Capítulo 17
Quarta-feira, 3 de novembro, às 15h.
— Não sei o que dizer… estou confuso. Estou bem ou estou fingindo estar bem? Em alguns dias, tudo parece bem. Em outros, tudo parece esmagador. Nos dias que estou bem, tudo parece que vai dar certo, mas nos dias em que estou mal, é cansativo… É assim que eu me sinto.
Essa foi minha sexta consulta psicológica.
* * *
— Obrigado por seu tempo. Posso marcar para o mesmo horário na próxima na quarta-feira?
— Claro.
— Então muito obrigado. Avise-me se houver alguma mudança e nos vemos na próxima semana.
Acenei rapidamente para os funcionários, que tiveram a gentileza de me receber, e saí pela porta.
Uma brisa fria me envolveu quando saí do prédio. Era fim de ano e a estação havia mudado para o inverno. Um calafrio percorreu minha espinha quando me lembrei da data e percebi quanto tempo havia perdido.
Hoje foi a minha sexta sessão de aconselhamento psicológico. Meu conselheiro só pediu que eu a encontrasse dez vezes, portanto, já estava na metade do meu tratamento. Ainda assim, não tinha certeza se estava dando certo. Me sentia mais à vontade para divagar na frente da minha terapeuta do que no início, mas não tinha certeza se isso significava que eu estava melhorando. Além da minha afeição pela minha terapeuta que tinha uma atmosfera semelhante a Buda, minha desconfiança em relação às suas habilidades estava aumentando.
Vivi em uma ilusão por muito tempo e havia acabado de sair desse mundo falso e sólido. Infelizmente, recuperar minhas memórias e tomar consciência da realidade não fez com que tudo melhorasse porque ainda tinha uma bomba dentro de mim que podia explodir a qualquer momento.
A depressão crônica e a impotência que a acompanha, bem como os impulsos que surgem dela, são realmente destrutivos. Eu não tinha certeza ou confiança de que não faria isso novamente. Eu estava apenas tentando. Se eu não melhorasse, pelo menos não ficaria pior. Não queria repetir o mesmo erro.
Dois pulsos cortados e uma ida ao hospital foram suficientes. Não. Duas vezes eram muito e, se eu fiz isso duas vezes e sobrevivi, isso significa que devo viver. Talvez os Quatro Pilares mostrassem que o suicídio era uma possibilidade, mas a linha da vida se mostrou mais sólida do que isso.
De qualquer forma, minha vontade de melhorar era firme e, por isso, eu ia ao centro de aconselhamento psicológico toda semana.
Após a sessão, eu caminhava lentamente com os sentimentos complexos que sempre me visitavam.
Depois de um tempo, cheguei à porta do supermercado. Felizmente, o estabelecimento estava deserto durante essa hora do dia. Parei no departamento de brinquedos no segundo andar. Um dos funcionários que estava arrumando as prateleiras me reconheceu e, antes que eu pudesse perguntar algo, ele se aproximou e falou comigo.
— Está procurando um brinquedo para um menino de quatro anos?
— Sim.
O funcionário sorriu, como se soubesse que eu o faria. Eu apenas sorri de volta, envergonhado.
Toda quarta-feira, eu comprava um brinquedo.
E…….
Olhei para o prédio de apartamentos atordoado. O vento frio cortava minhas mãos nuas com força, estivessem elas presas à caixa ou não. O brinquedo de trem que eu havia comprado por recomendação era volumoso e exigia dois braços para ser segurado. Não me restava outra opção a não ser deixar minhas mãos congelarem.
Através da porta transparente, pude sentir o olhar severo do guarda de segurança dos apartamentos. Com certeza eu era inconveniente, pois toda quarta-feira eu passava mais de uma hora do lado de fora do prédio observando.
Na verdade, uma vez fui agarrado e interrogado por um segurança. Não consegui dizer nada na frente do guarda, que me perguntou meu nome e o motivo da minha visita. Eu não sabia o que dizer.
Meu propósito de vir aqui era óbvio. Era por causa da criança.
Eu dei à luz, mas nem sabia que havia um filho — meu filho e de Joo Haewon. Eu precisava conhecer essa criança.
Mas eu não conseguia falar. Eu queria dizer a ele que estava ali para ver meu filho, que mora aqui no apartamento 3402… Essas eram palavras simples… mas não saíram e foi então que percebi: eu não estava pronto para isso.
Como eu não podia dizer nada, o guarda ameaçou chamar a polícia. Felizmente, isso não aconteceu. De repente, o segurança recebeu uma chamada telefônica e me liberou. Foi fácil deduzir o motivo da súbita mudança de atitude do guarda: Joo Haewon era o único que poderia entender minha situação e resolver o problema rapidamente. Minha suspeita de que ele estava me vigiando se tornou uma certeza.
Desde então, o guarda de segurança não me impôs nenhuma sanção. Ele apenas me encarava e me deixava um pouco desconfortável. Mas, mesmo depois do que aconteceu, eu não tive coragem necessária. As portas de vidro daquele residencial ainda pareciam uma parede impenetrável para mim.
Conhecer a criança era como um dever de casa. Um dever de casa que não poderia ser resolvido facilmente, mas que precisaria ser resolvido em algum momento. Que expressão devo fazer quando o vir? O que dizer? O quanto dizer? Até onde devo ir? Tudo isso era difícil e esotérico.
É por isso que estou tremendo de medo hoje. Segurando o brinquedo que não posso entregar, repetindo na minha mente a saudação que não posso dizer.
— Olá, Soohyun, eu sou…
Pressionei meus lábios congelados e tentei tirar as palavras da minha cabeça.
— Eu sou… Lee Soo-ha… Eu dei à luz você. Você é filho meu e do Sr. Joo Hae-won.
A linguagem materializada acabou se dispersando no ar sem significado porque não havia ninguém para escutá-las.
Hahaha… De repente, comecei a rir.
Que diabos você está fazendo neste dia frio…?
Depois de um tempo, meus pés, que estavam presos ao chão como pregos, começaram a se mover por conta própria. Cambaleei lentamente para trás e depois me virei.
O brinquedo em minha mão ficou tão pesado quanto uma pedra.
Patético.
Hoje não foi diferente. Foi mais um dia de hesitação em que eu não pude fazer nada. Mais um dia de evasão. Escolhi fugir de novo. Por fim, balancei a cabeça, em negação.
*
De repente, acordei com a sensação de que meu corpo estava sendo levantado. Estava familiarizado com as formas borradas em minha visão turva.
Era ele.
Pisquei algumas vezes e, então, perguntei.
— Quando você chegou aqui?
— Agora mesmo.
— Então veio de carro…
Senti um leve arrepio em seus braços. Meu corpo reagiu ao frio que atravessou minha roupa fina. Estremeci, assoei o nariz e ele franziu a testa.
— Você está doente?
— Não, não… Só estou com um pouco de frio.
— Posso ver isso. Estava sem edredom, no chão. Quer mudar seu quarto para cá?
— … Não há necessidade de fazer isso.
Ultimamente, tenho adormecido no segundo andar em vez de dormir no meu quarto, especialmente nesse quarto de brinquedos. Na verdade, esse cômodo estava vazio porque ninguém o usava, mas agora estava cheio de brinquedos de todos os tipos.
Todos eles comprados por mim, mais precisamente, brinquedos que eu havia trazido de volta porque não pude dá-los ao meu filho. Havia berços, móbiles, andadores e outras coisas que eram completamente inadequadas para um menino de quatro anos. Eram coisas que eu comprei e não sabia por que as havia comprado.
Ele não falava muito sobre os brinquedos que eu comprava por uma questão de hábito. Hoje foi a mesma coisa. Não me perguntou nada sobre o que comprei ou por que continuava comprando coisas que não poderia dar ao meu filho. Não era porque ele não estava interessado. Era porque ele já sabia de tudo.
Se houve uma mudança positiva desde que voltei da ilusão para a realidade, foi essa. Eu não confundia mais sua frieza externa com indiferença. Agora sei que sua essência carrega uma obsessão por mim.
Para começar, ele nunca foi uma pessoa muito afetuosa, mas ele estava definitivamente mais frio do que costumava ser. Essa frieza concentrada era provavelmente o resultado de sua cautela para evitar ativar os meus gatilhos de defesa. Era uma daquelas coisas que você aprende com o passar do tempo e que me surpreendeu.
Ele ainda é assim. Sempre sensível quanto a mim, sempre cauteloso e calmo em relação a tudo. Era como se ele estivesse segurando um copo que se quebraria se ele o tocasse.
— Você pode me colocar no chão. Estou acordado. — murmurei, passando a mão no rosto.
— Fique quieto, eu não te abracei para te agradar.
— Sério?
— Foi para o meu próprio conforto.
Mas, às vezes, quando ele diz algo assim, lembro que ainda é Joo Hae-won e fico feliz em vê-lo novamente, como o conheci há cinco anos.
— Acho que já pensei sobre isso no passado. Sabia que você diz isso cheio de arrogância? Realmente precisa dizer as coisas dessa forma?
— Eu sei. É um comentário que ouço muitas vezes, mas você não me prefere desse jeito?
Eu estava prestes a protestar: Não invente as preferências de outras pessoas sem permissão, mas parei. Parei porque reconheci a sutil nuance em suas palavras contundentes.
De repente, suas palavras passaram pela minha mente, armazenadas em algum lugar da minha memória.
‘Você não gosta quando sou gentil com você. Por isso, faço o possível para acomodá-lo.’
Essas eram palavras que eu não consegui entender de jeito nenhum na época. Você nunca foi gentil comigo, você é um sofista, foi o que eu pensei. Mas agora eu entendo o que elas significam. No passado, testemunhei minha intensa rejeição a ele caso ele se aproximasse com gentileza, mesmo que remotamente, de mim.
— Não é do meu gosto.
Porque não é mesmo.
— Então do que você gosta?
— Eu não sei… eu realmente não pensei sobre isso.
— Pense nisso e me diga. Farei o possível para corresponder às suas expectativas.
— …….
Eu não disse nada e seus olhos imediatamente se aguçaram. Ao menor olhar, ele sempre segurava uma faca como essa. Uma faca que queria cravar na minha mente. Foi para isso que sua última pergunta foi feita.
Toda vez que ele faz isso, eu sinto minha instabilidade se manifestar. Ele ainda estava desconfiado sobre a minha condição. Seu comportamento de me procurar assim que chegava em casa sem nem mesmo trocar seu inconveniente terno também devia ter partido dessa sensação de insegurança. Eu sabia, mas, do jeito que estou agora, não consegui livrá-lo completamente dessa sensação de instabilidade.
Em uma tentativa de aliviar a atmosfera que estava prestes a se tornar pesada, eu disse de forma lúdica.
— Agora que penso nisso, provavelmente prefiro homens que cozinhem para mim.
— O jantar, é?
— Comi pouco. Eu achei que alguém prepararia um lanche noturno para mim.
Finalmente, um leve sorriso apareceu nos cantos de sua boca.
— Eu já pensei nisso antes. Mas confesso que você tem um talento especial para usar as pessoas.
— Você não gosta disso?
— Não. Eu realmente gosto.
Eu ri.
Se seguiu uma conversa peculiar e risadas. Penso nisso todas às vezes que compartilho coisas com ele.
Sim, devo estar melhorando.
Mas, ao mesmo tempo, duvido disso. Eu me pergunto se essa sensação de segurança é real ou se é apenas mais uma de minhas ilusões.
Será que eu sou normal por me sentir assim?
*
A madrugada sem dormir era chata e entediante.
A insônia, que tem voltado a me assombrar desde que parei de tomar meus antidepressivos, foi bastante insistente. Foi como meu médico havia me alertado. Ele me disse que a interrupção abrupta da medicação depois de tanto tempo de uso poderia causar efeitos colaterais e ele estava certo. Eu deveria fazer isso gradualmente… mas eu não dei ouvidos. Não quis ouvir, então simplesmente decidi que não tomaria mais.
Os antidepressivos não são realmente uma cura: eles são mais como anestésicos. Foi assim para mim. Eles não removeram a bomba; apenas param temporariamente o cronômetro da explosão. Aqueles remédios pareciam anestesiar meu cérebro para que eu não conseguisse pensar e não queria ficar anestesiado e dependente de medicamentos para sempre. Por isso, apesar de conhecer os riscos, deixei de tomar a medicação.
Minha aversão a hospitais tornou-se extremamente forte depois que percebi que as instalações que eu acreditava ser uma casa de comércio de ômegas era, na verdade, um hospital psiquiátrico. Eu sempre era medicado lá. Todos os dias, eu os recebia como se fosse comida, sem saber realmente o que eram.
Hoje em dia, frequentemente encontro o Lee Soo-ha com problemas mentais em meus pesadelos.
Eu via esse Lee Soo-ha chorando, como se estivesse tendo um ataque.
O tolo Lee Soo-ha que caiu no fundo do poço e sonhava em encontrar um lugar para se esconder.
O patético Lee Soo-ha que estava esperando o dia em que morreria e seria queimado.
Um homem tolo que se via como uma ferramenta a ser vendida.
Memórias que eu preferia não conhecer. Talvez essa insônia não tenha sido causada apenas pela falta de medicação, mas pelo medo do pesadelo.
Fiquei quieto e fechei os olhos, como se estivesse dormindo, mas mexi as pálpebras quando ouvi o som de sua respiração. Arregalei os olhos para verificar seu estado. Estava muito escuro para ver claramente, mas ele parecia ter adormecido profundamente.
— …….
Eu estava muito inquieto para dormir e, de repente, pensei comigo mesmo: talvez eu devesse ter pedido a ele para fazer sexo comigo… haha…
Fazia muito tempo que eu não fazia sexo com ele. Desde a tentativa de suicídio, para ser exato. Mesmo após receber alta do hospital, ele ainda não tocou em mim.
Quando pensei erroneamente que era um ômega que ele havia comprado, fazia sexo por obrigação. Na época, eu o fiz porque era necessário. Mas agora que percebi a realidade… não tenho certeza de como me sinto em relação a isso. Talvez eu deva…….
Acho que ele nunca mostrou sinais de estar evitando esse tipo de contato comigo, mas também nunca tentou. Não acho que seja porque ele esteja menos interessado em mim… pelo menos eu gostaria que não fosse assim.
Abri meus olhos, mas minha visão estava tão escura quanto se eles estivessem fechados. Fiquei olhando fixamente para o teto enegrecido quando, de repente, ouvi um zumbido e uma vibração. Virei a cabeça, assustado, mas o celular dele na prateleira ao lado da cama estava mudo.
— …….
Por precaução, estendi a mão e verifiquei seu telefone. No entanto, não importa como eu o tocasse, o telefone não responde. Ele provavelmente parecia ter desligado o celular. Isso significava que o som que ouvi antes era uma alucinação.
— Deve ser isso. — disse em voz baixa.
Toda vez que me dou conta do meu estado anormal dessa forma, sou tomado por um sentimento difícil de descrever.
Não era apenas a minha cabeça que não estava certa; meu corpo também não estava. Um ômega que não entra no cio. Um ômega que não pode ter mais filhos. O que me torna diferente de um homem beta comum, agora que meus feromônios também foram cortados? Meu corpo era como uma aeronave com peças defeituosas que não podia decolar.
É engraçado. Quando eu era mais jovem, não gostava de ser um ômega… agora, eu me sinto desconfortável em um corpo que não se parece mais com o de um ômega.
…. Talvez seja por isso que ele não me toca? É porque não se sente mais sexualmente atraído por mim?
— …….
De repente, com um sobressalto, joguei fora as cobertas e me sentei com cuidado na cama. Meus pensamentos se transformaram em uma espiral de negatividade.
Entrei no banheiro e tirei a roupa. Abri a torneira da banheira e um jato grosso de água atingiu o chão, fazendo um barulho fraco. Ajustei a temperatura da água e entrei na banheira. A água quente jorrando rapidamente envolveu meu corpo nu.
Agachei-me sobre os joelhos, olhando fixamente para a água que subia, quando um som inesperadamente penetrante invadiu meus ouvidos.
— ……!
Eu me virei surpreso e o vi. Parece que ele havia aberto a porta com um puxão. Nossos olhares se cruzaram e ele perguntou agressivamente.
— O que está fazendo?
Seu tom foi incisivo. Muito incisivo.
— Oh, só… eu só não conseguia dormir.
— É isso?
— …… sim?
— Essa é a única razão pela qual você está fazendo isso?
Assenti lentamente com a cabeça. Ele me olhou com um olhar penetrante, depois suspirou, passando a mão pelos cabelos desgrenhados. Em seguida, fechou os olhos, como se estivesse tentando acalmar suas emoções furiosas.
Gradualmente, a frieza em sua expressão desapareceu. Ele nunca foi de demorar muito para processar suas emoções.
Recuperando a compostura, ele se aproximou e se sentou na borda da banheira. Checou a temperatura da água com a mão e, depois, falou com uma voz mais suave.
— Se não conseguir dormir, me acorde. Eu posso abraçar você.
— Você não vai trabalhar amanhã?
— E daí?
— Você fica cansado se não dormir direito. Tenho medo que você possa ter problemas se não fizer um bom trabalho porque está cansado…
— Ninguém pode me repreender. Você é a única pessoa que pode me assustar. Se já não sabia, fique sabendo agora.
— Como posso assustar Joo Haewon?
— Você está fazendo isso agora.
— …… eu?
— O que você acha que senti quando você desapareceu de repente e eu o vi sentado na banheira sozinho.
— …….
Claramente, eu não sou normal. Eu não imaginei que ele iria ficar preocupado e reagiria de forma tão sensível à minha breve ausência.
— Não foi essa a minha intenção.
— Então não faça isso.
Fiquei feliz em imaginar a ansiedade que ele deve ter sentido.
Essa felicidade indescritível era um espelho do meu eu distorcido. Esforcei-me para desviar o olhar do meu coração distorcido.
Levantei minhas mãos para ele e disse:
— Eu só estava me lavando. Veja, não há faca.
As palavras foram ditas de improviso para esconder meus pensamentos errados. Tudo o que recebi em troca foi um olhar pesado e, em retrospecto, percebi que havia falado de forma leviana.
Não uma, mas duas vezes, ele me encontrou com os pulsos cortados na banheira. Essa não era uma história que poderia ser tratada como uma piada inocente.
Foi um deslize óbvio, mas eu não queria pedir desculpas. Era a última coisa que eu queria dizer a ele, muito menos a qualquer outra pessoa. Eu não queria me sentir assim. Então, fechei a boca e baixei o olhar.
Um silêncio pesado se instalou. A única coisa que se ouvia era o som da água batendo na superfície da banheira. Quando a água estava na altura dos meus ombros, ele fechou a torneira em silêncio.
— No futuro, me acorde e peça para eu vir tomar banho com você.
Impulsivamente, estendi a mão para ele enquanto ele tentava se levantar. Quando agarrei seu braço, ele me olhou com os olhos estreitos. Eu olhei para ele sem expressão.
— …….
— …….
Na verdade, não sei ao certo porque o segurei. Eu apenas quis…
Nosso olhar inabalável, direto, e nossa respiração irregular se misturaram em meio a tensão que aumentava sem motivo. Logo, os sinais começaram a ir e vir em cada elemento que ele e eu compartilhávamos. Era um sinal flagrante e erótico. Eu percebi mais tarde o que eu estava fazendo. Mas. naquele momento, fiz isso de forma totalmente inconscientemente.
Ah, agora é a hora.
Talvez ele estivesse esperando por isso. Esperava quando isso aconteceria naturalmente, sem nenhum propósito ou pressão. Quando fosse apenas o desejo de fazer isso.
Seus olhos longos e esticados se afrouxaram. Por outro lado, suas pupilas se aprofundaram. Seus olhos normalmente penetrantes são como chamas. Eles irradiam calor onde quer que seu olhar toque.
Enquanto esses olhos me olhavam fixamente, ele puxou a blusa para cima e a tirou. Fiquei parado enquanto ele entrava na banheira, depois de tirar a cueca.
A banheira, que era espaçosa quando eu estava sentado sozinho, ficou apertada. Ele agarrou meus tornozelos e puxou com força, fazendo com que meu corpo deslizasse e me submergisse até o queixo. Então, ele se inclinou e ficou em cima de mim.
— Quando você aprendeu a pedir desculpas?
Meu estômago se revirou com suas palavras.
— Não estou fazendo isso porque sinto muito.
Eu não estava arrependido. Por que eu deveria estar? Eu não teria feito isso se você não tivesse me machucado em primeiro lugar.
— Não me arrependo. Não me arrependo de nada…
Murmurei teimosamente, afastando seu ombro e balançando a cabeça, apenas para senti-lo segurar meu queixo e sussurrar suavemente.
— Melhor assim.
Seu hálito quente se derramou em mim e eu pude sentir a excitação crua que ele sentia irradiando pelo meu corpo.
Fechei os olhos e seus lábios desceram em encontro aos meus. Então, nós nos beijamos profundamente.
*
O ar úmido do banheiro encheu meus pulmões. Já fazia muito tempo desde que senti meu corpo esquentar rapidamente. O pedaço de carne em meu interior não era familiar. Na verdade, era pesado. Na verdade, o pênis dele era tão grande e pesado que, embora eu já o tivesse recebido inúmeras vezes, ainda parecia ser a primeira vez.
Mas agora era diferente das outras ocasiões. Seus movimentos eram lentos e delicados. Era tão desconhecido… antes ele não era tão cuidadoso.
— Ah, ugh …!
Seus movimentos lentos e superficiais de repente se curvaram para levar seu pênis ainda mais fundo. Meu corpo inteiro estremeceu quando a glande atingiu meu baixo ventre. Cravei minhas unhas em seus braços que seguravam o corrimão da banheira e inclinei minha cabeça para trás. Pude sentir claramente suas veias através de minhas palmas, pois elas se destacavam contra sua pele. Elas eram a prova da sua excitação.
Ao mesmo tempo, a maneira como seus olhos percorriam meu rosto era ferozmente racional e eu podia dizer que ele estava sendo claramente paciente para não machucar meu corpo. A maneira como ele estava controlando sua excitação, avaliando minhas reações, me dizia que ele não tinha certeza de como lidar comigo.
Fiquei imaginando se ele achava que eu não iria gostar se ele voltasse à sua aspereza habitual. Qualquer que fosse a intenção, era uma consideração que parecia desnecessária.
Não havia propósito, nem coerção. Havia apenas uma faísca, então, eu simplesmente fiz o que queria fazer. Não havia nenhum cálculo envolvido. Eu só queria que ele não pensasse em nada disso. Eu queria que ele deixasse tudo para lá, para que pudéssemos aproveitar esse momento.
A estimulação suave não me satisfazia, apenas me atiçava mais. Eu precisava de algo mais forte.
Mastiguei meu lábio com impaciência. Em vez de pedir mais força, fixei os olhos nele e balancei os quadris por conta própria. Balancei minha pélvis para cima e para baixo, fazendo com que seu pênis parecesse mais vivo dentro de mim.
— Hmph…!
Gemi e fechei os olhos, tentando me mover mais rápido, mas a água estava me impedindo. Era frustrante. Esfregue deliberadamente meus testículos e pênis duros contra seu abdômem e seu corpo se enrijece contra o meu. O órgão dentro de mim parecia inchar ainda mais. Sua respiração, que se espalhava pela minha pele, ficou visivelmente mais áspera. Minha agressividade havia minado sua razão.
De repente, ele colocou um braço em volta da minha cintura. A força de seu braço curvou minhas costas e levantou meus quadris, fazendo com que seu pênis profundamente enraizado escorregasse até a metade para fora. A água morna escorria pela abertura em nossa conexão solta.
Seu pênis escorregou para fora e imediatamente voltou a se enterrar no meu interior. Depois de finalmente encontrar uma rota, ele envolveu os braços em volta da minha cintura e começou uma penetração em grande escala.
— Ah! Ha!
O som de suas fortes investidas ecoou pela água. Não senti nenhum desconforto, embora minhas costas estivessem bem curvadas. Era apenas o prazer que estava provocando tal tumulto. Perdendo o controle, levantei os braços e agarrei desesperadamente o cabelo dele.
Os lábios dele apalparam meus seios nus. Meus ombros estremeceram quando a língua macia dele tocou meu mamilo ereto. Ele passou a língua em volta, como se estivesse chupando um doce. Depois, o prendeu entre os dentes e mordiscou, chupando com força, continuando com a provocação.
Eu estava tão absorto nas sensações que inundavam meus mamilos que me esqueci do pênis dentro de mim. Minhas pernas se abriram e o aperto do buraco que estava mordiscando sua carne diminuiu um pouco.
O comportamento do seu corpo, que era incomumente moderado, recuperou cada vez mais a ferocidade original. A água começou a espirrar a cada movimento que ele fazia. Seus movimentos se tornaram cada vez mais rápidos. Seus movimentos ferozes despertaram o prazer de meu corpo.
— Hmm, isso é muito bom… ah… tão gostoso, ha…
Murmurei freneticamente. Eu não sabia o que estava dizendo. Eu estava apenas deixando as palavras saírem.
Após se meter em mim em um ângulo por um tempo, ele de repente mudou para um impulso profundo, inclinando os quadris, e me esmagou por dentro com a glande. Meus olhos se arregalaram e meus lábios se separaram com a intensa estimulação que chegava à minha próstata.
— Hmmm!
Um som rouco vazou da minha garganta, que estava tão dolorosamente curvada quanto minhas costas. Como se sentisse a tensão em meu corpo devido aos gemidos, ele segurou meu pescoço e endireitou a parte superior do meu corpo. Minhas costas tortas se endireitaram e minha cabeça caiu em seu ombro. Estremeci e passei os braços em volta de seu tronco.
— Oh, oh, oh, haa…!
Eu não conseguia dizer as palavras que estavam na ponta da minha língua devido ao intenso prazer. Enquanto eu murmurava algo freneticamente, ele me lambeu, me mordiscou, e então nossas bocas se encontraram. Coloquei minha língua para fora e, freneticamente, lambi e chupei seus lábios molhados. Seus lábios, que haviam me sugado tão gentilmente, logo engoliram minha língua. Nossos corpos quentes se entrelaçaram, se esfregando. Nossas respirações quentes se misturavam e se chocavam em minha boca. Suguei sua carne e saliva sem parar.
Sua cintura, que havia parado, começou a se mover mais uma vez. Afastei meus lábios dele, buscando por ar, e balancei a cabeça sem rumo.
— Ahh, sufocando… Não… isso, mais, hmph …!
Enquanto resmunguei algo sobre aumentar o ritmo, ele me levantou, ainda me segurando.
Splash.
A água que me cercava se dissipou e um calafrio se apoderou de mim. Enrolei minhas pernas flutuantes em volta de sua cintura. Assim que ficamos nessa posição, ele me penetrou com mais força.
Desta vez, a velocidade da inserção foi rápida em detrimento da baixa amplitude. Como o ângulo da inserção mudou de acordo com a posição. A natureza do prazer era diferente. Toda vez que ele se movia eu me agarrava ao seu corpo e tremia impotente.
— Ah, estou ficando louco.. isso… isso… assim…
°
°
Continua…
Tradução Rize
Revisão MiMi
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