levar para sua casa?
— Zero Nine, você não está evitando sua casa porque brigou com o seu parceiro?
— …Não exatamente, mas eu sou um adulto, então eu me viro.
— Hmm, não tenho certeza disso.
Michael franziu o nariz, fazendo sinal para que ele o seguisse.
— Zero, você não parece muito adulto.
Zero Nine seguiu a criança muito mais baixa, ponderando:
— Não pareço adulto?
— Parece que temos uma idade parecida?
Zero Nine silenciou diante daquele comentário. Era verdade — ele tinha mais ou menos a idade de Michael quando foi sequestrado para o laboratório. O vento soprou, despenteando o cabelo curto de Michael. Zero Nine sentiu a brisa provocar seu próprio cabelo castanho, tentando recordar sua infância. Tudo o que lembrava era do teto branco e do cheiro de produtos químicos, deixando-o com um desespero superficial que mal tocava seus tornozelos.
Sim, era mais ou menos isso. Um desespero trivial e raso. Zero Nine caminhou lentamente, arrastando os pés.
↫─⚝─↬ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna
Hexion estava verificando a hora, processando tarefas da empresa em um tablet trazido por seu secretário. A hora do almoço se aproximava, mas ainda não havia notícias de Zero Nine. Era o esperado; ontem Hexion havia pressionado Zero Nine com força. Sua turbulência atual era mais profunda do que antes.
Hexion pousou o tablet e olhou para o relógio. A localização de Zero Nine ainda era dentro da cidade, embora um pouco longe do hotel, não era preocupante. Avaliando quando buscá-lo, o telefone de Hexion tocou. O nome familiar apareceu.
Leona
Ele hesitou pouco antes de atender, ouvindo imediatamente uma voz animada.
— Hexion!
— O que minha senhora deseja de mim?
— Oh, pare de me chamar assim!
Leona tendia a agir de forma afetada perto de Hexion. Esse apelido naturalmente pegou, embora Leona o detestasse. No entanto, parecia que ela tinha assuntos mais urgentes e mudou rapidamente de tópico.
— Então, a filha mais nova de G vai se casar, hein.
— Já estava na hora, suponho. Não ouvi falar de nenhum escândalo, no entanto.
— Bem, considerando que o parceiro dela é uma pessoa comum, ninguém percebeu que era um encontro.
— Deve ter sido um caos em casa.
— Certo? E aquela filha caçula não é de recuar. Parece que ela está conseguindo o que quer. O convite para você chegou na casa principal.
— E por que a ligação urgente, minha senhora?
— Obviamente, porque o casamento é na América.
— Nada mal.
— Certo? Como parece improvável que você visite a casa principal em breve, pensei em te ver no casamento.
Ele riu secamente com aquilo.
— Chega, me diga o real motivo.
— Com essa sua intuição insuportável…
Leona resmungou antes de continuar relutantemente.
— Lembra-se do incidente na América quando um local de casamento foi atacado?
Hexion lembrou-se imediatamente.
— Ah, algo que eu resolvi. Estamos falando da criatura inesperada que apareceu?
— Sim, essa mesma, provavelmente.
Leona confirmou.
— Essas criaturas surgem como desastres naturais. A família da noiva está tomando precauções.
Ouvindo isso, Hexion compreendeu rapidamente a intenção deles.
— Eles me querem como guia e Zero Nine, o Esper, presente no casamento?
— Exatamente.
— Não vejo necessidade.
Ao que Leona respondeu de forma persuasiva:
— A empresa de G e eu somos próximos. Eles sabem da tensão entre você e sua mãe, por isso entraram em contato através de mim.
— Então eles vão me dever um favor?
— Interessado?
— Vou pensar a respeito.
— Considere positivamente.
— Avise-me quando estiver vindo. Não apareça do nada.
— Tá bom, tá bom.
Com seus negócios terminados, Leona desligou, deixando Hexion em pensamentos. Dado que não havia notícias sobre o casamento, os preparativos provavelmente estavam apenas começando. Embora ele não previsse uma agenda apertada, isso era especulação.
— Quando o meu desastre vai se acalmar?
Colocando o tablet de lado, Hexion tirou o roupão que estava vestindo. Ele vestiu um terno novo que o secretário havia preparado. Uma camisa de colarinho chinês sem gravata envolvia seu pescoço longo como o traje de um noivo. Depois de ajustar os punhos, ele estudou seu cabelo indomado. Com sobrancelhas grossas emoldurando seus olhos, a impressão usualmente fria parecia levemente melancólica.
Nada mal para atrair simpatia. Hexion entendia bem como manobrar as coisas a seu favor.
— Quanto tempo o meu desastre vai levar?
De qualquer forma, ele não podia escapar de sua presença. Pela primeira vez, Hexion via o vínculo semelhante a uma maldição de um Esper e um guia de forma positiva. Embora a perspectiva de Zero Nine permanecesse desconhecida.
— Até o ressentimento é uma emoção, semelhante ao amor.
Ele cantarolou levemente ao sair do quarto do hotel, pegando o elevador até o lobby. O secretário que aguardava prontamente o conduziu a um carro preparado, acomodando-o antes de retornar ao assento do motorista. Enquanto o carro dava a partida silenciosamente, o secretário perguntou:
— Para onde?
Hexion verificou seu relógio mais uma vez. Um marcador vermelho pairava sobre uma área residencial a cerca de 20 minutos do hotel. Ele enviou prontamente esse endereço ao secretário, que silenciosamente colocou o carro em movimento. Suave e silenciosamente, eles seguiram adiante.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna