• Capítulo 117
Capítulo 117
Mesmo enquanto subia a ladeira correndo, Kwon Siyul não esqueceu de passar desodorante. Borrifou por todo o corpo, da cabeça aos pés, e o cheiro de Woo Hyunse desapareceu como neve derretendo. Era uma pena ter que perder o cheiro, mas era melhor do que ser pego e ridicularizado por Kwon Yuwon. Quanto ao suor, podia inventar a desculpa de que tinha corrido.
Ele ofegou e se apoiou na parede da pensão. Verificou o celular e viu que eram exatamente 23h57. Tinha conseguido com uma margem segura. Esticou o pescoço, na ponta dos pés, para ver se Kwon Yuwon tinha chegado primeiro. As luzes estavam apagadas.
— Hã?
Será que ele ainda não tinha chegado? Sorriu largo, se perguntando se já tinha vencido em menos de uma semana, e abriu o portão. Justo quando estava prestes a passar pelo portão, ouviu uma respiração ofegante vinda do fim do beco. E o som de passos correndo depressa.
Era Kwon Yuwon. Seu cabelo estava desgrenhado e seu rosto estava vermelho enquanto alcançava Kwon Siyul num instante. Apoiou as mãos nos joelhos e ofegou, depois checou a hora como Kwon Siyul tinha feito. Estava prestes a virar meia-noite, faltavam 23h59.
— Sal, uf, vo.
Não tinha passado da meia-noite, então ele não tinha quebrado a promessa. Kwon Siyul piscou e olhou para Kwon Yuwon, que estava curvado recuperando o fôlego. Além de seu cheiro peculiar de laranja, um cheiro corporal estranho que ele nunca tinha sentido antes emanava dele. O cheiro era quase a ponto de ser avassalador.
O culpado era conhecido tanto por ele quanto por Kwon Yuwon. Kwon Siyul fungou e esfregou abaixo do nariz.
— Vai se lavar primeiro quando entrar.
Vendo a expressão constrangida de Kwon Siyul, Kwon Yuwon finalmente percebeu o que estava incomodando o outro e puxou a gola, cheirando. Depois de sentir o cheiro de outra pessoa de que estava coberto, xingou asperamente:
— Ah, merda!
E correu para dentro às pressas.
Kwon Siyul o seguiu devagar, sorrindo. Parecia que o dia em que reivindicaria a vitória não estava longe.
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Kwon Yuwon foi surpreendentemente resistente. Só chegou no limite no primeiro dia, mas, depois disso, voltava para casa muito mais cedo que Kwon Siyul e o repreendia por já estar relaxando. Também o ameaçava, dizendo que já tinha garantido sua vitória, então que se preparasse para as consequências.
Kwon Siyul também fez o possível para cumprir o toque de recolher. Com a questão de morar com Woo Hyunse em jogo, não havia como perder aquela aposta.
— Três americanos gelados prontos.
Kwon Siyul sorriu gentilmente e colocou três copos na bandeja. Uma estudante que vinha encarando Kwon Siyul havia um tempo disse algo como “gato” e pegou rapidamente a bandeja. Voltou correndo para o grupo dela e deu risadinhas, olhando para o balcão de vez em quando.
Ele tinha feito algo errado? Olhou para elas com olhos preocupados, e um colega que estava observando colocou a mão no ombro de Kwon Siyul.
— Nossa, as pessoas definitivamente reagem diferente com caras bonitos.
— Bonito?
— É. Elas estavam rindo por sua causa. Porque você é bonito.
Ele tinha ouvido que era fofo com bastante frequência, mas podia contar numa mão o número de vezes que tinha sido chamado de bonito. Certamente não podia ser o caso, pensou enquanto abanava a mão com modéstia. Devia ser por algum outro motivo.
Um cliente se aproximou, e a conversa não continuou. Diferente do café em que costumava trabalhar, aquele lugar tinha muitos clientes indo e vindo. Havia muitos escritórios por perto, então dizer que era caótico na hora do almoço não era só uma figura de linguagem, mas a realidade.
Ainda assim, com sua experiência, Kwon Siyul estava se adaptando bem ao trabalho no novo café. Ele costumava achar que não era bom no que fazia, mas parecia que a experiência não tinha sido em vão, pois pegou o jeito rapidamente.
E, acima de tudo…
Quando a porta se abriu, seu colega cutucou o lado de Kwon Siyul com o cotovelo. Seguindo o queixo dele, virou a cabeça e viu um rosto que lhe era bastante familiar. Por ser muito mais alto que os outros, ou talvez por sua boa aparência, as pessoas sentadas no café não puderam deixar de olhar para Woo Hyunse pelo menos uma vez quando ele passou pela porta.
Aquele lugar era perto do escritório de Woo Hyunse. O primeiro motivo pelo qual o escolheu foi para aprender sobre a torra de grãos de café diretamente, mas, na verdade, a expectativa de poder ver Woo Hyunse com frequência também fazia parte.
Assim como agora.
Kwon Siyul se esforçou para suprimir os cantos erguidos dos lábios enquanto estava no balcão. Queria fingir não conhecer Woo Hyunse, mas não conseguia esconder o sorriso risonho e os olhos enrugados.
— Posso anotar seu pedido?
— Dois americanos gelados, por favor.
— Para consumir aqui?
— Não, para viagem, por favor.
Kwon Siyul simplesmente achava aquela situação de conversarem como completos estranhos engraçada. Mesmo tentando falar com solenidade, não conseguia evitar ter um sorriso na voz. Tinha medo de rir alto se seus olhos se encontrassem, então manteve deliberadamente os olhos fixos na máquina registradora.
— Por favor, adicione uma dose extra em um deles.
Uma voz de repente se intrometeu entre eles. Acontece que era Park Hae-jeong. Diferente do radiante Woo Hyunse, a tez de Park Hae-jeong não estava muito boa. As olheiras sob seus olhos e seu aspecto abatido deixavam claro que ele vinha sofrendo com horas extras havia dias.
— Você disse que não estava se sentindo bem?
Woo Hyunse perguntou com indiferença. Park Hae-jeong encarou Woo Hyunse com um olhar insolente. A vontade de bater nele era evidente em seus olhos. Woo Hyunse ignorou calmamente a animosidade que até uma criança de três anos perceberia.
— De quem é a culpa?
— Isso é culpa minha?
Kwon Siyul não conseguiu ouvir o resto da conversa por causa do som dos grãos de café sendo moídos. Fez o café com todo o coração. Colocou mais esforço do que o normal em fazer o café e o colocou no balcão de retirada.
— Dois americanos gelados, um com dose extra, prontos.
As pontas dos dedos de Woo Hyunse tocaram as pontas dos dedos de Kwon Siyul quando ele entregou o café. Foi fugaz, mas o calor permaneceu. Kwon Siyul fechou a mão e sorriu secretamente.
Infelizmente, Woo Hyunse estava ocupado com o trabalho e não pôde encontrá-lo nem depois do expediente. Ele estava acostumado a vê-lo todo dia por pelo menos cinco minutos depois do trabalho, então ficou mais do que um pouco decepcionado. Talvez porque Woo Hyunse vinha levando-o para casa todos os dias, a paisagem que via do ônibus parecia estranha.
[Estou no ônibus agora.]
A resposta chegou cerca de dois pontos depois. Era uma mensagem dizendo que ele estaria livre tarde da noite e passaria onde ele morava, nem que fosse só por um momento. O rosto de Kwon Siyul se iluminou ao ver a mensagem, mas então ele se lembrou de Kwon Yuwon, que vinha fazendo cumprir o toque de recolher com rigor, como se tivesse sido envenenado recentemente, e seus ombros caíram. Kwon Yuwon ficava sentado em frente ao portão da pensão como se fosse declarar vitória se Kwon Siyul chegasse um segundo atrasado.
[Hoje está difícil. O Yuwon está uma loucura esses dias.]
[Então não tem jeito.]
Mesmo assim, ao ver a mensagem indiferente de Woo Hyunse, Kwon Siyul se sentiu inexplicavelmente triste. Só conseguiu mandar um emoticon e, finalmente, ergueu os olhos do celular.
Quando o ônibus parou num sinal vermelho, o telefone em sua mão vibrou. Kwon Siyul leu a mensagem que tinha chegado.
[Não sou o único fazendo hora extra.]
[O Park Hae-jeong faz há 2 semanas.]
Nossa, Kwon Siyul estalou a língua. Ele sabia como era difícil fazer hora extra, mesmo nunca tendo trabalhado numa empresa. Fazê-lo passar duas semanas seguidas era realmente algo. No fim de semana passado, Kwon Yuwon não foi a lugar nenhum e ficou enfurnado na pensão. Vivia segurando o celular, suspirando, xingando Woo Hyunse, e então se levantando e rangendo os dentes.
O diabo não era nada comparado a ele. Mesmo assim, ele não conseguia odiar Woo Hyunse. Ele não estava se voluntariando para ser o vilão pelo bem dele?
[O Kwon Yuwon precisa decidir logo. Antes que o Park Hae-jeong morra.]
[Não seria antes que ele o “mate”? A julgar pela aparência abatida dele no café, ele pode realmente morrer de excesso de trabalho logo.]
Kwon Siyul hesitou antes de digitar com cuidado.
[Não atormenta ele demais. Ele parecia estar passando por maus bocados.]
[Não se preocupe com os outros. Se preocupe só comigo.]
Naquele instante, o telefone tocou. Vendo o nome de Woo Hyunse na tela, Kwon Siyul atendeu rapidamente. Sem conseguir falar alto no ônibus, colocou os fones de ouvido e baixou a voz.
— Você sempre se preocupa comigo?
O jeito dele de perguntar abruptamente não tinha mudado desde a primeira vez até agora.
— Sim — respondeu ele timidamente, olhando pela janela.
Um longo suspiro, “Haaa”, veio do outro lado.
— Não posso ir te ver agora. Se eu escapar hoje, o Park Hae-jeong provavelmente vai atirar na minha cabeça.
— Então não dá mesmo.
Kwon Siyul riu baixinho. Relutantemente, prometeu se encontrar mais tarde e desligou.
Como esperado, Kwon Yuwon estava sentado em frente ao portão da pensão como um guardião de novo naquele dia. Sua postura, pernas bem abertas e braços apoiados nos joelhos dobrados como montanhas, parecia bastante delinquente. Se tivesse um cigarro pendurado na boca, poderia facilmente ser confundido com um bandido local. Estava com a cabeça inclinada torta até ver Kwon Siyul, então se levantou, sacudindo a sujeira das nádegas, e abriu caminho para dentro do quarto.
Ele estava mastigando balinhas de gelatina que tinha comprado na loja de conveniência, assistindo TV com uma expressão descontente. Fuzilava a tela com o olhar, como se um inimigo mortal tivesse aparecido nela. Kwon Siyul olhou de relance para ele, se perguntando se tinha encontrado algum cliente particularmente difícil no trabalho hoje.
— O que houve? Por que você está com essa cara de quem vai matar alguém? É assustador.
Kwon Yuwon olhou para Kwon Siyul e soltou um suspiro pesado que parecia drenar a terra. Não sendo suficiente para aliviar sua frustração, pegou uma lata de cerveja da sacola e a virou. Kwon Siyul também se sentou ao lado dele e pegou uma lata de cerveja. Justo quando estava prestes a dar um gole, o cheiro que roçou seu nariz não era o habitual cheiro pungente de álcool, mas um cheiro de laranja mais forte que o normal.
— Hã? — Kwon Siyul olhou para Kwon Yuwon. Ele estava enfiando balinhas na boca em vez dos petiscos de sempre. Era a balinha com supressores adicionados que ele uma vez tinha dado a Kwon Siyul.
— Tem alguém que eu quero matar.
— Quem?
— Woo Hyunse.
Não houve um momento de hesitação em sua resposta.
— Que isso? — Kwon Siyul riu disso, mas, por outro lado, entendia por que ele estava tendo pensamentos tão terríveis. Park Hae-jeong, que ele tinha visto hoje, parecendo exausto e desgastado, era o motivo.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna