Capítulo 18
O prazer vindo da posição instável era tão intenso que parecia que meu cérebro estava prestes a explodir. Não aguentando mais, finalmente soltei um gemido. Quando ele empurrou seu pênis para dentro de mim, soltei um som de soluço e, quando ele saiu novamente, soltei um gemido de frustração. A cada investida, o prazer aumentava. Ele me observava intensamente enquanto eu estava enlouquecido de excitação, acariciando ocasionalmente meus lábios, como se buscasse me acalmar. A conexão continuou, resistente. Ele não era do tipo que terminava rapidamente.
Quando senti que o muco aderido ao seu membro derreteria completamente, algo mudou novamente em nossa posição. Minhas costas tocaram uma parede fria. Embora isso aliviasse a instabilidade da posição, ele começou a me empurrar com uma força assustadora. Ele se meteu dentro de mim como se estivesse perfurando minha pele. Após a penetração profunda, ele não saiu imediatamente, mas continuou a esfregar a glande em meu ponto sensível, como se amassasse minha próstata. Foi como se ele estivesse esmurrando as minhas paredes internas. Os sons dos nossos corpos úmidos batendo um contra o outro também foram abafados.
— Uh, ah! Uhg, pare…! Está muito fundo…
O volume dos gemidos misturados aos choros aumentou. Com a sensação dolorosa, meus dedos dos pés se esticaram e contraíram, tremendo repetidamente. Minha mente ficou em branco e minha visão ficou turva.
Senti que ele estava prestes a atingir o clímax. Os músculos do homem que estava se esfregando contra mim estavam tensos, pulsantes, e era possível sentir suas veias saltadas, ásperas e distintas. Sua figura se tornava mais acentuada e uma aura selvagem se misturava ao seu corpo. Era como se eu estivesse sendo devorado por uma fera.
Logo, seu pênis, que batia contra minhas paredes internas, liberou sua carga quente. Pude sentir minhas entranhas sendo molhadas. Meu corpo parecia ter sido domesticado por sua ejaculação. Ao mesmo tempo, minha própria ereção, que estava pressionada contra o seu corpo firme, começou a liberar o líquido ejaculatório enquanto seu pênis, enfiado profundamente em mim, impediu que o esperma que ele liberou escapasse.
De qualquer forma, mesmo que eu retivesse o sêmen, meu corpo não conseguiria mais fazer nada com isso…
Ainda assim, eu me senti aliviado. Ele parecia está me dizendo que eu ainda era um ômega otimizado para o sexo com um alfa. Até mesmo a sensação incômoda da ereção crescente no meu interior parecia agradável, pois eu sabia que ainda era útil para ele.
Meu buraco estava aberto ao máximo para acomodar seu pênis inchado. Senti dor e não pude evitar soltar um gemido. Ele gentilmente me acariciou e sentou-se devagar na banheira de frente para mim. Eu montei nele e estiquei meu corpo, com o rosto enterrado na nuca dele, respirando de maneira ofegante.
Os curtos suspiros se repetiam em ciclos, gradualmente se acalmando, até que finalmente encontrei um ritmo constante. Enquanto isso, meu corpo esfriou e perdeu o calor devido à água fria estagnada. Então, ele estendeu a mão para ligar a torneira e começou a encher a banheira com água quente novamente.
Ele beijou meu ombro e esperou que o nó desaparecesse. Eu me apoiei nele e suspirei levemente enquanto esperava pacientemente. Então, perguntei, sussurrando.
— Está tudo bem… fazer isso?
— Se está na dúvida, então não venha para cá sozinho.
— Você não quer que eu venha aqui sozinho?
Ele acariciou meu cabelo molhado e disse suavemente com uma voz lânguida.
— Onde está sua linguagem respeitosa?
— Era apenas um pensamento em voz alta.
— Se você me ouviu, deveria me responder.
— Então, não quer fazer isso? E eu não posso falar informalmente com você?
— Sim, você pode. Se você quiser, não vou te impedir.
— Se você se sente desconfortável, não faço mais.
— Não importa o que você faça, está tudo bem. Exceto uma coisa.
— O que é?
— Não venha aqui sozinho.
— …..
Não fui o único a considerar a banheira como um túmulo. Ele também pensava da mesma forma. Talvez essa ideia estivesse ainda mais enraizada em sua mente do que na minha.
Olhei para ele, intrigado. Seus olhos calmos se encontraram diretamente com os meus.
— Nunca mais faça isso.
Eu sabia o que ele queria dizer. Eu poderia ter dito a ele que nunca mais entraria sozinho na banheira, que não mais a veria como um túmulo, que eu estava bem agora e que ele poderia ficar tranquilo. Poderia ter dito tudo isso. Mas não fiz. Não quis dizer.
Por quê?
Porque…
Ainda me sentia injustiçado.
Sim, o perdão ainda estava em uma fase não concluída. Ainda não desejava perdoá-lo completamente e, talvez, até mesmo alimentasse o desejo secreto de que ele continuasse a sofrer com a ansiedade e o medo dentro de si. Minhas ações autodestrutivas, ou melhor, a própria pessoa chamada Sooha, seriam um trauma que ele teria que carregar para sempre. E eu não me arrependia disso. Preferia que fosse assim, seria melhor se ele ficasse ferido do que se eu me tornasse um nada.
Eu o amava, então queria que ele ficasse bem. Mas também o odiava por isso: desejava que ele se sentisse culpado, como se tivesse um cadáver deitado na banheira.
Meus sentimentos em relação a ele eram uma contradição e eu ainda não havia encontrado uma maneira de resolver essa situação.
Nós ainda estamos presos em um labirinto, incapazes de alcançar uma verdadeira paz.
***
10 de novembro, quarta-feira, 15hrs.
— Eu tinha muitas perguntas. Muitas… mas não perguntei porque não tinha confiança. A coisa mais difícil é entender e perdoar. É mais fácil esquecer, fingir que nunca aconteceu. Sempre foi assim quando eu enfrentava coisas terríveis: ignorava, fingia que não aconteceu, que era algo insignificante. Mas desta vez, não consegui… por isso foi tão difícil.
Foi a sétima sessão de terapia.
Piiii!
Assim que saí do prédio do centro de terapia, um barulho alto de buzina me paralisou momentaneamente. Fiquei assustado. Meu corpo travou, incapaz de se mover, enquanto o som da buzina ecoava novamente. Só então virei a cabeça em direção à origem do som.
Ao longe, em meu campo de visão, estava um carro. A carroceria me era familiar, embora não soubesse de onde. Sem entender o porquê, virei a cabeça para olhar melhor e, ao mesmo tempo, um homem saiu do banco da frente. Ao olhar para o motorista, percebi porque conhecia aquele veículo.
— Oi.
Ela estava com metade do rosto coberto por óculos de sol, mas agora eu sabia exatamente quem era.
Joo Hae-Young. Minha mãe.
— Há quanto tempo.
— …
— Nem um cumprimento?
Não me sentia particularmente animado em vê-la, então, fui sincero.
— Acho que não temos uma relação próxima o suficiente para trocarmos cumprimentos amigáveis.
Não era uma provocação: era apenas a verdade. Mesmo sendo mãe e filho biológicos, na realidade, éramos menos próximos do que a maioria das pessoas.
Ela sorriu sarcasticamente, em resposta às minhas palavras.
— Entendo. Ouvi dizer que você recuperou suas memórias. Que bom.
Queria perguntar se ela realmente achava que era bom ou se, secretamente, desejava que eu continuasse preso em minhas fantasias.
Ela era a pessoa que me enviou diretamente para o hospital psiquiátrico. A ação dela foi de proteção? Não, foi uma tentativa de aniquilação. Ela me quebrou e me rasgou ainda mais, mesmo quando eu já estava destroçado. Por isso, para mim, ela não passava de uma agressora. Desde o momento em que ela se tornou uma agressora, minha mãe perdeu todo valor, assim como suas palavras.
— Não precisa me olhar assim. Eu não vim para te torturar. Ainda acho que devíamos nos encontrar pelo menos uma vez mais. Tenho algumas coisas que quero te dizer.
Por que a mudança repentina?
— Não posso evitar. Se eu for até sua casa, Haewon, aquele imbecil, não vai ficar quieto e eu não tenho como entrar em contato com você secretamente, então… o que posso fazer? Tenho que te encontrar assim, sorrateiramente. Então, venha comigo. Vai ser só um instante.
Mesmo diante de seus esforços tão egoístas, não conseguia entender o motivo pelo qual ela estava determinada a me encontrar. Além disso, não sabia se havia necessidade de atender a esse pedido egocêntrico que parecia não se importar com as circunstâncias dos outros.
Não hesitei e recusei firmemente.
— Eu tenho um lugar para ir.
— Eu entendo. Então posso te levar até lá.
— Eu quero ir sozinho.
Diante de repetidas recusas, minha mãe suspirou.
— Soo-ha…
A voz da minha mãe que veio a seguir tinha um tom autoritário.
— Você precisa falar com a sua mãe.
— …
Será que ela sabe como o título de “mãe” soa estranho e repulsivo para mim?
***
— E como está seu tio? Vocês estão se dando bem?
Depois de muito tempo após partirmos é que minha mãe abriu a boca. Tio. A intenção por trás desse título era tão óbvia que eu ri internamente. Endireitei minha cabeça, que estava inclinada para o lado da janela, e respondi calmamente.
— Sim, estamos nos dando bem, sem nenhum problema.
— Entendo. É uma pena.
Parecia uma brincadeira, mas dava para sentir sinceridade em suas palavras.
O que ela esperava ao perguntar isso? Será que ela estava esperando que eu dissesse que está difícil a convivência ou que estou sofrendo?
— Se estiver sendo forçado a ficar perto do seu tio, a mãe pode te ajudar.
Desta vez, não pude evitar e ri em voz alta. A ideia de ajuda. Essa expressão mostrava claramente como ela percebia suas ações em relação a mim. Desde tentar me mandar para o Canadá até me internar em um hospital psiquiátrico, e ainda pior, roubar meu filho e operar meu útero, ela considerava tudo isso como ajuda para mim. Então, eu só pude rir.
— Posso saber por que está rindo?
Minha mãe perguntou após uma breve olhada para mim.
— Porque é engraçado.
— O quê?
— O que você disse.
— Tipo, qual parte?
— Tudo. Tudo mesmo.
— …
— Ele não está me forçando a ficar com ele, então não preciso de ajuda. Sinto muito se isso te decepciona, mas é a verdade.
— Percebo alguns espinhos na sua resposta. Será que é minha imaginação?
Eu disse que não precisava mais de auxílio. Na verdade, eu não queria nenhum tipo de ajuda vindo daquela mulher. Mas, para os ouvidos de minha mãe, a resposta não soou tão sincera.
— Se soou assim para você, eu não posso fazer nada.
— Você está querendo culpar sua mãe, não é?
— Não.
— Mas soou assim.
— Uhhhh… — Um suspiro escapou naturalmente. Senti uma exaustão repentina.
— Não estou querendo culpar você. Posso ser mais honesto? Simplesmente não quero fazer nada com você.
— …
Era a verdade. Neste momento, perguntar por que ela estava tão chateada comigo não tinha sentido. Não havia palavras que eu quisesse ouvir ou dizer: eu simplesmente não queria fazer nada com ela. Se havia algo que desejava dela, era que me deixasse em paz completamente. Sinceramente, até mesmo esse tipo de conversa era irritante e desconfortável.
— Não vai me dar nem a chance de pedir desculpas?
— Para quê? Isso não é necessário.
— Para você, sou apenas uma mulher má, certo? Seu tio também não era diferente. Na verdade, você ficou arruinado por causa dele. Você deve saber disso agora, mas está se comportando bem com o seu tio e tratando sua mãe com frieza, sabia? Eu simplesmente não entendo.
— É porque eu quero assim.
Minha resposta fez a expressão da minha mãe franzir.
— Você não está curioso para saber por que eu tive que fazer tudo aquilo? Como eu me sentia naquela época…?
— Não, não estou.
— Por quê?
— Acabei de dizer. Eu simplesmente não quero nada com você, então, esse tipo de informação é desnecessária.
Desculpas e justificativas são apenas atos de conforto pessoal do agressor. Desde criança, como um ômega masculino, sofri discriminação, desprezo, violência, e geralmente tudo terminava assim: com desculpas e justificativas que eu era obrigado a ouvir. Com a minha mãe não seria diferente. Eu já podia imaginar que tipo de desculpas ela ofereceria.
“Te internei em um hospital psiquiátrico porque você dormiu com o seu tio. Eu dei seu filho para outra pessoa porque você não estava em condições de criá-lo. Arranquei seu útero sem seu consentimento, mas fiz isso por você”. Todas essas desculpas, no final, se resumiriam a uma única frase: “Eu fiz aquilo por sua causa.” Então, não havia mais necessidade ou obrigação de ouvir todas essas desculpas inúteis.
— …… Está tudo bem, então, não faça isso. Não faça.
Depois de um firme “não”, minha mãe finalmente desistiu das justificativas. Graças a Deus. Se ela continuasse se justificando, eu teria tapado os ouvidos. Talvez tivesse até mesmo pulado do carro.
— Não era sobre a desculpa, de qualquer forma, eu só queria te dizer uma coisa.
— O quê?
— O importante é que nada mudou.
O carro, que corria sem parar a uma velocidade constante, parou momentaneamente em um sinal. Minha mãe virou a cabeça para mim, como se estivesse esperando por algo em meu olhar. E então ela continuou a falar.
— Lee Soo-ha, você é meu filho, quer você se lembre disso ou não. Da mesma forma, Joo Haewon é meu irmão. Isso é um fato que nunca vai mudar e essa é a sua realidade.
Os olhos de minha mãe, olhando para mim com clareza, eram como uma lâmina afiada. Felizmente ou não, eu não me senti mal. Eu apenas senti que ela estava tentando algo novo. Será que ela acha que isso vai funcionar em mim?
Não. Talvez minha mãe tenha descoberto a possibilidade de renovação em mim. Talvez ela pense que mudei desde o episódio vergonhoso, doloroso, e, portanto, iria reagir de maneira diferente agora.
Mas, infelizmente, não consegui atender às suas expectativas. Eu tinha recuperado a razão, mas não mudei a essência de quem eu era quando escolhi ficar com meu tio.
Sem mostrar nenhuma reação, enfrentei o olhar penetrante de minha mãe, mortal como um machado. Sem se importar com a minha falta de resposta, ela continuou a repreensão como um juiz severo lendo a sentença.
— Sim, talvez vocês dois estejam apaixonados. Vamos supor que sim. No entanto, não pense que todo amor no mundo pode ser respeitado. No mundo, há ordem e senso comum. Por isso, há relacionamentos que não devem acontecer. Há amores que não devem existir. Você está vivendo exatamente esse tipo de amor.
Havia algo convincente em suas palavras: ela não estava condenando nosso relacionamento, mas sim definindo-o. Como um juiz severo, dando seu veredicto.
O sinal ficou verde novamente. Sem demora, minha mãe virou a cabeça para a frente e se afastou.
— É por isso que você está doente e é por isso que seu tio está se tornando vil. Porque vocês estão se apegando a algo que não deveriam. Porque não consegue lidar com isso. Não é de se admirar que você esteja quebrado.
— …….
— Entendo que eu não tenho autoridade para agir como sua mãe. Mesmo assim, você é meu filho. Mesmo que você não me conheça bem, não sou o tipo de pessoa que nega meu filho. Estou cumprindo meu dever como mãe. Por isso, fiz isso com você. Eu não tive outra escolha.
Mãe. Tio. A intenção por trás dos títulos que ela usava era clara. Era para me convencer da minha depravação.
Afinal de contas, ela quis dizer que as sementes de minha miséria estão em meu nascimento. Todo o infortúnio que sofri veio de mim mesmo, como se ela não tivesse feito nada de errado.
Meu pai costumava dizer a mesma coisa: “Você passa por isso porque você é assim, não porque eu sou um imbecil. Você não deve me culpar porque seu pai está fazendo o melhor possível”. Eu ouvi essa mesma conversa tantas vezes que acabou virando uma lembrança ridícula.
É incrível. Como eu pude ter alguma expectativa? Longe de ser triste, É apenas ridículo.
No entanto…
— Sim, você está certa. É verdade.
Não pude deixar de me sentir irritado.
— Quando penso nisso, o maior problema é que saí da sua barriga. Se eu tivesse saído do ventre de outra pessoa em vez de Joo Haeyoung, nós não teríamos que suportar um ao outro desse jeito.
— ……!
— Não posso evitar. A vida não é um conto de fadas. Nasci de uma maneira desgraçada, mas mesmo assim, sim, não é como se tudo isso fosse minha culpa. Na minha opinião, as pessoas que me trouxeram para este mundo com tais condições não eram tão inocentes.
A raiva se espalhou em minha língua. Senti que meu humor estava gradualmente fora de controle. Pude ver o rosto de minha mãe endurecer de choque devido à minha agressividade.
— Ah, eu me pergunto por que você se deu ao trabalho de dar à luz a essa coisa? Deixe de lado as desculpas do seu pai. Antes de me dar à luz, você poderia ter me abortado facilmente. Não acho que você sentiria qualquer culpa por fazer algo assim.
Ela nunca me visitou depois de me internar em uma clínica psiquiátrica. Se ela me considerasse seu filho, ela não teria feito isso. Essa situação só foi possível porque ela me considerava um defeito: provavelmente queria se livrar de mim, uma depravação nojenta.
Para minha mãe, eu não passava de lixo. Portanto, ela podia me descartar a qualquer momento. Isso mudou agora? É por isso que a hipocrisia dela, dizendo que é por minha causa, me deixa tão irritado. Eu queria cuspir no falso senso comum superficial dela.
O ditado ‘Os semelhantes se conhecem’ estava certo. Meu pai e minha mãe eram iguais. Eles eram ambos egoístas e hipócritas, sendo verdadeiros abusadores em relação a mim.
Minha cabeça esquentou e meu rosto ficou vermelho.
— Vou falar a verdade. Eu não a considero minha mãe, sra. Joo Hae-young. Não posso, compreende? Eu sou mesmo seu filho de verdade?
— Você é meu filho! Lee Soo-ha, você é meu filho, o filho que eu te dei à luz, e é por isso que eu……!
— Não. Se você pode simplesmente me descartar a qualquer momento, então eu sou apenas lixo para você.
— Soo-ha!
— Sou tratado assim pela pessoa que me deu à luz. No entanto, Joo Haewon pegou a coisa que você jogou fora, a criança que você fez, e cuidou dela. Sei que ele é meu tio. Eu sei disso. Eu sabia desde o começo. E, mesmo sabendo, ainda estamos juntos. E daí? Se Joo Haewon é meu tio, o que isso significa…!
A intensidade das minhas emoções me causou dor de cabeça. Era um sinal de alerta. Eu apertei meu cabelo com força, fechei os olhos e me concentrei em acalmar minha mente.
— Que diabos…
— …….
Os lábios de minha mãe se apertaram como se ela tivesse percebido meu estado de espírito incomum. Eu também senti a necessidade de frear minha irritação crescente.
Fechei a boca e virei a cabeça para longe da janela, interrompendo a conversa descaradamente. Se ela disser mais uma palavra aqui, realmente não sei o que farei. Eu estava lutando contra o impulso de arrancar minhas unhas.
Um silêncio frio pairou sobre nós como um vento do norte.
O carro furioso dirigiu por um longo tempo antes de parar.
Foi somente quando o carro parou completamente que percebi que a cena do lado de fora era familiar: o apartamento do meu filho. Acho que não disse para onde estava indo, então como ela soube e me trouxe até aqui?
Como se tivesse adivinhado minha pergunta, ela respondeu sem que eu dissesse.
— Haewon não é a única pessoa interessada em você.
— Provavelmente ……. A ajudante.
A única pessoa que diria à minha mãe sobre minhas novidades era a ajudante. Eu tinha visto a mulher e minha mãe se encontrando na ausência de Joo Haewon, então pude adivinhar facilmente.
— Sim, mas não a recrimine. É difícil encontrar alguém que saiba o que está acontecendo, seja discreta e faça um bom trabalho. Além disso, mesmo sem essa ajuda, eu conseguiria descobrir facilmente. Sua mãe também tem esse tipo de habilidade. É por isso que Haewon está deixando a Sra. Cho em paz.
Ela estava certa, e seria difícil encontrar alguém como ela novamente.
Cho ainda está administrando a casa como ajudante. Ela cuida até dos pequenos detalhes. Por exemplo, ela não me deixa mais sozinho no banheiro. Quando entro para me lavar, ela espera no banheiro e bate na porta a cada 10 minutos para ver como estou.
Se ela vê algo errado comigo, é rápida em agir e sempre tem meu remédio pronto. Se percebe que não estou comendo, verifica minha ingestão de alimentos a cada refeição e informa a Joo Haewon. Seu papel em manter minha vida e a dele estáveis era significativo.
Portanto, mesmo sabendo que ela estava ligada à minha mãe, eu não podia pedir que ela fosse mandada embora. É impossível que Haewon não saiba o que eu sei. De fato, ele pode ter percebido a conexão entre a ajudante e a minha mãe bem antes de mim.
De repente, minha mãe se inclinou para trás, estendendo a mão para o banco de trás. Ela encontrou uma sacola de compras. A sacola foi colocada em minha coxa logo depois.
— Pegue. É um livro infantil. Ele não se interessa por brinquedos, gosta mais de livros. Ele é um alfa, então está crescendo e aprendendo rápido. Ele já aprendeu todas as letras do alfabeto coreano. Dizem que o sangue não mente. Quando Haewon era jovem, ele era assim.
…… Está falando de Soohyun.
Estou surpreso que ela saiba do que ele gosta. Eu achava que ela não se importava. Eu nem sabia que a criança era um alfa.
— Obrigado.
De qualquer forma, foi gentil da parte dela me dar um presente. Eu lhe agradeci, embora de maneira fria.
— Hahaha…….
Do nada, minha mãe riu, com os ombros balançando.
— Sabe, quando Soohyun era recém-nascido, ele parecia e chorava exatamente como você. Mas, conforme o tempo passava, ele começou a parecer cada vez mais com o Haewon quando era pequeno. — e então seu sorriso desvaneceu. — Meu filho deu à luz aquela criança…
— …….
— Toda vez que eu vejo o rosto do meu irmão naquela criança… — momentaneamente tomada pela emoção, ela fez uma pausa para recuperar o fôlego. — Cada vez que eu a vejo, sinto uma sensação horrível… Você não sabe. Não faz ideia.
Não consigo imaginar o que minha mãe sente quando vê Soohyun, portanto, não posso culpá-la por se sentir péssima. Claramente, a criança era fruto de um relacionamento problemático. Todos ficam ofendidos quando veem algo sujo e eu não tive escolha senão admitir que minha mãe poderia ver Soohyun dessa maneira.
Não ofereci nenhuma palavra de consolo. Não havia motivo para dizer qualquer coisa.
— Eu já vou.
Acho que não preciso mais suportar esse assunto desconfortável. Com uma reverência abafada, me virei e agarrei a maçaneta.
— Soo-ha.
°
°
Continua…
Tradução: Rize
Revisão: MiMi