• Capítulo 99
Capítulo 99
Woo Hyunse fechou os olhos com força e os reabriu. Sua energia estava descontrolada. Ao seu lado, Woo Jihye encolheu os ombros e envolveu os braços em torno de si. Até Woo Gibbeum ergueu as sobrancelhas ao olhar para Woo Hyunse. Ele respirou fundo em silêncio, mas foi inútil. Woo Hyunse cerrou as pontas dos dedos trêmulas. Achou difícil recuperar a compostura naquele momento.
— Você devia começar a encerrar as coisas e entrar também. É hora de você se estabelecer, nem que seja pelo bem da família. O deputado Kim prometeu te apoiar, então, antes que seja tarde demais…
―Parece que você concluiu seu negócio com sucesso.
Woo Hyunse pousou a xícara de café. O rosto do velho, cujas palavras foram cortadas no meio da frase, foi ficando vermelho vivo. Ele continuava sendo a mesma pessoa que se irritava facilmente e perdia a paciência rápido.
— Eu não tenho absolutamente nenhuma intenção de encerrar o meu trabalho. Nem tenho qualquer desejo de entrar na política. Mesmo com uma faca na garganta, eu não vou fazer o que não quero fazer. Por favor, desista.
— Seu moleque, como você ousa…!
— Estou me casando obedientemente como você ordenou. Eu vou fazer uma coisa. Mas não consigo fazer duas. Não se dê ao trabalho de me pressionar mais. Demais já é só ganância na sua velhice.
— Ei, você! Como ousa falar assim com seu pai!
Woo Gibbeum se levantou do sofá num salto, apontando o dedo para ele. Woo Jihye também puxou as roupas de Woo Hyunse, perguntando por que ele estava se comportando daquele jeito. Woo Hyunse apenas encarou diretamente o velho. O velho agarrou a nuca sob o olhar penetrante de Woo Hyunse, que poderia matar ao contato.
— Para de bancar o criador de porcos agora.
— Seu desgraçadinho…!
Sua testa e seu couro cabeludo ficaram vermelhos como um tomate. O velho agarrou o braço da cadeira, se levantou bruscamente e balançou o braço com força contra Woo Hyunse. Embora pudesse ter desviado com facilidade, ele aceitou um golpe. Com um tapa, sua cabeça virou para o lado.
O anel grosso raspou sua maçã do rosto, deixando um corte longo. Devia ter sido fundo, porque o sangue escorreu por sua bochecha logo em seguida.
— Como você ousa, na minha frente…!
Woo Hyunse limpou o sangue com aspereza com as costas da mão. Para um velho, a força da mão dele não era brincadeira. “Ele ainda tem um longo caminho pela frente”, murmurou ele consigo mesmo. Os cantos de sua boca, que estavam rígidos e imóveis até então, finalmente se ergueram. Mas não havia nenhum traço de riso em seus olhos.
— Eu vou indo primeiro.
Se ficasse ali mais tempo, poderia agarrar o velho pela garganta, independentemente de quaisquer sentimentos remanescentes de gratidão por tê-lo criado. Emocionalmente, ele já tinha feito mais que o suficiente. Virou-se, jogando uma despedida protocolar por cima do ombro. Um rugido de raiva explodiu atrás dele. Ele fingiu não ouvir nada disso.
Enquanto atravessava o jardim em direção ao portão principal, ouviu o som de passos apressados vindo de trás. Afastou com um tapa a mão que tentou agarrar seu ombro e virá-lo. Apesar da colisão brusca, a outra pessoa não se importou e ergueu a voz.
— Ei, você está louco?
Era Woo Gibbeum. Parecia que Woo Jihye tinha assumido o papel de acalmar o velho enfurecido. Ignorando-a, ele saiu pela porta. Se pudesse, queria cortar completamente os laços com as irmãs Woo também. Mas Woo Gibbeum o seguiu com persistência, impedindo-o de entrar no carro.
— O quê?
Depois de encará-lo por um tempo, Woo Gibbeum bagunçou o próprio cabelo, frustrada, e tirou um cigarro. Colocou um na boca e ofereceu um a Woo Hyunse. Ele o aceitou com relutância e o prendeu entre os lábios.
— Você está insano? Você conhece o temperamento daquele velho. Esqueceu que ele joga cinzeiros primeiro quando alguém responde?
Diferente de quando tinha chamado Woo Hyunse antes, sua voz tinha suavizado. Woo Hyunse inalou a fumaça em silêncio. O que quer que Woo Gibbeum estivesse dizendo não estava realmente registrando. Ele só tinha aceitado o cigarro para suprimir algo inexplicavelmente fervendo dentro dele, não porque quisesse conversar.
— Por que você não podia simplesmente ficar quieto em vez de se exaltar e levar um tapa? Você é um idiota que não tem nada além da cara… Qual é o motivo pra você de repente enlouquecer e fazer uma cena agora? Você quer apanhar com um taco de golfe como nos velhos tempos? Está com saudade daquilo?
Embora fossem apresentados como irmãos, a emoção que os unia não era amor fraterno, mas sim uma sensação de camaradagem e solidariedade forjada pela violência.
— Porra, você é algum adolescente hormonal?
Incapaz de se conter por mais tempo, Woo Gibbeum gritou com raiva. Independentemente disso, Woo Hyunse jogou deliberadamente a bituca do cigarro na direção dos pés da outra depois de dar uma última tragada.
Aproveitando a distração de Woo Gibbeum, entrou no carro. Ouviu a voz urgente chamando por ele enquanto batia na janela, mas fingiu não ouvir e deu partida no motor.
A figura refletida no retrovisor lateral foi ficando cada vez menor. Ele achou que ver alguém pulando de raiva o faria se sentir melhor, achou que se afastar daquela casa aliviaria o aperto em seu peito nem que fosse um pouco, mas a boca de seu estômago ainda parecia como se alguém a tivesse amarrado com força com uma corda.
Seu consumo de cigarros tinha aumentado excessivamente. Com o interior tão constrito, tudo o que ele pegava era cigarro ou bebida. Pelo menos estava tentando manter a lucidez e resistir a ficar bêbado. Quando bebia, sua irritação e raiva não diminuíam nem um pouco, mas eram atiçadas. Ele estava à beira de desferir um soco em qualquer um que o provocasse.
Amassou o maço vazio de cigarros na mão e o jogou no lixo. Inclinou a cabeça para trás, depois para a frente, e examinou sua mesa. Havia muito a fazer. Se Park Hae-jeong estivesse por perto, teria adiado todas as tarefas irritantes, mas ele continuava postergando seu retorno, dizendo que ainda havia coisas de que cuidar.
Talvez estivesse aproveitando suas férias a essa altura. Pensou em chamar Kwon Siyul de volta, já que realmente não se importava se Kwon Yuwon vivia ou morria, mas se conteve porque não queria ouvir palavras ressentidas.
…De quem.
As letras não estavam registrando em seus olhos. Pousou o tablet que segurava e pegou o celular. Havia fotos que tinham chegado. Eram fotos tiradas em segredo, de longe.
Kwon Siyul estava vivendo bem. Tão bem que era enfurecedor para Woo Hyunse. Ele tinha até aumentado para dois empregos. Estaria com pouco dinheiro? Era bem a cara de Kwon Siyul não procurá-lo se precisasse de alguma coisa. Aquilo até mostrava sua firme determinação de nunca mais cruzar caminhos, nem por acaso, pelo resto da vida.
Ele estava morando no mesmo lugar de antes. Era um cortiço que parecia um buraco de rato. Ele não tinha ido lá pessoalmente, só tinha visto em fotografias. O quarto de Kwon Siyul era o último no fim de um corredor estreito e bagunçado.
Ele não conseguia entender por que ele estava se submetendo a tal dificuldade. Só uma palavra, e ele nem precisava dizer que estava voltando, mas só uma palavra pedindo ajuda, e ele fingiria ceder e providenciaria todo tipo de comodidade. Caso Kwon Siyul engolisse o orgulho e pedisse ajuda, ele tinha até preparado um officetel decente perto da estação.
Será que o outro estava tentando manter o orgulho ou algo assim?
Havia um gosto amargo em sua boca naquele momento. Precisava de nicotina. Saiu do escritório, em parte para tomar um ar. A loja de conveniência ficava a uma distância curta a pé do prédio, mas seus pés se dirigiram ao estacionamento subterrâneo, ao contrário de sua intenção.
Entrando no carro, verificou a hora e viu que era quase 2 da manhã. Encostou a testa no volante e soltou um riso desdenhoso. Era um hábito enraizado em seu corpo. Ele sempre ia buscar Kwon Siyul àquela hora. Hábitos eram coisas aterrorizantes. Quer você queira ou não, quando chega a hora, seu corpo se move por conta própria.
Ficou sentado ali sem expressão por um longo tempo. Seus olhos insistiam em ir para o relógio. Conforme o ponteiro dos minutos subia, ele ficava cada vez mais ansioso. Mordeu o lábio e agarrou o volante. Ele queria ir. E então…
— …Porra.
Seus palavrões tinham aumentado tanto quanto o cigarro. Sua paciência tinha se esgotado. Inventando a desculpa esfarrapada de que estava apenas indo à loja de conveniência conhecida comprar cigarros, deu partida no motor.
Apesar de ter uma montanha de trabalho a fazer e dez mil motivos para não ir, havia também um motivo pelo qual ele tinha que ir. Ele não podia deixar o officetel que tinha preparado com cuidado vazio, sem um ocupante. Aquele único motivo superava todos os outros em sua mente.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna