• Capítulo 124
Capítulo 124
Kwon Siyul de repente sentiu vontade de revelar tudo honestamente. As palavras que tinham subido acima de seu pomo de adão eram tão intensas que ele sentia que não suportaria não cuspi-las. Quando chamou “Hyung”, Woo Hyunse virou a cabeça.
— Todas as minhas primeiras vezes são com você, hyung.
Aquilo foi repentino demais? Woo Hyunse olhou para Kwon Siyul sem dizer uma palavra. A luz que banhava suas bochechas era da mesma cor que tingia Kwon Siyul. Aquele tempo, dividindo o mesmo espaço, era precioso e doce, então Kwon Siyul sorriu timidamente e pressionou gentilmente a testa contra a dele.
— Primeiro amor, primeiro beijo, primeira experiência, até minha primeira viagem ao exterior. Tudo.
— …
— Minha última também vai ser com você, hyung.
Sentiu-se aliviado depois de revelar tudo. Woo Hyunse, com os olhos arregalados como se estivesse surpreso e incrédulo, logo estendeu a mão e tomou a de Kwon Siyul na sua. Esfregou a ponta do nariz contra sua bochecha avermelhada e sussurrou.
— De agora em diante, tudo o que eu tenho é seu. O Kwon Siyul pode até tomar a minha vida. É insignificante comparado ao que eu recebi.
A resposta à sua confissão foi excessiva. Ainda assim, um sorriso largo floresceu no rosto de Kwon Siyul. Mais intenso e mais brilhante que o sol surgindo no horizonte.
— Eu te amo.
Seu coração estava tão cheio que Kwon Siyul não conseguiu devolver a resposta. Em vez disso, o beijou. Um beijo leve era resposta suficiente. Um sorriso que se parecia com o de Kwon Siyul se espalhava pelos lábios e pelo rosto de Woo Hyunse.
°❀•°❀°•❀°
Woo Hyunse estava sentado em sua cadeira, imerso em pensamentos. Sobre a mesa havia uma caixa que vinha incomodando seu bolso havia dias. Quando abriu a caixa de couro vermelha, um par de anéis cintilantes brilhou.
Ele queria ter mandado fazer anéis com diamantes azuis enormes, mas não achava que Kwon Siyul os usaria mesmo que os desse a ele. Então escolheu um design simples, mas não sem graça demais.
Era um pouco demais para ser chamado de anel de casal, e fraco demais para ser chamado de aliança de casamento pelos padrões de Woo Hyunse. Não era nem um nem outro, mas ele o comprou porque tinha que pôr uma marca nos dedos longos de Kwon Siyul antes que outros ousassem cobiçá-los.
Ele deveria ter dado a ele antes da viagem.
— …
Ele tinha escolhido deliberadamente um resort famoso por só receber casais, mas havia um perigo escondido ali também. Enquanto ele estava ausente por um instante, um homem branco fedorento se grudou em Kwon Siyul. Várias camadas de gordura estavam presas ao seu pescoço em vez do estômago.
Por que o Kwon Siyul é tão consistentemente popular entre porcos? O porco que tinha dado em cima de Kwon Siyul no bar antes tinha sido devolvido ao seu bando. Mais precisamente, às barrigas dos javalis.
O apetite deles é tão voraz. Vai acabar em dez minutos.
O dono da fazenda, que tinha cabelo cacheado e era bastante jovem, abriu prontamente os portões da fazenda para Woo Hyunse. Ele o tinha conhecido por intermédio de sua ligação com Joo Shindo.
Quando voltou, o porco claramente não estava só pedindo informações. Kwon Siyul não conseguia entender uma palavra do que ele dizia em inglês.
— O que houve?
Kwon Siyul, procurando por ele, estava lamentável e adorável, mas o cara flertando com ele à sua frente era lixo que precisava ser removido imediatamente. Ele passou o braço em volta do ombro de Kwon Siyul e perguntou isso. A expressão em seu rosto ao se virar para ele, chamando-o de “hyung”, era mais radiante que a luz do sol. Quando o outro perguntou quem ele era, Woo Hyunse revelou com orgulho:
— Marido.
Ele ainda não tinha registrado oficialmente o casamento, mas seria seu marido e não era diferente de um marido agora. Achou que ele recuaria se fosse tão longe, mas o porco tinha bom olho, diferente de sua aparência geral.
— Mentiroso. Você não tem aliança.
— Deixei em casa.
Ele mentiu com indiferença e puxou Kwon Siyul para mais perto. Ele parecia que não entenderia se apenas conversassem, então ele estava pensando se deveria enterrá-lo no mar, mas o porco resmungou e recuou pouco antes disso. Ficou feliz por não ter havido derramamento de sangue. Não queria mostrar um lado tão feroz na frente de Kwon Siyul.
Olhando para trás agora, ainda ficava furioso. Poderia ter evitado tal coisa se tivesse colocado uma aliança? Queria reunir todas as pessoas que conhecia e que não conhecia e fazer um grande casamento, mas a idade de Kwon Siyul era uma preocupação.
Havia uma diferença de oito anos. Quando ele estava se afogando em álcool na universidade, a diferença de idade em que Kwon Siyul ainda carregava sua mochila do ensino fundamental espetava sua consciência peluda.
Ele se perguntava se estava injustamente acorrentando um jovem com um futuro brilhante, mas, por outro lado, acreditava que ninguém além dele deveria estar ao lado de Kwon Siyul no futuro. Ele faria o possível para que isso acontecesse — mesmo que cruzasse a linha estabelecida pela lei.
Se estava preocupado com a idade dele desde o começo, não teria chegado tão longe. Era um pouco ridículo procurar consciência agora, quando ia continuar sugando, lambendo e mordiscando aquele homem. Quando foi que ele desenvolveu um hábito desses?
Ele não conseguiu tomar uma decisão dessa vez também. Woo Hyunse guardou apaticamente a caixa no bolso. Carregava-a sempre consigo, pronto para dá-la a qualquer momento, mas a caixa ainda não tinha encontrado seu dono.
Ele vinha esperando uma oportunidade, mas tinha falhado muitas vezes. Tentou recorrer às suas experiências passadas, pensando em como tinha feito antes, mas não adiantava absolutamente nada agora. Na verdade, ele nunca tinha dado muita importância a anéis antes. Eram só presentes dados porque a outra pessoa queria, nada mais.
Mas Kwon Siyul era diferente. Por causa do significado por trás disso, sua mente ficava em branco sempre que tentava dar a ele o anel. Estava agindo de forma incaracterística, hesitante, como um tolo atordoado.
Ele tinha até reservado um restaurante, tentando criar o clima certo, mas desistiu, sentindo que aquilo só enfatizava a diferença de idade deles. Tinha considerado dá-lo durante uma caminhada noturna, mas isso parecia insincero demais, então adiou de novo. Desperdiçou duas semanas assim, sem nem tirar a caixa do bolso.
— Hyung, olha isso.
Kwon Siyul, que estava deitado com a cabeça em sua coxa olhando o celular, ergueu a tela para ele. Woo Hyunse, que vinha assistindo TV mas pensando no anel, baixou o olhar. Kwon Siyul estava radiante. Só de olhar para ele, seus próprios lábios se soltavam num sorriso.
— Isto é uma avaliação, e essa pessoa é cliente habitual do nosso café. Mas acho que escreveram errado.
Ele pegou o celular. Havia uma avaliação curta com uma foto.
[O atendente é delicioso e o café é simpático. Seg Ter Qua Qui manhã ❤️]
Eram os dias em que Kwon Siyul trabalhava.
— Estão dizendo que eu sou delicioso — disse Kwon Siyul, rindo alegremente, mas os lábios de Woo Hyunse imediatamente formaram uma linha reta.
— Cliente habitual?
Sua voz também era gélida. Ele conseguiu esconder sua aura fria, com medo de que Kwon Siyul se assustasse.
— Sim. Ele vem toda manhã. Ah, ele até comprou um macaron antes de a gente viajar. Eu lembro.
Antes de devolver o celular a Kwon Siyul, Woo Hyunse pessoalmente denunciou a avaliação como obscena. Engano uma ova, foi claramente intencional.
Parecia que Kwon Siyul brilhava não só aos olhos dele, mas aos olhos dos outros também. Aquilo não podia continuar. Era tudo culpa sua por não ter marcado Kwon Siyul como seu. Se permitisse que continuasse, essas pessoas impuras só aumentariam, não diminuiriam.
Ele não podia simplesmente ficar parado e tolerar uma situação tão séria. O que importava clima ou estilo? Não podia se dar ao luxo de hesitar mais.
Woo Hyunse moveu com cuidado a cabeça de Kwon Siyul e desceu do sofá, ajoelhando-se sobre um joelho. Kwon Siyul se sentou bruscamente.
— Hyung?
Ele tinha imaginado essa cena tantas vezes, mas, agora que estava prestes a entregá-lo, as pontas de seus dedos enrijeceram. Abriu e fechou o punho para espantar a tensão e tirou a caixa.
Kwon Siyul encarou o anel sem expressão por um longo tempo. Woo Hyunse tirou um dos dois e pousou a caixa. Pegou a mão esquerda de Kwon Siyul e deslizou o anel em seu dedo anelar longo e esguio. Ele tinha medido secretamente o dedo de Kwon Siyul enquanto ele dormia, então entrou com facilidade.
— Eu devia ter te dado antes.
— Isto é meu?
Kwon Siyul olhou para o anel, abrindo os dedos como se não pudesse acreditar. Woo Hyunse beijou de leve as costas da mão de Kwon Siyul com o anel.
— É — murmurou, a resposta abafada entre sua mão e seus lábios.
Kwon Siyul ergueu rapidamente o olhar. Ele estava preocupado que Kwon Siyul pudesse recusar, mas, felizmente, ele não recusou. Os olhos de Kwon Siyul pareciam bastante marejados naquele momento.
— Tudo bem eu só receber assim? Eu não tenho nada para dar ao hyung.
— Só fica do meu lado e não vai a lugar nenhum. Isso basta.
O par de sapatos que ele tinha recebido de Kwon Siyul era mais que suficiente. Era um presente que ele nunca mais queria receber. Ele não os tinha usado antes, e nunca os usaria no futuro. No momento em que colocasse os pés naqueles sapatos, os erros que tinha cometido e as costas de Kwon Siyul virando-se para ele apareceriam diante de seus olhos.
Portanto, Woo Hyunse prometeu a si mesmo que, dali em diante, apenas daria a Kwon Siyul. Fosse um item simples, amor ou algo ainda maior, estava tudo bem mesmo que o outro caísse para trás com o peso, porque ele o ampararia. Dessa forma, queria ser o apoio confiável de Kwon Siyul e, ao mesmo tempo, prendê-lo para que não pudesse fugir para lugar nenhum.
Woo Hyunse se tornaria de bom grado a cerca e a família de Kwon Siyul. Assim como Kwon Siyul era para ele, queria se tornar uma existência profundamente enraizada em sua vida que jamais pudesse ser removida.
— Senhor Kwon Siyul, coloque este em mim.
Escondendo suas intenções escuras como piche, Woo Hyunse estendeu o anel restante e sua mão esquerda a Kwon Siyul. Apesar de sua atitude descarada, Kwon Siyul sorriu radiante e colocou o anel no dedo de Woo Hyunse.
— Agora que você tem um anel, o hyung é meu também.
Não era uma afirmação bastante ousada? Ainda assim, era o que ele desejava desesperadamente. Incapaz de suportar por mais tempo, abraçou Kwon Siyul com força. A risada que ecoava em sua orelha rolou para dentro dela como as ondas que ele tinha visto na ilha.
Da bochecha, do pescoço e das omoplatas de Kwon Siyul, o cheiro de flores de glicínia, embebido em mel, floresceu. Era um cheiro de broto, um sinal anunciando que a primavera tinha chegado. Kwon Siyul era um dia quente de primavera que tinha chegado a Woo Hyunse, que antes vivera todos os seus dias num inverno rigoroso.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna