• Capítulo 72
Capítulo 72
— E se a plateia estiver vazia?
Kwon Siyul se lembrou das palavras com que Woo Taeju o tinha tentado, mas, na realidade, o saguão da sala de concertos fervilhava de gente. Ao ver algumas pessoas até segurando buquês, parecia que seria um concerto cheio de calor e boas-vindas. Vários objetos parecidos com coroas de flores, do tamanho de arbustos, decoravam a entrada bem fechada da sala.
— Você não disse que não teria muita gente?
— Acho que minha prima ampliou o alcance nesse meio-tempo.
Woo Taeju se inclinou na direção de Kwon Siyul e sussurrou, cobrindo a boca com as costas da mão. Era claramente uma piada, então Kwon Siyul deu risadinhas.
— Não devíamos ter preparado flores também? Vi uma floricultura mais cedo.
Ela não era prima dele? Kwon Siyul não tinha certeza se tudo bem aparecer de mãos vazias. Pensou em comprar um pequeno buquê no caminho.
— Claro, eu mandei uma com antecedência.
Woo Taeju apontou para uma das coroas com a ponta do dedo. A longa faixa da coroa trazia a frase “Deusa do Violino Woo Jihye”.
— Vou comprar um buquê antes de a apresentação começar.
— Não precisa, hyung. Eu também mandei uma em seu nome.
Kwon Siyul tinha pesquisado sobre etiqueta em concertos, mas não encontrou nada sobre buquês. Imaginando que Woo Taeju, que parecia mais experiente, soubesse melhor, ele contemplou a coroa que Woo Taeju tinha enviado.
As grandes portas, que estavam bem fechadas, se abriram, sinalizando o início iminente da apresentação. As pessoas começaram a entrar uma a uma, como se estivessem esperando por esse momento o tempo todo. Kwon Siyul estava prestes a se juntar a elas quando Woo Taeju agarrou seu pulso e o puxou para outra direção.
— Não é por ali?
— Estamos no segundo andar. Lugares VIP.
Parecia que Woo Taeju tinha conseguido bons lugares porque conhecia alguém. Kwon Siyul seguiu Woo Taeju até o segundo andar. Lá dentro, viram um espaço com apenas duas cadeiras.
Era um camarote, como algo saído de um filme. Kwon Siyul ficou maravilhado por até salas de concerto terem esse tipo de assento, enquanto apoiava as mãos na grade e olhava ao redor. Apesar de estarem no segundo andar, estavam tão perto do palco que talvez desse até para ver a partitura dos músicos.
— Esses lugares são ótimos.
— Né? Implorei pra minha irmã pelos melhores lugares. Gostou?
Kwon Siyul, que vivia aquilo pela primeira vez, não tinha um critério claro do que gostar ou não. Ainda assim, não era completamente leigo em matéria de assentos e dava para perceber que aquele era um lugar privilegiado.
— Obrigado. Estou tendo uma experiência nova graças a você.
Os olhos de Woo Taeju se arregalaram, como se não esperasse gratidão, e então ele caiu na gargalhada. Esticou os braços como se fosse abraçar Kwon Siyul, mas recuou e acabou só coçando a nuca.
— Já vai começar. Vem cá, hyung.
Woo Taeju deu tapinhas no assento ao lado. Kwon Siyul correu até lá e se sentou. A almofada era macia como uma cama, e a iluminação voltada para o palco deixava os lugares deles num brilho suave, igualzinho a uma luz noturna. Kwon Siyul temeu pegar no sono — suas pálpebras já pareciam pesadas.
Ele endireitou a postura e olhou para o palco. Uma mulher num vestido azul parecido com a cor da gravata que Kwon Siyul tinha escolhido para Woo Hyunse naquela manhã entrou com seu grupo, recebida por aplausos estrondosos. O arco começou a deslizar lentamente pelas cordas, e o olhar de Kwon Siyul foi ficando gradualmente enevoado.
Antes que Kwon Siyul percebesse, foi o som de palmas que o acordou em seguida. Seu corpo estava afundado na cadeira. As luzes fortes o fizeram piscar, e ele virou os olhos para uma figura embaçada que se movia em seu campo de visão.
— Hyung, a apresentação acabou.
— Hã… O quê?
Ele resmungou algo incoerente enquanto se levantava. O palco já estava vazio, e as pessoas que tinham lotado os assentos do primeiro andar saíam em massa. Como isso tinha acontecido? Ele tinha lutado contra o sono até o intervalo, cravando as unhas nas palmas das mãos, mas, a partir do início da segunda parte, tudo escureceu como se alguém tivesse apertado um interruptor.
Minha nossa.
Ele tinha dormido. Dormido profundamente. Tanto que o corpo se sentia completamente revigorado. Kwon Siyul esfregou o rosto repetidas vezes, gemendo. Havia todo tipo de maneira de exibir a própria ignorância. As orelhas ardiam de vergonha por ter exposto sua falta de refinamento cultural. Sentia-se péssimo por Woo Taeju ter lhe dado um lugar tão bom, com vista clara do palco, e ele ter desperdiçado caindo no sono daquele jeito.
— Você devia estar muito cansado.
Enquanto Kwon Siyul se contorcia de vergonha, Woo Taeju deu tapinhas em seu ombro, dizendo que podia ter acontecido com qualquer um. Kwon Siyul ergueu os olhos para ele com uma expressão cheia de desconforto.
— Desculpa. Você me trouxe até aqui e eu só dormi.
— Minha prima escolheu as peças erradas. Em vez de tocar umas animadas, escolheu só músicas lentas e sonolentas. Eu também dormi no meio, cochilando no seu ombro.
Woo Taeju sorriu docemente, fingindo dormir ao colocar a mão perto da orelha. Os olhos dele, voltados para Kwon Siyul, não mostravam nenhum sinal de sonolência. Para alguém que dizia ter dormido no ombro de Kwon Siyul, o cabelo e as roupas estavam intactos. Kwon Siyul percebeu que era uma mentirinha para que ele se sentisse menos envergonhado.
— Se você está mesmo se sentindo mal, pode me pagar uma bebida.
Woo Taeju já tinha pagado o jantar. Kwon Siyul tinha se esforçado muito para segurar a conta, argumentando que não era certo Woo Taeju pagar a refeição depois de levá-lo ao concerto, mas no fim ela foi arrancada das mãos dele. Fosse um tino natural para negócios ou algum gene oculto de superforça nas pessoas com o sobrenome Woo, Kwon Siyul achava impossível vencer Woo Taeju ou Woo Hyunse em matéria de força.
Depois de usar o concerto como sonífero, como ele poderia recusar a oferta de pagar as bebidas? Embora preocupado com o guarda-costas, Kwon Siyul imaginou que não haveria problema se não ficassem até muito tarde, então aceitou de bom grado. O rosto de Woo Taeju se iluminou enquanto ele pegava o celular.
— Vamos sair primeiro? O concerto já acabou mesmo.
Kwon Siyul deu uma cotovelada na lateral de Woo Taeju, que andava devagar enquanto pesquisava no celular. Woo Taeju se sobressaltou e correu para abrir a porta.
O saguão do primeiro andar estava lotado. Enquanto muitos saíam como uma maré vazante, alguns tiravam fotos na cabine de fotos ou estavam sentados em cadeiras esperando os acompanhantes. Em meio ao alvoroço, Kwon Siyul fixou o olhar nas costas de Woo Taeju, apressando os passos para não perdê-lo de vista.
Woo Taeju olhou para trás e estendeu a mão. Embora dois homens de mãos dadas pudessem parecer um pouco estranho, Kwon Siyul percebeu que eles poderiam se separar como grãos de areia levados pelas ondas se andassem separados. Para não se perder, ele agarrou firmemente a mão oferecida. Woo Taeju curvou os dedos em volta da mão dele, segurando Kwon Siyul com força.
Andar de mãos dadas certamente facilitava atravessar a multidão. Kwon Siyul se manteve colado atrás de Woo Taeju, que parecia diminuir o ritmo por consideração.
De repente, Woo Taeju parou bruscamente. Andando distraído, Kwon Siyul bateu o nariz com força nas costas de Woo Taeju. Esfregando o nariz dolorido, Kwon Siyul inclinou a cabeça para o lado. Ainda havia pessoas aglomeradas na frente de Woo Taeju.
Entre elas, os olhos de Kwon Siyul foram atraídos, quase por hábito, para uma cabeça bem mais alta que as demais. No instante em que as palavras “não pode ser” passaram por sua mente, Woo Taeju pôs as mãos em concha em volta da boca.
— Ei, Hyunse hyung!
Foi um grito alto. A voz era tão potente que, mesmo naquele ambiente barulhento, várias pessoas se sobressaltaram e se viraram para olhar Woo Taeju. O homem alto, de ombros largos, também virou a cabeça.
Que coincidência. Era alguém que Kwon Siyul também conhecia bem. Naquela mesma manhã, eles tinham se despedido com relutância, sem querer se separar. O rosto de Kwon Siyul se abriu num grande sorriso diante desse encontro inesperado. Ele também queria chamar aquele nome em voz alta.
No entanto, o sorriso de Kwon Siyul foi se apagando devagar. Ao lado de Woo Hyunse estava uma mulher desconhecida. Com o cabelo preso num coque impecável, ela era impressionantemente bonita, mesmo de longe.
Woo Hyunse também olhou na direção deles. O olhar dele, que estava fixo em Woo Taeju, desceu até Kwon Siyul. Kwon Siyul arrancou os olhos da mulher e olhou para Woo Hyunse. Os olhares se encontraram no ar.
— Hyunse hyung, aqui!
O nome que antes tinha sido parcialmente abafado pelo barulho ao redor agora soava nítido nos ouvidos de Kwon Siyul. Acontece que Woo Taeju e Woo Hyunse se conheciam. Kwon Siyul girou o ombro, tentando soltar a mão. Por algum motivo, queria desesperadamente fugir para bem longe daquele lugar o mais rápido possível.
Sentia medo e inquietação. Embora não conseguisse identificar exatamente do que tinha medo, só sentia que não devia estar ali.
Quando tentou recuar seguindo o instinto, Woo Taeju não só se recusou a soltar como apertou ainda mais, mantendo Kwon Siyul firme no lugar. Incapaz de gritar para ser solto, suor frio brotou na palma pálida de Kwon Siyul.
A essa altura, muita gente já tinha saído do saguão, e o espaço antes lotado agora estava bastante vazio. Woo Taeju puxou Kwon Siyul, que resistia. Kwon Siyul avançou, mas manteve a cabeça baixa, olhando para o chão. Viu pontas de sapatos conhecidas sobre os ladrilhos brilhantes.
— Então você veio mesmo com a Seohee noona. Ah, devia ter me ligado se vinha.
A voz de Woo Taeju era animada. Woo Hyunse não disse nada. O corpo inteiro de Kwon Siyul formigava. Sentia-se trespassado pelo olhar. O coração batia forte como se esperasse a sentença de um crime que não cometera. Os lábios estavam secos, e a garganta, ressecada. O cheiro de Woo Hyunse, que flutuava até ele, não era como a floresta coberta de neve de sempre, e sim mais como um mar noturno, profundo e escuro.
Kwon Siyul engoliu em seco e, reunindo toda a coragem, ergueu a cabeça. Woo Hyunse nem sequer olhava para Woo Taeju. Encarava diretamente Kwon Siyul. Não havia nenhum vestígio de sorriso. Quando os olhares se encontraram, Woo Hyunse baixou o olhar lentamente. Os olhos dele se demoraram nas costas da mão de Kwon Siyul, presa na de Woo Taeju.
— Ah, onde estão meus modos? Devia apresentar vocês primeiro. Hyung, este é o Kwon Si… yul, de quem eu te falei antes.
Woo Taeju se virou para Kwon Siyul e deixou a frase morrer. A tez de Kwon Siyul estava tão pálida que parecia que ele poderia desabar a qualquer momento. Mais do que isso, para onde o olhar de Kwon Siyul estava direcionado chamou a atenção de Woo Taeju. Ele encarava Woo Hyunse. Como se tivesse visto um fantasma voltar à vida, completamente chocado com a cena diante de si.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna