• Capítulo 22
*• Capítulo 22
Estava frio demais para beber cerveja do lado de fora. Ainda assim, sentindo-se quente por dentro, Kwon Siyul abriu apressadamente uma lata de cerveja. Talvez por ter sido agitada no caminho, espuma borbulhou da abertura da lata. Não querendo perder uma gota, ele a pressionou rapidamente contra os lábios.
Ele bebeu de um gole, mas um fio ainda conseguiu escorrer pela lata. Arrependido, Kwon Siyul lambeu o comprimento da lata de cerveja com os lábios.
A espuma cobriu seu filtro e lábios. Enquanto ele esticava a língua para lamber ao redor, ele sentiu um olhar severo emanando do homem ao lado.
…Era tão feio assim? Pode ter parecido assim para Woo Hyunse.
— Não queria desperdiçar — Kwon Siyul explicou, esfregando os lábios vigorosamente com as costas da mão. Como Kwon Yuwon sempre dizia, cada gota de álcool deveria ser tratada como preciosa quanto sangue. Woo Hyunse estava prestes a pegar uma lata de cerveja da sacola, mas em vez disso, ele parou e olhou para Kwon Siyul.
— Se eu beber isso, você vai me dizer para chamar um motorista designado, certo?
— Sim. Você está perguntando o óbvio.
Estalando a língua, Woo Hyunse largou a cerveja. Em vez disso, ele só bebeu água. Seu pomo de adão saliente ondulava como ondas sob a pele que cobria sua garganta.
— Como foi o filme? — Woo Hyunse perguntou, jogando a garrafa de água vazia na sacola. Ao mencionar o filme, aquelas cenas eróticas se repetiram em sua mente. Além disso, o filme que eles assistiram de madrugada, a voz baixa e lânguida de Woo Hyunse e os gemidos fracos ao fundo do filme que acabaram de assistir, tudo o deixava muito desconfortável.
— Era bastante erótico.
— Aquilo?
Alfa promíscuo. Kwon Siyul estreitou os olhos como se estivesse olhando com desdém, então esvaziou outra lata de cerveja. Ele amassou a lata vazia e a deixou cair perto da garrafa de água.
— Ah, suponho que possa ter parecido assim para Kwon Siyul.
— Por quê? Por que pode ter parecido assim para mim?
— Porque você ainda é jovem?
— Saiba que sou adulto.
— Você já namorou?
Seu tom era condescendente. O sorriso em seu olho era carregado de significado. Kwon Siyul não pôde deixar de se sentir indignado.
— Claro!
A mentira fluiu suavemente de seus lábios, impulsionada pela teimosia de não perder. Que namoro? Quando na vida houve tempo para ele conhecer alguém e passar momentos doces juntos? Pode ter havido uma garota de quem ele gostou no orfanato quando era muito jovem, mas agora seu rosto e nome eram memórias vagas que ele mal conseguia recordar.
Mesmo vendo a explosão de Kwon Siyul, os olhos curvos de Woo Hyunse não se desdobraram. Ele tinha um talento inato para provocar, apesar de sua aparência benigna. Ele podia virar alguém do avesso com apenas um olhar, sem nem se dar ao trabalho de abrir a boca.
— Experiência?
A pergunta estava no limite de ultrapassar a linha. Pode já ter ultrapassado naquele momento. Mas o espírito competitivo de Kwon Siyul ainda não estava quebrado.
— Seria estranho não ter nenhuma nesta idade, certo?
— Mulheres? Ou homens.
— Ambos.
Ele ia responder mulheres, mas sua boca se moveu sozinha. Ele não sabia por quê. Só parecia que aquela era a resposta que irritaria ligeiramente os nervos do outro. Ou talvez fosse bravata imatura.
Woo Hyunse soltou um: — Huh — e esticou a mão para trás para se apoiar no chão. O sorriso em seus lábios não parecia um sorriso.
O olhar brincalhão em seus olhos esfriou tão rapidamente quanto o rio que fluía. Embora não estivesse ciente de feromônios ou tais coisas, Kwon Siyul sentiu a mudança repentina na atmosfera, mas fingiu não notar, apenas bebendo sua cerveja.
— Bem, suponho que alguém que vende drogas não seria inocente.
— Isso não é…
Foi um comentário não relacionado. Kwon Siyul não conseguiu terminar sua frase. — Kwon Siyul — Woo Hyunse disse, virando-se para ele.
— Vamos dormir juntos?
Se Kwon Siyul estivesse bebendo cerveja, ele poderia tê-la cuspido espetacularmente. Em vez disso, seus olhos se arregalaram como luas cheias. Ele sabia que aquela frase não carregava seu significado literal.
— Perdão?
— Você me ouviu.
— Uau…
Surpreso com a declaração inesperada, Kwon Siyul pressionou os dedos contra os olhos. Sua cabeça pulsava de choque. Duvidando se tinha entendido corretamente, ele olhou de relance para Woo Hyunse. Apesar de ter claramente jogado uma granada, o outro permanecia notavelmente calmo.
— Você é bastante casual com assédio sexual.
— Só estou sendo honesto.
Kwon Siyul sentiu como se tivesse sido atingido unilateralmente por uma bomba. Ele esfregou freneticamente o rosto com as duas mãos. Sua tez mudou rapidamente, ficando vermelha e depois tão pálida quanto uma folha de papel. Ele mal conseguiu se acalmar e removeu as mãos do rosto.
— Você fala assim com os outros também?
— Não. A maioria das pessoas se apaixona por mim com apenas um pouco de conversa doce.
— Hah…
Ele estava agindo como alguém que jogou toda a decência fora. Como ele podia jogar um convite para dormir juntos com tanta naturalidade quanto convidar alguém para uma refeição?
— E se eu recusar?
As sobrancelhas de Woo Hyunse se levantaram como se ele não tivesse considerado essa possibilidade. Ele coçou a ponte do nariz e ponderou com um: — Hmm.
— Eu provavelmente me tornaria um pouco mais incômodo para Kwon Siyul.
— Quer dizer que você me assediaria?
— Quero dizer que eu te veria com mais frequência.
— Até quando?
— Até você concordar.
Significava que ele se agarraria a ele persistentemente. Isso era exatamente como Woo Hyunse.
— Você não disse que tinha experiência? Qual é o problema?
— Não vivo minha vida jogando meu corpo fora descuidadamente…
Sua risada soou refrescante com um: — Haha — mas seus olhos contavam uma história completamente diferente. Mesmo sob a iluminação fraca, os olhos de Woo Hyunse olhando para ele eram excepcionalmente claros. Ele podia ver que havia determinação neles.
— Você precisa de tempo?
Woo Hyunse perguntou, inclinando-se de lado para bater o ombro no de Kwon Siyul. Kwon Siyul queria se afastar, mas era como se alguém o tivesse colado secretamente naquele lugar. Ele balançou como um brinquedo de equilíbrio antes de retornar ao seu lugar. Seu ombro roçou no de Woo Hyunse. Embora a escuridão escondesse seu rosto corado, ele ainda baixou profundamente a cabeça para esconder seu constrangimento.
— …Sim.
— É difícil responder agora?
— Sim.
— Quanto tempo vai demorar?
— …
— Acho que não posso esperar muito.
— …
Kwon Siyul esfregou a bochecha contra o braço. Por que uma simples proposta soava como uma ameaça, por que ele estava adiando em vez de recusar firmemente algo que poderia terminar com um simples não – nem ele mesmo entendia isso. Kwon Siyul começou a se questionar, mas parou. Agora não era a hora. Embora ainda se sentisse confuso, ele deixou por isso mesmo.
— Suas orelhas estão vermelhas.
Pontas de dedos tocaram seu lóbulo. O polegar e o indicador esfregaram suavemente a carne macia como se estivessem limpando algo. Kwon Siyul encolheu como uma planta mimosa em seu assento. — Não me toque — ele evitou timidamente, encolhendo os ombros.
Woo Hyunse apoiou a cabeça no ombro encolhido de Kwon Siyul com um baque suave. Era pesado. Mas desta vez, Kwon Siyul não evitou. A presença pesada era também um calor que aquecia a noite fria.
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Ele não conseguiu dormir depois de voltar para casa. Ficou acordado a noite toda, só conseguindo cochilar ao amanhecer. Mesmo assim, acordou cedo com o som de Kwon Yuwon se preparando ruidosamente para sair.
— Vou indo.
— Sim.
Ele acenou preguiçosamente com a mão sem olhar para Kwon Yuwon enquanto ele saía. Kwon Yuwon parou na porta, examinando Kwon Siyul com suspeita, notando algo diferente nele. No entanto, ele não tinha tempo no momento para investigar. Ele simplesmente exalou levemente pelo nariz e saiu. Ele já estava 10 minutos atrasado para seu horário habitual de saída, então não podia pressionar Kwon Siyul sobre o que estava errado.
Depois que a porta se fechou, Kwon Siyul deixou o braço levantado cair no chão. Seus olhos estavam secos, talvez por falta de sono. Mesmo depois de piscar várias vezes, a umidade não voltava aos seus olhos. Ele colocou as duas mãos no rosto, depois o esfregou bruscamente como se estivesse lavando. O sono há muito o havia abandonado.
— Ah…
Ele suspirou enquanto se sentava. A noite passada parecia um sonho. Se tivesse que definir, parecia algo entre um pesadelo e um sonho molhado. Kwon Siyul tentou recordar o que tinha visto, ouvido e percebido na noite passada, memórias que ele vinha ruminando como uma vaca antes de adormecer.
Ele recordou a voz e os olhos de Woo Hyunse, e a conversa que tiveram entre eles.
— ‘Vamos dormir juntos?’
— Ele é realmente louco…
Ele queria acreditar que não pôde responder na época devido à atmosfera e à leve intoxicação pelo álcool. Kwon Siyul agarrou seu cabelo bagunçado e lentamente se inclinou para a frente. Ele se enrolou até que o nariz tocasse o cobertor, então mordeu um punhado do cobertor e gritou silenciosamente: — Aaaaargh! A parte de trás de suas orelhas, visível através do cabelo, estava vermelha de uma maneira que não combinava com alguém que acabara de acordar.
Como alguém podia dizer tais coisas com tanta naturalidade? Todos os Alfas eram tão libidinosos? Propor dormir com ele, que não era nem um ômega nem uma mulher. Sua ex era definitivamente uma mulher, então será que esse Woo Hyunse tinha realmente saído com homens também? Bem, se o ômega era um homem, isso podia ser possível, mas ele não era um ômega.
Além disso, sua própria boca solta era um problema. Esse tagarela deveria ter cortado isso limpo desde o início, dizendo que não tinha experiência e, portanto, recusava. Em vez disso, para proteger seu orgulho do tamanho de uma unha, ele contou uma mentira imprudente sobre dormir com homens e mulheres. Até o menino que gritou “Lobo!” balançaria a cabeça para ele, se perguntando se ele não tinha aprendido nada com esta fábula em particular.
— Esta boca amaldiçoada, esta armadilha amaldiçoada!
Ele bateu repetidamente nos lábios com a palma da mão. Depois de bater até que a área ao redor de sua boca estivesse tão vermelha quanto batom borrado, ele enterrou a cabeça de volta sob o cobertor. Seu punho firmemente cerrado tremia. Ele sentia que poderia morrer de vergonha. Tudo o que ele queria era se enfiar em um buraco e nunca mais sair.
Como, pelo amor de Deus…
Ele não tinha ideia de como consertar isso. Ele queria confidenciar a alguém, mas a única pessoa adequada era Kwon Yuwon. Era óbvio que se ele revelasse tudo, Kwon Yuwon voaria em uma fúria e procuraria uma faca de cozinha, insistindo que fossem cortar a garganta de Woo Hyunse primeiro.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna