• Capítulo 84
Capítulo 84
Depois de ver Kwon Yuwon de novo após uma longa ausência, Kwon Siyul recuperou um pouco de vitalidade. De ser como uma planta murcha incapaz de absorver água mesmo sendo regada, ele passou a ser mais como um vaso que tinha recuperado um pouco da cor verde. Mesmo isso já era uma melhora enorme em comparação a como estava antes.
No entanto, seu confinamento permanecia inalterado. Lhe era dada uma liberdade limitada. Podia caminhar pelo parque próximo, mas precisava da permissão de Woo Hyunse para ir mais longe que isso.
[Oppa, você está livre hoje à noite?]
[Eu tinha planos com uma amiga, mas ela cancelou.]
[Não quero desperdiçar a reserva, já que é difícil conseguir.]
Quando Yang Hye-na o procurou, foi mais que bem-vindo. Se nada mais, Woo Hyunse era tolerante quanto a ele sair com o pessoal do bar. No começo, ficou descontente com Kwon Siyul encontrando Yang Hye-na sozinho.
“Estou me sentindo um pouco deprimido ficando em casa o tempo todo.”
Com essa única frase de Kwon Siyul, Woo Hyunse concordou. Tendo obtido a permissão facilmente, Kwon Siyul se arrumou rapidamente. Embora tivesse dito que podia ir sozinho, Woo Hyunse não o deixaria ir sem mais nem menos. Um guarda-costas foi grudado nele como um rabo.
“Você disse que era seguro agora.”
“Não até tudo estar concluído.”
“Eu não posso ir sozinho? Fico com pena daquele cara, quer dizer, do moço.”
“Não.”
Desanimado depois de falhar em persuadi-lo, Kwon Siyul saiu de casa cabisbaixo. Era um dia frio em que vapor branco saía a cada respiração. O dia era curto e, quando ele chegou ao local de encontro, o crepúsculo já se assentava ao redor. Mesmo embrulhado num casaco acolchoado longo, gorro e cachecol, o vento frio encontrava maneiras de penetrar pelas roupas.
Kwon Siyul batia os pés enquanto esperava quando ouviu um alto “Oppa!” e ergueu os olhos. Yang Hye-na acenava com os braços bem abertos do outro lado da faixa de pedestres. Mas o olhar de Kwon Siyul pousou primeiro na figura inesperada ao lado dela.
Quando o sinal verde acendeu, a multidão atravessou a faixa numa grande confusão. Yang Hye-na e Woo Taeju, que estavam do lado oposto, se misturaram a ela e caminharam em direção a Kwon Siyul.
— Quanto tempo, hyung.
Woo Taeju o cumprimentou calorosamente com um sorriso radiante. Apesar da cena desagradável no concerto, ele tratou Kwon Siyul exatamente como antes, como se nunca tivesse testemunhado tal coisa. Kwon Siyul, surpreso com o encontro inesperado, simplesmente piscou antes de assentir sem jeito com um “Oh”.
— Na verdade, foi o Taeju que marcou… Esse cara vivia cantando que queria te ver, oppa. Ele disse que não conseguia entrar em contato com você diretamente. Até me mandou não falar que ele vinha… Normalmente eu não sou do tipo que concorda com esses pedidos. Fiquei com pena de você, oppa. Mas esse lugar é um lugar que eu queria conhecer há meses.
Yang Hye-na coçou a nuca enquanto despejava a verdade que Kwon Siyul nem tinha pedido. Woo Taeju não era alguém que Kwon Siyul precisasse evitar e, mesmo tendo sido enganado, não era algo para ficar muito bravo. Mesmo com Kwon Siyul abanando a mão dizendo que estava tudo bem, Yang Hye-na se desculpou, curvando profundamente a cabeça.
— Enfim, foi isso que aconteceu. Desculpa por ter mentido, oppa.
— Sim, eu pedi pra ela. Eu queria te ver, hyung. Falei pra ela não te contar que eu vinha porque tive medo de que você recusasse.
— Mas por que o Siyul oppa recusaria se você viesse? Você fez alguma coisa errada com o oppa?
— Peguei dinheiro emprestado dele e depois sumi.
A mentira veio naturalmente. Quando Kwon Siyul o encarou, Woo Taeju piscou secretamente para ele por trás de Yang Hye-na antes de desviar o olhar.
— Que loucura… Numa sociedade capitalista, o crime mais hediondo é pegar dinheiro emprestado e não devolver. Isso é demais. Oppa, trate de depenar o Woo Taeju direitinho hoje.
— Eu já estava planejando pagar hoje de qualquer jeito. Trouxe bastante mesada. Vamos logo. Está congelando.
A ponta do nariz dele, espiando acima do cachecol, ia ficando vermelha de frio. Quando Kwon Siyul encolheu os ombros, Woo Taeju estendeu a mão como se fosse envolvê-lo, mas hesitou e baixou o braço. Vasculhou o bolso e tirou uma bolsa térmica quente, oferecendo-a a Kwon Siyul.
— Usa isto, hyung.
— Tudo bem. Dá pra Hye-na. Ela parece estar com frio.
— Lá vai você de novo. Você fala informalmente com ela e formalmente comigo. Eu já falei pra não fazer isso.
Woo Taeju enfiou à força a bolsa térmica no bolso de Kwon Siyul. Quando Kwon Siyul tentou tirá-la, Woo Taeju franziu a testa como um adulto repreendendo uma criança e disse, severo: “Ah-ah”. Kwon Siyul hesitou e então, achando que seria falta de educação devolvê-la quando Woo Taeju insistia tanto, empurrou de volta para o bolso a bolsa térmica meio retirada.
— Ei, a mão do oppa é mão e a minha é pé?
Yang Hye-na, que estava observando, estreitou os olhos e resmungou. Woo Taeju simplesmente ignorou. Sentindo-se culpado, Kwon Siyul tentou passar a bolsa térmica, mas Woo Taeju a interceptou. Balançando a cabeça, insistiu que seu hyung é que devia usá-la.
— Ah, tudo bem. Eu esquento minhas próprias mãos.
Yang Hye-na resmungou sobre como era injusto ser discriminada e enfiou as mãos nos bolsos, frustrada. Andou rápido, como se tentasse se distanciar dos dois.
O passo de Kwon Siyul também acelerou, ainda se sentindo desconfortável por ficar sozinho com Woo Taeju. “Hyung, vamos juntos!”, Woo Taeju chamou alto, sem querer ficar para trás.
Assim que entraram no estabelecimento, Yang Hye-na sacou o celular. As paredes estavam repletas de CDs e discos, uma iluminação suave iluminava o espaço e havia uma cozinha aberta — parecia um lugar muito divulgado nas redes sociais.
Quando lhe pediram para tirar fotos, Kwon Siyul obedeceu prontamente, até dobrando os joelhos para conseguir o ângulo certo. Esperava que lhe pedissem para repetir por causa de suas habilidades amadoras, mas, graças à iluminação, algumas boas fotos foram capturadas entre as muitas.
— Quer que eu tire umas fotos suas também, oppa?
— Não, estou bem.
— Ah, por que não? Esse lugar é famoso. Você ia receber um monte de curtidas se postasse.
— Eu não uso redes sociais.
Yang Hye-na olhou para Kwon Siyul com o choque estampado no rosto. Sua expressão sugeria que ela olhava para um homem primitivo usando um machado de pedra quando existiam motosserras. Ela fez um alvoroço, dizendo que não conseguia acreditar e que nunca tinha conhecido alguém assim.
— Por que você não começa agora? Você ia ganhar toneladas de seguidores só postando selfies, oppa. Deixa eu ter um conhecido influenciador pelo menos uma vez.
Esse comentário inevitavelmente trouxe lembranças de volta. De Woo Hyunse, que correu até a loja apesar do trabalho quando Kwon Siyul mandou uma foto desajeitada. Kwon Siyul balançou a cabeça em silêncio.
Era um restaurante modesto, com apenas algumas mesas. Só abriam para o jantar, não para o almoço. Não era à toa que era tão difícil conseguir uma reserva. Mesmo depois de se sentar, Kwon Siyul não parava de olhar ao redor.
Ele raramente tinha ido a lugares assim, e isso transparecia em seu desconforto. Morar com Woo Hyunse pelo menos tinha lhe permitido pisar em restaurantes caros que nunca imaginara visitar na vida.
O cardápio estava cheio de nomes desconhecidos. Havia descrições, mas até os ingredientes eram estranhos. O que era ragu, e o que era nhoque? Ao contrário de Kwon Siyul, Yang Hye-na e Woo Taeju estavam imersos numa discussão acalorada, lendo sem esforço o cardápio cheio de termos alienígenas, comentando o que era delicioso e o que era famoso.
— Do que você gosta, oppa?
— Eu não sei muito bem. Tudo é bom.
— Você prefere molho de tomate, creme ou à base de azeite? E a carne, como você gosta?
— Tomate. Não tenho certeza sobre a carne.
O macarrão que Woo Hyunse costumava fazer também tinha tomate. Woo Taeju, que vinha explicando as coisas no nível de Kwon Siyul, sorriu satisfeito e apontou alguns itens do cardápio, dizendo que deviam pedir esses.
Kwon Siyul só tirou fotos quando a comida chegou. Antes de se reencontrar com Kwon Yuwon, ele muitas vezes pulava refeições quando estava entediado, então Woo Hyunse tinha lhe dado a tarefa de fotografar o que comia. Mesmo quando Kwon Siyul reclamava que era um incômodo, Woo Hyunse insistia por preocupação.
Mesmo que tirasse fotos descuidadas, Woo Hyunse o elogiava. Se a refeição parecesse insuficiente, ele ligava na hora. Perguntava se a comida não era do agrado de Kwon Siyul, se havia algo que ele quisesse comer e se oferecia para comprar no caminho de casa, convencendo Kwon Siyul com gentileza a comer mais.
Talvez ele estivesse vivo agora graças a isso. Houve um tempo em que até engolir um gole d’água era uma luta. Seu apetite tinha desaparecido completamente, e ele não queria comer nem um grão de arroz, sentindo-se como alguém com os dias contados. Desejava poder simplesmente desaparecer do mundo. Algo mais aterrorizante que a morte tinha aparecido, e o medo de que ela se aproximasse passo a passo era esmagador.
Woo Hyunse dava tanto a doença quanto a cura. Poderia haver alguém mais dúplice no mundo?
A comida agradou ao paladar de Kwon Siyul. Mas ele não conseguiu comer muito. Talvez seu estômago tivesse encolhido — sentiu-se cheio depois de apenas algumas garfadas enroladas de massa. Bebericou o vinho que acompanhava sem realmente sentir o gosto.
Quando a sobremesa terminou e os petiscos para vinho foram servidos, o rosto de Yang Hye-na já estava vermelho e afogueado. Ela falava sozinha e dava risadinhas, depois insistia com cara séria que não estava bêbada. Gesticulava no ar, afirmando categoricamente que não poderia ficar bêbada com um mero vinho.
— Eu tenho cara de quem fica bêbada com esse vinhozinho?
Seu rosto e pescoço estavam vermelhos, e seus olhos, desfocados. Depois de murmurar essa afirmação típica de bêbado, Yang Hye-na de repente deixou a cabeça cair sobre a mesa. Kwon Siyul rapidamente estendeu a mão para amortecer sua testa. Woo Taeju deu uma risadinha diante da cena.
— Hyung, quer deixar a Hyena em casa e ir pra segunda rodada? Aqui tem limite de tempo. Temos uns 30 minutos ainda.
— Bom, é que…
Estava ficando tarde, e Kwon Siyul já se debatia sobre como explicar a Woo Hyunse que tinha bebido sozinho com Woo Taeju. Enquanto Kwon Siyul hesitava, Woo Taeju se inclinou para a frente, apoiando os braços cruzados na mesa.
— Então, hyung, vamos beber só mais um pouquinho antes de ir. A gente ia beber junto da última vez e não conseguiu. E você já pode soltar a Hye-na. Sua mão deve estar doendo.
Como ele disse, a mão de Kwon Siyul que amortecia a testa de Yang Hye-na estava dolorida. Ele retirou a mão com cuidado. Não restava muito tempo, mas ainda restava um pouco. Com metade do vinho recém-pedido ainda sobrando, parecia uma pena ir embora imediatamente.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna