• Capítulo 100
Capítulo 100
Ele dirigiu às pressas. Atravessando as ruas pouco movimentadas sem encontrar nenhum obstáculo, chegou perto da pensão. Era a mesma área decadente que tinha visto da última vez.
Placas com consoantes e vogais separadas, prédios baixos e maltratados que bem poderiam ter derretido no chão, becos estreitos e, exceto por uma única loja de conveniência, nenhuma luz acesa tarde da noite. Até os postes esparsamente colocados estavam fracos, falhando em cumprir seu papel adequadamente.
Entrando na loja de conveniência para pedir cigarros, olhou de lado. Entre as bebidas enfileiradas na geladeira, uma em particular chamou sua atenção. Virou-se para ela e tirou uma garrafa. Era uma bebida enjoativamente doce cuja existência ele desconhecia e que não beberia nem se a comprasse agora.
Ele não tinha nenhuma intenção particular de dá-la a alguém. Ainda assim, colocou-a no balcão. Mesmo enquanto a enfiava no bolso ao sair, não conseguia entender por que a tinha comprado.
Jogando-a no carro, entrou no beco. A pensão ficava no meio da ladeira. Ainda não era hora de Kwon Siyul voltar para casa. Ele ficou de pé como um totem diante do prédio e abriu um maço novo de cigarros.
Um, dois e então o terceiro. Mesmo fumando devagar, deixando deliberadamente a cinza crescer comprida, Kwon Siyul não vinha. Sempre que uma sombra caía ou passos passavam, ele virava a cabeça na direção da pessoa que se aproximava.
Isto não é como um cachorro esperando o dono?
Ele tinha consciência de que seu comportamento era ridículo. Se era assim, não era tarde demais para dar meia-volta agora, mas, pensando que, se esperasse só mais um minuto, se fumasse só mais um cigarro, Kwon Siyul talvez entrasse no beco, ele continuava adiando.
Xingando a si mesmo internamente por ser estúpido, tirou um cigarro novo. Aquele seria o último que fumaria ali. Se aquela cabecinha não aparecesse nem depois de terminá-lo, ele iria embora imediatamente. Apagaria todas as fotos do celular, pararia com esse comportamento de stalker, se desfaria do officetel e então…
Enquanto pensava nessa série de passos, seus ouvidos se aguçaram. Os passos que se aproximavam soavam familiares. Ergueu o olhar enquanto inalava profundamente a fumaça. Kwon Siyul entrou no beco escuro. O cabelo negro, o leve cheiro de glicínia, a pele incrivelmente clara que parecia brilhar mesmo no beco escuro — tudo permanecia igual.
Seu rosto foi revelado sob a luz fraca do poste. Ele pressionou as pálpebras com firmeza com as pontas dos dedos e então o viu. O olhar não durou nem alguns segundos. Com uma expressão cansada, ele baixou os olhos e tentou passar.
Como se visse um objeto inanimado e não pensasse nada a respeito.
— Vamos conversar um pouco?
Ele queria agarrar aquele braço. Cerrou o punho e se conteve. O cheiro floral que vinha se infiltrando em suas narinas esmaeceu e acabou desaparecendo. Ele lamentou isso. Queria agarrar seus ombros e dizer para que ao menos liberasse aquele cheiro se não fosse falar. Não. Ele devia ter dito com gentileza que tinha comprado uma bebida de que Kwon Siyul gostava e estava no carro, então que ao menos molhasse a garganta antes de ir.
Recolher seu cheiro era a resposta de Kwon Siyul. Era uma rejeição. Sugerindo resolutamente que seria melhor terminar as coisas ali.
Com relutância, trouxe à tona o assunto em questão. Kwon Siyul apenas inclinou a cabeça para um lado. Toda vez que aqueles lábios diziam que já não importava, toda vez que diziam para não se preocupar com isso, sua nuca ficava gelada e era como se alguém tivesse pressionado uma lâmina fria em sua palma. Mas o que ardia como se cortado não era sua mão.
— Kwon Yuwon.
Ele não queria trazer aquele nome à tona. Tinha pensado em terminar o trabalho em silêncio e devolvê-lo ao lado de Kwon Siyul, mas não tinha pretendido usá-lo como isca daquele jeito. Como esperado, Kwon Siyul, que não tinha se movido diante de sua proposta, se sobressaltou e reagiu no momento em que ouviu o nome de Kwon Yuwon pronunciado em voz alta.
A conversa terminou rapidamente, fazendo o tempo que ele tinha esperado parecer inútil. Kwon Siyul passou por ele e entrou. A velha porta de ferro rangendo e batendo se tornou a parede entre eles.
Se tivesse restado algum cheiro, ele o teria inalado como fumaça de cigarro, mas não havia nada no ar. Ele não queria misturar seu cheiro com o vazio. Especialmente porque não sabia que cheiro vil seu odor poderia exalar na direção de Kwon Siyul.
Voltou ao carro sem ter conseguido nada. Sentindo-se de repente muito cansado, encostou a cabeça no apoio e fechou os olhos. Abriu os olhos enquanto repetia internamente cem vezes que era só encerrar aquilo, que tinha acabado agora, que não haveria mais envolvimento.
Mas, justamente.
Justamente, seus olhos recaíram sobre a bebida que ele tinha comprado na loja de conveniência. O dono da bebida não era ele, mas Kwon Siyul. Apenas sentado quieto no carro, parecia ter sido abandonado sem cumprir seu propósito.
“Eu me apaixonei no momento em que provei pela primeira vez. É um mundo completamente novo.”
Ele disse que se apaixonou já na primeira provada.
“Você vai ver. Logo você vai procurar só isto, senhor CEO. Eu garanto.”
Ele tinha previsto com confiança que ele ficaria viciado naquela bebida.
Ele o tinha feito procurá-la o tempo todo, tinha feito com que ela chamasse sua atenção mesmo quando não a procurava, e então Kwon Siyul fingiu não conhecê-lo. Era uma atitude irresponsável. Ele queria fazer birra, exigindo que o trouxesse de volta e assumisse a responsabilidade, que ao menos o devolvesse ao jeito que era antes. Ele tinha desperdiçado o tempo do jeito que o passou com ele? Listando as coisas que queria fazer — eram todas coisas que uma criança de menos de dez anos faria.
Kwon Siyul fazia Woo Hyunse parecer patético e miserável.
Ele agarrou o volante e enterrou a cabeça nele. O cheiro que ele vinha contendo desabrochou como folhas. Mas não havia primavera para recebê-lo. Mesmo que desabrochasse, só iria murchar e secar.
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Kwon Siyul endireitou as costas, que estavam curvadas enquanto limpava as mesas, e olhou de relance para o segundo andar do prédio do outro lado da rua. Esperava que fosse um engano, mas, como esperado, a mesma pessoa de antes estava sentada perto da janela, olhando para ele.
Quando encontrou seu olhar de frente, a outra pessoa desviou os olhos primeiro. Bebericou o café que tinha na mão e fingiu não notar, mas Kwon Siyul sabia. Era o olhar que vinha seguindo-o nos últimos dias.
No início, achou que fosse exagero seu. Mas, à medida que o período foi se prolongando, não pôde deixar de notar que alguém o estava observando. Na rua principal que levava à pensão, perto da churrascaria e no prédio em frente ao café.
Quem diabos?
Ele estava curioso sobre a identidade da pessoa. Chegou a considerar ir até lá e perguntar diretamente. Se era alguém que Woo Hyunse tinha designado ou alguém relacionado a Kwon Yuwon. Porque, além desses dois, não havia motivo para ninguém segui-lo.
Mas ele só tinha aberto o número de Woo Hyunse no celular — não tinha apertado o botão de chamada. Não tinha coragem de ouvir sua voz diretamente. Tinha certeza de que, se apenas o ouvisse dizer “Alô”, as perguntas que precisava fazer só circulariam em sua garganta antes de voltarem correndo para dentro.
A outra pessoa não parecia ter nenhuma intenção de machucá-lo — estava apenas rondando. Então, no fim das contas, ele tentou ignorar.
Hoje era seu dia de folga do trabalho de meio período noturno. Ele se apressou para casa depois de terminar o expediente no café. Assim que entrou no beco estreito onde ficava a pensão, alguém parado em frente à porta olhou na direção de Kwon Siyul como se estivesse esperando por ele o tempo todo.
— Você é Kwon Siyul?
— Quem é você?
Ele já sabia que um estranho o vinha seguindo, e o homem vestido impecavelmente num terno era definitivamente um estranho. Kwon Siyul olhou para o homem, escondendo o queixo no cachecol puído. Seus olhos estavam cheios de cautela.
— Ah, há alguém que quer ver Kwon Siyul. Se importaria de vir comigo um momento?
— Eu estou perguntando quem você é.
Ele não deveria revelar sua identidade primeiro? Mas o homem não parecia ter nenhuma intenção de se apresentar ou de aliviar a cautela de Kwon Siyul — permaneceu inexpressivo durante todo o encontro. Kwon Siyul deu um passo atrás, totalmente preparado para correr se necessário.
— É sobre Woo Hyunse.
O pé que estava recuando parou. Mas só porque ouviu o nome de Woo Hyunse não significava que ele pudesse confiar prontamente no homem à sua frente. Kwon Siyul encarou o homem em silêncio e então finalmente abriu a boca.
— Então não tem nada a ver comigo.
— Vai tomar apenas um momento do seu tempo. Nós não somos pessoas más.
— Nós. Tem mais alguém além do nome do homem que você mencionou? — Kwon Siyul girou os olhos, procurando rapidamente um lugar para escapar. Os becos da ladeira eram um labirinto complexo de passagens estreitas como um formigueiro, então, se ele se escondesse bem, poderia despistá-lo em segurança. Deu um passo atrás e virou o corpo, mas dois homens já tinham aparecido, bloqueando a entrada do beco estreito.
Kwon Siyul virou a cabeça para olhar o homem de terno. O rosto do homem continuava inexpressivo.
— Não estamos tentando te machucar. Só precisamos ter uma breve conversa com você.
— Se é só isso, façam aqui mesmo e acabem logo com isso.
— A pessoa que nos enviou quer ver Kwon Siyul pessoalmente.
Aparentemente entediado com a discussão em andamento, o homem fez um gesto para os que estavam na entrada do beco. Dois homens deram passos largos e se aproximaram. Kwon Siyul cambaleou para trás, e eles estenderam as mãos como se aquilo fosse uma caçada. Ele tentou fugir, mas estava um passo atrasado. Os homens agarraram o braço de Kwon Siyul.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna