• Capítulo 118
Capítulo 118
— Vou dar um telefonema rápido.
Kwon Yuwon, que tinha esvaziado uma lata, se levantou cambaleando. Kwon Yuwon, cuja tolerância ao álcool era de apenas meia lata de cerveja, estava saindo do apartamento deles bêbado, então Kwon Siyul se levantou, preocupado com ele.
— Fica aí. Vou ligar bem na frente. Ah, e volto antes das 12.
Mesmo com as bochechas coradas pelo álcool, ergueu o dedo indicador, prometendo não se atrasar. Kwon Siyul balançou a cabeça, como se fosse escancaradamente óbvio o quanto o outro era teimoso e determinado.
Bebericando a cerveja restante, esperou por Kwon Yuwon. Não conseguia ouvir a conversa, já que ele falava fora da pensão. Justo quando estava prestes a voltar a atenção para a TV, pensando que ele voltaria logo, um rugido irrompeu, e ele deu um pulo do lugar. Será que tinha entrado numa briga? Era totalmente possível com um Kwon Yuwon bêbado, então ele abriu a porta às pressas e enfiou os pés nos chinelos.
Kwon Yuwon tinha saído pelo portão da pensão e estava encostado na parede. Ainda estava ao telefone, então Kwon Siyul abafou os passos e se aproximou furtivamente.
— Outra viagem de negócios neste fim de semana? Você teve uma na semana passada também.
Dava para ouvir o som dele rangendo os dentes. O suspiro era muito mais profundo e pesado que os que ele soltava na cara de Kwon Siyul. Kwon Siyul podia adivinhar facilmente com quem ele estava falando.
— Eu não posso nesta semana, eu…!
Kwon Yuwon bagunçou o cabelo com aspereza e ergueu a voz. Não gritou até o fim, cortando-se no meio e baixando a cabeça.
— …Tá bom. Vou desligar agora.
Depois de uma longa pausa, Kwon Yuwon respondeu friamente e desligou o telefone. Kwon Siyul se endireitou rapidamente, achando que seria pego. Mas o outro foi um passo mais rápido. Kwon Yuwon, que tinha aberto o portão e entrado, olhou para Kwon Siyul, que estava ali parado sem expressão, com as mãos erguidas como um rato.
— O que você está fazendo?
— Nada, eu estava preocupado com você.
— É logo ali na esquina. O que tem para se preocupar? Vamos entrar.
Kwon Yuwon deu tapinhas no ombro de Kwon Siyul e abriu caminho. Diferente de sua expressão feroz anterior, seu rosto, ao passar, parecia um pouco sombrio.
Kwon Yuwon entrou no quarto e esvaziou mais duas latas de cerveja. Considerando sua tolerância, que era de apenas meia lata, aquilo foi um exagero. Olhou algumas vezes para o celular, que recebia mensagens constantemente, depois o desligou e o virou para baixo.
— …
Se não soubesse da história toda, não teria ideia de que Woo Hyunse estava por trás de tudo aquilo, mas a consciência de Kwon Siyul o incomodou naquele instante. Ele tinha uma ideia aproximada de por que Woo Hyunse estava pressionando tanto Park Hae-jeong. Sentia pena dele porque sabia melhor que ninguém o que Kwon Yuwon estava sentindo naquele momento. Deveria pedir a Woo Hyunse que lhe desse alguma liberdade neste fim de semana? Kwon Siyul balançou a cabeça e pousou o celular. Seria intromissão desnecessária.
Em vez disso, Kwon Siyul pegou um cobertor e o colocou sobre Kwon Yuwon, que estava encolhido no chão. Fosse por causa do álcool ou de uma febre, Kwon Yuwon chutou o cobertor, murmurando que estava com calor. Também rangeu os dentes e cuspiu palavrões. Kwon Siyul sorriu com amargura, sabendo muito bem quem era o alvo, e colocou um travesseiro sob sua cabeça.
Como só trabalhava no café durante a semana, os fins de semana eram o tempo de Kwon Siyul relaxar. Claro, a pessoa que ele iria encontrar mais tarde já estava decidida. Kwon Siyul cantarolou uma canção e ficou em frente ao espelho, arrumando o cabelo. Não gostava quando o penteava para trás revelando a testa, e quando o deixava solto, parecia um estudante. Insatisfeito com ambos, pegou um pente e lutou para arrumar o cabelo, resmungando o tempo todo.
— Ah, é só usar um boné.
Kwon Yuwon, que vinha observando com olhos que diziam que ele estava fazendo escândalo, finalmente soltou uma palavra. Sua testa estava franzida, e suas pálpebras estavam mais da metade fechadas, como se estivesse com sono. Vários invólucros vazios de balinhas estavam espalhados ao lado de Kwon Yuwon, que estava encostado na parede.
Kwon Siyul enrugou o nariz. O cheiro de Kwon Yuwon estava vazando de novo. Às vezes ele o soltava na frente dele porque se sentia mais à vontade com ele do que com os outros, mas raramente era tão forte.
Além disso, ele estava até cochilando. Um pressentimento passou por sua mente, e Kwon Siyul entreabriu os lábios.
— Kwon Yuwon, você por acaso está…?
— O quê?
— No cio?
Ele simplesmente jogou o cabelo para trás com um olhar irritado e não respondeu. Comeu outra balinha e ofereceu uma a Kwon Siyul. Não querendo aborrecê-lo, ele a pegou quieto e comeu.
— Estou tomando supressores, então estou bem.
— Você só comeu balinha. Quer que eu compre um remédio?
— Está tudo bem. Eu aguento. Venho fazendo isso até agora. Qual é o problema?
Ele resmungou e se enfiou na cama. Deitou-se virado para a parede e mandou que ele fosse embora logo, dizendo coisas que não queria dizer. Kwon Siyul hesitou. Woo Hyunse estava esperando, mas ele não podia de jeito nenhum deixar Kwon Yuwon sozinho, que estava começando a ter febre e a ofegar.
— Você não quer comer alguma coisa?
— Não. Vai embora logo. Você tem um encontro.
— Como é que eu vou te deixar aqui?
— Mesmo que você esteja aqui, haaa, é tudo igual. Eu comprei essas balinhas, então vou comê-las e aguentar. Só não passa da meia-noite fora. Nossa aposta ainda não acabou.
Mesmo sem conseguir abrir os olhos direito, seu desejo parecia arder ferozmente quando ele o lembrava da aposta. Mesmo assim, Kwon Siyul não conseguia se obrigar a partir. Também se sentia culpado porque era um dos motivos pelos quais Kwon Yuwon estava separado de Park Hae-jeong. Kwon Siyul bagunçou o cabelo cuidadosamente penteado e se sentou ao lado da cama.
— Eu não vou. Vou comer com você.
— Ah, vai logo. Você vai encontrar o Woo Hyunse. Eu não estou com apetite.
— Eu compro um mingau pra você. Mingau de abalone?
— …Isso é caro.
— Seu irmão recebeu anteontem, então tem bastante dinheiro. Já volto. Dorme.
Ele fingiu não ouvi-lo murmurando que era para ir sem se preocupar com ele e saiu da pensão. A loja de mingau ficava na esquina onde a ladeira descia até a avenida principal. Foi caminhando, tirando o celular no meio do caminho.
Sentia-se mal por cancelar o compromisso de hoje, mas, mesmo que encontrasse Woo Hyunse deixando o amigo doente para trás, só se sentiria desconfortável. Criou coragem e ligou. A voz que atendeu, “Sim”, era infinitamente doce.
— Hyung, o Yuwon está doente hoje. Acho que vou ter que cancelar nosso encontro.
……
Woo Hyunse, que ele pensou que apenas diria tudo bem e não faria alarde, estava surpreendentemente calado. Sentindo-se constrangido e com pena pelo silêncio, continuou se repetindo.
— Bom, se eu não estiver lá, não tem ninguém para cuidar do Yuwon…
— Por que não?
— Sim? Ah, não é como se ele precisasse ir ao hospital.
Ele achou que ele quisesse dizer que deveria mandá-lo ao hospital. Não revelou que ele estava no cio. Não era como se um cio ou um rut fosse algo a esconder, mas era um assunto particular, afinal.
— Eu mando alguém.
A resposta que veio de volta foi revigorante. Kwon Siyul parou de andar e pressionou o telefone contra a orelha.
— Mandar quem?
— Alguém para cuidar do Kwon Yuwon no lugar do Kwon Siyul.
Quem poderia ser? Kwon Siyul ponderou sobre a pessoa mesmo depois de desligar o telefone, mas nenhum nome lhe veio à mente. Park Hae-jeong era o candidato mais provável, mas ele tinha ouvido por acaso que ele ia viajar a negócios.
Bom, Woo Hyunse cuidaria disso. Kwon Siyul deixou de lado suas preocupações e decidiu seguir em frente. Decidiu se concentrar em Kwon Yuwon, que estava deitado em casa doente por ora.
Kwon Yuwon só tinha dito que estava bem, mas mal comeu o mingau e logo adormeceu. Parecia estar num sono profundo, só se revirando quando havia barulho lá fora, mas sem abrir os olhos. Kwon Siyul torcia diligentemente uma toalha em água fria e enxugava o suor da testa de Kwon Yuwon.
Tinha colocado o celular no silencioso e estava jogando, cuidando de Kwon Yuwon de vez em quando. Houve um som lá fora. Será que um novo hóspede tinha se mudado para o quarto vazio ao lado depois que o morador de longa data saiu alguns dias atrás? Voltou os olhos com indiferença para a tela, mas passos apressados pararam bem em frente à sua porta.
Toc, toc. Ele ouviu batidas na porta. Só então se lembrou de que Woo Hyunse tinha dito que mandaria alguém.
— Quem é?
— É o Park Hae-jeong.
Era um nome inesperado. Ele achava que ele estava em viagem de negócios. Kwon Siyul inclinou a cabeça para o lado e abriu a porta. Park Hae-jeong estava parado à sua frente, o cabelo desgrenhado como se tivesse subido a ladeira correndo.
— Soube que o Kwon Yuwon está doente.
Park Hae-jeong olhou rapidamente ao redor do quarto enquanto respondia. Kwon Siyul se afastou, perguntando se ele queria entrar.
Park Hae-jeong imediatamente se ajoelhou ao lado de Kwon Yuwon e verificou sua tez. Como se reconhecesse o cheiro familiar, Kwon Yuwon abriu os olhos turvos. Piscou algumas vezes e murmurou com uma vozinha.
— …Park Hae-jeong?
— Você está bem?
Os olhos de Kwon Yuwon ainda estavam nebulosos, como se ele ainda vagasse por um sonho. Encarou Park Hae-jeong por um longo tempo, então de repente ergueu o braço e o envolveu em volta de seu pescoço.
Kwon Siyul arquejou e virou a cabeça. Nunca sonhou que Kwon Yuwon agarraria Park Hae-jeong e o beijaria daquele jeito. O cheiro de laranja, que parecia encher o quarto e até ondular para além da parede, e o fato de que Kwon Yuwon estava quase fora de si, era certeza.
Park Hae-jeong, que ainda mantinha a sanidade, desgrudou Kwon Yuwon, que se agarrava a ele como um polvo. Segurou o homem choramingando nos braços e olhou para trás, para Kwon Siyul.
— O CEO está esperando lá embaixo.
— Hyung?
— Sim. Eu cuido do Kwon Yuwon. Pode ir.
Kwon Siyul hesitou por um momento, sentindo-se desconfortável em sair só porque lhe mandaram. Mas isso durou só um momento. Kwon Yuwon esfregava o corpo inteiro contra Park Hae-jeong como se tivesse esquecido completamente que Kwon Siyul estava no mesmo quarto. Os gemidos eram um bônus. Park Hae-jeong, que não conseguia nem aceitar nem rejeitar, também parecia muito constrangido.
Kwon Siyul percebeu que ia ver algo que não devia se ficasse mais tempo no quarto. Abaixou a cabeça e se despediu repetidas vezes, dizendo que o outro estava em boas mãos, e saiu do quarto às pressas. Fechou a porta com cuidado também, ao sair.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna