Capítulo 12
Finalmente entendi por que ele estava fazendo isso.
— Vai ficar noivo no próximo mês, e se casar na primavera……. Não é isso?
Se você sabe tanto assim, já imagino quem é a fonte. Deve ter sido Joo Hae-young.
Eu sabia que isso iria acontecer em algum momento. Mas não havia preparado uma resposta apropriada.
— Não é assim?
Eu podia ver o desespero em seus olhos quando ele perguntou novamente. Eu sabia que ele queria que eu dissesse não, mas não podia dar a resposta que Lee Soo-ha queria, afinal, era verdade.
Suspirei e passei a mão em meus cabelos.
Estava cansado. O conflito com Joo Hae-young, lidar com meu pai, além de ter que explicar e dar sentido a todas essas questões parecia muito cansativo. Essa era uma situação que eu não conseguia entender qual a perspectiva de Joo-ha sobre. Eu tive uma educação diferente, pensava de forma diferente, e isso não ia mudar, quer ele entendesse ou não.
No final, não dei desculpas e simplesmente admiti o fato.
— Sim, é isso mesmo.
Seus olhos se turvaram novamente.
Senti como se tivesse acabado de disparar o último tiro em um animal moribundo.
— Então… e eu?
— Isso não muda nada. Tudo continua igual.
Essa era a questão, de qualquer forma. Que nada mudaria.
— Não estou entendendo.
— Você não precisa entender; só precisa saber.
— Eu pensei que você me amava… e que era por isso que você estava comigo, mas… mas… você não me ama?
— Há casamentos sem sentimentos. Não é incomum e você tem idade suficiente para saber disso.
— Por que iria querer se casar assim?
— É um casamento por necessidade. Ele não muda nada. Essa é uma explicação boa o suficiente? O que mais você quer?
A ingenuidade em sua voz era patética, e a mágoa em sua expressão era frustrante.
— Não faça isso.
Ele agarrou meu braço como se estivesse se agarrando desesperadamente a mim.
— Um casamento como esse… você não precisa fazer isso. Eu não entendo, não pode fazer isso… não faça isso.
Não tinha a habilidade de falar para apaziguar o garoto. Então eu disse friamente.
— Se eu não precisasse fazer isso, não teria feito.
— Por favor…
— Pare de ser infantil. Estou cansado.
Naquele momento, a expressão de Lee Soo-ha ficou gelada. A amargura e o choque em seu rosto eram claramente visíveis.
— Apenas saiba disso: estou fazendo o meu melhor e é por causa disso que você está aqui.
— Você está dizendo que é tudo por minha causa? Que eu deveria suportar ser enganado?
— Sim. Aguente firme.
— Por quê? Porque sou sobrinho de Joo Hae-won? Ou porque sou um ômega? Talvez porque sou um homem? Por que sou um idiota que não pode ter filhos?
Seu corpo tremeu de emoção. Tudo o que saiu dos meus lábios foi apenas um suspiro. Não importa o que eu dissesse, seria difícil chegar a uma conclusão que ambos aceitassem. Apenas uma incômoda sensação de exaustão foi adicionada à situação de confronto, que era emocionalmente desgastante e não ajudava em nada.
— E o que quer que eu faça se você é assim?
— ……!
Foi só após cuspir a frase que percebi que minhas últimas palavras partiram o coração Lee Soo-ha.
Ele balançou a cabeça, como se tivesse usado toda a sua energia. Olhando para ele, senti minha cabeça girar, desejando que eu pudesse simplesmente acabar com isso.
— Você já terminou?
— …….
Peguei Lee Soo-ha, que não respondia, e o levei para o quarto. Forçando-o a se deitar na cama, peguei um cigarro e saí, com sua voz soluçante me seguindo.
— Você ao menos me ama? É por isso que me mantém por perto?
Não importava o que eu dissesse, seria uma decepção para ele.
Se eu dissesse que o amava, então por que iria me casar com outra pessoa? Era uma discussão sem sentido.
Além disso, eu não queria deixar escapar uma coisa tão estranha levianamente para acalmá-lo.
— Pense o que você quiser porque provavelmente estará certo.
* * *
Lee Soo-ha, que teria normalmente acordado mais cedo do que eu, não saiu do quarto até o momento em que terminei de me arrumar e fui embora. Ele não parecia estar dormindo. Provavelmente era devido à discussão de ontem. Parecia um protesto.
Foi só de madrugada que voltei ao quarto para ver como ele estava. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Enquanto eu olhava para o céu noturno e me recuperava do cansaço e da irritação, ele parecia ter chorado em silêncio.
Não consegui me concentrar em meu trabalho durante o resto do dia devido à briga.
Acabei cancelando uma reunião importante e voltei para casa mais cedo. Lee Soo-ha não estava lá. Pensei comigo mesmo: Talvez ele precise mudar de ares, mas um sentimento inexplicável de ansiedade tomou conta de mim.
Liguei para o número dele, mas ele não atendeu. Droga. Praguejei baixinho.
Sentei-me no sofá da sala sem trocar de roupa e esperei que ele voltasse. Quando Lee Soo-ha não voltou até perto da meia-noite e eu comecei a me perguntar se ele teria fugido para me pregar uma peça, ouvi a porta da frente se abrir.
Dei-lhe um olhar frio quando ele entrou na sala de estar.
— Você chegou tarde.
Lee Soo-ha piscou os olhos lentamente, sem expressão no rosto.
— Por que não atendeu o telefone?
— … Eu não vi que você ligou.
— Não sei o que está tentando fazer até essa hora.
— Pensando.
— Ah, apenas pensando?
— Sim.
Eu ri. Ontem ele parecia tão patético, e hoje ele estava bastante atrevido. Acho que preferia ele assim.
— Então, qual é a conclusão do seu dia de reflexão?
— Por que você pergunta? Não importa o que eu penso.
— …….
— Meus pensamentos e sentimentos não têm poder nenhum. Essa é a conclusão final.
Ele entendeu que nenhum tipo de persuasão, súplica ou confissão mudaria minha decisão. Em vez de ficar satisfeito ao ouvir essas palavras resignadas, me senti solitário e frustrado. Não sabia o que dizer a ele. Sei que, não importa o que eu diga, não o alcançarei.
— Pensando bem, minha mãe também deixou meu pai e se casou com outra pessoa. Eu a perguntei quando a encontrei pela primeira vez na funerária por que ela fez isso e ela disse: “Ah eu estava apaixonada, mas não precisava dele. Honestamente, foi interessante, mas eu não precisava sentir esse tipo de coisa”… Soou como um bando de palavras idiotas.
As palavras, ditas em um tom seco, foram estranhamente duras.
— Ontem o que o meu tio disse soou assim para mim. Palavras idiotas.
Um leve sorriso apareceu no rosto sem vida de Lee Soo-ha.
— Meu tio é um babaca.
— …….
— Há muitos babacas assim no mundo. Pessoas que tratam os ômegas como se fossem algo vergonhoso e sujo. Então, acabam fodendo eles e depois jogam fora. Já ouvi falar muito sobre isso, já vi muito disso. Mas nunca pensei que passaria por isso. Acho que o problema é que eu pensava que você era diferente.
— Não é desse jeito.
— É sim.
Não é.
— Você disse para eu pensar o que quisesse, que provavelmente estaria certo… — Ele estava chorando. — Então decidi pensar dessa forma.
* * *
A guerra de nervos não durou muito.
No dia seguinte, o garoto que me tratou com aquela atitude excessivamente arrogante como sempre. Era como se nada tivesse acontecido.
Passaram-se apenas dois dias após o surgimento do problema do noivado. Depois de uma pequena confusão de apenas dois dias, Lee Soo-ha voltou ao seu normal.
Ele estava dócil, quieto e, às vezes, atordoado. Não me culpava, não chorava devido à minha situação e não implorava para que eu não me casasse. Seu comportamento parecia indicar que entendia e aceitava minha escolha.
Mas havia algo nessa atitude inicial que me deixou desconfortável e meus instintos me alertaram. Definitivamente, algo estava errado. Não o deixe sozinho.
Mas meu tempo físico não era suficiente para chegar ao fundo do meu desconforto.
Muito tempo era gasto com trabalho e compromissos. Uma força-tarefa (TF) foi criada na empresa para analisar a possibilidade de estabelecer um escritório em Dubai e eu fui encarregado disso. Foi um teste para mim, feito pelo velho, mas também uma manobra para me posicionar como seu sucessor. Ele sempre teve uma visão implacável com relação ao fracasso e, independentemente do motivo pelo qual me propus a fazer isso, eu não faria nada de qualquer jeito. Se algo precisava ser feito, era benéfico fazê-lo organizadamente.
É realmente uma questão de escolha o que você prioriza. E, como resultado, negligenciei Lee Soo-ha.
Depois de um tempo, a verdadeira natureza de minha negligência veio à tona da pior maneira possível.
* * *
21 de setembro.
Era a manhã da cerimônia de noivado.
Tomei um bom café da manhã e me vesti com a roupa que havia planejado. Não era muito diferente do que costumava usar, então apenas senti que estava me preparando para o trabalho.
O processo de noivado era uma mera formalidade para mim e para a moça com quem eu iria me casar, mas havia algumas pessoas que precisavam disso. Principalmente, os pais de ambos os lados. Embora os protagonistas ostensivos fossem eu e a moça, a cerimônia de noivado serviria como um local social para meu pai e para o senador Chung.
Quando saí do closet após me arrumar, vi Lee Soo-ha sentado na cama.
— Por que você já está acordado? Volte a dormir.
— …….
Lee Soo-ha, que estava menos falante ultimamente, piscou os olhos em silêncio.
Ele não me disse, mas tinha certeza de que Lee Soo-ha sabia que dia era hoje. Ao contrário do que eu temia, ele não parecia muito deprimido. Estava apenas um pouco mais atordoado do que o normal.
— Eu volto mais tarde. Não deixe de tomar o café da manhã.
Agora, os consolos e as desculpas seriam desnecessários. Deixei uma saudação seca e saí. Uma voz grogue me seguiu.
— Joo Hae-won.
Eu me virei, e ele franziu os lábios preguiçosamente.
— Dê-me um abraço antes de ir embora.
Ele não se referia a um simples abraço.
Nós não tínhamos nos tocado desde que a questão do noivado surgiu. Eu estava ocupado e me segurei porque presumi que ele não queria. Ele não havia demonstrado nenhum sinal de querer, mas se estava pedindo um abraço agora, provavelmente era porque estava pensando no noivado.
Verifiquei meu relógio.
8:05 da manhã. A cerimônia de noivado estava marcada para às 11h, e levaria cerca de uma hora para chegar ao local da cerimônia em Tehran Road. Se eu calculasse ir até lá, me preparar e receber os convidados, não podia dizer que tinha tempo suficiente, mas também não precisava me dedicar de corpo e alma a algo que não me deixaria feliz.
Independentemente de minhas intenções, a tentação estava ali. Quanto mais eu me continha, mais rápido meu corpo ferveria.
Sem hesitar, tirei meu terno e o joguei no chão. Desabotoei a camisa até a clavícula e, quando me aproximei, ele se recostou e abriu as pernas. Subi na cama e deslizei minha parte inferior do corpo entre as pernas abertas de Lee Soo-ha. Como se estivesse esperando por mim, ele passou os braços em volta das minhas costas e me puxou para baixo. Chupei seus lábios secos e usei minhas mãos para abaixar minha calça em um movimento rápido.
“Ah, ah, ah!”
Levantei o pulso para verificar meu relógio.
9:30h.
Estava quase na hora de partir.
Agarrei seus quadris, os separei mais um pouco e aumentei a velocidade da minha penetração. Meu pau entrava e saía sem parar. O buraco estreito se esticou até o limite, e mastigou diligentemente meu pênis. A visão de minhas partes mais íntimas sendo mastigadas por sua carne era sempre tão obscena…
Foi um sexo rápido. Era naturalmente bom demais para terminar de uma vez. Eu queria fazer tudo de novo e foder assim o dia todo, mas minha agenda me mantinha sob controle e eu não podia dar toda a minha atenção ao sexo.
Fiquei aborrecido por precisar continuar olhando para o relógio mesmo quando a excitação aumentava.
Logo, o aperto no seu traseiro intensificou e a sensação de ejaculação surgiu.
Mantendo a penetração no lugar, apertei sua cintura com minha mão que estava com o relógio. Os braços de Lee Soo-ha apertaram a parte superior do meu corpo e caíram. Eu imediatamente apertei minhas mãos em volta de sua nuca e cintura, prendendo-o para que ele não pudesse se mover, e comecei a perfurá-lo tão rápido quanto um cachorro no cio.
— Hmph, hmph, ah, ah!
Os gritos de Lee Sooha ficavam mais altos a cada penetração vigorosa. A textura dos novos gemidos saindo dos meus lábios também rapidamente se tornaram mais áspera. Meu hálito quente descia pelas costas de Lee Soo-ha.
À medida que o prazer me levava ao ponto de clímax, puxei o pênis que havia mergulhado profundamente em seu interior para fora. Não queria que ele ficasse preso em um nó. Uma vez preso, demoraria um pouco para se soltar.
Alguns toques da minha mão sobre meu pênis dolorosamente rígido, que havia sido puxado pouco antes do clímax, e ele explodiu uma espessa carga de sêmen, se derramando sobre sua bunda avermelhada e ao redor de sua cintura. Após gozar rapidamente, me levantei e deslizei para fora da cama. Não houve tempo para aproveitar o pós-gozo.
Tirei minha camisa amassada e fui para o vestiário, vasculhando meu guarda-roupa. Peguei o que encontrei e vesti. Depois, voltei para o quarto para pegar meu casaco. A essa altura, Lee Soo-ha estava caído e ofegante. A excitação também não havia diminuído para ele.
Estalei minha língua para a bagunça provocativa no corpo de Lee Soo-ha. Mesmo não podendo aproveitar mais, demorei para sair do transe.
— Se você estiver cansado, descanse. Eu volto logo depois do trabalho.
Algumas horas depois, pelo menos.
Darei banho nele quando voltar e o acalmarei enquanto isso. Pensei comigo mesmo.
Quando abri a porta e saí, ele falou atrás de mim em voz baixa.
— Adeus.
Estreitei minhas sobrancelhas diante do tom sutil e olhei de volta para ele.
Lee Soo-ha enterrou o rosto no lençol.
— …….
O que…?
Eu o observei por um tempo, incapaz de sair devido a uma sensação estranha que eu não conseguia explicar, até que meu telefone vibrou incessantemente e eu saí de casa.
Era um fim de semana, então as estradas estavam relativamente tranquilas. Com o local do casamento bem na minha frente, esperei no semáforo, com os dedos batendo no volante, perdido em pensamentos.
— Adeus… adeus… o que…?
A palavra era sutilmente irritante. Pensar nisso em voz alta parecia ainda mais estranho.
Então, aconteceu. Meu telefone começou a tocar. Sem pensar, verifiquei o identificador de chamadas. Provavelmente era alguém ligando para me lembrar que eu ainda não havia chegado ao casamento.
Eu estava errado. Assim que vi o nome na tela, apertei rapidamente o botão de chamada. Quem estava ligando era nada menos que Lee Soo-ha.
— Sou eu.
Eu só podia ouvi-lo respirar pesadamente, embora fosse ele quem me ligou primeiro.
— Lee Soo-ha?
Falei mais uma vez e finalmente ouvi sua voz.
[Acho que não disse isso antes.]
— Do que está falando?
[Parabéns por seu noivado, tio.]
Tio. Franzi a testa com o título indesejado. Lee Soo-ha usava esse título deliberadamente quando queria demonstrar sua antipatia por mim.
[Mas eu não quero que você seja feliz.]
O comentário sincero de Lee Soo-ha me fez sentir feliz. Era muito melhor do que vê-lo apenas em um canto quieto. Nem o noivado de hoje, nem esse casamento no futuro me trariam felicidade, então, seu desejo seria realizado.
— Essa foi uma bela felicitação. Obrigado.
Respondi levemente, tratando-o com a melhor delicadeza possível, e ele riu levemente em retorno.
— Estarei aí assim que terminar. Que tal sairmos depois de muito tempo? Talvez possamos jantar juntos e passar a noite em um hotel.
Não era de se admirar que ele não estivesse se sentindo bem, mesmo que fingisse estar. O flerte repentino foi provavelmente uma forma de aliviar sua ansiedade. Percebo agora que não fiz um bom trabalho para tranquilizá-lo porque estava muito ocupado. Por enquanto, decidi fazer o possível para que ele se sentisse melhor.
[Hun……. Não vai funcionar.]
— Por quê?
[Eu tenho outros planos.]
— Que planos?
Perguntei para saber se ele iria sair para dar uma volta sozinho. Se fosse esse o caso seria algo a ser respeitado.o
Em resposta à minha pergunta, Lee Soo-ha deu outra risada curta. E então, após a risada, ele disse.
[Eu vou para a sepultura.]
Um calafrio subiu pela minha nuca.
— … O quer dizer com isso?
A risada de Lee Soo-ha ficou mais alta. Era bizarra. Era um som que eu nunca havia ouvido antes.
[Você está assustado?]
— O que está fazendo?
[Me Preparando para deixar meu tio infeliz.]
— …….
Minhas mãos apertaram o volante.
[Eu pensei sobre isso. Se você ia me enganar desse jeito, não deveria ter me deixado ter nenhuma expectativa até o fim.]
A voz acusatória era tão alegre como se estivesse cantarolando. Era tão estranha quanto sua risada.
[Bem, eu costumava estar feliz graças ao Joo Haewon a ponto de me sentir feliz por não ter morrido como meu pai. Mas agora… acho que estou igualmente infeliz agora, a ponto de desejar ter morrido naquela época.]
— Lee Soo-ha.
[Sabe o que pensei quando o vi naquele lugar enforcado? “Oh, estou realmente sozinho agora.” Você sabe o que dizem: um ômega sem nada não tem escolha a não ser vender seu corpo a um alfa para ganhar a vida. Eu não tenho dinheiro e não tenho pais, e acho que tenho algum orgulho, porque agora que penso nisso, não quero viver assim.]
Sua voz ficou mais alta e seu tom se acelerou. Isso foi um indicador de que sua condição não era normal.
[Então, tentei me sentir mais confortável seguindo o exemplo do meu pai e hoje me sinto exatamente como aquele dia.]
Uma luz vermelha começou a piscar loucamente em minha cabeça.
[Então, o que estou tentando dizer é…]
Meus instintos me disseram que algo estava errado.
[Quero que meu tio se arrependa. Quero que você seja infeliz por minha causa.]
Essa era a realidade.
[Muito, muito mesmo.]
Hahaha……!
Deixando para trás uma risada bizarra, como se fosse uma criança inocente, Lee Soo-ha desligou o telefone unilateralmente.
Pisei no acelerador e virei o volante.
A risada estranha de Lee Soo-ha ecoou em meus ouvidos.
Tentei não imaginá-lo me cumprimentando pendurado na sala, enforcado como seu pai.
Como um acrobata, ignorei os semáforos e atravessei o trânsito para chegar ao meu destino.
Um sentimento agudo de ansiedade me impulsionava a continuar.
Não era uma premonição, e sim uma realidade: se eu demorasse muito, o perderia para sempre.
Finalmente me dei conta. O meu desconforto era um precursor de algo mais. O comportamento habitual de Lee Soo-ha era como se, para vendar os meus olhos, seu rosto sem vida fossse uma realidade. Eu deveria ter me empenhado em resolver o problema, e não ignorá-lo.
‘Mostrei isso ao Dr. Kim e ele disse que era depressão. Tenho que ver se é temporária ou crônica.’
Lembrei-me do que Joo Hae-young havia dito há muito tempo.
Depressão.
Lee Soo-ha era uma pessoa doente que sempre carregou o peso do suicídio. Não é que ele tenha superado. Ele estava secretamente desejando a minha miséria e me preparando para a sua morte.
Os erros são sempre percebidos tarde demais.
Assim que cheguei em frente ao prédio do meu apartamento, abandonei o carro na rua e subi as escadas. A velocidade lenta do elevador aumentou meu nervosismo. Fiquei olhando para o número do andar que mudava regularmente no painel e, de repente, dei um soco na parede com o punho. Com um estrondo, um som explosivo encheu a cabine.
Em seguida, o elevador parou. Saí antes que as portas tivessem terminado de se abrir e parei na porta da frente. Toquei a campainha e não aguentei esperar por uma resposta. Em um instante, destranquei a porta e a abri. Fui na ponta dos pés até a sala de estar. Não havia sinal dele em nenhum lugar da sala de estar bem iluminada. Pensei se deveria agradecer por ele não estar lá para me receber com uma corda no pescoço, quando me lembrei de suas palavras, presas em algum lugar no fundo da minha mente.
‘Você já viu um corpo enforcado? Eles são mais feios pessoalmente e têm um cheiro horrível. É por isso que não quero morrer dessa forma.’
A voz na minha cabeça foi como um tapa na nuca. Fui direto para o meu quarto e abri a porta. A cama estava vazia.
Então…….
Mordi o lábio e olhei para a porta do banheiro.
‘Eu vou para a sepultura.’
Estava ali.
Fiquei parado na frente da porta do banheiro por um momento, olhando para ela, depois me aproximei lentamente e coloquei a mão na maçaneta.
Com uma mão ligeiramente trêmula, empurrei a porta.
A primeira coisa que vi pela fresta da porta, que se abriu com um ruído estridente, foi a cor vermelha.
Nesse momento o sangue nas minhas veias gelou.
De fato Lee Soo-ha realmente parecia estar deitado em um túmulo.
Vermelho como as chamas, ele me recebeu em uma tumba feita de sangue, sereno, como se estivesse dormindo.
* * *
Fiquei olhando para as paredes brancas.
Era tudo o que podia fazer.
Curiosamente, eu estava calmo.
O que posso fazer? Já aconteceu. Lamentar algo que não poderia ser desfeito apenas drenaria minhas forças. Agora era o momento de esperar com calma e me concentrar em fazer as pazes.
Fiquei imaginando quanto tempo se passou.
A porta do quarto do hospital se abriu, e os médicos e enfermeiros, incluindo Choi, saíram imediatamente. Após trocar um olhar rápido com o colega cirurgião responsável pelo tratamento, Choi se aproximou de mim para informar os resultados.
— O sangramento foi terrível. Observando o formato da ferida, parece que ele o cortou apenas uma vez e depois se esfaqueou. Não foi apenas um corte, foram vários. Ele já passou da fase difícil… Mas pode levar algum tempo para que ele recupere a consciência.
— … Bom trabalho.
— E, milagrosamente, o feto está ileso.
Por um momento, duvidei de meus ouvidos.
— O quê?
— Huh?
— O que você disse?
Quando perguntei novamente, sem entender o significado das palavras de Choi ele ficou confuso. Então, por um momento, sua expressão mudou, como se ele percebesse algo.
— Você não sabia?
— Eu deveria saber?
— Quero dizer……. o garoto está grávido.
Parecia tão estranho que eu me perguntava se era real ou uma alucinação.
— O que você quer dizer com isso? Como isso é possível?
(Eu explico: vc pega seu pau, enfia no cu do ômega, dá umas bombadas, sai um liquido branquinho e esse líquido pode acabar fecundando o ovinho q tá lá no úterozinho.🤪)
— Huh, você realmente não sabia.
— Lee Soo-ha realmente vai ter um bebê?
Choi estalou a língua enquanto olhava para mim incrédulo. Eu não faria uma piada em uma situação como essa. Eu não era do tipo que fazia piadas em nenhum momento.
Questionei, franzindo a testa.
— Mas você não disse que era impossível?
— A rigor, eu disse difícil, não impossível. E, para ser sincero, as chances de tudo correr bem até o parto são baixas. É mais provável que resulte em um aborto espontâneo. Teremos de encaminhá-lo a uma unidade obstétrica especializada para fazer os exames adequados e saber com certeza.
— …….
— Só por curiosidade… esse bebê é seu?
É claro que é meu filho.
Pressionei os dedos no canto dos olhos devido ao cansaço. Choi que entendeu como um sinal afirmativo estalou a língua e balançou a cabeça. Ele me deu um tapinha no ombro e fez um gesto em direção ao quarto do hospital.
— Vá vê-lo. Falaremos sobre os detalhes mais tarde.
*
Lee Soo-ha, que mal havia saído da tumba vermelha, agora estava deitado na cama branca, respirando uniformemente e dormindo profundamente.
Sob as bandagens em seus pulsos, havia as cicatrizes que ele fez enquanto desejava minha infelicidade. Só pude imaginar a expressão de seu rosto quando estava sentado na banheira, cortando e esfaqueando o próprio braço.
Ele deve ter rido.
Deve ter se divertido, enquanto se automutilava, imaginando o meu choque ao vê-lo morto.
Eu não deveria ter ignorado que seu estado mental diferia do de todos os outros. Ele tinha sido abandonado pela mãe desde o nascimento, deve ter sido desprezado e desiludido inúmeras vezes como ômega, tinha sofrido com o suicídio do pai e tudo isso com apenas vinte anos. A depressão de Lee Soo-ha provavelmente era crônica, não temporária, e foi só agora que percebi isso.
— Merda.
Passei as duas mãos no rosto e xinguei baixinho.
A forma de seu pulso, com a carne esfarrapada, era nítida em minha mente. Se ele tivesse morrido como planejava, o rosto pálido de Lee Soo-ha, submerso na água ensanguentada, teria sido a última coisa que eu teria visto dele. Eu teria passado um longo tempo refletindo sobre aquele último momento, ponderando sobre meu infortúnio, exatamente como ele desejava. Foi um truque para me fazer sentir assim. Felizmente, ele falhou.
Agora a pergunta é: ele fez isso sabendo que estava grávido? Seria melhor se ele não soubesse. Mas se ele sabia e escondeu isso de mim…
— …….
Sentei-me na cadeira ao lado da cama e fiquei olhando para Lee Soo-ha.
O rosto branco e sem cor era como o de um cadáver sem vida. O único sinal de vida era sua respiração regular.
Fui eu, e não qualquer outra pessoa, que o deixou assim.
A última coisa que quero na vida é me arrepender de minhas decisões e desconfiar de mim mesmo. Mas agora, neste momento, pela primeira vez, senti que estava me afogando em um pântano de arrependimento e desilusão.
Refiz meus passos, tentando descobrir o que havia causado essa situação horrível.
Em um passado recente, me vi jogando explicações insuficientes na frente de um Lee Soo-ha, que estava de coração partido e exigindo aceitação incondicional, sem pedir nenhuma desculpa.
A voz de Lee Soo-ha ecoava em meus ouvidos, querendo que eu certificasse meu amor.
‘Mas e…. eu? Você me ama?’
O que respondi…? Não disse nada.
°
°
Continua…
Tradução: Rize
Revisão: MiMi
* * *