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Capítulo 114
Finalmente, depois de lidar com a correria da manhã, já era quase hora de bater o ponto. Hoje era o dia de folga regular do restaurante de churrasco, então não havia planos depois para ir trabalhar.
— Ei, Siyul — o chefe chamou Kwon Siyul, que tinha acabado de entregar comida a um entregador. Quando ele se virou, o chefe gesticulou com os olhos em direção à janela. Talvez por causa do bom tempo, alguns clientes estavam sentados em pequenos grupos no terraço. Mas a pessoa que o chefe apontou estava sozinha.
— Você conhece essa pessoa?
Só pelos ombros largos, as costas retas, e os lóbulos das orelhas redondos e bonitos, em forma de ponto de interrogação, Kwon Siyul soube instantaneamente quem era. Seus olhos se arregalaram. Como é que ele sabia que Kwon Siyul trabalhava ali, e mais importante, quem mais apareceria assim de repente sem se dar ao trabalho de avisar antes?
Seus pés se contraíram, querendo correr para fora imediatamente. O som de seu coração batendo era tão alto que não conseguia dizer se estava explodindo do peito ou ressoando em seus ouvidos.
— Ele está sentado ali há um tempo. Eu o vejo olhando para dentro de vez em quando. Parece que pode estar olhando para você.
O chefe inclinou a cabeça para o lado. Kwon Siyul olhou para cima para checar o horário. Estava quase na hora de bater o ponto.
— Chefe, vou preparar dois cafés antes de ir.
— Um para aquele amigo… quer dizer, aquela pessoa também?
O chefe se corrigiu no meio da frase, talvez pensando que a diferença de idade era grande demais para chamá-lo de amigo. Kwon Siyul acenou com a cabeça enfaticamente.
— Sim. É alguém que eu conheço.
— Ah, então não se preocupa. Senta ali. Eu levo para eles.
— Não! Eu ia só pegar para viagem. Eu faço eu mesmo.
Ele queria sair correndo imediatamente, mas com medo de mostrar o quanto tinha esperado desesperadamente, Kwon Siyul deliberadamente se demorou no balcão enquanto tirava os shots. Deu uma olhada, mas a outra pessoa não virou a cabeça. Só ficou sentado relaxado com as pernas esticadas, como se estivesse aproveitando o sol no rosto, parecendo estar apenas tirando um breve descanso ao sol da primavera de passagem, em vez de ter vindo encontrar Kwon Siyul ali.
Kwon Siyul terminou de fazer os dois cafés, cerrando ocasionalmente as mãos trêmulas de nervosismo. Pareciam ter saído particularmente mal feitos, mas ele não teve coragem de refazê-los.
Depois de discutir com o chefe, que insistia que ele não precisava pagar, Kwon Siyul finalmente colocou dinheiro no caixa e se despediu, dizendo que estava batendo o ponto agora. Fingiu estar bem relaxado, mas as pontas dos dedos segurando os copos estavam brancas de tensão.
Quando o sino tilintou, a outra pessoa se virou. Os outros clientes no terraço já tinham ido embora. O cliente solitário era, de fato, Woo Hyunse.
— Você veio sem avisar antes.
Woo Hyunse se virou. Ao ver Kwon Siyul, a expressão indiferente em seu rosto suavizou.
— Eu queria te surpreender. Você se surpreendeu?
— Só um pouco. De verdade, só um pouco.
Esperando que sua voz não tremesse, Kwon Siyul se sentou de frente para Woo Hyunse. Enquanto pousava o café que trouxera na mesa, Woo Hyunse pegou uma garrafa de plástico da cadeira ao lado e a empurrou em direção a Kwon Siyul. Vendo a embalagem familiar, Kwon Siyul explodiu em risadas. “Hahaha.”
— Por que você comprou isso?
— Chamou minha atenção. Agora eu noto em todo lugar que vou.
Kwon Siyul pousou o café que estava prestes a beber e pegou a bebida que Woo Hyunse lhe deu. Ainda estava gelada.
— O… acerto de contas está terminado?
Ele fitou Woo Hyunse intensamente. A parte de cima do corpo de Woo Hyunse estava levemente inclinada em sua direção, como se quisesse ficar mais perto.
— Sim. Cancelei o noivado.
— Ah — os lábios de Kwon Siyul formaram um círculo. Era o momento em que o que ele achava impossível se tornou realidade. Seus lábios ficaram secos assim que ouviu aquilo. Kwon Siyul deslizou as mãos entre as coxas. Não sabia que expressão mostrar a Woo Hyunse.
— Então era verdade.
— Eu não mentiria para você sobre algo assim.
Kwon Siyul virou a cabeça de lado e fez bico. Estava feliz, mas não queria demonstrar. Sentia-se estranhamente envergonhado.
Woo Hyunse pensativamente bateu na própria bochecha com uma das mãos. Só então Kwon Siyul notou o ferimento. Era um corte horizontal longo na bochecha do outro homem. Assim como antes, ele não tinha colocado curativo nenhum, mesmo estando machucado. Estaria protestando, querendo que fosse notado? As sobrancelhas de Kwon Siyul se curvaram numa expressão preocupada. Ele rapidamente virou a cabeça para esconder seu olhar de preocupação.
— Como você se machucou?
— Machucado?
— Aqui.
Ele apontou para a própria maçã do rosto. Woo Hyunse tocou a área e então riu baixinho, “Ah.”
— É uma medalha de honra.
— Honra?
Em vez de responder, Woo Hyunse de repente estendeu o celular para Kwon Siyul. “Toma”, disse.
— Aperta.
Inclinando a cabeça curiosamente, Kwon Siyul tocou o botão de play no centro da tela. Imediatamente, tons de pele inesperados começaram a se mover ali dentro. Era o vídeo que o dono da loja tinha mencionado. Felizmente estava mudo, senão ele poderia ter sido irremediavelmente rotulado de pervertido por todos ao redor.
Kwon Siyul engasgou e fechou o vídeo com uma velocidade relâmpago. Até virou o celular e olhou para Woo Hyunse com o rosto vermelho vivo. Apesar de ter cometido um ato tão ultrajante em público, o outro homem sorria orgulhosamente.
— Você tá louco?
— Esse é meu tio-avô.
— …O quê?
— O homem que te levou embora. Ele vivia me pressionando para casar. Esse vídeo…
Woo Hyunse aproximou os lábios do ouvido de Kwon Siyul. A respiração fez cócegas, fazendo Kwon Siyul erguer os ombros, mas o que ele ouviu foi bastante chocante.
— Eu vazei.
— Ele não era da sua família?
Kwon Siyul perguntou urgentemente, afastando a cabeça do ombro dele. Woo Hyunse tomou um gole do café que Kwon Siyul tinha lhe dado e balançou a cabeça.
— Não desde o momento em que ele tocou em você.
“…”
— A partir de agora, pretendo te mostrar todas as cartas que tenho. Fique à vontade para usá-las. Pode até me chantagear se quiser.
‘Vou te dar a pérola mágica e tudo mais.’
Não estava claro por que as palavras do xamã de repente lhe vieram à mente naquele momento. Seus lábios formigaram, e ele sentiu como se penas estivessem esvoaçando em seu peito. Seus dedos se mexeram involuntariamente.
— …Por quê? Por que você foi tão longe?
Kwon Siyul não achava que o deputado tinha sido punido excessivamente, nem sentia pena dele. Mas estava preocupado que Woo Hyunse tivesse tomado a atitude sozinho, em vez de avisar Kwon Siyul de antemão.
Afinal, ainda não eram família de sangue? Mesmo que ele tivesse feito coisas ruins a Kwon Siyul.
O vislumbre do vídeo que Kwon Siyul tinha visto estava longe de ser normal. Era o mais vergonhoso dos segredos, algo tão embaraçoso que se preferiria morrer a ter exposto.
— Eu só tenho uma coisa restante. Tudo o mais é inútil.
Em vez de perguntar diretamente o que era aquela única coisa, Kwon Siyul só ficou olhando para ele. Parecendo ler a pergunta em seus olhos, Woo Hyunse o chamou, “Kwon Siyul.”
— Vamos namorar?
Uma brisa quente de primavera soprou, bagunçando o cabelo de Woo Hyunse. A lembrança do vento fresco do rio ressurgiu, junto com a conversa deles à beira da água escura.
Embora fosse primavera, estava calor demais. Devia ser por isso que suas bochechas estavam ardendo. Kwon Siyul resfriou o rosto com a garrafa de plástico que segurava. Mas o calor não diminuiu. Em vez disso, se espalhou pela nuca e alcançou seu coração já acelerado.
— …Você gosta de mim, hyung?
Ele finalmente conseguiu fazer a pergunta que tinha ficado presa em sua garganta o tempo todo. Devia ter perguntado isso desde o início. Tinha sido tolo por começar pelo meio. Dessa vez, queria fechar tudo direitinho, de baixo para cima.
— Sim.
— Você me ama?
— Sim.
Respostas imediatas vieram até para suas perguntas diretas. Kwon Siyul mordeu o lábio, então o soltou.
— Então você consegue me amar mais no futuro do que antes, do que agora?
— Eu já amo.
Ele tinha ouvido todas as respostas que queria. Não havia mais nada a perguntar. Kwon Siyul virou a cabeça e cobriu o nariz com a palma da mão. Não queria que Woo Hyunse visse suas bochechas coradas e os cantos da boca que continuavam se erguendo.
— E sua resposta? — Woo Hyunse insistiu gentilmente.
Deveria pedir para ele esperar, atrasar, deixá-lo mais ansioso? Mas Kwon Siyul não gostava de nenhuma dessas opções. Lamentava o tempo que tinham desperdiçado. Simplesmente gostava de Woo Hyunse.
Kwon Siyul estendeu a mão sutilmente. Colocou a mão sobre a de Woo Hyunse, então deslizou os dedos entre os dele, maiores, sem querer soltar.
— Vou deixar passar dessa vez.
Será que ele entendia que não haveria uma segunda chance? Kwon Siyul reuniu coragem e olhou para Woo Hyunse suavemente.
Os olhos de Kwon Siyul se arregalaram. Woo Hyunse estava sorrindo de um jeito que ele nunca tinha visto antes. O simples processo de seus olhos se enrugando e os lábios se erguendo estava completamente transformado por aquele olhar. Parecia que derreteria lentamente qualquer um que o visse, como uma vela sendo acesa por uma chama. A emoção em seus olhos alcançou Kwon Siyul também.
O aroma de Woo Hyunse, antes como uma floresta de inverno, agora tinha notas de primavera. Como brotos novos rompendo o chão congelado, crescendo caules e botões, e finalmente florescendo para anunciar a chegada da primavera. O aroma doce envolveu Kwon Siyul como uma chuva quente de primavera.
De “você e eu” de volta a “nós”.
Kwon Siyul apertou a mão de Woo Hyunse. Não queria soltar. Uma experiência presa num inverno frio já tinha sido suficiente.
Agora era um brilhante dia de primavera. Contanto que estivesse ao lado de Woo Hyunse, cada estação por vir seria uma primavera eterna. Era por isso que Kwon Siyul não tinha mais medo de nada.
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Fim da História Principal *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna