• Capítulo 111
Capítulo 111
Woo Jung-ryeol olhou ao redor rapidamente, então puxou um taco de golfe de uma bolsa próxima. A cabeça nova e impecável brilhava tão afiada quanto a tesoura de bonsai.
— É uma coisa você ser ingrato depois de viver da minha caridade, mas você passou dos limites. Você não apanhou o suficiente ainda.
— Por que você fez isso?
Diferente da voz enfurecida do oponente, Woo Hyunse permaneceu calmo. Encarou diretamente Woo Jung-ryeol, que respirava pesadamente pela boca.
— Por que você tocou nele?
Ele era um garoto tão gentil e bondoso que quem visse ficaria frustrado. Outros poderiam ter corrido até lá, agarrado pelo colarinho, xingado, cuspido, exigindo saber por que mereciam esse tratamento. Mas ele só guardava tudo pra si.
O dinheiro de compensação miserável dado à força era outro fator que alimentava sua raiva. Meros 50 milhões de wones.
Era muito dinheiro para Kwon Siyul, mas valia menos que uma planta em vaso para Woo Jung-ryeol. Tinha sido precificado conforme a posição social. Só o suficiente para evitar reclamações.
Woo Hyunse sabia melhor do que ninguém como Woo Jung-ryeol batia nas pessoas. Embora tivesse sorrido e dito que não doía mais, que tinha se recuperado, seu sangue ferveu ao pensar em Kwon Siyul sendo arrastado até ali sozinho, esbofeteado e chutado.
O mais precioso para ele.
Embora tivesse apanhado em silêncio quando criança, agora podia arrancar a arma daquelas mãos num instante. Woo Jung-ryeol praguejou enquanto olhava, perplexo, para o taco de golfe sendo tirado de suas mãos. Procurou por outra arma ao redor. Woo Hyunse não deu atenção, examinando o taco em sua mão. Um familiar ferro 11, com boa elasticidade no cabo.
— Secretário Yoon, você viu isso. A partir de agora, minhas ações são legítima defesa.
Estritamente falando, não poderia ser chamado de legítima defesa já que ele ainda não tinha sido atingido, mas considerando que Kwon Siyul tinha sido espancado unilateralmente, aquilo devia bastar. Dois tapas no rosto, e um chute no estômago. Retribuir na mesma moeda não seria suficiente. Juros são melhor cobrados a taxas compostas. Woo Hyunse segurou o taco com as duas mãos.
O taco de golfe subiu alto e traçou um grande arco. O som do taco cortando o ar foi seguido pelo baque surdo da cabeça de ferro atingindo carne e osso.
Depois de só um golpe, Woo Jung-ryeol agarrou o braço e rolou no chão, gemendo que estava morrendo. Woo Hyunse soltou uma risada zombeteira diante da cena dele choramingando. Ele nem tinha começado de verdade ainda, e o homem já estava exagerando. Perguntou-se onde tinha ido parar o homem que costumava bater nele até seus braços racharem e quebrar as costelas de Woo Gibbeum.
— Por favor, jovem mestre, o senhor não pode!
O Secretário Yoon, que estava se remexendo ansiosamente atrás deles, avançou urgentemente. Woo Hyunse inclinou a cabeça para o lado ao olhar para o homem bloqueando seu caminho.
— Sai da frente. A menos que você também queira morrer.
Seu olhar carregava uma intenção sincera. O conteúdo dos relatórios que o Secretário Yoon tinha secretamente entregado a Woo Jung-ryeol passou por sua mente. Embora agora vivesse como um respeitável empresário em sua idade mais avançada, Woo Hyunse já fora uma figura que navegava habilmente na linha entre o legal e o ilegal, vivendo com sangue mal seco na roupa.
O Secretário Yoon hesitou brevemente, então fechou os olhos com força e se afastou. Foi rápido em calcular suas perdas.
A cada vez que o taco de golfe atingia o chão, gotas carmesim espirravam. Soava como carne sendo amaciada. Súplicas por misericórdia se misturavam com xingamentos vulgares fluindo incoerentemente, mas não havia ninguém para ouvir aquelas palavras. O Secretário Yoon só estremecia repetidamente, fingindo não ver a situação diante dele.
Quanto tempo passou? A sombra escura na parede baixou a mão que segurava o longo taco. Os gritos também tinham diminuído. O oponente completamente espancado só conseguia se contorcer no chão, encolhido como uma bola. Sua tosse trazia sangue misturado com fragmentos brancos de dentes. Espuma sanguinolenta se acumulava em sua mandíbula trêmula.
Com uma longa exalação, Woo Hyunse pousou a cabeça do taco de golfe no chão com um baque. A cabeça do taco quase não era reconhecível em sua cor original. Sangue vermelho vivo pingava viscosamente como muco antes de cair no chão.
— Vamos nunca mais nos ver. Dizem que não se pode cortar laços de sangue, mas felizmente, isso não se aplica a nós.
Woo Jung-ryeol só conseguia choramingar, incapaz de responder. Ele se afastou temeroso a cada farfalhar das roupas de Woo Hyunse.
— Mesmo assim, não posso simplesmente te mandar para o campo depois de todos os anos que você me criou. Não sou uma besta tanto assim .
Woo Hyunse limpou cuidadosamente a cabeça e o cabo do taco de golfe com um lenço. Depois de checar repetidamente por qualquer resquício de sangue, o colocou de volta no lugar original. Só depois de terminar tudo foi que mordeu a ponta da luva e a tirou.
Não havia mais vestígio do Woo Hyunse arrumado e limpo de antes. Seus olhos estreitados, os cantos da boca relaxados, e o rosto corado pela violência pareciam tão satisfeitos quanto uma fera que tinha provado bastante sangue. O cabelo desalinhado e até o sangue espirrado na bainha das calças pareciam ser a verdadeira forma de Woo Hyunse.
— Secretário Yoon.
O Secretário Yoon se virou, assustado com o chamado. O sangue tinha sumido de seu rosto, deixando-o pálido como uma folha de papel.
— Garanta que isso não vaze. Entendeu? Não importa de onde ele veio, um filho é um filho, e os pais devem encobrir as falhas dos filhos. Revelar a verdade só traria vergonha para a família.
— S-sim, senhor.
— Ele deve melhorar com um pouco de descanso. Embora eu não tenha certeza se ele terá tempo para se recuperar.
— Perdão?
Depois de espancar um homem até deixá-lo em polpa, Woo Hyunse sorriu radiantemente. Era um sorriso renovado. Atrás dele, um telefone antiquado tocou alto. Simultaneamente, o bolso do Secretário Yoon vibrou. Era um som ominoso vindo de seu celular.
Woo Hyunse se virou, deixando o Secretário Yoon atender à chamada. Enquanto estava prestes a sair do escritório, disse “Ah”, virou nos calcanhares e caminhou até a janela.
— Quase esqueci disso.
Era o bonsai que Woo Jung-ryeol prezava mais do que os próprios filhos. Ele dizia que era um presente, uma cerejeira importada do Japão, valendo seu peso em ouro.
Sem hesitar, Woo Hyunse ergueu o vaso alto e o jogou no chão. Com um estalo, o vaso se estilhaçou. Os galhos que Woo Jung-ryeol tinha cuidado com tanto carinho se quebraram indefesos, e as raízes torcidas da árvore ficaram feiamente expostas sobre os montes de terra.
Foi fácil assim. Devia ter feito isso muito tempo antes.
Só se arrependia dos longos anos que tinha vivido com a cabeça baixa. Woo Hyunse pisou levemente na cerejeira que agora se tornaria madeira morta e saiu do escritório. Diferente da demonstração anterior de raiva, seus passos ao partir eram tão leves quanto os de alguém que tinha se livrado de todos os seus fardos.
* * *
— Ei, seu desgraçado louco!
Um grito rasgou o ar, ecoando pelo escritório. Não havia necessidade de especificar quem tinha entrado; a voz retumbante deixava claro. Woo Hyunse esfregou os ouvidos zunindo e baixou a mão. Assim que sua secretária tentou desesperadamente deter a intrusa, dizendo “A senhora não pode entrar”, a porta se escancarou.
Acontece que era Woo Gibbeum, tão furiosa que até seu penteado habitualmente impecável estava desalinhado. Woo Gibbeum lançou um olhar fulminante para Woo Hyunse sentado em sua cadeira, aproximando-se com passos pesados e narinas dilatadas. Ergueu a mão como se fosse esbofetear a bochecha de Woo Hyunse, então a bateu na mesa com um estrondo que ameaçava quebrá-la, os olhos saltando das órbitas.
— Seu desgraçado louco, se você vai surtar, não podia fazer isso com mais elegância? Que diabos é tudo isso?
A secretária se remexia atrás deles, olhando alternadamente entre os dois. Quando Woo Hyunse gesticulou que estava tudo bem, a secretária discretamente deixou a sala.
— O quê?
— O noivado rompido, e o que aconteceu com o Pai?!
— O Secretário Yoon abriu o bico?
Woo Gibbeum hesitou. O Secretário Yoon não tinha dito nada, e seu pai hospitalizado não tinha recuperado a consciência. O motivo oficial era um acidente de trânsito. Supostamente, ele tinha sofrido um acidente tentando desviar de um animal que atravessou a estrada em seu caminho de casa. Convenientemente, aconteceu no interior sem câmeras de segurança, e o Secretário Yoon tinha meticulosamente amassado o carro envolvido, tornando a desculpa plausível.
Na realidade, o velho estava melhor se escondendo no hospital. Woo Gibbeum estava à beira de desmaiar com as reportagens constantes chegando. Receber suborno era um escândalo comum o suficiente, nada grave, mas o vídeo vazado era o problema.
Não, a palavra “problema” era fraca demais para descrever esse incidente. Era uma bomba. Algum louco tinha amarrado um pacote de granadas e o jogado dentro do lar pacífico deles.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna