• Capítulo 113
Capítulo 113
O ar da manhã estava fresco, como se a chuva noturna tivesse lavado toda a poeira. Kwon Siyul respirou fundo e continuou andando depois de parar um pouco. Seu passo estava bem mais leve que o normal.
Muitas flores desconhecidas tinham desabrochado ao longo daquele caminho. Dentes-de-leão brancos brotavam entre as rachaduras da calçada, e nas montanhas distantes, forsítias pontilhavam a paisagem de amarelo. Algumas flores de cerejeira precoces tinham aberto completamente suas cinco pétalas, apesar de ainda não ser sua época de florescer. Era um tipo de paisagem de primavera que ele nunca tinha notado antes.
As roupas dos passantes também tinham ficado muito mais leves. Embora o clima instável misturasse roupas de inverno e primavera, a maioria usava casacos ou cardigãs finos. Kwon Siyul também tinha guardado seu casaco acolchoado longo, que chegava até a panturrilha, e optado por uma única peça grossa por cima — seu moletom lavanda favorito.
Pressionando o cabelo ainda úmido com o capuz, apressou-se pela faixa de pedestres. Virando a esquina ao entrar num beco, chegou à cafeteria onde trabalhava. A placa amarelo-brilhante dizia “Dia de Primavera”. Por causa de sua localização, não recebia tantos clientes quanto as cafeterias na rua principal, mas a habilidade do dono com sobremesas conseguia atrair um fluxo constante de pedidos de entrega.
Kwon Siyul estava encarregado de abrir a cafeteria naquele dia. Colocava as cadeiras nas mesas, varria e passava pano no chão, enchia os recipientes vazios com grãos de café, e limpava diligentemente o vidro da vitrine até brilhar. Àquela altura, a cliente habitual que sempre vinha no mesmo horário todo dia estaria pairando perto da loja.
— Posso entrar agora?
Era o dono da loja de roupas duas portas abaixo. Toda vez que via Kwon Siyul, dizia que ele o lembrava do filho que trabalhava longe, e lhe dava petiscos como bolinhos de arroz ou biscoitos.
Kwon Siyul o cumprimentou com um sorriso radiante no rosto, — Seja bem-vindo.
— O de sempre, um latte quente, né? Com leite desnatado.
— Sim. Ah, o senhor nem precisa mais perguntar. É por isso que não consigo ir a lugar nenhum.
— Por favor, me dá seu cartão de fidelidade. Vou carimbar para você.
Kwon Siyul carimbou o cartão que o dono lhe entregou e alcançou o leite. Mas hoje, o olhar que o seguia parecia particularmente persistente. Perguntando-se se havia algo em seu rosto, Kwon Siyul esfregou a bochecha desajeitadamente. O dono esticou o pescoço, examinando Kwon Siyul minuciosamente antes de falar.
— Aconteceu alguma coisa boa hoje, jovem? Você está radiante.
— Ah, é só o tempo bom. Notei muitas flores desabrochando no caminho até aqui.
— É mesmo? Achei que você tivesse um encontro hoje ou algo assim. Você geralmente parece tão sombrio quando vem aqui.
— Será que eu pareço mesmo?
— Sim. Eu me perguntava o que o dono viu em você para te contratar. Você parecia que ia chorar até quando sorria. Mas hoje, não vejo nada disso. Você está tão radiante agora. Foi por isso que perguntei. Pensei que talvez você tivesse arranjado uma namorada.
O dono, sentado confortavelmente como se estivesse em sua própria casa, deu risada. Kwon Siyul sorriu de volta e entregou o latte pronto. Tendo algum tempo de sobra, o dono não foi embora imediatamente. Sentou-se na cadeira, sorvendo seu latte enquanto rolava a tela do celular ocupadamente. Depois de folhear as notícias, suspirou repetidamente, “Tsc, tsc.”
— É uma bagunça, esses dias. Que vergonha, para um homem da idade dele.
— Por quê? O que aconteceu?
— Você não viu as notícias? É tudo que falam na TV esses dias.
Kwon Siyul raramente assistia TV, e no celular só jogava e mandava mensagens, então estava alheio aos acontecimentos atuais. Vendo Kwon Siyul inclinar a cabeça, confuso, o dono se inclinou para frente como se estivesse pronto para fofocar de verdade. Verificando cuidadosamente ao redor para garantir que ninguém estava ouvindo, sussurrou para Kwon Siyul.
— É sobre um vídeo. Eu não consegui ver, mesmo querendo, mas sabe, a mãe do Young-i me mandou… Aparentemente, um grupo de pessoas se reuniu numa vila, todos nus, fazendo aquilo. Dava para ver o rosto de todo mundo claramente.
O dono balançou a mão na frente do rosto, fazendo uma careta. Só de ouvir sobre isso, Kwon Siyul conseguia imaginar o que estavam fazendo no vídeo. Fez a mesma expressão que o dono e concordou com um “Ugh”.
— Eu não fazia ideia. Quem era? Alguma celebridade?
— Não, é aquele cara… Qual era o nome dele? Não consigo lembrar.
O dono coçou a cabeça e tocou no celular. Com um “Ah”, mostrou a tela para Kwon Siyul. Kwon Siyul fitou a foto em silêncio antes de subitamente arregalar os olhos.
— É isso, essa pessoa. O nome dele era Woo Jung-ryeol! Ugh, ele ficava falando sobre virar líder da bancada e tal, mas como alguém tão sórdido pode ser um líder?! Deviam tirar o cargo dele de membro do parlamento, com certeza.
— Essa pessoa…
Mesmo mostrando outras pessoas, dizendo que havia mais gente, Kwon Siyul não conseguia tirar os olhos da primeira pessoa que apareceu na tela. Diferente do olhar afiado e frio que o tinha olhado de cima, a foto do perfil mostrava um sorriso bastante gentil.
A pessoa que o tinha levado até a mansão, espancado, e feito ameaças aterrorizantes. Achava que era chamado de Presidente e comandava alguma empresa, mas acontece que era um membro da Assembleia Nacional com um distintivo dourado.
— De qualquer forma, você precisa saber que políticos são diferentes por dentro do que por fora. Ugh, nojento.
O dono guardou o celular com um arrepio. Kwon Siyul riu abertamente, “Haha.” Só tinha ouvido falar do ditado “carma”, mas nunca pensara que realmente aconteceria. No entanto, vendo aquilo, parecia que o mundo, afinal, não funcionava tão mal assim.
O trabalho na cafeteria era corrido só na hora de abrir, mas depois ficava quieto. Depois de tirar o pó de cada canto e regar as plantas, não sobrava mais nada para fazer. Habitualmente, pegou o celular e viu que Kwon Yuwon tinha mandado uma mensagem enquanto ele não estava prestando atenção.
Kwon Yuwon tinha voltado recentemente. Quanto tempo ele tinha esperado desesperadamente pelo retorno dele? Kwon Siyul abraçou Kwon Yuwon e chorou alto.
Mas em vez de ficar em casa depois de voltar, Kwon Yuwon saía todas as noites como se tivesse secretamente escondido um pote de mel em algum lugar. Havia momentos em que chegava em casa perto da madrugada, depois do amanhecer.
Preocupado que pudesse estar envolvido em negócios perigosos de novo, Kwon Siyul perguntou sobre isso, mas Kwon Yuwon disse que não era nada disso. Quando pressionado, só desconversava, então Kwon Siyul finalmente o sacudiu pelo colarinho e exigiu que confessasse.
— Ah, não é o que você está preocupado! Eu conheci alguém!
— Quem é?
— Park Hae-jeong!
Ele ficou chocado. As orelhas e a nuca de Kwon Yuwon ficaram rosadas enquanto ele gritava aquele nome.
Kwon Siyul já tinha visto Park Hae-jeong antes. Era a pessoa que tinha ajudado Kwon Yuwon.
— Essa pessoa não é um Alfa?
— …Foi assim que aconteceu.
Kwon Yuwon murmurou, virando a cabeça, parecendo muito envergonhado. No início, foi chocante. Mas Kwon Siyul logo acenou com a cabeça. Ele mesmo não tinha se apresentado como Ômega e passado um tempo com Woo Hyunse enquanto mantinha isso em segredo de Kwon Yuwon? Quando tinha imaginado estar com um homem, um Alfa? A vida era imprevisível.
[Posso me atrasar hoje.]
[Vai dormir primeiro.]
No passado, ele não teria entendido, mas agora sabia o que aquele “posso me atrasar” implicava. Pensou em dizer para ele apenas dormir na casa de Park Hae-jeong confortavelmente e não se preocupar, mas sabendo que Kwon Yuwon ligaria e insistiria que não era nada disso, só mandou dois “tá bom” em resposta.
Kwon Siyul rolou distraidamente as mensagens. Então, sentindo como se estivesse esperando desesperadamente por algo, rapidamente pousou o celular na mesa.
“…”
Por um momento, baixou a cabeça e cobriu a nuca com a palma da mão. Só de pensar nisso, sua pele ficava quente. Suas bochechas e orelhas com certeza tinham ficado vermelhas. Sabia disso sem precisar olhar num espelho.
Agora ele admitia. Mesmo no momento em que saíra furioso da casa de Woo Hyunse, e depois disso, seus sentimentos não tinham mudado nem um pouco. Permaneciam os mesmos. O suficiente para que sua tristeza derretesse com aquela única frase sobre perceber tarde demais o amor. Se fosse verdade que quem ama mais perde, ele nunca poderia vencer Woo Hyunse.
O sino da porta tilintou. Kwon Siyul ergueu rapidamente a cabeça para cumprimentar o novo cliente. Um sorriso como flores de cerejeira precoces se espalhou por seu rosto. Sua voz estava cheia de energia ao dar as boas-vindas.
No início, era desajeitado fazendo café, mas conforme mais tempo passava, conseguia fazer rápido e deliciosamente. Era fascinante como o sabor mudava dependendo da torrefação, e como as características únicas dos grãos saíam com base na origem e no solo. Ocasionalmente, quando um cliente elogiava o sabor do café, seus ombros se inflavam de orgulho.
Não seria ruim aprender direito. Pela primeira vez em sua vida vivendo dia a dia sem planos, ele tinha encontrado algo que queria fazer. Não era só sobre ganhar dinheiro. Queria aprender sistematicamente e fazer café com um aroma mais profundo e um sabor melhor. …E também queria ter alguém especial para provar.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna