• Capítulo 79
Capítulo 79
— Você não pode me devolver o celular?
— Não.
— Estou entediado. Preciso pegar minhas recompensas de login do jogo também…
— Tem o console. Você pode jogar nele também.
— Eu fico tonto jogando no console. Já te falei. Ah, por favor, hyung.
Kwon Siyul implorava, puxando a roupa de Woo Hyunse como uma criança viciada em smartphone. Depois de uma longa persuasão — argumentando que não fugiria mesmo com um celular e que o único dinheiro que tinha era o cartão que Woo Hyunse lhe dera —, ele finalmente conseguiu permissão. Não conseguiu o celular antigo de volta, mas, em vez disso, um celular novo chegou à casa à tarde.
Ele não conseguia ficar totalmente feliz com o modelo novo. Parecia estar usando o aparelho de outra pessoa. Embora desconfortável, ainda assim mandou uma mensagem de agradecimento para Woo Hyunse.
Fazia dias que não acessava o mensageiro. Metade das mensagens era propaganda; a outra metade, de pessoas conhecidas. Em especial, havia muitas mensagens do pessoal do bar e de Woo Taeju. A maioria eram cumprimentos educados dizendo que lamentavam que ele tivesse saído de repente e sugerindo marcar uma refeição juntos algum dia.
Kwon Siyul respondeu a cada uma. Mandou mensagens para o chef e o bartender e também contatou Yang Hye-na, que era a pianista, e a gerente Kang. O bartender respondeu na hora, dizendo que pagaria algo decente para ele quando Kwon Siyul tivesse tempo de dar uma passada.
Woo Taeju foi o último. Eles não se viam nem trocavam mensagens desde o dia do concerto. A mensagem dizendo que estava bem, perguntando se Woo Taeju estava bem e sugerindo que se encontrassem algum dia foi enviada e o número 1 sumiu imediatamente, mas, estranhamente, não houve resposta.
Esparramado no sofá, ele entrou no jogo. O jogo despejou recompensas, dando as boas-vindas e dizendo que estava feliz em vê-lo de novo. Enquanto ele abria as caixas uma por uma para conferir, um botão de chamada surgiu sobre a tela do jogo. Era Yang Hye-na.
— Ah, Hye-na.
― Oppa! Você está bem? Por que sumiu? Achei que você tivesse sido sequestrado ou algo assim.
Yang Hye-na riu como se fosse uma piada. Kwon Siyul achou que o comentário dela tinha acertado em cheio e riu sem jeito junto.
― Está livre hoje, oppa? Vamos fechar o bar mais cedo hoje pra um jantar da equipe. Achei que seria legal se você viesse também. Já perguntei pra gerente, e ela disse que é claro que você deve vir e pra te chamar o quanto antes.
Yang Hye-na acrescentou que ele tinha tido sorte, dizendo que, se tivesse entrado em contato nem que fosse um dia depois, não haveria carne de graça. Kwon Siyul também queria ir. Mas estava preocupado com Woo Hyunse. Sentia que sair de casa sem avisar antes aonde ia seria considerado uma tentativa de fuga. Já seria sorte se Woo Hyunse não o agarrasse pelos cabelos e o arrastasse de volta para casa.
Mas ele não tinha devolvido o celular? Talvez alguma confiança nele tivesse se construído nesse meio-tempo.
— Tá bom. Vou ver minha agenda e te aviso.
― Você deve estar bem ocupado. Onde você está trabalhando agora, oppa?
— Ah… Só fazendo uma coisa aqui, outra ali. Te ligo depois.
Ele encerrou a ligação depressa. Ia mandar uma mensagem para Woo Hyunse, mas mudou de ideia e abriu o número dele na tela. Não queria ouvir a voz dele, mas uma ligação parecia ter mais chance de conseguir permissão do que uma mensagem.
Ao levar o celular ao ouvido, torceu em segredo para que Woo Hyunse não atendesse. Assim poderia culpar Woo Hyunse por não ter atendido e sair por conta própria.
Mas quando é que desejos assim já tinham se realizado? Antes que o toque soasse mais de algumas vezes, Woo Hyunse atendeu. Nem um “alô”. Só um único “Hm”, como se estivesse esperando a ligação. Kwon Siyul foi direto ao ponto.
— Posso sair?
― Pra onde?
— Falei com a Hye-na, e ela disse que o pessoal do bar vai fazer um jantar da equipe hoje. Querem que eu vá beber com eles…
― Pode ser perigoso.
— Posso ir com o Jisang hyung, não posso?
Houve silêncio do outro lado da linha. Kwon Siyul chamou:
— Hyung.
Depois de um bom tempo, a resposta veio.
― Kim Jisang é hyung do senhor Kwon Siyul? Você é rápido em chamar outros desgraçados de hyung.
Era uma voz sarcástica. Woo Hyunse às vezes conseguia ser infantil de maneiras imprevisíveis. Kwon Siyul ficou quieto, sem responder. Não queria defender o guarda-costas e arriscar uma reação contrária.
― Pode ir.
— Sério?
Como não esperava conseguir a permissão, Kwon Siyul se sentou num pulo e exclamou. Mas Woo Hyunse acrescentou uma condição.
― Outra pessoa vai. Não o seu “hyung” Jisang.
Já era melhor que nada. Pelo menos tinha conseguido permissão. Kwon Siyul desligou e correu para o banheiro. Queria sair o quanto antes daquele lugar, com o cheiro de Woo Hyunse por toda parte.
Quando Kwon Siyul chegou ao restaurante de churrasco que Yang Hye-na tinha indicado, o pessoal do bar ergueu as mãos de uma mesa no canto, como se estivessem esperando por ele o tempo todo. Yang Hye-na até se levantou de repente, acenando com as duas mãos e atraindo a atenção de todos os clientes. Com medo de que aqueles olhares se voltassem para ele, Kwon Siyul foi depressa até o grupo de antigos colegas de trabalho.
— Nossa, quanto tempo. Você está bem?
— E você, gerente, tem estado bem? Obrigado por me convidar.
— Não precisa agradecer. Por que tanta formalidade? Você é sempre bem-vindo, Siyul.
A gerente, sentada no canto, recebeu Kwon Siyul. Ver aqueles rostos conhecidos depois de tanto tempo iluminou a expressão de Kwon Siyul. A sombra escura desapareceu, os olhos se enrugaram e os lábios se curvaram num sorriso. Era uma expressão que costumava ser comum quando ele trabalhava no bar.
— A gente estava te esperando, oppa, então ainda não começamos a grelhar a carne. Vamos comer logo.
Embora não tivesse apetite, não podia deixar de comer depois de vir até ali. Kwon Siyul logo pegou a pinça e colocou a carne na grelha aquecida. O samgyeopsal rosado começou a dourar bem na grelha untada, em formato de tampa de panela.
O que é churrasco sem bebida? Eles eram beberrões que, sempre que fechavam o bar e davam uma festa com bebida, consumiam mais álcool do que tinham vendido naquele dia. Empurrando os acompanhamentos para o lado, garrafas de bebida ocuparam o lugar na mesa. A gerente puxava discretamente os copos vazios, misturava soju e cerveja e os empurrava para a frente das pessoas.
Embora tivesse sido difícil engolir arroz antes, fosse pela habilidade da gerente ou simplesmente pela sede de álcool, a bebida descia fácil. Ele mal sentia o amargor. Lembrou-se vagamente do resmungo de algum bêbado de que, se o álcool tem gosto doce, a vida deve estar ainda mais amarga.
— O que você anda fazendo, oppa? Você parecia bem ocupado.
— Nada de especial… Estou dando uma pausa.
— Você ainda não está se sentindo bem? Ai, e agora? Oppa, quer malhar comigo? Estou fazendo pilates, e sai mais barato se for em grupo.
Yang Hye-na tagarelava com o rosto preocupado. O chef abaixou a cabeça, observando Kwon Siyul atentamente, e então estalou a língua.
— Esse garoto está pálido. Ah, será que não devíamos ter chamado ele quando não está se sentindo bem?
— Não, eu estou bem. É só porque bebi um pouco.
— O oppa não costumava ficar com as bochechas vermelhas quando bebia? Acho que era assim antes.
Yang Hye-na apontou com precisão. Kwon Siyul esfregou as bochechas, sem jeito. Fazia sentido que ele parecesse abatido, considerando que muitas vezes pulava refeições sempre que Woo Hyunse não estava.
Tudo o que comia ardia na garganta, como se engolisse um feixe de agulhas. Tinha má digestão, sentia náuseas com frequência e as mãos e os pés viviam frios. Até a comida nutritiva que Woo Hyunse lhe dava com tanta dedicação parecia ter perdido o efeito.
— Com licença um momento.
A gerente, que estava animadamente preparando os drinks-bomba encostada na parede, agarrou o ombro de Kwon Siyul e se levantou. Ao ver os passos cambaleantes dela, Kwon Siyul se apressou em ampará-la. Quando Yang Hye-na perguntou aonde iam, a gerente levou o indicador e o dedo médio aos lábios.
A fumaça acre e o cheiro de carne assando vinham deixando Kwon Siyul enjoado, então aquele era o momento perfeito. Kwon Siyul disse que também ia sair para tomar um ar e seguiu a gerente para fora.
O beco estreito atrás do restaurante era uma área de fumantes tácita. O cheiro amargo de cigarro pairava como se alguém tivesse acabado de dar uma tragada. Uma grande lata vazia no chão servia de cemitério de bitucas.
A gerente afastou o cabelo e, por hábito, pegou um cigarro. Kwon Siyul ficou quieto ao lado dela. Enquanto o cigarro queimava na boca da gerente, Kwon Siyul manteve os olhos no chão até ouvir seu nome ser chamado. A gerente tirou o cigarro dos lábios e o prendeu entre os dedos.
— O CEO Woo não vem hoje?
— Como?
— Estou falando do Woo Hyunse.
— Como eu vou saber…?
Escondendo o susto, Kwon Siyul evitou o olhar da gerente. A gerente soltou uma risada que soou como um bufo e deu uma longa tragada no cigarro.
— Você já saiu do bar. De que adianta esconder? Vocês dois estão namorando, não estão?
Kwon Siyul ergueu os olhos, surpreso. No entanto, seu olhar não conseguia encontrar diretamente o da gerente e vagava de um lado para o outro. Mesmo assim, a atitude da gerente continuava despreocupada. Percebendo que mentir não ia funcionar, Kwon Siyul soltou um “Ah” e esfregou o rosto com as duas mãos repetidas vezes.
— Como você soube?
— Eu não seria uma tola se não soubesse?
— Não pode ser…
Kwon Siyul olhou para a gerente, sem conseguir esconder o lábio inferior trêmulo, perguntando-se se todos lá dentro também sabiam. Alheia ao humor cada vez mais sombrio de Kwon Siyul, a gerente riu como uma mocinha.
— Como um homem pode ser tão tímido? Não é como se namorar fosse algo a esconder. E não se preocupa. Ninguém mais sabe além de mim.
Em apenas algumas tragadas, só restou o filtro do cigarro. A gerente jogou a bituca na lata e pegou um cigarro novo.
— Como eu poderia não saber, com o CEO Woo sendo tão óbvio? Acabei sabendo mesmo sem querer.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna