• Capítulo 14
• Capítulo 14
— Por que você está sorrindo assim?
— Sem motivo. Só acho engraçado. Eu não pensei que você viria a um lugar como este, Diretor.
— Eu pareço assim?
Siyul inchou as bochechas como um peixe dourado e assentiu. Woo Hyunse apenas deu de ombros e pegou alguns macarrões com seus pauzinhos. Embora ele normalmente não gostasse de observar os outros comerem, por alguma razão seus olhos continuavam sendo atraídos para seu acompanhante. Talvez fosse porque suas habilidades com os pauzinhos eram impecáveis.
Siyul tentou alguns movimentos com os pauzinhos no ar. Ele não era tão habilidoso quanto os outros. Ele rapidamente baixou a mão antes que Woo Hyunse pudesse ver.
— Eu costumava vir aqui frequentemente. Na faculdade, acho. Todos nós estávamos falidos naquela época.
— Você foi pobre em algum momento, Diretor?
— Não.
Foi uma resposta típica de Woo Hyunse. Descarada, mas combinava com ele. Siyul franziu o rosto como papel para expressar sua desaprovação, mas assim que Woo Hyunse olhou para ele, ele agiu como se nada tivesse acontecido.
— A situação do Kwon Siyul-ssi é tão ruim assim?
— Sim. Se não fossem as parcelas, teríamos dificuldades com o aluguel do próximo mês. Mas como os sapatos podem custar milhões de won? Esses sapatos realmente existem?
— Se for difícil, solicite crédito rotativo. Eu aprovarei.
— Crédito rotativo?
Siyul perguntou, desconhecendo o termo. Woo Hyunse serviu álcool em um copo vazio e explicou gentilmente, como para uma criança.
— É onde você paga apenas uma parte e o resto é adicionado ao pagamento do próximo mês. Mas há uma multa por atraso. Geralmente cerca de 20%.
Siyul ainda não conseguia entender. Enquanto ele olhava fixamente, mostrando que não entendia, Woo Hyunse elaborou passo a passo. Em resumo, se você fosse pagar 1 milhão de won, pagaria metade, e no próximo mês pagaria os 500.000 won restantes mais a parcela daquele mês e os juros.
Mesmo que não fosse bom em matemática, Siyul podia perceber que era um sistema onde a dívida se acumulava. Ele parou de usar os pauzinhos.
— …Diretor, você também tem um negócio de agiotagem?
— Isso é legal.
— Que tipo de lei permite isso? Parece um golpe para mim.
Antes de sair do orfanato, ele tinha sido avisado inúmeras vezes para se preparar para um mundo onde você poderia perder tudo mesmo se mantivesse os olhos abertos. Esse conselho não estava errado. O mundo estava cheio de coisas que você queria e precisava comprar.
Sempre que estava com pouco dinheiro, mensagens de spam e chamadas sugeriam milagrosamente empréstimos sem juros ou novos cartões de crédito. Se Kwon Yuwon não o tivesse incomodado incessantemente, Siyul poderia ter acabado enterrado sob uma montanha de dívidas, chorando seus olhos.
— Não quero fazer isso. Vou trabalhar duro e pagar.
— Você é honesto. Bom garoto.
Woo Hyunse estendeu a mão e bagunçou o cabelo de Siyul. Embora a maioria das pessoas não goste que outros toquem em seu cabelo, sua mão era grande, firme e quente, então não era desagradável. Como se estivesse faminto por elogios, Siyul aceitou o gesto silenciosamente.
Embora pretendessem terminar apenas uma garrafa levemente, nas sessões de bebida, um copo se torna três, e três copos se tornam três garrafas. À medida que as garrafas vazias se acumulavam, as bochechas de Siyul ficaram vermelhas. Até a parte inferior de seus olhos tinha ficado rosada.
Embora ele não tivesse bebido tudo sozinho, seu parceiro de bebida do outro lado da mesa não mostrou nenhuma mudança na tez. Seus olhos permaneceram os mesmos do início.
— Quanto você consegue beber?
Woo Hyunse perguntou, apoiando o queixo na mão. Siyul franziu a testa, tentando focar sua visão cada vez mais instável, e mostrou quatro dedos.
— Três garrafas.
— Não são quatro garrafas?
— Três garrafas.
Ha ha, Woo Hyunse riu baixinho e estendeu a mão para agarrar um dos dedos de Siyul. Mesmo depois de dobrá-lo, ele saltava de volta assim que ele soltava. Inclinando a cabeça, Siyul olhou para seus dedos, olhou para a garrafa e depois cerrou e abriu o punho. Só então três dedos ficaram retos.
No dia em que se tornou adulto, Siyul bebeu pesadamente com Kwon Yuwon, dizendo que precisavam conhecer seu limite para sobreviver a sessões de bebida. Siyul desmaiou depois de três garrafas de soju, enquanto Yuwon mal conseguiu terminar meia garrafa.
Desde então, ele tomou cuidado para não desmaiar em sessões de bebida, mas por alguma razão esta noite, o álcool desceu suavemente. Ele se perguntou se era porque os acompanhamentos estavam particularmente deliciosos.
— Estamos em seis garrafas agora.
— Já?
— Sim. Você consegue ver?
Woo Hyunse estalou levemente o gargalo de uma garrafa de soju com o dedo médio e o polegar. Siyul endireitou a cabeça cambaleante e olhou para as garrafas. Contando-as uma por uma com o dedo, eram de fato seis garrafas. Mesmo para duas pessoas, eles tinham excedido em muito seu limite habitual. Pode ser perigoso beber mais.
Ele não tinha hábitos de bebida particulares. Quando excessivamente bêbado, ele tendia a desmaiar no chão. Ainda assim, não querendo se envergonhar na frente de alguém que não fosse Kwon Yuwon, Siyul forçou suas pálpebras pesadas a se abrirem. No entanto, alheio à sua luta, Woo Hyunse encheu novamente seu copo vazio.
— Não posso mais beber.
— Se você desmaiar, eu te levo para casa.
— Não. Yuwon está em casa. Vocês dois não podem se encontrar.
— Por que não?
— Porque você é um Alfa, Diretor. Yuwon é… Yuwon é um Ômega, então vocês dois não podem se encontrar.
Embora ele tentasse enunciar claramente para que o outro entendesse, sua língua parecia grossa por causa do álcool. Ele abriu a boca em forma de ‘O’ e disse: — Ah, mas a ponta da língua permanecia sem graça. A intoxicação parecia ter se acumulado em sua língua também.
— Você sabia que tem uma pinta aqui?
O dedo de Woo Hyunse apontou para o rosto de Siyul. Siyul tateou onde o dedo apontava. Apesar de ver seu rosto no espelho todos os dias, ele não conseguia se lembrar onde estava a pinta.
Enquanto ele tateava a testa, o nariz e perto dos lábios, perguntando: — Aqui? Aqui? Woo Hyunse se inclinou para frente e pressionou suavemente a parte plana do polegar sob o olho direito de Siyul. Parecia que uma pedra quente o tocou ali, fazendo Siyul recuar surpreso.
— Ah, aquela. Chamam de pinta de lágrima.
Só depois que o outro tocou diretamente, Siyul percebeu qual pinta era. Ele a tinha desde a infância, e às vezes isso o tornava alvo de provocações por causa de seu significado.
— É por isso que o Kwon Siyul-ssi chora muito?
Assim como isso. Havia crianças que pregavam peças maldosas, dizendo que queriam testar se ele realmente chorava muito. Sentindo-se para baixo com as velhas memórias e sabendo que não deveria beber mais, Siyul bebeu o copo cheio de uma só vez.
— Quando eu já chorei?
— Quando? Você chorou no primeiro dia em que nos conhecemos também.
— Isso porque você era tão assustador. Você disse que me mataria.
— Eu disse que me livraria de você, não que te mataria.
— Você também disse que encheria meu estômago de concreto.
— Cimento — Woo Hyunse corrigiu. Siyul fingiu não ouvir e apenas encheu seu copo. Lembrando daquele dia, era difícil acreditar que agora estavam sentados frente a frente bebendo juntos. Pensar que ele estava bebendo com alguém com quem ele rezou para nunca mais encontrar, até procurando deuses em que não acreditava. A vida era verdadeiramente imprevisível.
— Isso foi apenas dizendo o que aconteceria se você continuasse fazendo coisas ruins. Agora o Kwon Siyul-ssi está vivendo bem e sendo bom.
— Acho que você é pior do que eu, Diretor…
— Eu? Sou alguém que poderia viver sem quebrar nenhuma lei. Por que você pensaria o contrário? Me sinto um pouco injustiçado.
Woo Hyunse falou com uma expressão completamente neutra, sem mostrar o menor indício de se sentir injustiçado. A incompatibilidade entre suas palavras e ações era engraçada. Talvez por causa do álcool, Siyul riu de algo que não era particularmente engraçado. Ele riu, seus olhos formando meias-luas. A pinta de lágrima se destacava ainda mais acima de suas bochechas rechonchudas.
Woo Hyunse apoiou o queixo na mão e olhou para Siyul. Ele traçou os lábios carnudos umedecidos pelo álcool, as bochechas arredondadas pelos cantos da boca levantados e os olhos brilhantes. Apesar do olhar intenso, Siyul, meio consumido pela embriaguez, não percebeu.
— …
Woo Hyunse logo desviou o olhar e esvaziou seu copo. Ele também bebeu o copo na frente de Siyul e se levantou.
— Vamos agora. Se você não quer que eu conheça aquele seu amigo.
Ao mencionar seu amigo, o cambaleante Siyul abriu bem os olhos. Mas estando bêbado, seu olhar não era particularmente claro. Enquanto ele cambaleava para se levantar, segurando a mesa, Woo Hyunse se aproximou para apoiá-lo.
— Dirigir bêbado é…
— Vou chamar um motorista designado.
O outro respondeu com um breve suspiro, como se estivesse familiarizado e cansado disso. Só então Siyul relaxou seu corpo, que estava tensamente se afastando.
Woo Hyunse agarrou seu ombro e o puxou para perto, enterrando a cabeça de Siyul em seu lado. Apesar de beber no mesmo espaço, Woo Hyunse não cheirava mal. Respirando fundo, o mesmo cheiro de antes encheu os pulmões de Siyul. Embora Woo Hyunse tenha se encolhido ligeiramente, ele não o afastou.
— Qual perfume você usa?
— Não me lembro do nome.
— Vou, hic, pagar.
— Pague na próxima.
Siyul tateou sua carteira, mas não conseguiu pegá-la. Frustrado, ele praguejou baixinho e tentou se sentar novamente, apenas para ser pego por Woo Hyunse. No final, Woo Hyunse pagou a conta. Embora Siyul tenha agitado seu cartão, o dono rapidamente pegou o dinheiro que Woo Hyunse ofereceu.
— Eu deveria pagar…
— Não é como se hoje fosse o único dia.
Saindo da barraca de comida atrás de Woo Hyunse, o ar fresco da noite roçou as bochechas de Siyul. Ele tentou endireitar seu corpo cambaleante, mas o álcool dificultava manter o equilíbrio. Então ele não teve escolha a não ser praticamente confiar seu corpo a Woo Hyunse, que estava ao seu lado. Ele tentou dizer em voz alta: — Vou me apoiar um pouco, mas era muito longo para pronunciar e apenas circulou em sua boca antes de desaparecer.
Ele não deveria adormecer assim.
Seu corpo estava caído como um salgueiro-chorão. Mas ele não estava preocupado. O homem ao seu lado, embora ainda intimidante, era muito menos assustador do que antes. Pensando que ele poderia encher seu estômago de álcool, mas provavelmente não derramaria concreto, Siyul sorriu amplamente e inclinou a cabeça em Woo Hyunse.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna