• Capítulo 73
Capítulo 73
— O quê? Vocês dois se conhecem?
Woo Taeju se virou para Woo Hyunse, forçando um sorriso. O rosto de Woo Hyunse estava inexpressivo. O homem que costumava usar um sorriso como máscara agora tinha os lábios pressionados numa linha fina, a cabeça inclinada, fixando o olhar em outro lugar.
Os olhos dele miravam a mão branca presa no aperto de Woo Taeju. Embora Woo Taeju não conseguisse sentir feromônios ou coisas do tipo, tinha uma vaga noção do que aquele olhar significava.
Uma tosse forçada quebrou o clima estranho. In Seohee baixou o punho que usara para cobrir a boca e lançou a Woo Taeju um olhar cheio de significado. Com o som, Woo Taeju voltou a si e rapidamente vestiu seu sorriso de sempre. No entanto, apesar do esforço, os cantos dos lábios continuaram rígidos.
— Eu sou In Seohee. Prazer em conhecê-lo.
In Seohee estendeu a mão para Kwon Siyul. Kwon Siyul encarou sem expressão a mão lisa e branca. Era uma mão delicada que parecia se encaixar na expressão “nunca tocou numa gota d’água”. Devia apertá-la? Precisava? Enquanto ele hesitava, In Seohee inclinou a cabeça de lado, parecendo intrigada. Pouco antes que ela baixasse a mão, Kwon Siyul a segurou depressa. Embora tenha soltado depois de apenas alguns segundos.
— Um encontro?
Ao som da voz de In Seohee, os ombros de Kwon Siyul deram um solavanco. Antes que ele pudesse negar, Woo Taeju, coçando a nuca como se estivesse sem graça, respondeu mais rápido que Kwon Siyul.
— É. …É um encontro. Você também, noona?
— Pode-se dizer que sim.
O rosto de Kwon Siyul ficou ainda mais pálido. Woo Hyunse levou a mão perto do pescoço, mexendo no nó da gravata como se quisesse afrouxá-lo. Os olhos continuavam fixos em Kwon Siyul. Woo Taeju se pôs na frente, bloqueando a visão dele.
— Bom, nós temos planos, então vamos indo. Noona, te ligo depois. …Você também, hyung.
Woo Taeju agarrou o ombro de Kwon Siyul com firmeza. Kwon Siyul, ainda atordoado, cambaleou ao ser puxado. Olhou para trás brevemente, mas não conseguiu encará-los por completo antes de voltar a olhar para a frente.
Ele não conseguia se lembrar de como saíram da sala de concertos. Com Woo Taeju à frente, eles finalmente foram parar num parque qualquer, sem nome. Kwon Siyul só voltou a si quando Woo Taeju o sentou num banco. Notou que as pontas dos dedos estavam vermelhas de frio. Woo Taeju envolveu as mãos de Kwon Siyul com as suas.
— Hyung, você está bem?
Kwon Siyul abriu a boca com um “Ah” e então a fechou com força. A cor ainda não tinha voltado às bochechas. Woo Taeju colocou a mão na bochecha pálida e esverdeada de Kwon Siyul. Normalmente, Kwon Siyul a teria afastado ou se esquivado, mas desta vez não reagiu por muito tempo.
— Procurei um café, mas não tinha nenhum por perto. Achei que você precisava descansar um pouco, então viemos aqui pro parque como solução rápida… Quer ir pra algum lugar quente? Vou chamar um táxi.
— Não, tudo bem. Acho que vou me sentir melhor depois de descansar um pouco.
Kwon Siyul afastou a mão de Woo Taeju e esfregou o rosto. A imagem residual não desaparecia de sua visão. Era uma mulher alta e bonita. A voz era clara, e a mão estendida tinha um perfume agradável. Dava para perceber pelo cheiro que eles eram do mesmo tipo.
Sentindo tontura, como se o chão estivesse afundando sob ele, Kwon Siyul se curvou e olhou para os próprios pés. Embora o chão congelado fosse sólido, os pés pareciam instáveis, como se flutuassem no ar.
— Você os conhece?
Kwon Siyul falou depois de firmar bem os pés no chão. Woo Taeju virou a cabeça para Kwon Siyul e só o olhou em silêncio. Diante da pergunta repentina, assentiu e, ao ver o olhar distante de Kwon Siyul, soltou um curto “Sim”.
— Conheci a Seohee noona num evento, e o homem da esquerda… ele é meu primo.
Não era à toa que eram tão parecidos. Agora que ouvia, as vozes também eram semelhantes. Dizem que o mundo é pequeno e que todo mundo conhece todo mundo, mas aquilo era pequeno demais. Quem diria que Woo Hyunse e Woo Taeju eram parentes?
Quando Kwon Siyul soltou uma tossezinha, Woo Taeju se levantou de repente. Enquanto ele ia comprar algo para beber, Kwon Siyul pegou o celular. Não havia mensagens nem chamadas perdidas. Nem mesmo depois daquele encontro.
Ele conseguia adivinhar que tipo de relação eles tinham sem precisar perguntar. Pareciam um casal saído de um ensaio de moda clássico. Há quanto tempo aquilo vinha acontecendo? Ele era o primeiro ou o intruso? A julgar pela situação, sentia-se como o segundo, um hóspede indesejado.
Que expressão Woo Hyunse estava fazendo? Ele não conseguia lembrar, como se alguém tivesse pintado sua memória com tinta preta. Sentia apenas um vazio. Não sabia dizer se estava escuro por causa da noite ou se era só sua visão que tinha escurecido. Apenas o perfume da mulher que estava ao lado de Woo Hyunse com tanta confiança, como se aquele fosse seu lugar de direito, permanecia nítido em sua mente.
Woo Taeju voltou correndo de longe. Apesar do frio, segurava com cuidado uma bebida em lata que não esfriaria fácil. Até abriu a tampa ele mesmo antes de entregá-la a Kwon Siyul. Ao ver a mão e a lata levemente fumegante, as sobrancelhas de Kwon Siyul se franziram. Antes que pudesse reagir, Woo Hyunse lhe veio à mente primeiro.
— Obrigado.
Ele conseguiu pegar a lata fumegante com as mãos, disfarçando a voz embargada. Fosse pelo frio ou por algum outro motivo, sua mão não parava de tremer.
— Eu não sabia que vocês eram primos. Agora que olho, vocês se parecem muito mesmo.
— Como você conhece o Hyunse?
Woo Taeju tinha deixado de usar “hyung” depois do nome de Woo Hyunse, mas Kwon Siyul não percebeu a estranheza. Sua mente estava ocupada demais para captar a farpa escondida naquelas palavras.
Kwon Siyul mordeu o lábio inferior com força. Não queria responder. Sua mente estava uma bagunça. Parecia que um novelo de linha embaraçado, impossível de desfazer sem cortar, tinha empurrado seu cérebro para fora e tomado seu lugar.
Como Kwon Siyul se mantinha deliberadamente em silêncio, Woo Taeju também fechou a boca e o encarou diretamente, como se quisesse que ele se abrisse. O primeiro a se render naquele silêncio opressivo foi Kwon Siyul.
— Eu o conheci por causa do trabalho. Foi assim que acabei trabalhando no bar também.
— O Hyunse te ajudou?
— Algo assim.
Embora tivesse começado com chantagem por causa da conta da lavanderia, olhando para trás, aquilo tinha ajudado a impedir que ele afundasse ainda mais num mau caminho. Kwon Siyul engoliu rapidamente um gole, já que por dentro se sentia gelado. Mesmo com o líquido morno aquecendo o esôfago, o tremor nas mãos continuava.
Woo Taeju esperou em silêncio até Kwon Siyul se acalmar. Mesmo depois de bebericar e esvaziar a lata inteira, a tez de Kwon Siyul não mostrava sinais de melhora. O lábio inferior tremia de vez em quando, e as unhas da mão que segurava a lata alternavam entre branco e vermelho.
— …Hyung, sabe, eu sou bem perceptivo. Eu sabia quando a galera estava namorando antes mesmo de alguém dizer qualquer coisa, sacava antes de todo mundo.
A essa altura, era impossível não saber. Até a pessoa mais insensível poderia deduzir rapidamente a resposta ligando a palidez de Kwon Siyul aos acontecimentos recentes. Woo Taeju abriu e fechou a mão formigante, esperando desesperadamente que sua intuição estivesse errada.
— Me diz se eu estiver errado. Eu realmente espero que esteja.
Kwon Siyul ergueu o olhar. O foco ainda estava embaçado, como se vagasse por outro mundo. Woo Taeju queria trazer aquele olhar de volta ao presente.
— A pessoa de quem você gosta… é o Hyunse?
Uma luz voltou aos olhos atordoados de Kwon Siyul. Pareciam estar se enchendo de lágrimas. Mesmo sem palavras, os olhos de Kwon Siyul, cada vez mais úmidos, eram resposta suficiente. As pálpebras ficaram vermelhas e, embora as lágrimas se acumulassem, não caíam. Como se o último fio de dignidade dele estivesse lhe concedendo o benefício da dúvida.
— Ah… — Woo Taeju soltou uma exclamação de desespero, inclinando a cabeça para trás e cobrindo o rosto com as duas mãos. Nunca tinha desejado tão desesperadamente que sua intuição estivesse errada. Mas, como sempre, seu mau pressentimento acertou em cheio.
Como, neste vasto mundo, entre tantas pessoas, Kwon Siyul e Woo Hyunse tinham acabado enredados? Se existisse um deus que administrasse as conexões humanas, devia ser um personagem incrivelmente distorcido e socialmente desajustado.
A julgar pelo jeito que Woo Hyunse o olhara, provavelmente não eram só sentimentos unilaterais da parte de Kwon Siyul. Os dois deviam ter tido alguma interação que ele desconhecia. E bem intensa, por sinal.
— Não pode ser.
Woo Taeju sabia que Kwon Siyul o encarava de olhos arregalados, mas se virou para olhar com um instante de atraso. Diante da resposta firme e ousada, as lágrimas acumuladas sob os olhos de Kwon Siyul foram crescendo até que, finalmente, uma gota caiu, plic.
Woo Taeju, sentindo como se ele tivesse feito Kwon Siyul chorar, se remexeu desconfortável antes de tirar um lenço do bolso e oferecê-lo. Mas Kwon Siyul simplesmente continuou encarando Woo Taeju, sem se mover, com as mãos ainda sobre os joelhos.
Depois de morder os lábios até ficarem brancos, Kwon Siyul finalmente conseguiu falar.
— É porque vocês são primos? Ou porque eu não sou bom o bastante?
— Não é por nenhum desses motivos.
— Então por quê?
Woo Taeju hesitou por um momento, sem saber se devia revelar o motivo ele mesmo. Não deveria ser o próprio envolvido a contar? Não queria falar fora de hora e acabar sendo xingado.
Mas Kwon Siyul não acabaria descobrindo de qualquer jeito? Continuar gostando de alguém que estava prestes a se casar só deixaria Kwon Siyul sofrendo. Melhor arrancar o curativo de uma vez. Woo Taeju enxugou os olhos avermelhados de Kwon Siyul com o lenço e falou.
— Siyul, desiste do Hyunse.
— …
— Ele vai se casar em breve de qualquer jeito.
Os olhos de Kwon Siyul se arregalaram. Ficou tão chocado que até as lágrimas secaram nesse meio-tempo. Baixou o olhar, incrédulo, e depois o ergueu de novo.
— O quê? — perguntou, com a voz subindo no final, como se esperasse ter ouvido errado.
— Com a mulher que veio com ele ao concerto hoje.
Deixando de lado as relações emaranhadas, Woo Taeju também não se sentia bem em dar aquela notícia. Era difícil encarar os olhos marejados de Kwon Siyul.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna