• Capítulo 108
Capítulo 108
— Dorme lá.
O lado da parede era um pouco mais confortável. Woo Hyunse olhou para os dois lados alternadamente e prontamente se deitou perto do banheiro, onde Kwon Siyul pretendia dormir. Seus pés e até os tornozelos ficavam para fora do cobertor. Teve que dobrar os joelhos, já que as solas dos pés tocavam a parede.
— É menos frio perto da parede.
— Por que você está deitado tão longe?
Woo Hyunse esticou o braço. Agarrou o cobertor de Kwon Siyul e puxou devagar. Kwon Siyul arrancou seu cobertor de volta da mão do outro homem.
— Não.
— Vamos lá. Você disse que está frio.
— Eu disse não.
Até balançou a cabeça. Diante da recusa firme, Woo Hyunse soltou um pequeno suspiro. Então, abraçando o travesseiro como um bicho de pelúcia, se virou completamente em direção a Kwon Siyul. Sob seus cílios particularmente densos, seus olhos pareciam brilhar. Olhou para cima, para Kwon Siyul, com umidade nos olhos.
— Não consigo dormir.
“…”
— Não durmo direito desde que você foi embora, senhor Kwon Siyul. Dizem que é insônia, mas o remédio para dormir não parece funcionar em mim.
Ele devia ter cortado as palavras e dito que aquilo não era da sua conta. Mas Kwon Siyul só se encolheu e não conseguiu realmente se afastar de Woo Hyunse. Ouvindo isso, o outro homem parecia ter emagrecido no tempo em que estiveram separados. Se as olheiras não fossem por causa da luz, mas por falta de sono…
— …Se eu ficar perto, você consegue dormir bem?
— Bem. Teríamos que tentar para saber.
Mais do que dizer que era óbvio, o tom de quem queria experimentar balançou o coração de Kwon Siyul. Ele queria ser até um fio de palha para Woo Hyunse se agarrar. …Porque era só por uma noite. Assentiu com a cabeça relutantemente, como se concedesse permissão.
A distância foi reduzida pela metade. Woo Hyunse pareceu satisfeito com aquilo e não puxou mais o cobertor.
Kwon Siyul deitou de frente para a parede, mexendo os dedos dos pés. Em pouco tempo, a luz do amanhecer clarearia. Precisava dormir pelo menos algumas horas para o trabalho no dia seguinte. Mas seus sentidos estavam em alerta máximo diante de cada movimento vindo do outro homem. O aroma corporal enchia o quarto, e o som de se virar de um lado para o outro fazia suas pálpebras fechadas se abrirem automaticamente, deixando a sonolência de lado por enquanto.
— Não consegue dormir? — Kwon Siyul perguntou baixinho na escuridão total.
— Um pouco sonolento.
— Então dorme logo.
Ele cuspiu deliberadamente de mau humor. Houve um farfalhar quando Woo Hyunse se virou.
— Acho que conseguiria dormir se o senhor Kwon Siyul segurasse minha mão.
Kwon Siyul fechou os olhos com força, sem responder. Não devia sequer deixar suas pontas dos dedos tocarem Woo Hyunse. Se sentisse aquele calor corporal desnecessariamente, poderia acabar rolando para aqueles braços.
Não demorou muito para Woo Hyunse, que dissera estar um pouco sonolento, adormecer. O som de uma respiração calma podia ser ouvido de trás. Só então Kwon Siyul virou o corpo, deixando de ficar de frente para a parede. Cuidadosamente mudando de posição para não fazer nenhum barulho de roupas ou cobertores farfalhando, olhou para Woo Hyunse.
Acenou a mão acima dos olhos dele. Parecia que Woo Hyunse estava profundamente adormecido. O som da respiração permanecia o mesmo. Apesar de dizer que tinha insônia, ele estava em sono profundo, seja porque Kwon Siyul tinha sido eficaz, seja porque tinha sido pura mentira que não conseguia dormir.
Cuidadoso para não acordar o outro homem, prendendo a respiração, traçou as feições de Woo Hyunse com os olhos já acostumados à escuridão. Sobrancelhas retas e grossas, linhas dos olhos longas e profundas, descendo pela ponte do nariz até os lábios.
Os lábios que tinham um sorriso refrescante quando ele ria, e um sorriso suave no rosto. Kwon Siyul fitou por um longo tempo aqueles lábios que afundavam suavemente quando pressionados e voltavam elasticamente. Um lugar que ele deliberadamente nunca olhava quando Woo Hyunse estava acordado.
“…”
Kwon Siyul mordeu os próprios lábios inocentes com força e se virou abruptamente. Como no início, deitou-se de frente para a parede, cruzou os braços com força e fechou os olhos firmemente, franzindo a testa. Precisava conseguir dormir. Precisava adormecer, sem falta.
Uma luz fraca do amanhecer se infiltrou pela fresta das cortinas roídas por traças. Woo Hyunse lentamente abriu as pálpebras. Para alguém que tinha acabado de acordar, seu olhar era claro e afiado. Como alguém que não tinha dormido nem por um minuto.
O braço de Kwon Siyul estava esticado ao lado. Woo Hyunse fitou aquela mão sem expressão na luz fraca, então a segurou como se estivesse segurando uma fina camada de gelo. Puxou-a para perto do rosto e enfiou o nariz nela.
O sutil aroma de glicínia que ele estivera desesperadamente escondendo desde que entrara no quarto finalmente estava se filtrando pela pele. Ele inalou profundamente, sem que o outro percebesse, saboreando-o como fumaça de cigarro, prendendo-o profundamente dentro de si e se embriagando gananciosamente.
Aquele aroma derreteu sua ansiedade. Raspou a inquietação espinhosa e trouxe de volta o sono que tinha fugido para longe e não voltara.
Assim como tinha percebido de repente no beco sujo e estreito, outra percepção veio a Woo Hyunse naquele momento.
Sem Kwon Siyul, vou passar a vida inteira sem dormir direito.
Vou viver mastigando só arrependimento e perda, nunca completo.
Ele é indispensável.
Sem Kwon Siyul, tanto o presente quanto o futuro eram completamente sem sentido.
Não era só a cabeça falando, mas instinto. Aquela intuição bestial já tinha salvo Woo Hyunse inúmeras vezes na encruzilhada entre a morte e a vida.
Kwon Siyul fez um pequeno som e se virou. Felizmente, sua mão não escorregou. Woo Hyunse segurou aquela mão firmemente e fechou os olhos.
Aquilo bastava, por enquanto.
Era um sono profundo, depois de muito tempo.
As pálpebras de Kwon Siyul se contraíram. Seus cílios tremeram, e seus olhos se abriram lentamente. Seus olhos, ainda sonolentos, estavam completamente vazios.
Kwon Siyul piscou algumas vezes e olhou para cima. Uma palma grande fazia sombra sobre seus olhos. Tornou-se uma cortina, bloqueando a luz que entrava pela janela. Depois de olhar para as linhas profundas e longas na palma, ele virou a cabeça.
— Dormiu bem?
Woo Hyunse estava deitado ali, ao lado dele, na cama. Naquela situação parecida com sonho, as sobrancelhas de Kwon Siyul se franziram bruscamente, e os cantos de sua boca se ergueram levemente.
— Sim. E você?
— Graças a você.
A voz de Woo Hyunse ao lado dele estava incomumente vívida. Foi assim que ele soube que era real. Pigarreou, Kwon Siyul limpou a garganta para dissipar o constrangimento.
A cama devia ter sido desconfortável. O cobertor por baixo era tão fino que dava para sentir o chão através dele, e o quarto, já frio, estava mais gelado que o normal por causa da chuva. Apesar disso, a tez de Woo Hyunse estava mais brilhante que o amanhecer. Suas bochechas tinham cor, e seus olhos tinham uma luz clara. Até as olheiras tinham desbotado tanto que mal eram perceptíveis a menos que se olhasse de perto.
— Você vai trabalhar hoje, né?
Woo Hyunse ajeitou o cabelo de Kwon Siyul atrás de sua pequena orelha. Kwon Siyul esfregou o sono dos olhos. Talvez porque ainda não estivesse totalmente acordado, ou porque Woo Hyunse estava ao lado dele, parecia que tinham voltado ao passado. Voltado a quando cumprimentavam a manhã juntos em uma cama aconchegante. Voltado a quando sussurravam bom dia enquanto esfregavam os pés um do outro.
Um lento “Sim” escapou em resposta. A ponta do nariz de Woo Hyunse roçou no de Kwon Siyul. Quando Kwon Siyul franziu a testa, Woo Hyunse naturalmente se afastou, como se nada tivesse acontecido. Não tinha mandado ele se afastar, mas, mesmo sentindo arrependimento, não conseguiu puxá-lo de volta.
— Que horas são?
— Oito horas. Vamos tomar café da manhã juntos.
O trabalho na cafeteria começava às dez. Kwon Siyul esticou os braços para cima, alongando-se completamente. Tensionou o corpo até a ponta dos dedos dos pés, depois relaxou e se sentou.
Saindo da pensão, Kwon Siyul foi primeiro a uma loja de roupas. As roupas que Woo Hyunse tinha vestido ainda estavam úmidas e impossíveis de usar. As únicas coisas do tamanho dele eram uma blusa de moletom preta e uma calça jeans. Preocupado que ele pudesse não querer vesti-las por não serem novas, e sim de segunda mão, Kwon Siyul se surpreendeu quando Woo Hyunse as aceitou prontamente. Aproveitando, também trocou os sapatos sociais por tênis.
— É confortável.
Para algo posto às pressas, o conjunto lhe caía surpreendentemente bem. Com o cabelo naturalmente desalinhado sobre a testa e em roupas casuais, Woo Hyunse parecia muito mais jovem do que sua idade real. Kwon Siyul lutou para conter o olhar de se desviar constantemente para o outro homem e seguiu em frente.
— Sopa de soja está bom?
— Tá.
Pensando bem, não tinha sido em um carrinho de comida o primeiro lugar onde tinham bebido juntos? Kwon Siyul rapidamente mordeu o lábio inferior para se impedir de rir alto. Sentiu-se patético por seu coração infantilmente animado, mesmo tentando agir com indiferença sobre tudo aquilo.
O restaurante não ficava longe da loja de roupas. Embora o exterior fosse humilde e o interior apertado, as habilidades culinárias do dono eram bastante boas e os acompanhamentos eram fartos. Sendo ainda de manhã cedo, Woo Hyunse e Kwon Siyul eram os únicos clientes dentro do restaurante. Pegaram uma mesa um pouco afastada da cozinha.
— A comida daqui é boa. Eu costumava vir às vezes com o Yuwon.
— Sério?
A sopa saiu rápido depois de pedirem. Esperaram a sopa borbulhante na panela de barro esfriar um pouco. Enquanto isso, beliscaram o delicioso kimchi de rabanete cortado em cubos, os vegetais e as salsichas rosadas que não tinham sido servidas quando Kwon Siyul veio ali com Kwon Yuwon.
O dono olhou para Woo Hyunse ao anotar o pedido e acrescentou um acompanhamento extra, dizendo que nunca tinha visto um homem tão bonito em toda sua vida.
— Está do seu agrado?
— Tá.
Kwon Siyul expressou alívio, dizendo que tinha se preocupado que pudesse não estar. Vendo Woo Hyunse acenar com a cabeça, Kwon Siyul também pegou a colher.
A tigela de Woo Hyunse esvaziou primeiro. Sentindo um olhar fixo nele, Kwon Siyul rapidamente limpou a boca com um guardanapo, pensando que pudesse ter grãos de arroz grudados. Mas por mais que esfregasse, nada saía.
— Tem alguma coisa no meu rosto?
— Não.
— Então por que fica olhando para mim assim?
— Porque eu quero olhar para você.
As palavras inesperadas fizeram seu rosto esquentar. Parecia que faíscas voavam onde quer que aquele olhar tocasse. Kwon Siyul baixou profundamente a cabeça e mexeu a sopa desnecessariamente, mesmo que já tivesse esfriado.
— Senhor Kwon Siyul — Woo Hyunse chamou suavemente. Kwon Siyul ergueu a cabeça como se estivesse em transe. Sempre que e onde quer que ouvisse aquela voz, ele se viraria instintivamente, mesmo andando na rua.
— Estou planejando cancelar meu noivado.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna