• Capítulo 107
Capítulo 107
O brilho do poste se insinuou nos olhos de Kwon Siyul. Eles incharam, cheios de umidade que molhou seus cílios antes de rolar para baixo. Ele mal tinha chorado durante todo aquele tempo, mas Woo Hyunse arruinou tudo. As lágrimas fluíam constantemente, como se seus dutos lacrimais estivessem quebrados.
Ele limpou a garganta engasgada com um “Por quê”.
— Por que, por que está dizendo isso agora? Por que só agora? Por quê?
Woo Hyunse mais uma vez usou a gentileza como arma para apunhalá-lo repetidamente. Era por isso que Kwon Siyul não conseguia reduzir nem uma colher de chá do afeto que sentia pelo outro homem. Por mais que se esforçasse para se distanciar, seus sentimentos só cresciam mais profundos, nunca diminuindo nem um pouco.
Queria abraçá-lo. Ao mesmo tempo, queria empurrá-lo para longe. Incapaz de fazer nenhum dos dois, Kwon Siyul desabou no lugar.
Me ame mais.
Me ame o suficiente para nem pensar em casamento.
Eu posso te amar muito mais.
Se ao menos você fizesse isso, eu não soltaria sua mão nem até o momento da minha morte.
Incapaz de expressar nenhum desses pensamentos dentro de si, Kwon Siyul só conseguiu chorar. Não queria mostrar uma cena tão patética, mas seus olhos não secavam de jeito nenhum. Aquela única frase sobre amor tinha aberto as comportas dentro de seus olhos.
Agora ele entendia. Aquela frase era a única coisa que tinha desejado desesperadamente durante todo esse tempo.
— Eu realmente te odeio, hyung.
Incapaz de expressar outros ressentimentos ou rejeitá-lo friamente, Kwon Siyul só conseguiu resmungar como fizera no primeiro dia em que Woo Hyunse o confinara. Ele não retribuiu as palavras de amor. Era o jeito de Kwon Siyul manter seu orgulho.
Woo Hyunse se ajoelhou e sentou-se cara a cara com ele. Estendeu a mão com muito cuidado, como uma criança que tinha feito algo errado. Kwon Siyul virou a cabeça bruscamente, recusando. Woo Hyunse, os dedos curvando-se no ar, tentou arduamente encontrar o olhar de Kwon Siyul.
— Nunca estive nessa situação antes, então não sei o que fazer. O que eu faço agora? Sênior Kwon Siyul, me diz.
Como se tentasse suavizar o clima, Woo Hyunse chamou Kwon Siyul de “sênior”, como fizera uma vez na cama. Sua voz desesperada de fato soava como uma criança pedindo orientação.
Ele não devia ceder agora. Relembrando todas as dificuldades que havia suportado, Kwon Siyul cerrou os punhos com força. Mordeu o lábio inferior dolorosamente, esforçando-se para estabilizar seu coração vacilante.
Mas.
Kwon Siyul olhou para Hyunse. O outro observava ansiosamente seus lábios, esperando o que pudesse sair deles. Seu olhar firme parecia perfurar através dos sentimentos internos cuidadosamente escondidos de Kwon Siyul.
Normalmente sempre sorrindo com compostura, não era injusto aquela expressão, como a de um cachorrinho encharcado de chuva?
Mexendo os dedos dos pés, molhados pela chuva espirrada, Kwon Siyul murmurou em uma vozinha, — Bem, por enquanto… — Ele sabia que não podia manter Woo Hyunse ajoelhado no chão frio para sempre.
— Entra.
— Deixa eu passar a noite.
Woo Hyunse exigiu descaradamente. Kwon Siyul obviamente disse não. Tinha oferecido um lugar para ele ficar até a chuva parar, não um convite para passar a noite. Parecia estranho passar a noite juntos em uma relação que já era difícil de definir. Enquanto Kwon Siyul balançava a cabeça, Woo Hyunse acrescentou com um sorriso: — Não vou fazer nada.
Quantas vezes ele já tinha dito isso e depois o atormentado a noite inteira? Mesmo enquanto o olhava com descrença nos olhos, Woo Hyunse já tinha entrado no quarto a passos largos. Sua cabeça quase tocava o teto. Era tão alto que sua coroa roçava na luminária saliente.
Kwon Siyul poderia tê-lo expulsado se quisesse, mas olhando para fora, ainda chovia fraco. Kwon Siyul soltou um suspiro profundo. Não era cruel o suficiente para mandar embora alguém que tinha ficado completamente encharcado antes.
Só um dia estaria tudo bem, certo?
Só uma noite.
Deixá-lo ficar não significava que tinha aceitado Woo Hyunse completamente. As feridas que tinha recebido ainda eram vívidas demais para apagar tudo com uma única frase, nem sequer tinham cicatrizado ainda.
Não havia escova de dentes sobressalente em casa. O outro homem também precisava de água engarrafada. Água da torneira estava bem para Kwon Siyul, mas ele não podia oferecer o mesmo para Woo Hyunse. Enquanto Kwon Siyul vestia o casaco para sair rapidamente, Woo Hyunse de repente agarrou a barra do casaco dele. Como se Kwon Siyul pudesse deixá-lo para trás.
— Aonde você vai?
— Comprar uma escova de dentes. Não tenho uma para você.
— Eu vou pegar.
— Então vamos juntos.
Havia só um guarda-chuva. Kwon Siyul olhou alternadamente entre os ombros largos de Woo Hyunse e o guarda-chuva. Não querendo molhar ainda mais a pessoa já encharcada, ofereceu-o a ele.
Enquanto caminhavam na chuva, o guarda-chuva se inclinava constantemente para o lado de Kwon Siyul. Kwon Siyul continuava olhando para o ombro do outro homem, que ficava mais encharcado e escurecia progressivamente. Mesmo quando empurrou o cabo do guarda-chuva na direção dele dizendo que estava bem, Woo Hyunse balançou a cabeça.
— Já estou encharcado de qualquer jeito, então não importa.
O caminho até a loja de conveniência parecia longo e curto ao mesmo tempo. Diferente de antes, quando estava instável e oscilante, o cheiro corporal de Woo Hyunse tinha se acalmado. Aquele aroma sutil se misturava com a névoa nebulosa deixada pela chuva, penetrando na pele como umidade.
Ao chegar na loja de conveniência, ele colocou um novo barbeador e escova de dentes na cesta. Kwon Siyul olhou para as costas de Woo Hyunse, então, pensando que a roupa de baixo dele também devia estar encharcada, pegou um par novo também. Dar uma roupa velha seria desconfortável, e mais importante, o tamanho não serviria. Será que a panturrilha dele caberia sequer em um buraco de perna?
Enquanto colocavam os itens no balcão, Woo Hyunse pousou a água engarrafada e as bebidas que estava segurando. Kwon Siyul baixou os olhos. Era o iogurte líquido que ele costumava beber.
— Você não bebe isso, hyung.
— Bebo agora.
— Não gostava de coisas doces?
— …Acho que sim.
Woo Hyunse olhou para a bebida e riu baixinho. O olhar de Kwon Siyul se demorou longamente nos cantos de sua boca, que se erguiam com facilidade.
— Devo ter ficado viciado nesse meio tempo.
Como se para provar isso, Woo Hyunse abriu a bebida assim que saíram da loja de conveniência. Bebeu de uma vez, sem se abalar, mas ainda assim franziu o nariz. Mesmo com desculpas sobre o gás ser forte, não havia como enganar Kwon Siyul. Aquela era a expressão que se fazia ao forçar algo desagradável.
— Viu? Você não gosta.
Puhaha — Kwon Siyul finalmente não conseguiu se segurar e explodiu em risadas. Vendo Woo Hyunse franzir a testa depois de teimosamente tomar um gole de algo que não gostava, era impossível não rir.
Por quanto tempo riu assim, segurando o estômago? Até lágrimas se formaram em seus olhos. Sentindo um olhar aguçado espetar sua bochecha, enxugou as lágrimas e virou a cabeça. Woo Hyunse o observava em silêncio.
Já tinha visto rostos sorridentes inúmeras vezes, mas aquele era um pouco diferente. Mais gentil, doce, e os olhos espiando através daquele sorriso levemente contido pareciam capazes de derreter uma pessoa. O aroma corporal que o envolvia não era mais como uma floresta de inverno, mas mais próximo de um aroma doce de mel.
Pigarreou, Kwon Siyul limpou a garganta e conteve o riso. Suas orelhas estavam queimando. Cobriu-as levantando o capuz.
— Me dá aqui. Eu bebo.
Woo Hyunse prontamente entregou a bebida. Kwon Siyul a bebeu deliberadamente de uma vez. Fazia tempo que não tomava aquela bebida. O sabor não tinha mudado nem um pouco desde a primeira vez até agora. Ainda estava doce como sempre.
Talvez porque tivessem compartilhado uma risada na loja de conveniência, estar sozinho com Woo Hyunse no quartinho não era tão constrangedor quanto antes. Kwon Siyul estava assistindo à TV sem som quando virou a cabeça ao som da porta do banheiro se abrindo.
Woo Hyunse saiu depois de tomar banho. Vendo seu cabelo molhado, Kwon Siyul de repente quis pegar um secador de cabelo e secá-lo para ele. Toda vez que fazia isso antes, Woo Hyunse estreitava os olhos e sorria contente, como um gato tomando sol no chão ensolarado.
Mas eles não podiam usar um secador de cabelo àquela hora tardia na pensão. As pessoas bateriam nas paredes reclamando do barulho, ou às vezes até viriam diretamente xingar e gesticular. Embora continuasse fingindo esquecer que não estavam mais naquele tipo de relação, para Woo Hyunse, que o olhava como se esperasse algo, Kwon Siyul balançou a cabeça.
— Só seca com a toalha. Não podemos usar secador aqui.
Woo Hyunse esfregou o cabelo molhado com a toalha, o toque tingido de arrependimento. Secaria rápido de qualquer jeito, já que seu cabelo era curto.
Enquanto isso, Kwon Siyul arrumava diligentemente a roupa de cama. Tinha tentado conseguir mais com a dona da pensão, mas eles tinham acabado. Então, com apenas dois cobertores no total, deu o cobertor fofo de cima para Woo Hyunse usar como colchão. Colocou o próprio cobertor a uma distância de um travesseiro de Woo Hyunse.
Apesar de comprar roupa de baixo nova, não servia em Woo Hyunse. Sem outra escolha, Kwon Siyul encontrou umas calças folgadas que tinha guardado por serem grandes demais para ele e as entregou. Mesmo em Woo Hyunse, elas ficavam apertadas nas coxas.
Kwon Siyul tentou ao máximo não olhar naquela direção. Mas as pernas firmes e o contorno inevitável da parte de baixo do corpo continuavam a tentá-lo.
Aproveitando o momento em que Woo Hyunse se virou, Kwon Siyul balançou a cabeça e beliscou a própria coxa com força. A dor aguda imediatamente o trouxe de volta aos sentidos.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna