• Capítulo 23
*• Capítulo 23
Por que Woo Hyunse o estava colocando em tal posição? Kwon Siyul se jogou de lado, alcançando o travesseiro e tateando por um tempo. Quando sentiu seu telefone, ele o puxou para mais perto e ligou a tela. Woo Hyunse não tinha entrado em contato depois de transformar seu interior em um terreno baldio. Como se a noite passada não tivesse sido nada mais para ele do que o sonho de uma noite de outono.
Kwon Siyul largou o telefone e olhou para o teto. Mesmo no papel de parede amarelado, o rosto de Woo Hyunse parecia passar por ele. Esse fenômeno fantasmagórico provavelmente continuaria enquanto ele ficasse em seu quarto. Como seu turno começava à tarde, ele não podia mais continuar confortavelmente deitado.
Seria melhor sair e passar o tempo em outro lugar. Kwon Siyul esfregou o canto externo do olho e rastejou para o banheiro. Levantar-se e andar só era possível quando se tinha força no corpo. Woo Hyunse tinha drenado completamente sua energia, deixando-o sem forças para ficar em pé.
Embora ele tenha saído da pensão com ousadia, ele realmente não tinha para onde ir. Ficar em um café era bom por uma hora ou duas, mas depois disso, ele acabava se sentindo indesejado. Depois de encher o estômago vazio com um kimbap triangular da loja de conveniência, ele pensou que poderia ir trabalhar cedo em vez de vagar sem rumo, sem destino em mente.
Devido à hora adiantada, o salão estava vazio. Para acalmar sua mente perturbada, Kwon Siyul colocou todas as cadeiras sobre as mesas e limpou completamente cada canto da loja. Ele limpou meticulosamente as prateleiras e decorações com um pano, passou o aspirador no chão e até dançou com o esfregão como parceiro.
— Siyul, você chegou cedo?
O bartender entrou enquanto Kwon Siyul estava abaixando as cadeiras. Graças a ele, as cadeiras estavam arrumadas ao lado das mesas. O bartender arrumou o resto da área do bar que Kwon Siyul não tinha tocado e pegou os copos. Embora parecessem impecáveis para Kwon Siyul, o bartender os alinhou e limpou cada um com um pano seco. Parecia quase um hobby para ele.
— Precisa de ajuda com isso?
— Agradeceria.
Kwon Siyul correu para trás do bar e ficou ao lado do bartender. Ele pegou um pano seco e segurou cuidadosamente um copo fino, tomando cuidado para não quebrá-lo.
Alguns dizem que limpar faz você se sentir revigorado, mas esse ditado não parecia se aplicar a Kwon Siyul. Suas preocupações eram tão profundas que ele continuava suspirando enquanto limpava os copos. Mesmo quando ele balançava a cabeça para clarear a mente, a tristeza rapidamente nublava seus olhos novamente.
— Algo está te incomodando?
O bartender perguntou gentilmente. Kwon Siyul levantou os olhos para seu rosto e hesitou com as palavras. Se pudesse, ele queria agarrar até um transeunte e desabafar seus problemas com eles.
— Vou ouvir. Me conte.
O bartender era conhecido por seus bons conselhos. Havia alguns clientes regulares que vinham só para conversar com ele. Ele era bastante alto, embora não tão alto quanto Woo Hyunse, e tinha um rosto razoavelmente bonito, embora novamente não tão bonito quanto o de Woo Hyunse. Suas palavras e ações combinavam com sua personalidade gentil.
Olhando para ele, Kwon Siyul podia entender por que as pessoas confiavam seus problemas a ele. Normalmente, ele teria negado ter problemas, mas ele estava começando a se sentir sufocado por dentro. Nem limpar nem andar podiam aliviar isso. Depois de hesitar por um momento, Kwon Siyul finalmente se abriu, dizendo: — Bem, veja bem…
— Na verdade, é sobre meu amigo. Somos tão próximos quanto família, então estou preocupado também. Mas tudo bem falar sobre o problema de um amigo…
— Não sei quem é esse amigo de qualquer maneira, então tudo bem falar. Não contarei a ninguém.
Encorajado pelas palavras confiáveis do bartender, Kwon Siyul ganhou coragem para falar mais. Ele não notou o leve sorriso nos olhos estreitos do bartender.
— Bem, é assim. Meu amigo tem visto alguém ultimamente. Eles não estão namorando, e nem é realmente uma ‘coisa’… Apenas alguém com quem ele come e passa o tempo quando está entediado. Mas de repente, essa pessoa pediu para meu amigo dormir com ele.
— Ah… Isso escalou rápido.
— Meu amigo não tinha intenção de namorar ou nada… Mas não pôde recusar.
— Então deixe-me ver se entendi, ele não quer namorar, mas não pôde recusar.
— Sim. Ele está pensando. A pessoa disse que esperaria por uma resposta.
O bartender segurou um copo limpo contra a luz antes de colocá-lo de volta. Ele pegou outro copo e continuou a conversa casualmente.
— Seu amigo gosta dessa pessoa?
— Não, acho que não. Na verdade, não tenho certeza. …Não conversei com meu amigo em profundidade sobre isso.
— Se ele não recusou na hora, seu amigo pode ter alguns sentimentos também.
— Não, não, não é isso.
O bartender olhou para Kwon Siyul, que continuava insistindo que era esse o caso. Sentindo-se de repente nervoso, Kwon Siyul acrescentou apressadamente: — Foi o que meu amigo disse.
— Então diga ao seu amigo para seguir o coração. O melhor é dormir com alguém com quem você tem uma conexão, mas se for ambíguo, ir com o que parece certo também não é ruim.
— Ainda assim, as pessoas não deveriam viver descuidadamente com seus corpos. Se você dormir com todo mundo que quer, isso… Não parece certo.
— Por quê? Seu amigo e essa pessoa não são ambos adultos? Quem vai apontar o dedo para adultos consentindo em dormir juntos?
Kwon Siyul abriu e fechou a boca, querendo argumentar, mas não conseguindo encontrar as palavras certas. Como o bartender disse, quem criticaria adultos? Contanto que não violasse seriamente as normas sociais, seria um assunto inocente.
— Hoje em dia, muitas pessoas verificam a compatibilidade sexual antes de namorar, Siyul. Diga ao seu amigo para não se preocupar muito. Às vezes, tudo bem agir sem pensar demais.
Sua cabeça só ficou mais confusa. Kwon Siyul apenas continuou limpando interminavelmente o copo já perfeitamente limpo.
— Se ele não quiser, pode dizer não. Não há nada difícil em recusar ou concordar. Apenas seja simples e honesto.
De repente, a conversa à beira do rio passou por sua mente. A voz de Woo Hyunse dizendo que ele estava sendo honesto. Kwon Siyul achava difícil de entender e fascinante como Woo Hyunse podia expressar seus desejos tão desinibidamente, perguntando-se que tipo de vida ele tinha vivido para se tornar a pessoa que era hoje.
— Essa é a resposta certa?
— Não há uma única resposta certa neste mundo. É apenas um dos muitos caminhos.
Mais do que qualquer outra coisa, a ideia de que não havia uma única resposta correta ressoou com Kwon Siyul. Era apenas uma das muitas escolhas. Parecia que ele não precisava se sentir sobrecarregado com tudo isso.
O bartender colocou o copo com um sorriso gentil em seu rosto. Kwon Siyul segurou o copo que havia polido interminavelmente, examinando-o à luz. O copo limpo, livre até de impressões digitais, brilhava. Embora ele não tivesse chegado a uma conclusão ainda, suas preocupações pareciam mais leves, assim como as manchas que haviam desaparecido do copo. De fato, o Criador não tinha dado bocas às pessoas à toa.
— Obrigado, hyung. Vou transmitir ao meu amigo.
Esquecendo que ele havia espancado aquela mesma boca antes de ir trabalhar, Kwon Siyul sorriu largamente. Seu rosto, mostrando dentes alinhados, era tão fresco e brilhante quanto uma glicínia em plena floração no início do verão. Tinha o poder de fazer os que estavam ao seu redor sorrirem também.
— Claro. Diga a esse ‘amigo’ para visitar o bar algum dia. Vou pagar uma bebida para ele.
O bartender acrescentou maliciosamente no final. Kwon Siyul riu ingenuamente e pegou o próximo copo e começou a polir.
Apesar de ter dito que lhe daria tempo, Woo Hyunse estava esperando por Kwon Siyul em seu local de encontro “por acaso” habitual – a mesa externa da loja de conveniência – antes mesmo de um dia passar. Ele estava apoiando o queixo na mão, com uma bebida de iogurte na frente como isca para atrair Kwon Siyul. Ele girava lentamente a garrafa, com o dedo na tampa.
Era impossível não cair na isca. Não apenas por causa da bebida, mas porque a presença de Woo Hyunse era pesada demais para simplesmente ignorar e passar. Kwon Siyul estava prestes a cobrir o rosto com o capuz e fugir, mas parou abruptamente e se virou quando sentiu o olhar familiar penetrando-o.
— Pensei que você tinha dito que esperaria.
— Esperei. Até Kwon Siyul sair do trabalho.
Woo Hyunse habilmente evitou o significado implícito de Kwon Siyul. Seu rosto sorridente parecia especialmente irritante hoje. Ainda incapaz de evitá-lo, Kwon Siyul subiu os degraus arrastando os pés e se jogou no banco em frente a ele.
— Pensei que você me daria alguns dias.
— Um dia e meio não é considerado alguns dias?
“Alguns dias” geralmente não é cerca de uma semana? Kwon Siyul olhou abertamente para Woo Hyunse antes de baixar a cabeça. Ele se perguntou se Woo Hyunse tinha vindo até aqui para apressá-lo a tomar uma decisão. Embora Woo Hyunse pudesse insistir que isso era “alguns dias”, para Kwon Siyul tinha sido apenas um. Era um problema difícil de resolver em tão pouco tempo.
— Você veio para perguntar sobre isso?
— Não.
— Então por quê?
— Só porque sim. Queria ver Kwon Siyul.
Com aquelas palavras – “queria ver você” – palavras sem razão ou causa, o coração de Kwon Siyul doeu momentaneamente. Ele inclinou a cabeça e esfregou o peito com a palma da mão. A batida forte do coração que havia pulado como uma bola batendo no chão desapareceu em um instante, mas seu eco permaneceu por muito tempo.
A área ao redor da loja de conveniência estava quieta. O bar onde Kwon Siyul trabalhava fechava apenas ao amanhecer, e não havia ninguém à vista, tendo se dispersado há muito tempo. Este beco era um caminho solitário. Woo Hyunse era o único que podia enfrentá-lo aqui.
— É realmente uma decisão tão difícil?
Woo Hyunse quebrou o silêncio. Kwon Siyul raspou as gotas de água na garrafa de plástico com as pontas dos dedos. Era de fato algo para se ponderar. Ao contrário de alguém que tinha vivido uma vida selvagem, ele tinha levado uma vida extremamente casta.
— Não é diferente para cada um?
— Nessa área, Kwon Siyul é mais experiente que eu.
Kwon Siyul, que estava esticando as pernas e batendo os tênis um no outro, de repente levantou a cabeça. Olhando diretamente para Woo Hyunse, ele apontou para si mesmo por hábito.
— Eu?
— Você disse que dormiu com homens também.
— Ah. …Certo.
Esta boca amaldiçoada. Ele deveria tê-la mantido fechada antes que cuspisse tais palavras. Kwon Siyul pressionou a mão contra os lábios como se para puni-los.
— Nunca tive tais gostos.
— Mentiroso.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna