• Capítulo 106
Capítulo 106
Woo Taeju, com as bochechas coradas de tanto beber, se agarrou a Kwon Siyul com um sorriso largo no rosto.
— Hyung, por que está bebendo sozinho depois de vir até aqui? Ah, seu copo está vazio. Deixa eu servir mais para você.
— Não, tá tudo bem. Já bebi o suficiente.
— Vamos, só mais um. Que tal?
Embora Kwon Siyul quisesse evitar, Woo Taeju o puxou para perto, como se para protegê-lo mesmo entre rostos familiares, e pegou a garrafa para servir mais bebida. Por mais que Kwon Siyul torcesse o corpo, o aperto de Woo Taeju em seu ombro não afrouxava, sua força embriagada parecendo aumentar. A pressão no braço de Kwon Siyul estava ficando dolorosa.
— Por favor, solta um pouco…
Tentando não estragar o clima, Kwon Siyul forçou um sorriso e começou a falar. Mas antes que pudesse terminar, a porta se abriu com um estrondo. Os olhos de Kwon Siyul se arregalaram diante do cheiro familiar que invadiu o ambiente.
Será que estou sonhando? Woo Hyunse entrou a passos largos, os olhos fixos em Kwon Siyul antes de se voltarem para Woo Taeju, que tentava se levantar ao seu lado.
Instintivamente, Kwon Siyul cobriu o nariz, mesmo sabendo que não era um cheiro que conseguia sentir fisicamente. Em um instante, Woo Hyunse se aproximou, agarrou a nuca de Woo Taeju e bateu sua cabeça contra a mesa.
O rosto de Woo Taeju se contorceu de dor. Mais um golpe e seu aniversário poderia virar o aniversário de sua morte. Suportando o cheiro de Woo Hyunse, agora quase tão pungente quanto sangue, Kwon Siyul pulou do lugar e agarrou o pulso de Woo Hyunse.
Mal conseguindo deter Woo Hyunse, Kwon Siyul escapou dali. A conversa deles no beco foi sem sentido. Repetiram tediosamente histórias que já tinham acabado. Era como coçar feridas que não tinham cicatrizado, causando dor e sangramento desnecessários.
Kwon Siyul não mencionou ter conhecido a família de Woo Hyunse. Na verdade, quis trazer o assunto várias vezes. Sua garganta se apertou com o desejo de colocar toda a culpa em Woo Hyunse.
Mas Kwon Siyul acabou engolindo a humilhação que tinha sofrido. Só disse que nunca deveriam se ver de novo, palavras que não correspondiam aos seus verdadeiros sentimentos. Forçou as lágrimas de volta arregalando os olhos. Não podia mostrar a Woo Hyunse mais desse lado patético de si mesmo.
‘Já resolvi tudo agora. Eu não… gosto de você. Nem um pouco.’
Ele não devia ter vindo para aquela confraternização, afinal. Cheio de arrependimento, Kwon Siyul deixou Woo Hyunse parado ali e saiu do beco. Queria olhar para trás tanto quanto tinha feito no dia em que calçou os sapatos de Woo Hyunse e saiu. Mas não fez isso. Cerrando os punhos tão fortemente que as unhas cravavam na palma, ele se afastou de Woo Hyunse, que estava imóvel. Custou tudo que tinha para não se virar.
As lágrimas que tinha segurado finalmente irromperam depois que se afastou uma certa distância do beco. Mesmo enquanto as enxugava, elas continuavam caindo incessantemente, sem dar tempo para as mangas de Kwon Siyul secarem. Eventualmente, tornou-se cansativo demais até erguer as mãos, então ele simplesmente deixou as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto.
Não conseguia pegar o ônibus. Não queria enfrentar os olhares curiosos ou de pena de estranhos. Em vez disso, passou muito tempo fungando em um ponto de ônibus vazio, só parando depois que o vento noturno ainda frio tinha esbofeteado repetidamente suas bochechas.
Seu celular estava desligado. O celular que Woo Hyunse tinha lhe dado durava facilmente dois dias sem carregar, mas seu modelo antigo entrava automaticamente em modo de descanso depois de apenas meio dia. Enfiou o dispositivo inútil no bolso, sem cuidado, e continuou andando.
Alternando entre metrô e ônibus, chegou ao distrito da pensão. Kwon Siyul cambaleou e se encostou em uma parede. Não queria entrar imediatamente. Depois de esfregar grosseiramente o rosto onde as trilhas de lágrimas tinham secado, deslizou até o chão perto do portão de ferro enferrujado e sentou-se ali.
“Que idiota” — praguejou consigo mesmo, remexendo nos bolsos. Tirou um cigarro e o levou aos lábios, mas então uma gota d’água caiu em sua testa. Olhando para cima, viu pingos de chuva começando a cair, um por um. O cheiro de terra úmida misturado com poeira começou a se insinuar.
Sem outra escolha, guardou o cigarro de volta e entrou na pensão. Normalmente haveria roncos altos, mas naquela noite estava estranhamente silencioso, como se todos ainda estivessem por aí, se divertindo.
Kwon Siyul entrou em seu quarto e se deitou no chão sem acender a luz. Enquanto encarava o teto, seus olhos secos ficaram úmidos. Sempre tinha sido propenso a chorar, mas desde que virou as costas para Woo Hyunse, os dias em que chorava tinham se tornado numerosos demais para contar nos dedos.
Chorava à menor provocação. Acordava com as bochechas úmidas, e mesmo durante breves pausas no trabalho, uma lágrima rolava por seu rosto.
Isso não está certo, pensou. Tinha decidido não chorar mais, mas se consolava com o pensamento de que não tinha problema, já que ninguém estava vendo.
Woo Hyunse tinha sido cruel.
Se ao menos tivesse dito com a própria boca que era o fim, ele poderia ter empurrado Kwon Siyul para longe friamente, prevenindo qualquer apego duradouro. Em vez disso, jogava pedaços de atenção como restos de comida para um cachorro faminto.
Um momento estava furiosamente bravo com Woo Taeju, no seguinte dizia a Kwon Siyul para se mudar para a casa que tinha preparado com antecedência. Suas reivindicações descaradas de posse na frente dos outros eram como água e sal — o pão de cada dia que Kwon Siyul, sedento por afeto, sedento por Woo Hyunse, tinha que consumir para sobreviver.
Eu devia parar, devia acabar com isso, se repreendia, se irritava, culpava tudo no outro, mas os sentimentos dentro dele não diminuíam nem por um grão de areia. Permaneciam tão vastos quanto uma montanha. Tentar remover até mesmo uma colher de chá deles era tão doloroso quanto cortar um pedaço de carne.
Kwon Siyul fechou os olhos com força. Mas mesmo na escuridão atrás de suas pálpebras, aquela pessoa estava gravada ali. A comida que comia, as roupas que vestia, o jeito que andava, até mesmo seu sono — tudo tinha sido domesticado por Woo Hyunse. Não havia lugar, dentro ou fora, que não carregasse a marca do outro homem.
As memórias não estavam gravadas em lugares reais. Estavam gravadas em seu corpo e alma.
“…”
As lágrimas ficaram maiores. Kwon Siyul baixou a cabeça. Manchas escuras se espalharam pelo travesseiro velho.
Ainda assim, Kwon Siyul era grato a Woo Hyunse. Por tê-lo permitido escrever uma página brilhante em sua vida, de outra forma miserável.
A chuva pesada batia no teto fino da pensão com um chiado alto. O som incessante da chuva batendo no telhado de metal fez as pálpebras de Kwon Siyul se contraírem. Seus olhos se abriram lentamente, ainda turvos de sono.
Ele não sabia quando tinha cochilado. Ergueu a cabeça pesadamente do travesseiro e olhou pela janela. Pingos de chuva desenhavam linhas caóticas pelo vidro.
Uma olhada no celular mostrou que já passava das 2 da manhã.
Nessa hora, pensamentos sobre Woo Hyunse inevitavelmente vinham à superfície. Ele era como uma raposa domesticada. Embora soubesse que devia esquecer agora, Kwon Siyul não tinha nem a menor confiança de que isso fosse possível. Cobriu os olhos com o antebraço, esforçando-se para apagar até mesmo a imagem residual daquele homem.
Foi então que ouviu batidas pesadas na porta. Kwon Siyul, que estava encarando o chão, estremeceu com o som inesperado. Pensando que pudesse ser um bêbado que tinha errado o lugar, permaneceu quieto.
A batida veio de novo. Era firme, mas não forte o suficiente para quebrar a porta. Enquanto Kwon Siyul permanecia em silêncio, uma voz suave se esgueirou pela fresta da porta: — Sou eu.
Kwon Siyul se sentou abruptamente. Woo Hyunse tinha vindo. Seria imaginação sua? Ou seria um sonho? Ele bateu na própria bochecha manchada de lágrimas com a palma, fazendo um som seco, só então percebendo que não era um sonho.
Enquanto hesitava, imaginando o que fazer e se deveria fingir que não estava ali, Woo Hyunse bateu de novo do lado de fora. Parecia provável que continuasse batendo até Kwon Siyul abrir a porta. Pensando que isso poderia acordar todo mundo, Kwon Siyul finalmente segurou a maçaneta depois de alguma hesitação.
Woo Hyunse permaneceu imóvel. Em vez de entrar no quarto, ficou parado como uma estátua. Tendo sido pego na chuva, gotas límpidas caíam de seu cabelo, queixo e mangas.
Da primeira vez que Woo Hyunse tinha vindo procurá-lo, também tinha ficado do lado de fora do portão, sem entrar. Woo Hyunse parado no beco estreito ladeado de lojas parecia flagrantemente fora de lugar.
— Por quê…?
A voz de Kwon Siyul embargou. Ele olhou para cima, molhando a garganta seca com saliva. O olhar que o encarava de cima era escuro. A luz fraca do poste, além do muro, projetava sombras nas pálpebras e bochechas de Woo Hyunse.
— Eu…
Kwon Siyul fitou Woo Hyunse, sem entender. O outro esfregou o rosto com a mão molhada, parando no meio da frase. Parecia que queria cuspir alguma coisa, mas as palavras pareciam presas em sua garganta, que ele também segurava com força. Incaracteristicamente, repetiu: — Eu…
Kwon Siyul deu um passo para trás. Advertiu a si mesmo de que não devia ceder. Que devia rejeitar Woo Hyunse friamente, independentemente de ele ter segundas intenções ou algo mais a dizer. Talvez pensando que Kwon Siyul estava tentando evitá-lo, Woo Hyunse rapidamente segurou a porta para mantê-la aberta.
— …Eu devia ter te dito que me apaixonei por você à primeira vista, em vez daquela besteira de “vamos dormir juntos”…!
E então ele soltou as palavras como uma metralhadora. Kwon Siyul, que estava virando-se, congelou. Olhou para cima, para Woo Hyunse, de boca aberta. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Era algo que nunca tinha ouvido em todo o tempo que passara com Woo Hyunse.
— Eu não conseguia dizer que gostava de você. Ou que te amava. Devia ter dito isso primeiro. Eu, eu, para você…
Será que Woo Hyunse já tinha gaguejado antes? Será que já tinha hesitado? Mesmo enquanto esfregava o próprio queixo grosseiramente, não tirava os olhos de Kwon Siyul.
— Percebi tarde demais que te amo.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna