• Capítulo 109
Capítulo 109
— O quê?
Seu coração batia forte demais no peito. Cancelar o noivado. As palavras que ele tinha esperado e desejado tanto vinham dos lábios do outro homem. Ele não estava perguntando porque não tinha ouvido direito. Era por causa do choque.
— Então…
— Por quê?
Kwon Siyul estava realmente bem. Não queria derrubar a parede que tinha construído com tanto esforço depois da despedida final deles. Se aquela parede desmoronasse, ele seria o machucado. Também não gostava de repetir o ciclo de esperança e decepção. Tinha sido uma experiência dolorosa para ele desde o início.
— Você não… precisa cancelar. Não mais.
Ele falava sinceramente. Seus sentimentos por Woo Hyunse eram algo que podia guardar para si mesmo. Ocasionalmente ouvir notícias de Woo Hyunse como que por acaso, e se alegrar secretamente — essa era a linha que devia ficar atrás.
— Não. Eu vou cancelar.
“…”
— E então eu vou voltar para você.
A colher que mexia a sopa parou abruptamente. Não se deixe enganar. Não acredite. Ele seria o machucado de novo se acreditasse.
— Mesmo assim… se você disser que vai se casar de novo depois…
Ele não achava que conseguiria suportar passar pela mesma coisa duas vezes. Quanto tinha lutado para viver depois de deixar a casa de Woo Hyunse? Apagando, ignorando, evitando o nome, o cheiro, a presença que continuava vindo à mente. Ainda assim, permanecendo cativado, desejando encontrá-lo até em sonhos.
Se Woo Hyunse o abandonasse mais uma vez, seu já insignificante senso de autoestima poderia despencar ao chão, tornando-se menos que poeira pisoteada pelos outros.
Então ele realmente ia querer morrer. Ia querer desaparecer completamente, sem nenhum resquício de apego à vida.
Seus olhos ficaram quentes. Já tinha chorado demais de madrugada e não queria derramar mais lágrimas. Se chorasse ali, com certeza seria rotulado de chorão. Se segurou, enchendo a boca com a sopa agora fria.
— Isso não vai acontecer.
A resposta foi firme. Kwon Siyul engoliu a comida na boca e olhou para cima, sem expressão. O branco dos olhos de Woo Hyunse, sem uma partícula de impureza, estava levemente avermelhado. Pareciam úmidos, mas nenhuma lágrima caía deles.
— Como você pode ter tanta certeza?
— Porque você é a única pessoa com quem eu quero me casar, senhor Kwon Siyul.
Ele disse isso calmamente, levando um copo de água aos lábios. Assim como quando uma vez perguntou, “Vamos dormir juntos?”, à beira do rio.
— Vou esperar até você me aceitar. Graças a alguém, agora sou bom em esperar.
Aquela voz, aquelas frases, desmoronaram instantaneamente a parede que Kwon Siyul havia trabalhado tanto para construir ao redor de si mesmo. Era uma parede cheia de brechas e rachaduras desde o início. Uma parede precária que cairia ao menor toque, e Woo Hyunse a rompeu com muita facilidade.
Você me despedaça completamente, me reconstrói, e com apenas um gesto, me despedaça de novo…
Kwon Siyul baixou profundamente a cabeça. Sua expressão certamente estava contorcida além de seu controle. Sentia que poderia explodir em lágrimas ou em risada no momento seguinte. Kwon Siyul não fazia ideia de que nome dar a essa emoção que o inundava naquele momento.
Seria raiva?
Não, ele logo percebeu. Era euforia. Suas bochechas e testa estavam quentes, e suas orelhas pareciam que poderiam pegar fogo. Estendeu as mãos, cobrindo o rosto o máximo que podia.
— Você é demais, hyung.
Tudo o que conseguiu fazer foi reclamar com uma mistura de ressentimento na voz. Woo Hyunse era realmente um especialista em levá-lo às alturas, deixá-lo cair no chão, e erguê-lo de novo.
Como ele podia ser tão tolo?
Mesmo depois de tudo aquilo, não tinha aprendido nada. Diante de Woo Hyunse, os padrões e resoluções que tinha estabelecido desmoronavam como fardos de palha empilhados às pressas. As ameaças que tinha ouvido eram assustadoras, as feridas que tinha recebido eram dolorosas, e a angústia mental que tinha suportado ainda estava vívida em sua mente e coração.
E, no entanto, ele ainda amava Woo Hyunse. Não havia nada melhor, não importava o quanto procurasse. Em sua vida insignificante, onde não tinha desejado nada em particular para ter ou fazer, aquela era a coisa que mais desejava.
— Eu sei.
Woo Hyunse segurou gentilmente as mãos de Kwon Siyul e as afastou do rosto dele. Através da fresta, o outro sorria maliciosamente, como um garoto. Era um sorriso completamente sem-vergonha.
Então, a partir daquele momento, Kwon Siyul se rendeu completamente. Ele era uma pessoa que não conseguia deixar de cair naquilo.
Saindo do restaurante, Kwon Siyul fitou as costas de Woo Hyunse, sem expressão. Na verdade, depois do café da manhã, Kwon Siyul tinha planejado se despedir de Woo Hyunse de novo.
“…”
Aquela tinha sido sua resolução até chegar ali. Mas agora seus pensamentos tinham se invertido completamente. Viver sem ver aquela pessoa pelo resto da vida parecia cruel demais. Será que a infelicidade já não havia engolido boa parte de sua vida desde o nascimento? Queria manter Woo Hyunse como sua boa sorte.
Para fazer isso, precisava ter confiança diante de Woo Hyunse. Tendo tomado sua decisão, Kwon Siyul tirou um envelope que tinha trazido secretamente. Disse que tinha enfiado num canto e não tinha olhado para ele desde aquele dia.
— Hyung. Vou devolver isso para você.
Ao entregar o envelope, Woo Hyunse olhou para ele intrigado. Depois de abri-lo, sua expressão endureceu imediatamente.
— O que é isso?
— Isso… alguém que não parece com você me deu. Mas eu não quero aceitar.
A ameaça feroz de devastar todos os lugares e pessoas que pudesse encontrar ainda o assustava. Mas ele reuniu coragem. A realidade de não poder ver Woo Hyunse era mais aterrorizante do que a ameaça de arruinar sua vida. Coisas difíceis poderiam acontecer no futuro, mas sentia que estava morrendo agora, então pensaria nisso depois de sobreviver.
— Foi dado a mim para me impedir de te ver… mas eu absolutamente não consigo fazer isso.
O rosto que olhava para o envelope congelou severamente. Kwon Siyul também estremeceu. O aroma corporal que roçou em sua pele era afiado como a ponta de uma lança. Embora não fosse visível a olho nu, parecia como se uma névoa escura estivesse ondulando sobre os ombros de Woo Hyunse.
O aroma esmagador fez sua cabeça girar e seu estômago revirar. Um líquido azedo subiu pela garganta, e Kwon Siyul cobriu a boca com um “argh”. Quando mal conseguiu chamar “hyung”, o cheiro estilhaçado finalmente se acalmou um pouco. Mas não tinha dissipado completamente. Como se fosse algo difícil de esconder, ainda se eriçava afiadamente de vez em quando.
O envelope na mão de Woo Hyunse se amassou num instante. Ele exalou um longo suspiro, como se expelisse fumaça de cigarro, passando os dedos pelo cabelo.
— Quando?
— Uns dias atrás.
Perdido em pensamentos por um momento, Woo Hyunse de repente pareceu perceber algo e se virou bruscamente para Kwon Siyul. Então agarrou os dois ombros dele e o examinou do rosto ao corpo. Assustado com a intensidade súbita do olhar do outro homem, Kwon Siyul o olhou perplexo. Dessa vez, Woo Hyunse agarrou a barra da camisa dele e a ergueu.
Mesmo em um beco deserto, nunca se sabe quando alguém pode passar. Kwon Siyul tentou apressadamente puxá-la para baixo, mas a mão de Woo Hyunse, segurando a camisa enrolada, estava firme. Seu olhar se dirigia à barriga, onde os hematomas ainda não tinham desaparecido totalmente. Houve um ranger de dentes. Os músculos sob sua mandíbula se sobressaíram enquanto se cerrava com força.
Acima de tudo, o cheiro feroz que tinha sido mal contido subiu de novo, como se fosse encharcar tudo ao redor. O rosto de Kwon Siyul ficou pálido como uma folha de papel. Só depois que agarrou a mão de Woo Hyunse, as bochechas infladas como se estivesse prestes a vomitar, a intensidade diminuiu.
— O-onde você foi atingido?
O fim de sua voz pareceu tremer sutilmente, ou seria ilusão? Kwon Siyul hesitou se deveria revelar. Enquanto Kwon Siyul mordia o lábio inferior e hesitava, Woo Hyunse o instigava silenciosamente. Sentindo que o exame cuidadoso descobriria tudo, não importava o quanto tentasse esconder, Kwon Siyul relutantemente abriu a boca.
— Meu rosto e minha barriga…
Ele traçou aquelas áreas com a mão. A memória daquele momento o fez fechar os olhos com força. Naquela época, tinha ficado assustado e com raiva, mas agora, com mais tempo passado, estava tudo bem. Tudo era passado. As feridas sangrentas tinham formado crostas, caído, e pele nova tinha crescido. Só hematomas fracos restavam.
— Não dói nada agora. Não se preocupa.
Acrescentou isso para tranquilizá-lo, mas a expressão de Woo Hyunse só ficou mais sombria. Kwon Siyul inclinou a cabeça para encontrar os olhos de Woo Hyunse e sorriu radiantemente.
— De verdade, está tudo bem…
Antes que pudesse terminar de falar, Woo Hyunse o abraçou com força. Sua bochecha foi pressionada contra o peito firme. Com um braço ao redor da cintura de Kwon Siyul e a outra mão segurando a parte de trás de sua cabeça, ele o puxou para dentro do abraço. O abraço foi tão apertado que quase o deixou sem fôlego.
— Desculpa.
“…”
— Desculpa.
Ele tinha erguido as mãos para empurrá-lo, mas hesitou diante da voz suave sussurrando perto de seu ouvido.
Kwon Siyul mudou o curso das mãos e lentamente abraçou a cintura de Woo Hyunse. Ainda não conseguia respirar bem, mas não queria perder as batidas constantes do coração tamborilando em seu ouvido. No aroma gentil que parecia capaz até de bloquear o vento frio, no calor corporal que o aquecia, Kwon Siyul quis ficar ali por um longo tempo. Por muito tempo que estava por vir.
* * *
In Seohee estava sentada calmamente numa cadeira de café. Era bem longe da empresa. Seu “noivo”, que normalmente se comunicava por mensagem quando havia algo a discutir, ou até deixava a cargo do cerimonialista se fosse incômodo demais, a tinha chamado dizendo que tinha algo urgente para falar.
Quando ela disse para só mandar mensagem, ele insistiu que era importante e precisava dizer pessoalmente. Ela se opôs fortemente à oferta dele de vir perto do local de trabalho dela e marcou o encontro o mais longe possível.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna