• Capítulo 71
Capítulo 71
As palavras do outro acertaram em cheio. De fato, nada podia ser escondido de Woo Hyunse. Kwon Siyul sorriu sem jeito, então baixou os calcanhares e abraçou a cintura de Woo Hyunse. Ergueu o olhar, pressionando a bochecha contra as costas de Woo Hyunse até a camisa amassar.
— Hyung. Posso sair hoje? Sem guarda-costas desta vez?
— Não.
Foi uma recusa cortante. Kwon Siyul ficou abatido por um momento, mas logo se recompôs e tentou de novo.
— Eu preciso mesmo ir. É um compromisso que eu já tinha marcado.
— Só se for com um guarda-costas.
— Ah, qual é, não é certo ter um guarda-costas quando vou encontrar um amigo. Eu não sou nenhum jovem mestre rico. Como eu explicaria isso pro meu amigo?
— Senhor Kwon Siyul, parece que você se esqueceu da sua situação. Quem estava em perigo mesmo?
Os lábios dele se projetaram num beicinho. Kwon Siyul tentou tirar os braços da cintura de Woo Hyunse. Woo Hyunse agarrou o pulso dele e o puxou para a frente. Kwon Siyul enterrou o nariz nas costas de Woo Hyunse. Woo Hyunse deu uma risadinha baixa. A vibração da risada se espalhou pelas bochechas e pelo nariz de Kwon Siyul.
— Ficou tão decepcionado assim?
— …Fiquei.
Foi uma resposta emburrada. Woo Hyunse se virou. Abraçou Kwon Siyul de frente e o balançou devagar de um lado para o outro, como se acalmasse uma criança.
— Então vou mandar que te vigiem de longe. Não ter ninguém é perigoso demais. Vou dizer para não interferirem, então você vai ter que ceder nisso.
Woo Hyunse recuou um passo. Não era exatamente ceder, mas ele tinha feito pelo menos um esforço mínimo de concessão. Embora fosse só metade da liberdade que queria, Kwon Siyul tinha que se contentar com o que conseguiu. Ele abraçou Woo Hyunse com força e apoiou o queixo no peito dele, olhando para cima.
— Obrigado, hyung.
Woo Hyunse beijou vários pontos do rosto sorridente e radiante de Kwon Siyul. Enquanto Kwon Siyul recebia os beijos todo feliz, ele de repente congelou diante de uma pergunta inesperada, embora o sorriso continuasse no rosto.
— Então, quem é esse amigo? Não pode ser Kwon Yuwon.
Ele poderia facilmente ter dito que era Woo Taeju, mas, por algum motivo, relutava em revelar a existência dele. Acima de tudo, as circunstâncias do encontro deles eram problemáticas. Eles tinham se conhecido com a intenção de passar uma noite num motel. Considerando que ele tinha alegado ter experiência e confessado que tentou dormir com outra pessoa antes da primeira noite com Woo Hyunse, o que havia para esconder?
— Um amigo do orfanato.
Ele mentiu descaradamente, sem mudar a expressão. O coração martelava no peito, com medo de ser pego na mentira, mas, felizmente, Woo Hyunse deixou o assunto passar sem mais perguntas.
Antes de sair pela porta da frente, Woo Hyunse pediu com seriedade que Kwon Siyul mandasse uma mensagem toda vez que mudasse de lugar. Parecia que ele não estava totalmente tranquilo nem mesmo com um guarda-costas designado. Kwon Siyul, empolgado só de pensar em sair, assentiu vigorosamente e cobriu Woo Hyunse de beijos.
— Por que você está dificultando tanto a minha saída?
— Você tiraria o dia de folga se eu pedisse?
— Talvez eu considerasse, se o senhor Kwon Siyul cancelasse o compromisso.
Se não fosse pelo compromisso marcado, ele teria aceitado na hora. Woo Hyunse tirar um dia de folga certamente valia faltar ao compromisso. Kwon Siyul hesitou por um instante, mas então imaginou um Woo Taeju choroso e balançou a cabeça.
— Não, tudo bem. Você é o CEO. Como pode não ir trabalhar? Vai logo. Você vai se atrasar.
— Que frieza.
Ele também não queria deixá-lo ir. Mas, com medo de que Woo Hyunse não gostasse se ele agisse de forma infantil demais, Kwon Siyul reprimiu a vontade de fazer manha.
Olhando para as costas de Woo Hyunse, ele já sentia arrependimento. Kwon Siyul hesitou e então chamou:
— Hyung.
Woo Hyunse se virou.
Kwon Siyul mordeu o lábio inferior, depois o soltou, hesitando por um longo tempo. Ele não prolongou a deliberação. As palavras que tinham subido do estômago ao peito, à garganta, passado pelo pomo de adão e chegado à ponta da língua eram pesadas. Sentindo que suas entranhas arderiam em brasa se engolisse aquelas palavras, Kwon Siyul soltou sem pensar:
— Eu gosto de você.
Woo Hyunse parou. Os lábios, que estavam levemente curvados para cima, se assentaram numa linha reta. Como se jamais esperasse que Kwon Siyul dissesse algo assim, Woo Hyunse, que sempre se mantivera composto não importava o que ouvisse, encarou Kwon Siyul sem sequer piscar.
— Eu gosto muito de você.
Dizer “eu te amo” ainda era difícil demais. Kwon Siyul começou com “eu gosto de você”. Era uma confissão bastante apaixonada, mas Woo Hyunse ficou paralisado no lugar como uma estátua de madeira. Perguntando-se se tinha sido um fardo pesado demais, e sentindo uma onda tardia de vergonha, Kwon Siyul coçou a nuca. Ele estava prestes a abanar a mão, dizendo que tinha sido só um comentário à toa, nada para levar a sério.
A porta da frente, entreaberta, se fechou com um baque. Woo Hyunse deu um passo à frente e segurou as bochechas de Kwon Siyul com as palmas. Os lábios estavam tão próximos que quase se tocavam.
— De novo.
— Como?
— Diz de novo.
A voz sussurrada soava ressequida. Os feromônios, geralmente calmos, ondulavam como ondas varridas pelo vento. Realmente parecia que ele ia devorar Kwon Siyul. Não era mero desejo. Era uma torrente mais escura e mais feroz.
— Eu gosto de você.
— Mais uma vez.
— Eu gosto de você, hyung…
Kwon Siyul repetiu como um papagaio. Não fazia ideia de como fazer sua sinceridade chegar até Woo Hyunse. Mesmo enquanto falava, sentia o peito apertado. As palavras “eu gosto de você” pareciam um recipiente pequeno demais para conter os seus sentimentos.
Eu gosto de você.
Eu gosto tanto de você, hyung.
Eu gosto tanto de você que às vezes me tira o fôlego.
Dentre incontáveis expressões, Kwon Siyul repetia apenas a frase direta “eu gosto de você”. Woo Hyunse cobriu os lábios arredondados de Kwon Siyul com os seus. Embora já tivessem se beijado incontáveis vezes, os lábios pousados com delicadeza pareciam tão cautelosos quanto se fosse a primeira vez.
Parecia uma resposta. Sem precisar de palavras, Kwon Siyul entendeu. Os feromônios doces e gentis que o envolviam como o ar, o toque de lábios leve como uma pluma — essas eram as respostas que Kwon Siyul queria.
No fim, Woo Hyunse tirou meio dia de folga. Sem querer perder tempo indo para outro lugar, eles consumaram ali mesmo, no hall de entrada. Com as costas contra a porta e uma perna enganchada no braço de Woo Hyunse, Kwon Siyul mordia o próprio pulso como uma mordaça para não fazer barulho que pudesse vazar para o mundo lá fora.
Woo Hyunse afastou aquela mão com urgência. Em vez disso, cobriu ele mesmo a boca de Kwon Siyul, abafando tanto a voz quanto a respiração. Kwon Siyul se agarrou a ele com força, retribuindo os beijos, reprimindo a preocupação de que gemidos e gritos constrangedores ecoassem além da porta. Embora tivessem o andar inteiro só para eles, alguém no elevador poderia ouvi-los.
Só depois que seu corpo virou gelatina Kwon Siyul se separou de Woo Hyunse. Woo Hyunse abraçou Kwon Siyul, que tinha acabado de desabar no chão, e beijou seu corpo inteiro. Perguntou três vezes sobre tirar o dia de folga e disse seis vezes que não queria ir embora. Kwon Siyul também não queria deixar Woo Hyunse ir, mas não podia atrapalhar o trabalho só para satisfazer os próprios desejos egoístas.
Com a intenção de descansar um pouco na cama, acabou pegando no sono. Mal conseguiu acordar quando o horário do compromisso se aproximou. Antigamente, ele teria apagado até o dia seguinte, mas a insistência carinhosa de Woo Hyunse e os tônicos fortificantes tinham dado resultado.
Também havia uma chamada perdida de Woo Taeju. Kwon Siyul se lavou às pressas, se arrumou e saiu correndo de casa. Mas levou um susto com a figura enorme que apareceu assim que abriu a porta da frente.
— Vou escoltá-lo, senhor.
— Eu vou de ônibus mesmo.
— Recebi ordens de não deixá-lo ir sozinho.
Por mais que Kwon Siyul insistisse que podia ir sozinho, o outro era inflexível como uma parede de tijolos. Talvez tivesse sido melhor gritar com uma parede de verdade.
— Ele disse que ia mandar você me vigiar de longe…
Kwon Siyul murmurou desanimado, perguntando-se se aquelas tinham sido palavras vazias para acalmá-lo.
— Não vou interferir enquanto o senhor estiver com seu amigo.
O homem ficou de guarda, aparentemente sem intenção de ceder um centímetro sequer até que Kwon Siyul aceitasse. Sem outra escolha, Kwon Siyul entrou no carro que o homem dirigia. Afastou a sensação de estar sob vigilância, dizendo a si mesmo que pelo menos estava economizando a passagem de ônibus e chegando ao ponto de encontro com conforto.
Fiel à palavra, o homem deixou Kwon Siyul e desapareceu em algum lugar. Não tinha sumido completamente — se olhasse com atenção, dava para vê-lo parado não muito longe de Kwon Siyul. Embora fosse desconfortável ter alguém em seu encalço, como Woo Hyunse dissera, o próprio Kwon Siyul estava em perigo, então não havia o que fazer.
— Siyul hyung!
Woo Taeju acenou com a mão bem alto. Embora Kwon Siyul não desse muita importância quando o via regularmente no bar, ficou feliz em vê-lo depois de tanto tempo. Kwon Siyul ergueu o braço e acenou de volta.
Arrumado para a ocasião, Woo Taeju parecia mais elegante do que no bar. O casaco, os sapatos e a camisa inevitavelmente lembraram Kwon Siyul do Woo Hyunse daquela manhã. Com o cabelo penteado para cima, ele lembrava ainda mais a aura de Woo Hyunse. Embora fosse muito improvável, dava para acreditar se ele dissesse que era um parente distante.
Kwon Siyul olhou para a própria aparência. Embora tivesse se arrumado para o concerto, ao lado de Woo Taeju ele se sentia como um mendigo ao lado de um príncipe.
— Tudo bem eu ir assim?
Devia ter vestido um casaco. Preocupado que sua roupa fosse informal demais, Kwon Siyul perguntou com uma expressão deliberadamente séria.
— Claro. Desde que você não entre pelado, não importa. Além disso, hyung, você está fofo.
— Fofo?
Esse garoto não tinha filtro com os mais velhos. Kwon Siyul franziu a testa diante da insolência, mas Woo Taeju sorriu radiante, como se até isso fosse fofo. Kwon Siyul logo desfez a testa franzida de propósito e sorriu de volta. Na verdade, não se incomodava com nada que lhe dissessem, feliz por estar fora depois de tanto tempo.
Woo Taeju abriu e fechou o punho úmido de suor. Enquanto Kwon Siyul parecia o mesmo de sempre, Woo Taeju não estava. Ele estivera numa correria se preparando para esse encontro tão esperado desde a noite anterior. Sem conseguir encontrar roupas satisfatórias mesmo depois de virar o armário do avesso, tinha saído às pressas para comprar novas.
Durante toda a refeição, Woo Taeju não conseguiu tirar os olhos de Kwon Siyul. O cabelo dele estava um pouco mais comprido. A pele ainda parecia clara, e as bochechas, macias e cheinhas. Mas também havia diferenças em relação a antes.
Ele exalava uma atmosfera lânguida. Como se tivesse acabado de terminar uma intensa sessão de amor. O pescoço branco e reto, os lóbulos das orelhas avermelhados pelo frio e o olhar baixo eram particularmente sedutores. Embora Kwon Siyul não estivesse emitindo feromônios, e mesmo que estivesse, Woo Taeju não conseguiria detectá-los, ele sentia uma energia estranha vindo do outro.
Quando estavam saindo depois da refeição, Kwon Siyul bocejou com vontade. Lágrimas pendiam dos cílios. Aproveitando a oportunidade, Woo Taeju esfregou a região dos olhos de Kwon Siyul com a mão. Kwon Siyul balançou a cabeça fracamente, como quem espanta um inseto irritante.
— Hyung, está com sono?
— Ah… Não dormi bem ontem à noite.
Na verdade, era por causa das atividades apaixonadas com Woo Hyunse, mas Woo Taeju não tinha como saber disso. Kwon Siyul bocejou de novo, abrindo a boca como o bico de um passarinho. Queria esquecer o concerto e virar um só com a cama de casa.
Mas logo arregalou os olhos. Não, isso não dava. Era a primeira vez que saía depois de tanto tempo — não podia deixar isso morrer assim.
— Vamos nos apressar? Vamos nos atrasar.
Woo Taeju afastou a persistente sensação de déjà vu e passou o braço pelos ombros de Kwon Siyul. Kwon Siyul se sobressaltou e franziu a testa, mas quando Woo Taeju fez manha, chamando “hyung, hyung” sem parar, ele acabou cedendo de má vontade.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna