• Capítulo 88
Capítulo 88
Ele enterrou a cabeça bem fundo entre os braços. Woo Hyunse era afetuoso. Excessivamente. Ele queria parar de ser arrastado por aquela gentileza. Seu coração se agitou de novo. Embora ainda não tivesse bebido nada, será que beber lhe permitiria culpar o revirar em seu estômago pelo álcool?
Kwon Siyul se aproximou de lado de Woo Hyunse e abriu o armário, esticando o braço lá dentro. Fosse pelo pé-direito alto da casa ou porque os armários superiores tinham sido feitos para a altura de Woo Hyunse, Kwon Siyul não conseguia alcançar o interior do armário nem na ponta dos pés. Enquanto se esforçava e grunhia na ponta dos pés, Woo Hyunse riu e tirou os copos com facilidade.
— Não beba de estômago vazio. A comida está quase pronta.
— Eu vi uma tequila. Posso tomar um pouco dela?
— Por que você precisa de permissão? É só tirar.
— Bom… você é o dono deste lugar, afinal.
— Você pode tirar o que quiser. Só não beba demais.
A comida ficou pronta. Observando a comida passar da frigideira para os pratos, Kwon Siyul caminhou até o armário-expositor e tirou a bebida forte do canto. Era isso que ele tinha querido beber desde o início.
— Essa é forte. Tem certeza de que você vai ficar bem?
— Eu só vou beber um pouquinho.
Sal e fatias de limão também foram colocados ao lado dos acompanhamentos. Dizendo que estava usando limão em vez de lima porque não havia lima, Woo Hyunse serviu a bebida num copinho de dose e colocou uma fatia de limão em cima.
— Você sabe como se bebe?
Kwon Siyul assentiu levemente. Nunca tinha bebido tequila antes, mas tinha visto outros beberem.
Ele mergulhou o dedo indicador no sal e o tocou na ponta da língua. Quando estava prestes a erguer o copo e beber, Woo Hyunse, sentado à sua frente, caiu na gargalhada.
— Parece que você não sabe mesmo.
— Hã? Não é assim?
Ele definitivamente tinha comido o sal. Saboreando o gosto salgado, olhou para a bebida e para o sal alternadamente. Woo Hyunse puxou a mão de Kwon Siyul com a sua.
— O sal vai assim.
Woo Hyunse baixou a cabeça. Sua língua tocou o espaço entre o polegar e o indicador de Kwon Siyul. A ponta macia e úmida da língua umedeceu a pele de Kwon Siyul ao passar. Quando os ombros de Kwon Siyul estremeceram, Woo Hyunse, depois de lamber bem, recolheu a língua e polvilhou grãos de sal ali.
— Ah.
O sal, parecido com neve, grudou na pele molhada. Woo Hyunse colocou uma fatia de limão nos dedos curvados de Kwon Siyul.
— Solta o ar primeiro.
Ele soltou o ar lentamente. Ao fazer o movimento de lamber a mão, finalmente lambeu o sal que Woo Hyunse tinha polvilhado. Antes que o gosto salgado desaparecesse, virou a bebida.
Um gemido escapou involuntariamente. Sua visão oscilou. Seu esôfago não parecia apenas quente, mas como se estivesse em chamas. Agarrando o peito em brasa, mordeu o limão. O suco azedo de fazer chorar desceu por sua boca quente e seu esôfago em chamas, a acidez forte enchendo sua boca de saliva e contorcendo seu rosto.
Ele respirou fundo. Parecia que tinha quase morrido com uma única dose. Woo Hyunse riu com gosto do rosto amarrotado de Kwon Siyul. Espetou um pedaço de brócolis, bem salteado em azeite, com um garfo e o colocou na boca de Kwon Siyul.
— Você bebeu direitinho.
— Uau, eu achei que ia morrer. É sempre tão forte assim?
— Se você beber desse jeito, deve ficar tudo bem.
— Parece que está queimando minha garganta.
Ele esfregou o peito. Ainda parecia que havia brasas queimando por dentro. Balançou levemente a cabeça diante da embriaguez repentina que o invadiu naquele momento.
— Então três garrafas de soju, mas só três doses disto é o seu limite, é?
— Nem vem, não é tão ruim assim. Eu consigo beber mais.
Woo Hyunse pegou a garrafa. Kwon Siyul achou que ele fosse servir no copinho de dose, mas Woo Hyunse serviu sua própria bebida num copo maior. Tomou um gole sem limão nem sal. Kwon Siyul esperava que ele fizesse careta como ele tinha feito, mas apenas uma pequena ruga apareceu entre as sobrancelhas de Woo Hyunse. Em contraste, Kwon Siyul estremeceu observando Woo Hyunse beber, como se o álcool tivesse descido por sua própria garganta.
— Você está bem?
— Estou.
Dizendo que um único gole nem chegaria ao seu fígado, Woo Hyunse tomou outro gole sem nenhum acompanhamento. Kwon Siyul se perguntou se ele estava apenas se exibindo, mas a tez de Woo Hyunse permaneceu normal. Em vez disso, foi o rosto de Kwon Siyul que ficou vermelho e afogueado depois de apenas uma dose.
— E o sal?
Woo Hyunse estendeu a mão em silêncio. Kwon Siyul inclinou a cabeça para um lado, e então, um instante depois, disse “Ah” e encostou os lábios na mão de Woo Hyunse. Pôs a língua para fora para lamber a pele entre o indicador e o polegar, depois ergueu os olhos para Woo Hyunse, sem saber se estava fazendo certo.
Ao ver o sorriso leve de Woo Hyunse, recolheu a língua devagar. Enquanto Woo Hyunse polvilhava sal no local, ele puxou a mão de volta e encostou os lábios ali. A ponta de sua língua percorreu onde a língua de Kwon Siyul tinha acabado de estar.
— Mais uma dose?
Kwon Siyul estava distraído com os cílios inferiores em forma de leque de Woo Hyunse, os lábios que ele costumava beijar sempre que estava entediado, e sua língua macia. Só voltou a si quando ouviu a voz divertida. Tentando esconder seu embevecimento, serviu-se rapidamente e virou a bebida. Dessa vez não houve sal nem limão. Naturalmente, seu esôfago queimou como lenha na lareira.
Ele soltou o ar com força, tentando estabilizar a visão oscilante. Não conseguiu parar em apenas duas doses. Kwon Siyul estendeu com agressividade seu copo vazio.
— Mais uma, por favor.
Ele se sentia tonto. Sua visão estava trêmula. Kwon Siyul franziu a testa e ergueu a cabeça. Com a cabeça pendendo como um galho de salgueiro, apoiou o queixo na mão e olhou para a mesa. Várias garrafas vazias estavam ali. Uma delas era a tequila com que tinham começado a bebedeira.
Woo Hyunse estava certo. Três doses eram seu limite. Depois disso, sua memória do que tinha bebido era falha. Enquanto a tontura o dominava, Kwon Siyul escorregou sob o próprio braço, prestes a apoiar a cabeça na mesa de novo. Uma palma grande amparou sua bochecha pouco antes de tocar a mesa. Ele se aninhou na mão quente.
— Já está bêbado?
Havia riso na voz que perguntava. Kwon Siyul balançou a cabeça devagar.
— Não…
Suas palavras morreram. Qualquer um saberia que ele estava bêbado. Sentindo-se de repente injustiçado, Kwon Siyul afastou o rosto da palma e olhou para o outro lado. Woo Hyunse manteve a mão na mesa, preocupado que Kwon Siyul pudesse desabar no chão de novo.
Fosse pelo álcool embaçando sua retina, Woo Hyunse não aparecia com nitidez. Era como se alguém tivesse espalhado névoa diante dele. Nem esfregar os olhos e apertá-los limpava a névoa em torno de Woo Hyunse.
Em vez de forçar os olhos, Kwon Siyul respirou fundo, expandindo o peito. O cheiro de Woo Hyunse estava profundamente dissolvido no ar aquecido pela lareira. Era como uma floresta de bétulas brancas com cascas brancas e densas visíveis através do campo nevado do lado de fora da janela. Quando estava com Kwon Siyul, misturava-se com um cheiro suave de primavera, como se brotos verdes despontassem lentamente na neve.
Ele queria estar mais perto daquele cheiro. Kwon Siyul cedeu ao impulso e se levantou. Impediu Woo Hyunse de se levantar e cambaleou ao redor da mesa para ficar ao lado dele. Apoiando-se na mesa, enterrou o rosto na nuca de Woo Hyunse. Inspirou fundo e expirou languidamente, como se tivesse tomado um punhado de remédios em vez de apenas inalar um cheiro.
Queria beber mais dele. Queria ficar completamente encharcado daquele cheiro. Não sabia que seu desejo era tão grande. Kwon Siyul se jogou sobre a coxa de Woo Hyunse. Grunhindo, abriu as pernas para sentar de frente para Woo Hyunse e abraçou sua cintura com força com os dois braços. Enquanto esfregava a testa no ombro de Woo Hyunse e pressionava a bochecha ali, o cheiro ficou mais forte que antes.
— Você está bêbado.
Fazia tempo que não ficavam nessa posição. Woo Hyunse apoiou firmemente as costas de Kwon Siyul. Kwon Siyul se enfiou em seu abraço.
— Você cheira a floresta de inverno.
Sua pronúncia era uma bagunça, encharcada de álcool. Ainda assim, Woo Hyunse entendeu de algum jeito.
— Uma floresta de inverno?
— É. Uma floresta onde… só dá pra ver bétulas brancas cobertas de neve.
Por mais que brotos despontassem e a primavera acabasse chegando, o frio instintivo da neve nunca desaparecia completamente. Kwon Siyul sentia uma emoção parecida quando olhava para Woo Hyunse, quando estava intoxicado por seu cheiro. Depois de ser dominado pela bela paisagem, quanto mais fundo se entra na floresta, mais sua frieza deixa você inquieto.
Dessa vez, Woo Hyunse enterrou o nariz na orelha de Kwon Siyul e inspirou. Seu hálito exalado fez a pele da nuca de Kwon Siyul se arrepiar. Seus dedos dos pés se curvaram para dentro enquanto a tensão os percorria.
— Você cheira a flores de glicínia.
Ele nunca tinha ouvido ninguém falar sobre seu próprio cheiro. Kwon Siyul tentou se inclinar para trás para olhar Woo Hyunse, mas não conseguiu se afastar por causa da mão pressionando sua lombar.
— O cheiro fica mais forte quando chove… É o mesmo com você, Kwon Siyul.
— Em dias de chuva?
— Não. Quando você está molhado.
Seu lóbulo foi sugado entre os lábios de Woo Hyunse. A ponta da língua com cheiro de álcool percorreu as curvas de sua orelha. Os ombros de Kwon Siyul se encolheram. Seus cílios baixos tremeram, e seus lábios bem fechados se entreabriram.
A carne de suas nádegas inchou, e o interior rapidamente ficou úmido. Por mais que tensionasse as coxas para impedir que escorresse, não conseguia deter a umidade que encharcava completamente sua carne interna e se acumulava lá embaixo.
— Como agora.
Seu pescoço ficou vermelho de uma só vez. Não era apenas seu cheiro que se intensificava. O cheiro que se derramava das orelhas e das pontas dos dedos de Woo Hyunse também se avolumou como se fosse preencher a casa inteira.
Os olhos de Kwon Siyul ficaram nebulosamente desfocados. Umedecendo os lábios secos, segurou as bochechas de Woo Hyunse com as duas mãos. Inclinou a cabeça e pressionou os lábios contra os dele. Por mais frio e seco que o cheiro fosse, se vinha de Woo Hyunse, Kwon Siyul queria possuir até a última gota dele.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna