• Capítulo 44
*• Capítulo 44
[Você está livre hoje, hyung?]
[Ganhei um dinheiro de bolso.]
[Vamos comer algo delicioso.]
Ele enviou um link junto com as mensagens. Depois de verificar o relógio, era quase hora do almoço. Woo Hyunse tinha deixado dinheiro para comida, mas Kwon Siyul não estava a fim de usá-lo.
[Este lugar tem uma estrela Michelin. Conheço alguém que pode conseguir uma reserva para nós. Devo reservar agora?]
[Geralmente, reservas no mesmo dia não são possíveis, mas posso fazer.]
— Isso é um pouco…
Parecia pesado receber algo de graça sem ter feito nada para ajudar. Os preços no menu eram bastante altos. Ele já estava recebendo mais do que o suficiente de Woo Hyunse, e isso era suficiente para fazê-lo sentir um senso de dívida que ia além de mero fardo. Kwon Siyul enviou uma mensagem expressando seus sentimentos honestos sobre como ser presenteado era pesado. A resposta chegou em menos de 10 segundos.
[Então hyung pode me pagar um café. Há um café que quero ir, mas nenhum dos meus amigos quer ir comigo. Estou sozinho.]
[Estou solitário.]
Havia uma página inteira de emojis de choro. O olhar de Kwon Siyul pairou sobre a palavra “sozinho.” Se aquela palavra não estivesse lá, ele teria recusado sem hesitação, dizendo que não poderia hoje.
Kwon Siyul colocou o telefone no peito por um momento e olhou para o teto. O teto da pensão não era muito alto – se ele ficasse na ponta dos pés e esticasse a mão, podia tocar a luz fluorescente. Não era assim aqui. O teto era tão alto que mesmo que Woo Hyunse esticasse a mão, estava longe do alcance.
Talvez porque estivessem sempre juntos, sem Woo Hyunse, a casa parecia um terreno vazio. Mesmo com a TV tagarelando a maior parte do dia, não era suficiente para preencher o vazio.
— …
Ele não tinha decidido encontrá-lo de qualquer maneira? Qualquer outro dia seria preenchido com atividades com Woo Hyunse, então parecia difícil arranjar tempo separado se não fosse hoje. Kwon Siyul se levantou com um grunhido. Mais do que qualquer coisa, o choramingo sobre estar solitário puxava seu coração.
Woo Taeju acenou animadamente de longe. Ele andou rapidamente no início, depois quebrou em uma corrida completa, suas roupas tremulando ao vento. Ele parou abruptamente bem na frente de Kwon Siyul, então sorriu largamente ao ver seu rosto. Se não fosse pela falta de uma cauda visível, seu comportamento era exatamente como o de um grande golden retriever.
— Siyul hyung!
Sua voz era alta e retumbante. Ele estendeu os braços como se fosse abraçar Kwon Siyul, mas quando Kwon Siyul hesitou e deu um passo para trás, Woo Taeju rapidamente escondeu as mãos atrás das costas. Ele ainda lembrava Kwon Siyul de Woo Hyunse, mas seu rosto sorridente também parecia muito inocente sob a luz naquele momento.
— Você deve estar com fome. Vamos entrar rápido. Vamos comer primeiro.
Woo Taeju colocou o braço em volta dos ombros de Kwon Siyul enquanto entravam no restaurante. Como ele disse, ele tinha feito uma reserva. Eles foram imediatamente conduzidos a uma mesa onde ele deu seu nome. A atmosfera era semelhante ao restaurante que Kwon Siyul tinha visitado uma vez com Woo Hyunse. Naquela época, ele não sabia se estava comendo pelo nariz ou pela boca, e tinha um pressentimento de que desta vez seria uma experiência semelhante.
Kwon Siyul seguiu atrás de Woo Taeju sem jeito, já se sentindo enjoado. Ele se lembrava vagamente da lamentação de Kwon Yuwon sobre como lagartas de pinheiro deveriam ficar com agulhas de pinheiro, e que comer coisas desconhecidas as faria ficar doentes e morrer. Ao recordar essa informação peculiar, Kwon Siyul comparou tais coisas a jantar fora em restaurantes chiques.
— Sempre quis vir aqui, mas nunca pensei que viria com você, hyung. Isso é ótimo.
— Você não disse que tinha uma palestra hoje?
— Ah, decidi matar.
— Tudo bem? A mensalidade é muito cara, não é?
Woo Taeju claramente tinha o ar de um jovem mestre de uma família rica. Embora Kwon Siyul não soubesse os preços exatos de suas roupas ou sapatos, sua qualidade e estilo exalavam caro. A julgar por como ele fazia reservas em lugares como este com facilidade, ele deve ter crescido sem restrições financeiras. Ele era como uma flor de estufa brilhante e feliz, criada com muito amor dos pais.
Para Kwon Siyul, que cresceu como uma erva daninha do lado de fora da estufa, Woo Taeju parecia pertencer a um universo completamente diferente. Talvez fosse por isso que, mesmo quando conversavam, Kwon Siyul não conseguia se interessar verdadeiramente.
— Tudo bem. Tenho muito dinheiro. E minhas notas são boas também.
Como esperado. Kwon Siyul assentiu com a cabeça e pegou a comida. Objetivamente, era delicioso, mas não combinava com seu paladar. Ele preferia coisas como ramen ou arroz frito. Ou o macarrão que Woo Hyunse costumava fazer para ele.
A refeição terminou rápido. Woo Taeju estava de bom humor. Mesmo com as respostas um tanto monossilábicas de Kwon Siyul, ele conduzia habilmente a conversa. Assim como tinha feito no motel, ele estava cheio de curiosidade e perguntas. Ele parecia querer saber tudo sobre Kwon Siyul, e as perguntas saíam de sua boca sem parar.
— Você é sempre tão curioso?
O sorvete na frente de Woo Taeju estava meio derretido na tigela. Apesar de dizer que queria vir aqui, ele mal tocou na comida.
— Ah, fui um pouco invasivo demais, não fui? Só estou curioso sobre tudo em você, hyung. Na verdade, há uma coisa que me deixa mais curioso…
— O que é?
— Você vai responder?
— Depende.
— Vamos, não seja assim. Só responda. Tá, vou perguntar.
Kwon Siyul também estava curioso sobre o que Woo Taeju queria perguntar. A maneira mais frustrante de se comunicar era insinuar algo sem revelar o núcleo. Kwon Siyul, caindo na isca, assentiu em concordância. Woo Taeju pigarreou e começou.
— Hyung, você tem um amante?
A mão de Kwon Siyul, que estava pegando sorvete, pausou momentaneamente. Woo Hyunse imediatamente veio à mente. Mas a resposta afirmativa não saiu na hora.
— Ah, nosso primeiro encontro foi naquele tipo de lugar, não foi? Pensei que você obviamente não teria um, mas pensando de novo, já se passou um bom tempo, e você pode ter conseguido um amante nesse meio tempo. Então, é por isso. Só curioso.
Woo Taeju divagou. Kwon Siyul ponderou silenciosamente sobre a palavra “amante.” Embora Woo Hyunse cruzasse sua mente assim que ouviu a palavra, por alguma razão, ele sentiu que não deveria dizer isso em voz alta.
Amante.
Era isso que eles eram?
Ele se lembrou de uma voz que tinha ouvido fracamente ao telefone antes. Woo Hyunse respondeu languidamente, mas firmemente, que não era o caso quando perguntado se aquela pessoa era seu amante. O tempo tinha passado, mas o relacionamento entre ele e Woo Hyunse ainda era ambíguo. Ele ousaria aplicar o termo “amante” ao que eles eram?
Não era apenas um relacionamento onde eles só misturavam corpos?
— …Você tem um?
Sua voz tinha baixado. O que o fez pensar ainda mais em Woo Hyunse. Ele estava olhando fixamente para a mesa quando de repente levantou os olhos para Woo Taeju o chamando de “hyung.” Woo Taeju estava olhando para ele seriamente. Kwon Siyul balançou a cabeça.
— Não.
Eles passavam noites juntos e atualmente estavam morando juntos. Na realidade, eles tinham atravessado todos os rios que precisavam atravessar. Mas chamar isso de relacionamento parecia um pouco insuficiente. Embora ele chamasse Woo Hyunse de “hyung” facilmente, por que a palavra “amante” parecia tão estranha como se ele a ouvisse pela primeira vez?
Ele nunca tinha sido convidado para namorar, nem tinha convidado. Então o termo “amante” não deveria ser aplicado ainda. Kwon Siyul se convenceu de que esse era o caso e logo o aceitou.
— Você não tem?
O rosto de Woo Taeju não poderia ter ficado mais radiante. Como se empatizasse com um companheiro de alma solitária.
— Eu também não tenho um, hyung.
— É mesmo?
— Sim. Não tenho. Realmente não tenho.
Woo Taeju apenas enfatizava. Kwon Siyul ignorou calmamente, pensando que ele deve ter estado muito solitário para ter dito isso.
O café que Woo Taeju queria ir acabou sendo uma franquia comum na rua. Aqui também, eles pagaram com o cupom que Woo Taeju tinha enviado. Na realidade, Kwon Siyul não tinha gasto um centavo e tinha sido tratado o tempo todo. Ele não gostava disso e queria comprar algo, mas Woo Taeju invariavelmente intervinha e tirava sua própria carteira.
— Ei, eu disse que tenho muito dinheiro. Também ganhei uma mesada do meu primo hyung.
— Seu primo te dá mesada?
Embora ele soubesse sobre receber mesada dos pais ou parentes mais velhos, ele não tinha ideia de que primos também davam mesada. Vendo o olhar arregalado de Kwon Siyul, Woo Taeju sorriu.
— Há uma diferença de idade considerável entre meu hyung e eu, e ele realmente me adora. Recebo muito amor assim.
Ele acrescentou que sabia dar bem também, mas Kwon Siyul deixou entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mesmo quando Woo Taeju se gabava, não era irritante. Pelo que ele mostrou no bar, ele era uma pessoa desarmada. Será que todas as pessoas que crescem recebendo muito amor se tornam assim?
— Ah, acho que atirei com muito entusiasmo antes. Meu braço está dolorido.
Woo Taeju, que tinha se instalado em uma mesa perto da janela, girou os ombros. Kwon Siyul riu baixinho.
— Você estava atirando bem.
Antes de entrar no café, eles tinham parado em um fliperama que viram no caminho. Quando Woo Taeju viu o jogo de atirar em zumbis, ele se gabou de que era bom nisso enquanto servia no exército. Ele empilhou moedas em cima da máquina e assumiu uma posição de tiro.
No entanto, ele não era páreo para Kwon Siyul, que costumava dominar fliperamas locais com Kwon Yuwon quando estava entediado. Ao contrário de Woo Taeju, que morreu antes mesmo de derrotar o primeiro chefe, Kwon Siyul navegou pelo jogo vitoriosamente sozinho.
— Isso é injusto. Eu simplesmente não consegui mostrar minhas habilidades desta vez. Da próxima vez que você vier à minha casa, vou te mostrar direito.
Woo Taeju cerrou os punhos e bufou. Seu rosto, com lábios firmemente franzidos e olhos arregalados, era tão cômico que Kwon Siyul riu alto. Talvez ele estivesse rindo de alegria por conhecer um irmão mais novo que agia tão amigável, algo que ele não experimentava desde que saiu do orfanato.
Woo Taeju olhou fixamente para a risada fresca de Kwon Siyul por um momento. Com sua boca geralmente tagarela firmemente fechada, ele olhou com tanta intensidade que Kwon Siyul tocou suas próprias bochechas e nariz onde o olhar de Woo Taeju parecia estar fixo.
— Há algo no meu rosto?
— …Ah, não. Não é nada. Não, espera. Agora que olho, parece que há algo. Ali, sob seu olho.
Ele apontou para abaixo do olho direito de Kwon Siyul. Era onde a pinta de lágrima estava. Enquanto Kwon Siyul esfregava os lugares errados, Woo Taeju logo estendeu a mão. Sua mão estava prestes a tocar a pinta.
Houve um som de algo caindo de outra mesa. Kwon Siyul se virou, assustado. Um homem e uma mulher discutiam alto. A atenção de todos se voltou para os gritos e xingamentos repentinos.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna