• Capítulo 110
Capítulo 110
Woo Hyunse chegou bem na hora marcada. Parecia ter vindo com pressa, vestindo roupas confortáveis com o cabelo suavemente desalinhado sobre a testa, como um universitário. Estava até usando tênis em vez de sapatos sociais. Olhando mais de perto, os punhos e o colarinho da camisa mostravam sinais de desgaste. Era bastante refrescante vê-lo vestido assim, comparado à sua aparência habitualmente impecável, até mesmo com as bainhas das calças perfeitamente vincadas.
No entanto, a atmosfera estava longe de ser relaxada. Woo Hyunse parecia estar prestes a enterrar alguém. Embora não tivesse arma na mão e usasse seu sorriso carismático de sempre, uma intenção assassina subjacente ocasionalmente vazava através de sua persona, como água pelas frestas soltas de uma rede. Talvez por isso, até suas roupas casuais pareciam uma preparação para algo sinistro.
In Seohee escaneou o café silenciosamente. Embora algumas pessoas olhassem para Woo Hyunse, não pareciam particularmente amedrontadas, só curiosas com sua aparência. Era prova de que ele escondia bem sua verdadeira natureza. Ou talvez simplesmente achassem que ele era uma celebridade.
— Obrigado por arranjar um tempo na sua agenda ocupada.
— Do que se trata?
Toda vez que a energia de Woo Hyunse vazava, a pele exposta de In Seohee se arrepiava. Ignorando os arrepios, ela fez essa pergunta. Mesmo perguntando abruptamente sobre o ponto principal, Woo Hyunse sorriu amigavelmente.
— Vamos romper nosso noivado.
Ela olhou para cima, ainda segurando a xícara de café nas mãos. Seu tom era tão casual quanto se estivesse sugerindo que fossem comer alguma coisa, mas o conteúdo era bastante chocante. In Seohee pousou a xícara e endireitou as costas.
— Achei que já tínhamos terminado de discutir o casamento.
Tinham gastado muito dinheiro nisso, e garantido uma casa de recém-casados e um salão de casamento. Como lidariam com o terreno, os prédios e as ações que seriam dados como presente de casamento? E as taxas de cancelamento? Devia ser algo já decidido, só faltando eles aparecerem trajados para o casamento. Ela não conseguia entender por que ele estava arruinando o arranjo perfeitamente planejado deles no último minuto.
— Qual é o motivo? Por que você mudou de ideia de repente?
Woo Hyunse nem tinha pedido café. Era um sinal de que não pretendia ficar muito tempo.
— É porque eu sou recessivo.
— O quê?
Ela franziu profundamente a testa diante daquela declaração sem sentido. Não havia como Woo Hyunse ser recessivo.
— Achei que era dominante, mas acontece que sou só um recessivo de merda. Praticamente um beta, dizem. Isso deve ser suficiente para a Deputada Kim entender.
Ironicamente, Woo Hyunse parecia conhecer a avó dela melhor do que ela mesma. Sua avó, com seu senso de privilégio e autoritarismo baseado em classe entranhado até os ossos, seria a primeira a exigir que rompessem o noivado se Woo Hyunse se mostrasse recessivo. Ela já estava insatisfeita por Woo Hyunse não ser filho biológico, concordando apenas relutantemente porque ele supostamente era dominante.
— Não, por que de repente…
Woo Hyunse sorriu, mostrando todos os dentes uniformes. Seu sorriso o fazia parecer uma criança travessa prestes a pregar uma peça cruel.
— Qual é o motivo real?
— Eu realmente preciso dizer?
— Vou manter em sigilo.
Era uma pergunta nascida puramente de curiosidade pessoal. Qualquer que fosse a razão, não havia necessidade de divulgá-la aos outros.
Ela sentiu o olhar intenso dele sobre si. Ele parecia estar avaliando se ela manteria a palavra ou revelaria o que estava prestes a lhe contar. O exame afiado só terminou quando In Seohee tomou um gole de café para aliviar o tédio. Como se não importasse se ela falasse sobre isso, Woo Hyunse casualmente soltou: — Encontrei alguém que amo.
“…”
Ela se perguntou se tinha ouvido errado. In Seohee olhou para Woo Hyunse com uma expressão séria no rosto. Será que ele tinha sofrido uma lesão na cabeça e experimentado uma regressão temporária sem que ela percebesse? A relação deles era complexa demais em termos de interesses mútuos para romper o noivado por um motivo tão trivial. Também estavam bem além da idade de deixar emoções arruinarem seus assuntos.
— Você está em sã consciência?
— Sim, estou. Também tenho dormido bem.
Ele respondeu como se nada pudesse ser mais claro. Não importava o que ela dissesse, ele não parecia ter nenhuma intenção de reconsiderar o rompimento. Como ela não se importava o suficiente para tentar dissuadi-lo, In Seohee simplesmente acenou levemente a cabeça.
— Isso é realmente o fim?
— Sim.
Já que ele estava disposto a assumir a culpa, ela não tinha objeções. Sentindo-se segura em sua posição, In Seohee apenas encolheu os ombros.
— A gente realmente precisava se encontrar pessoalmente para discutir isso?
In Seohee reclamou enquanto checava o horário no celular. Encontrar Woo Hyunse nunca era chato, mas também não era particularmente agradável.
— Fomos noivos uma vez. É só educado dizer pessoalmente.
— Você está sendo cortês de formas desnecessárias.
Mais da metade do café ainda restava, mas ela não se importava. Woo Hyunse parecia compartilhar o mesmo sentimento, levantando-se e estendendo a mão para ela. Já que ele tinha demonstrado cortesia, ela retribuiria.
— Pelo menos consegui bastante prática de ensaio de casamento graças a você. Bem, então, se cuida.
Sua atitude era tão profissional quanto quando se despede de um cliente. Woo Hyunse segurou a mão dela. Um aperto de mão seco serviu como despedida.
***
Ao entreabrir os lábios, um fio de fumaça branca escapou. Tinha fumado até o filtro e colocado a bituca num cinzeiro portátil. Tinha resistido ao impulso de jogá-la na frente daquela mansão desprezível. Não queria se rebaixar ao nível de alguém que tinha vendido sua moral a um cachorro qualquer.
Woo Hyunse se encostou na parede da mansão e tirou o celular para checar o vídeo que Joo Shindo tinha mandado. A duração era bastante longa. Cinco minutos teriam sido suficientes, mas com essa extensão, não havia como o país inteiro não reconhecer aquele rosto.
Ele sabia que a Segwang Construtora andava subornando o figurão, mas não tinha percebido que também estavam fornecendo outras formas de entretenimento. O elenco era estelar. Não só o presidente da construtora estava lá, mas também membros seniores do partido político do figurão e colunistas de jornais notáveis.
Um vídeo lascivo de figuras tão distintas — era, sem dúvida, uma isca que a mídia de massa enlouqueceria para conseguir.
Ele tinha borrado os rostos das vítimas, mas deixado os principais culpados expostos. Com alguns gestos, o vídeo se espalhou pela internet. A contagem de visualizações explodiu a cada atualização. Também o submeteu anonimamente a veículos de mídia online e offline, misturando algumas fontes confiáveis. Era uma bomba prestes a explodir em algumas horas, ou no máximo até amanhã.
Enfiou as mãos nas luvas preparadas. Enquanto cerrava e abria os punhos, o couro rígido amoleceu de forma maleável. A sensação fria e suave que não sentia havia muito tempo o preencheu de euforia.
Depois de lentamente estalar o pescoço para os dois lados para relaxar os músculos, abriu a porta da mansão. Ao atravessar o gramado e entrar na casa, o Secretário Yoon, que tinha sido avisado com antecedência, saiu correndo, claramente agitado.
Sua expressão normalmente estoica tinha desaparecido, provavelmente por ter ouvido a notícia do noivado rompido. Ele já parecia ter levado um golpe. Seu cabelo estava desalinhado, e sangue seco manchava sua testa. O patriarca devia ter jogado um cinzeiro nele.
O trabalho do Secretário Yoon era diferente do de um assessor comum. Ele era do tipo que se rebaixava e cuidava de qualquer tarefa que o patriarca ordenasse, por mais suja que fosse.
— Ele está esperando pelo senhor.
Woo Hyunse o fitou intensamente. Sabia que o secretário só estava seguindo ordens. Mas sua raiva era imparcial naquele momento.
— Você é o Secretário Yoon, certo? O que trouxe o Siyul para cá.
O Secretário Yoon, que tinha se curvado educadamente, estremeceu e ergueu a cabeça. Woo Hyunse estava sorrindo.
— Vamos resolver isso com um golpe só.
Não havia compaixão. O secretário foi subitamente chutado no estômago e caiu para trás com um gemido. Ele ouviu uma empregada ofegar, mas não deu atenção a ela. Aos olhos de Woo Hyunse, todos que tinham permanecido em silêncio quando Kwon Siyul foi trazido para lá eram cúmplices.
— Ele está no anexo?
Perguntou, dirigindo-se ao secretário ainda no chão. Estalando a língua diante da tentativa do homem de ganhar tempo enquanto segurava o estômago, agarrou-o pelo cabelo. Só então o homem apressadamente acenou com a cabeça.
Jogando o secretário de lado, seguiu em frente. Mesmo enquanto se encontrava com In Seohee, esse era o único pensamento em sua mente. Seu passo se acelerou. Atravessou o pequeno caminho entre a casa principal e o anexo num instante.
— Jovem mestre!
O secretário, que de alguma forma tinha alcançado, chamou urgentemente. Woo Hyunse não olhou para trás. Ciente de sua chegada pela comoção lá fora, assim que abriu a porta, um objeto prateado voou rapidamente em sua direção. Ele torceu o ombro para desviar, mas não conseguiu evitar completamente a tesoura afiada que arranhou sua bochecha. Sangue escorreu do longo corte.
— Seu desgraçado!
Um rugido trovejante sacudiu o escritório. Woo Hyunse encarou o patriarca, Woo Jung-ryeol, sem sequer piscar. Seu rosto estava vermelho vivo de raiva, os olhos e as sobrancelhas ralas erguidos alto, franzindo a testa.
— Eu te aturei por tanto tempo, e é assim que você perde a cabeça?
O som de dentes rangendo era divertido. Aquilo estava tudo indo conforme o plano, então era óbvio que ele não tinha perdido a cabeça.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna