• Capítulo 125
Capítulo 125
Kwon Siyul estava sentado num balanço. A paisagem era familiar. O escorregador velho, a gangorra com pedaços de pneu embaixo e as barras baixas de ferro em que as crianças costumavam se pendurar. Era o pequeno parquinho no quintal dos fundos do orfanato. Ele e Kwon Yuwon costumavam encher baldes de água naquele tanque de areia e construir castelos de areia até o anoitecer.
Ele estava andando de balanço depois de muito tempo, esquecendo que era adulto e chutando os pés no ar com entusiasmo. Não havia ninguém por perto, mas estava tudo bem. Alguém chegaria logo. Não sabia quem era, mas estava esperando.
Com um som de farfalhar, a grama se abriu, e Kwon Siyul parou o movimento dos pés. Algo escuro e grande se contorcia para fora do chão da floresta, torcendo o corpo sinuoso.
— Uh…
Não era uma pessoa. Era uma cobra do tamanho de uma casa. Seu tamanho era comparável ao das cobras gigantes que viviam na Amazônia. Ele normalmente se assustaria até com uma cobra pequena, se perguntando se era venenosa, mas, estranhamente, não tinha nenhum medo daquela cobra. O preto brilhante era bonito, e os olhos negros eram como obsidiana. Em vez de evitá-la, ele queria acariciar seu corpo longo com a mão.
Como se a cobra soubesse o que havia no coração de Kwon Siyul, ela se aproximou, se enrolou num círculo e ergueu o pescoço reto. Era mais alta e mais grossa que Kwon Siyul, que tinha se levantado do balanço. Era uma cobra de aparência muito esperta e inteligente.
Kwon Siyul estendeu a mão com cuidado. A cobra, ao contrário de seu tamanho, sacudiu a língua fofa e pousou a cabeça na mão de Kwon Siyul. A sensação de tocá-la era fria e lisa, mas de algum modo comovente. Era como se a cobra fosse o que ele estivera esperando enquanto andava de balanço.
A cobra mexeu a cauda e a enrolou em volta do corpo de Kwon Siyul. Esfregou o focinho em seu pescoço, inclinando a cabeça para lá e para cá, como se pedisse carinho.
— Você está vindo para mim? …Tudo bem?
Ela era tão bonita que ele ficou preocupado que pudesse pertencer a outra pessoa, que tivesse sido amada e cuidada e tivesse saído de casa por acidente. Como se a cobra entendesse, sacudiu o pescoço longo como se estivesse no meio de uma dança. Parecia significar que queria ir com ele. Era absurdo que ele conseguisse se comunicar com a cobra, mas ele aceitou aquilo prontamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
No início, hesitou porque ela parecia já ter um dono, mas, quanto mais olhava, mais a queria. Ele queria ir com aquela cobra.
— Então, você vai comigo?
Kwon Siyul acariciou a cobra com delicadeza e perguntou. A cobra olhou para Kwon Siyul com seus olhos negros e belos, então baixou a cabeça e esfregou a barriga contra ele. Uma luz brilhante resplandeceu e, depois que ela se apagou, a bela cobra tinha sumido.
Mesmo depois de abrir os olhos, Kwon Siyul não conseguiu dizer imediatamente se era sonho ou realidade. Só depois de piscar algumas vezes é que percebeu que tinha estado sonhando o tempo todo.
A temperatura corporal da cobra era fria, mas sua barriga, onde as escamas tinham tocado, estava quente. Ele baixou a mão em silêncio e acariciou a barriga.
Que sonho estranho.
Como se sentisse que Kwon Siyul tinha acordado, Woo Hyunse se virou e abraçou Kwon Siyul com força com seus braços fortes. Envolveu as pernas longas e grossas em volta da parte de baixo do corpo de Kwon Siyul e o puxou para seus braços. A força com que o envolveu não era menor que a da cobra que ele tinha visto no sonho.
Será que aquela cobra era o hyung, por acaso?
Ele não sabia o que significava, mas parecia um bom presságio. Teria que contar a ele de manhã, pensou Kwon Siyul, virando-se e abraçando Woo Hyunse. O cheiro de Woo Hyunse pairava no quarto, como se ele estivesse feliz de abraçar Kwon Siyul mesmo dormindo.
Kwon Siyul repassou o sonho mais uma vez, tentando não esquecê-lo, e então adormeceu. O calor que o envolvia era mais aconchegante que um cobertor, e ele adormeceu rapidamente.
***
Era um dia bastante quente para maio. A luz escaldante do sol entrava pela janela do ônibus. Sob o céu azul e claro, sem nuvens, as mudas de arroz, que tinham brotado como plantas aquáticas, balançavam ao vento nos arrozais. As flores silvestres sem nome que havia por toda parte ao longo dos arrozais, os gaviões circulando sobre os picos distantes das montanhas e a paisagem que passava veloz eram muito bucólicos, diferente da cidade, que era repleta de prédios.
O ônibus fretado só parou depois de viajar por muito tempo numa estrada sinuosa como o corpo de uma cobra. Ao anúncio do motorista de que tinham chegado, todos se prepararam para sair de seus assentos.
Woo Jung-ryeol, que estava sentado no banco da frente, desceu do ônibus com um rosto simpático. Ele tinha pensado em ir separadamente de carro, mas seu assessor tinha aconselhado que ele deveria agir como um cidadão comum para cultivar uma boa imagem geral, então tomou a dianteira e embarcou no ônibus.
“Sabe, mesmo eu tendo dito para estudarem em casa, eles insistiram em me acompanhar. Disseram que trabalho voluntário era importante, algo assim. Mesmo eu dizendo que não precisava, insistiram em vir comigo. Como todos sabem, que pai consegue vencer os filhos? Então, vieram comigo.”
O homem que tinha derrubado Woo Hyunse e Woo Gibbeum dois dias antes e batido em suas coxas com um taco de beisebol era só conversa fiada. Woo Hyunse tinha cancelado seu compromisso original porque sentia que Woo Jung-ryeol quebraria suas costelas se ele não fosse, dizendo que lhe daria uma boa desculpa para isso. Woo Gibbeum não era diferente.
“Vocês não disseram que os dois tiraram o primeiro lugar da escola inteira da última vez? Boas notas e bom caráter. Sangue é mais grosso que água, afinal.”
“Você tem filhos excelentes.”
Pessoas que não conheciam a natureza dupla de Woo Jung-ryeol despejavam elogios nojentos. Woo Gibbeum tinha virado a cabeça e fingido vomitar diante da bajulação óbvia.
Woo Hyunse, que tinha sido arrastado pelo cangote, também desceu do ônibus. Woo Gibbeum, que tinha fechado os olhos assim que entrou no ônibus e não os tinha aberto nem por um instante, arrastou os pés pelos degraus como uma vaca sendo levada ao matadouro. A expressão de Woo Hyunse era a mesma de sempre, sorridente, enquanto o rosto de Woo Gibbeum parecia que ela já tinha mastigado um inseto vivo umas duas vezes.
— Relaxa essa cara. As pessoas estão olhando.
— Porra.
Quando Woo Hyunse a aconselhou baixinho, Woo Gibbeum xingou como se estivesse esperando por isso. Quando as pessoas se viraram, ela rapidamente colocou uma máscara. Sua velocidade de recuperação era realmente fulminante.
Vendo como ela conseguia controlar bem a expressão na frente das pessoas, parecia que o ditado “sangue é mais grosso que água” não era totalmente falso. Woo Hyunse ficou quieto, sabendo que esse tipo de ditado seria um insulto mais terrível para Woo Gibbeum do que qualquer xingamento do mundo.
Woo Hyunse ficou de pé com as mãos atrás das costas, olhando para o prédio velho e a placa à sua frente. Orfanato Munggeureum. Era o local do trabalho voluntário de hoje.
Dizia-se que era um evento para celebrar o Dia das Crianças, com grupos voluntários do governo local, alguns presidentes de empresas, alguns deputados e repórteres de jornais locais. Woo Hyunse zombou internamente. Era ridículo ver tais pessoas, que normalmente nem olhavam para lugares assim, reunidas como uma matilha de cães para tirar uma foto.
Os funcionários do orfanato e a diretora saíram para receber o grupo de voluntários. A diretora era uma mulher de meia-idade que parecia velha e gentil, mas, diferente do sorriso em seu rosto, ela não parecia muito feliz naquele momento.
O orfanato era dividido em seções: classe de bebês e crianças pequenas, classe infantil e classe juvenil. Woo Hyunse e Woo Gibbeum foram designados para limpar a sala de brinquedos das crianças, enquanto outros foram designados para limpar os corredores e banheiros. Como ele esperava não esbarrar nas crianças, se possível, isso foi até bom para Woo Hyunse.
No entanto, as circunstâncias dos adultos pareciam diferentes. Um dos repórteres e deputados estava tendo uma pequena discussão com a diretora. Woo Hyunse fingiu estar organizando os brinquedos e escutou a conversa deles. A essência era que eles tinham vindo até ali, então tinham que tirar fotos, e queriam uma foto com as crianças, então por que ela estava recusando?
— Sinto muito, mas apenas voluntários de longo prazo têm permissão para encontrar as crianças.
— Não, eu não avisei com antecedência antes de vir aqui? No mínimo temos que tirar fotos. Não viemos até aqui só para limpar.
— Então, podemos tirar uma foto em grupo depois que terminarmos…
— Como isso pode ser uma boa foto? Diretora, por que você está sendo tão irritante quando basicamente sabe de tudo?
A diretora estava muito aflita. Havia um motivo para ela parecer infeliz ao cumprimentar as pessoas. A braçadeira em seu braço era tão boa quanto poder e, com a ameaça de que o patrocínio poderia ser cortado se ela não cooperasse, a diretora concordou com relutância.
Woo Hyunse colocou de volta no lugar os brinquedos limpos e olhou de relance para Woo Gibbeum ao seu lado. Como esperado, ela vinha escutando o tempo todo — Woo Gibbeum nem virou a cabeça naquela direção e murmurou: “Bandidos”. Concordando, ele assentiu secretamente.
Depois de terminar a limpeza por alto, todos se dirigiram ao auditório. As crianças estavam reunidas ali. Talvez desconfiadas dos estranhos, não se aproximaram primeiro e apenas ficaram ali sem jeito. Os adolescentes, vendo Woo Hyunse e Woo Gibbeum, que tinham a idade deles, ou se encolhiam ou mostravam hostilidade.
É por isso que eu não queria vir, para começo de conversa.
Woo Hyunse estalou a língua internamente. Orfanatos geralmente não aceitam voluntários adolescentes. Isso se devia à preocupação de que poderia criar uma sensação de alienação entre seus pares. Será que Woo Jung-ryeol não sabia disso? De qualquer forma, ele devia tê-los trazido em nome daquela maldita “boa imagem”.
Só depois que o grupo de voluntários fez jogos e distribuiu comida é que as expressões rígidas foram gradualmente relaxando. Algumas crianças até imploraram para serem abraçadas. Foi então que as fotos foram tiradas. Os repórteres se curvavam bem baixo, filmando Woo Jung-ryeol de avental servindo comida nos pratos das crianças, bem como cenas dele segurando afetuosamente uma criança.
Woo Hyunse e Woo Gibbeum também estavam lá, contra a vontade, de pé ao lado dele. Ele sentia que já sabia como seriam os títulos das matérias, mesmo sem vê-los.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna