• Capítulo 115
História Extra: Para Estar Com Você
Capítulo 115
— De jeito nenhum.
A boca de Kwon Siyul se abriu diante da resposta firme. Seus olhos se arregalaram. Ele esperava que Kwon Yuwon reagisse assim, mas o outro foi mais irredutível do que ele tinha previsto.
— Por que não? Você tem chegado tarde em casa esses dias, ou nem chegado.
— Isso é a mesma coisa que morar junto?
Kwon Siyul resmungou, e Kwon Yuwon cerrou o punho e o fuzilou com o olhar. Seus olhos já grandes se arregalaram, mostrando o branco, o que era bastante intimidador. Ainda assim, Kwon Siyul não recuou. Firmou sua determinação, devolvendo o olhar com olhos igualmente ferozes.
— Qual é a diferença?! É a mesma coisa. E, quando você não estava aqui, eu já…
— Aquilo foi porque eu tinha circunstâncias e não pude evitar.
Kwon Yuwon bateu sua cerveja sem álcool na mesa, cortando Kwon Siyul. Kwon Siyul fez beicinho. Lançou a Kwon Yuwon um olhar de protesto, mas Kwon Yuwon o ignorou, beliscando os petiscos.
— De jeito nenhum. Morar junto sem nem ser casado? Não seja ridículo.
Do jeito que ele falava, soava como um velho rabugento de hanbok da era Joseon. Sentindo-se frustrado, Kwon Siyul virou sua cerveja.
Tinha começado assim. Seu trabalho estava resolvido, Woo Hyunse vivia cutucando-o para voltar, e Kwon Siyul ficava cada vez mais ansioso à medida que o tempo que passava com seu parceiro diminuía enquanto morava na pensão.
Então, tentou convencer Kwon Yuwon a finalmente se mudar, mas aquele ômega parecia tão teimoso quanto sempre, recusando assim que Kwon Siyul tocava no assunto.
— É por causa do aluguel?
Ele perguntou com cautela se ele estava preocupado em ter que pagar o aluguel sozinho. Kwon Yuwon o repreendeu, como se achasse as palavras do outro mesquinhas.
— Então por quê?
Kwon Yuwon permaneceu em silêncio. Em vez de brigar, bajular e fazer dó costumavam funcionar com ele. Kwon Siyul olhou para Kwon Yuwon com olhos marejados. No começo, Kwon Yuwon desviou o olhar, mas acabou cedendo ao olhar de cachorrinho.
— Eu não gosto desse Woo Hyunse. Não gosto dele.
— Por quê? O que tem de errado com o Hyunse hyung?
— Hyung uma ova. Ele é um velhote. Por que você chama alguém oito anos mais velho que você de “hyung”? Chama de “ajusshi” ou “vovô”.
— Vovô é demais.
Ele não queria tratar Woo Hyunse, que não tinha um único fio de cabelo branco na cabeça, como se fosse um velho. Kwon Siyul protestou timidamente, e Kwon Yuwon zombou. Deu um soquinho brincalhão no braço de Kwon Siyul, resmungando que ele já estava tomando o partido dele.
— Enfim, de jeito nenhum. Sou contra.
— Ah, Kwon Yuwon.
Kwon Siyul sacudiu seu braço, implorando, mas Kwon Yuwon balançou a cabeça. Ele era adulto agora, e Kwon Yuwon não era seu tutor, então não precisava da permissão dele, mas ainda assim queria ser formalmente reconhecido por alguém que era como um irmão para ele.
— Realmente não?
— Nem pensar.
Vendo-o assim, não lhe restava outra escolha. Era melhor recuar por hoje e tentar de novo depois. Ao contrário de outras questões, Kwon Siyul não queria desistir facilmente de se mudar.
— Tá bom. Mas…
Ele tinha que extravasar sua frustração. Kwon Siyul terminou a cerveja e limpou a boca com a manga. Kwon Yuwon, que estava sentado de lado olhando para longe, virou a cabeça em direção a Kwon Siyul naquele instante. Encontrou seu olhar.
— Você também não pode passar a noite fora.
— O quê?
Kwon Yuwon perguntou, incrédulo. Kwon Siyul não vacilou, nem um pouquinho.
— Vamos estabelecer um toque de recolher também. Meia-noite.
— Ei.
— Vamos ser justos. Eu também não vou passar a noite fora. Vou cumprir o toque de recolher.
— A gente é o quê, adolescente? Você só está com raiva de mim por eu ter impedido você de morar junto.
— Com medo?
Kwon Yuwon estreitou os olhos. Não hesitou por muito tempo.
— Beleza — disse, aceitando prontamente o desafio de Kwon Siyul.
— Três faltas e você está fora.
— Três é demais. Uma.
Kwon Yuwon aumentou a aposta. Kwon Siyul gritou “Fechado!” e aceitou a condição.
— O vencedor pode fazer um pedido.
— Combinado. Se prepara.
Kwon Yuwon bateu no peito, confiante de que jamais perderia. Os olhos de Kwon Siyul brilharam. Com sua independência em jogo, ele estava pronto para dar tudo de si.
Ele tinha largado o emprego de meio período na churrascaria, então o toque de recolher da meia-noite não seria um grande problema. Só precisava ajustar seus horários de encontro com Woo Hyunse. Ele tinha querido compartilhar a boa notícia. Os ombros de Kwon Siyul caíram enquanto ele entrava tristemente no carro.
— Correu bem?
Como o resultado não foi bom, Kwon Siyul não conseguiu nem sorrir ao ver Woo Hyunse. Não conseguia se obrigar a falar. O outro devia estar esperando por isso. Kwon Siyul hesitou e então começou a explicar a situação a ele.
— O Yuwon foi muito firme…
Kwon Siyul tinha naturalmente presumido que Woo Hyunse o levaria para casa independentemente da opinião de Kwon Yuwon. Mas, surpreendentemente, ele recuou e esperou pela decisão de Kwon Siyul. Comparado ao passado, quando o tinha trancado e não deixava sair do quarto, era uma melhora enorme.
Kwon Siyul continuou tagarelando. Quando mencionou a aposta, Woo Hyunse riu baixinho. Bagunçou o cabelo de Kwon Siyul com carinho, passou o braço em volta de seu pescoço, puxou-o para perto, beijou sua bochecha e então mordiscou-o de brincadeira.
Mordeu a bochecha macia com os lábios, esticando-a como mochi, e só soltou depois que Kwon Siyul o empurrou. A pele avermelhada estava coberta de saliva. Woo Hyunse limpou gentilmente a bochecha de Kwon Siyul com o polegar.
Apesar de o resultado não corresponder às suas expectativas, Woo Hyunse não demonstrou nenhuma decepção. Podia ser que já tivesse antecipado esse resultado o tempo todo.
— Mas meia-noite não é cedo demais?
— O Yuwon tem chegado em casa por volta das duas da manhã esses dias. Mas o trabalho de meio período dele termina cedo.
Ele não tinha estabelecido o toque de recolher à meia-noite por acaso. Aquele era um jogo que ele tinha certeza de vencer. E tinha que vencer.
— Esperto.
— Então não posso ficar muito tempo. Tenho que voltar logo.
Kwon Siyul olhou o relógio e viu que já eram 22h30. O tempo estava voando, mesmo eles não tendo feito nada de especial.
— Então vem aqui.
Woo Hyunse deu tapinhas na própria coxa. Ele se lembrava de isso ter acontecido antes. Tinha hesitado na época, mas não agora. Sem querer desperdiçar um único segundo, Kwon Siyul rapidamente se escarranchou no colo de Woo Hyunse. Envolveu os braços em volta de seu pescoço, e beijos choveram sobre seu rosto. Os dedos dos pés de Kwon Siyul se curvaram instintivamente.
— Eu vou vencer com certeza.
Woo Hyunse baixou a cabeça até o pescoço de Kwon Siyul. Esfregou a ponta do nariz proeminente contra a pele exposta e inspirou fundo. Kwon Siyul deu risadinhas e encolheu os ombros. O doce cheiro de glicínia se espalhou, preenchendo o carro. O antebraço de Woo Hyunse apertou as costas de Kwon Siyul.
— Quer que eu te ajude?
Ele ergueu o olhar e perguntou isso. Kwon Siyul segurou seu rosto com as mãos e o beijou de leve, assim como Woo Hyunse tinha feito. Afastou lentamente Woo Hyunse, que estava prestes a atacá-lo, e pressionou a testa contra a dele.
— Como?
— Tem muitos jeitos. Primeiro, a gente podia garantir que o Park Hae-jeong não consiga ir para casa.
— Ah.
Esse era um jeito. Kwon Yuwon se atrasava por causa de Park Hae-jeong na maior parte das vezes. Mas ele não queria recorrer a táticas tão desonestas. Kwon Siyul queria competir de forma justa.
— Tudo bem. Eu cuido disso sozinho. Não vai durar muito.
Kwon Yuwon era muito mais impaciente que ele. Desistiria em menos de um mês. Woo Hyunse o encarou enquanto ele sorria confiante, então inclinou a cabeça para o lado e devorou seus lábios. Sugou-os e forçou passagem como um homem sedento. Kwon Siyul se sobressaltou e fechou os olhos devagar. O cheiro fresco e doce da floresta de bétulas encheu suas narinas.
Embora soubesse que não dava para ver o lado de fora de dentro, e que aquele era um lugar isolado por onde as pessoas não passavam, ele não conseguia deixar de se preocupar que alguém pudesse chegar e pegá-los no ato. Kwon Siyul espiou pela janela. Woo Hyunse segurou delicadamente o queixo de Kwon Siyul e virou seu rosto na direção dele.
— Ah — disse Kwon Siyul, inclinando-se para trás e baixando o olhar. O colo em que estava sentado já tinha inchado grosso. Ele estava em estado semelhante. Seu lóbulo claro e sua orelha externa ficaram instantaneamente carmesim.
Mas aquele não era o lugar certo. Ele tinha que se recompor enquanto ainda lhe restava alguma razão. Kwon Siyul tentou descer rapidamente, mas o braço de Woo Hyunse em volta de sua cintura só apertou mais.
— Aqui não.
— Não dá tempo de ir para um hotel.
— Mesmo assim…
Kwon Siyul olhou o relógio. Só tinha cerca de uma hora até o toque de recolher. O tempo era apertado demais para levar aquilo para outro lugar.
Mas ele não podia fazer ali. Kwon Siyul abriu e fechou os punhos, reprimindo o impulso crescente. Tentou não inspirar o cheiro que enchia o carro, e tentou acalmar o formigamento no estômago. Mas, quanto mais tentava, pior ficava.
O ar que inalava e depois soltava estava cheio do cheiro de Woo Hyunse, e sua pele ia ficando molhada apesar de seus esforços para não suar.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna