• Capítulo 85
Capítulo 85
— Hyung, você está morando com o Woo Hyunse agora?
O nome saindo naturalmente dos lábios de Woo Taeju soou estranho. Kwon Siyul, com as bochechas coradas pelo álcool, assentiu devagar. Tendo já chorado como uma criança depois do concerto e confessado que a pessoa de quem gostava era Woo Hyunse, sentia que não havia mais nada a esconder.
— Eu fui perguntar sobre você outro dia porque não conseguia contato. Fiquei pensando se ele não estaria te mantendo em cativeiro.
— Você foi ver o CEO?
— Fui. Mas quase morri.
Perguntando-se o que poderia ter acontecido, os olhos já grandes de Kwon Siyul se arregalaram ainda mais. Woo Taeju simplesmente franziu a testa, esfregando a região do pescoço. Exagerou, dizendo que o lugar onde tinha sido agarrado ainda doía muito. Kwon Siyul se perguntou se Woo Hyunse tinha tentado estrangulá-lo. Embora fosse difícil de imaginar agora, considerando como ele era no início, não era impossível.
— Vocês brigaram?
— Não exatamente — disse Woo Taeju enquanto servia vinho no copo vazio de Kwon Siyul. Depois encheu o próprio copo e o virou de uma vez, como se fosse mera água.
— Eu apanhei unilateralmente. É vergonhoso, mas não sou páreo pra ele. Esse Woo Hyunse, ele é praticamente um lutador de MMA que só nunca competiu.
— As orelhas dele também eram orelhas de couve-flor. Todo o sangue foi drenado e elas foram remodeladas, então não sobrou nenhum vestígio agora. — acrescentou ele, tocando os próprios lóbulos.
— Eu saí daquele confronto só com o pescoço machucado.
— Sério?
Kwon Siyul tinha temido que pudesse ter havido uma briga de facas. Quando Kwon Siyul demonstrou preocupação, Woo Taeju insistiu que estava tudo bem agora e abriu a gola da camisa para mostrar. Talvez pela iluminação fraca, seu pescoço parecia sem marcas. Woo Taeju apontou para a pele, dizendo que tinha havido um hematoma escuro ali. Mencionou que seu pescoço também tinha inchado, causando-lhe problemas por alguns dias.
Kwon Siyul estava curioso sobre o que Woo Taeju poderia ter dito para fazer Woo Hyunse reagir com tanta violência. Considerou perguntar, mas, ao ver a expressão de Woo Taeju escurecer como se relembrasse o momento, decidiu ficar calado sobre o assunto.
— Hyung, eu vou estudar no exterior.
— Assim, de repente? Pra onde?
— Canadá. Eu originalmente planejava ir depois da formatura, mas a data foi antecipada.
Era um mundo completamente diferente do de Kwon Siyul. Isso é uma boa notícia? Kwon Siyul se perguntou brevemente se devia parabenizá-lo ou encorajá-lo pelas dificuldades que poderia enfrentar num país estrangeiro, antes de escolher o primeiro. Woo Taeju vinha de uma família rica, então provavelmente viveria bem e se divertiria aonde quer que fosse, sem se preocupar com dinheiro.
— Parabéns. Isso é… bom, né?
Sentindo-se inseguro, sua afirmação terminou como pergunta. Vendo a expressão séria de Kwon Siyul, Woo Taeju riu com vontade.
— Acho que… devemos ver como uma boa notícia. Hyung, se você algum dia cansar da vida na Coreia, vem me visitar. Hospedagem grátis, comida grátis. Ah, eu até mando a passagem de avião.
— Que gentileza a sua. Fico pensando se está certo eu só receber, já que não fiz nada por você.
Um dia talvez ele pudesse voar, mas parecia algo que aconteceria num futuro distante. Ou talvez nunca conseguisse sair da Coreia. Ele costumava sonhar em viajar para lugares distantes do outro lado do mar. Mas agora era hora de acordar desses sonhos.
— Só não traz o Woo Hyunse junto quando vier. Só isso.
Kwon Siyul deu uma risadinha. Agora conseguia rir de piadas assim. Talvez tivesse ganhado um pouquinho de paz de espírito depois de confirmar que Kwon Yuwon estava seguro. Mas, ao contrário do riso que escapava de seus lábios, a boca de seu estômago doía como se algo a pressionasse, e ele a apertou com firmeza com as pontas dos dedos.
Ele se sentia sufocado. Nem respirar fundo e soltar o ar devagar ajudava — parecia que uma água escura lambia logo abaixo de seu nariz.
Woo Taeju girou a taça de vinho na mão. Umedeceu os lábios secos com o álcool, então sua boca se moveu como se tivesse algo a dizer. Quando a música mudou para a próxima, ele começou a falar com hesitação.
— Na verdade… te encontrar hoje, hyung. Foi pra organizar os meus sentimentos.
— Organizar os seus sentimentos?
— Sim. Eu me declarei pra você antes, lembra?
Kwon Siyul assentiu. Claro que se lembrava. Também se lembrava de como Woo Taeju tinha insistido em se aproximar mesmo depois de ser rejeitado, incapaz de desistir.
— Eu costumava acreditar que nenhuma árvore fica em pé depois de dez golpes. Naturalmente, eu não queria desistir de você só por causa de uma rejeição.
— Mas — Woo Taeju esvaziou o copo. Quando Kwon Siyul tentou enchê-lo de novo, ele balançou a cabeça e pegou a garrafa ele mesmo. Isso também parecia fazer parte de sua tentativa de organizar a mente. Assim como Kwon Siyul certa vez recusara a oferta de Woo Hyunse de lavá-lo e entrara sozinho no banheiro. Ele serviu mais vinho do que antes.
— Isso só funciona quando é um jogo.
— Um jogo?
Woo Taeju, que estava encarando o copo à sua frente, ergueu os olhos. Encontrou o olhar de Kwon Siyul e sorriu levemente.
— Eu pensei muito sobre isso. Eu não queria perder assim. O que eu devia fazer, o que eu podia fazer — não consegui dormir direito por dias pensando nessas coisas. Mas, por mais que eu quebrasse a cabeça, não havia resposta. Não havia nada que eu pudesse fazer.
Kwon Siyul ouviu em silêncio. Woo Taeju fechou os olhos por um momento, relembrando a sensação de impotência daquela época. Suas pálpebras tremeram levemente.
— Se eu tentasse mais uma vez, que dirá dez, não seria o seu pescoço em jogo, mas o meu.
— …
— Então eu decidi desistir. Eu não tinha percebido antes, mas sou bem egoísta. Sou o tipo de desgraçado que põe a própria segurança acima do amor.
Woo Taeju apoiou o queixo na mão e curvou os lábios para cima. Era seu sorriso de sempre, mas talvez pela iluminação parecesse um pouco amargo.
— Ah, eu vou embora depois do meu aniversário. Vou dar uma festa de aniversário, e você tem que vir, hyung. Eu te aviso sobre isso.
Como se nunca tivesse falado sério, Woo Taeju sorriu travesso. A expressão tensa de Kwon Siyul relaxou também.
Será que Woo Hyunse realmente permitiria? Ainda assim, como Woo Taeju iria para o exterior por muito tempo, Kwon Siyul se sentiria mal recusando. Ele assentiu rapidamente.
— Claro, eu devo ir. Quando é seu aniversário?
— Isso é segredo. Eu te conto depois. Não teria graça se eu contasse agora.
Woo Taeju se recostou, prometendo revelar em outra ocasião. Kwon Siyul não insistiu no assunto.
A garrafa de vinho pela metade de repente estava vazia, e Yang Hye-na, que tinha adormecido, se remexeu e abriu os olhos turvos. Um funcionário que limpava outras mesas se aproximou e informou gentilmente que o horário de fechamento se aproximava. Era hora de ir para casa.
Como a bebedeira terminou mais cedo do que o esperado, não era tarde demais quando Kwon Siyul chegou em casa. Ele tinha presumido que Woo Hyunse naturalmente estaria no escritório. No entanto, as luzes da sala estavam bem acesas. Poderia haver alguém além do dono da casa no sofá?
Enquanto Kwon Siyul hesitava na entrada, Woo Hyunse ergueu o olhar. Ele estava de óculos e segurava um tablet, aparentemente no meio do trabalho.
Era uma cena conhecida para Kwon Siyul. Quando estava confinado em seu quarto, tinha visto Woo Hyunse trabalhando em casa.
Kwon Siyul apertou inconscientemente a bolsa térmica no bolso. Amassou a bolsa agora morna como uma bolinha de borracha macia, secando o suor frio da palma.
— Você se divertiu?
— Sim. Você chegou cedo hoje.
— Por que está parado aí? Entra.
Woo Hyunse pousou o tablet e se levantou. Tirou os óculos, colocou-os na mesa e caminhou com passos firmes em direção a Kwon Siyul. Por que Kwon Siyul se sentia culpado se não tinha feito nada de errado? Seus lábios pareciam secos, e ele os mordeu enquanto dava um passo para trás.
— Soube que você encontrou a Yang Hye-na.
— Sim. …E mais uma pessoa veio.
Sentindo-se culpado preventivamente, Kwon Siyul entregou a informação por conta própria. Woo Hyunse estendeu a mão em silêncio e mexeu na gola de Kwon Siyul.
— Quem?
A imagem de Woo Taeju tocando o próprio pescoço passou pela mente de Kwon Siyul. Parecia não haver nada a ganhar mencionando aquilo. Pensou em dizer só “um amigo”, mas então decidiu ser honesto, já que não havia nada a esconder. No entanto, enquanto hesitava, uma mão grande segurou gentilmente seu queixo e o ergueu.
— Quem?
A mão estava em seu queixo, mas parecia que sua garganta estava sendo apertada. Seu pomo de adão subiu e desceu de tensão. Será que acabaria com hematomas como Woo Taeju?
— O Taeju.
Woo Hyunse não pareceu surpreso. Parecia já saber. Talvez o guarda-costas que o acompanhou tivesse feito o relato, ou talvez Woo Taeju tivesse contado diretamente.
A cabeça de Kwon Siyul baixou naturalmente. A mão que segurava seu maxilar apertou mais. Sua cabeça foi inclinada para trás à força. A luz com sensor, subitamente ativada, machucou seus olhos. Com os olhos semicerrados e meio cobertos, e a contraluz lançando sombras, Kwon Siyul mal conseguia ver Woo Hyunse.
— Siyul — chamou Woo Hyunse com suavidade. Ele suspirou fundo, retirou a mão e enterrou a testa no ombro de Kwon Siyul. A mão que parecia prestes a deixar marcas no queixo de Kwon Siyul agora agarrava seu antebraço. Era como se ele impedisse Kwon Siyul de sair correndo porta afora, segurando os dois lados com brutalidade.
— Eu estou tentando ser tolerante pra você não se sentir sufocado, mas você devia ser mais seletivo com quem encontra.
Como se fizesse birra, ele esfregou a cabeça no ombro de Kwon Siyul e então ergueu o olhar. Seus rostos estavam perto o bastante para os narizes se tocarem. Kwon Siyul queria se afastar. Se ao menos a mão que tinha viajado de seu antebraço pelas costas até apoiar sua nuca não estivesse ali.
— O Woo Taeju não pode.
— Então outras pessoas podem?
Diante da pergunta inesperada de Kwon Siyul, Woo Hyunse o encarou em silêncio. Kwon Siyul sustentou seu olhar sem hesitar.
— Não.
A mão que estava enroscada no cabelo de Kwon Siyul deslizou como uma cobra até a frente de seu pescoço. Seu pomo de adão foi levemente pressionado pela palma larga, e dedos longos envolveram seu pescoço. Os lábios de Kwon Siyul se entreabriram, tentando puxar o ar que de repente ficava cada vez mais escasso.
— Nenhuma delas pode.
De repente, Kwon Siyul se lembrou de um veado-campeiro que tinha visto na infância. Num dia de inverno em que a neve chegava aos seus joelhos, um veado morto foi encontrado nas montanhas atrás do orfanato. Uma armadilha resistente, montada recentemente, estava presa em seu tornozelo fino, coberto por uma neve fina como geada. O animal devia ter lutado desesperadamente para escapar, pois o arame enrolado tinha cortado pela pele e pelo músculo até prender o osso branco.
Inesperadamente, aquela mão agora parecia aquela armadilha. A cilada que tinha cortado a carne e exposto o osso branco como a neve agora parecia pairar diante de seu próprio pescoço.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna