• Capítulo 105
Capítulo 105
— O que você é para mim?
A resposta inesperada fez Woo Hyunse, que estava olhando para outro lugar, virar a cabeça. Da mesma distância de antes, Kwon Siyul encarou Woo Hyunse com os punhos cerrados com força. Seus olhos estavam gélidos.
— O que você é para mim? Não somos mais nada um para o outro.
— Kwon Siyul.
Ele chamou o nome como se estivesse suspirando. Kwon Siyul tentou passar por ele. Seus passos eram largos e rápidos. Woo Hyunse o segurou para impedi-lo de sair. Kwon Siyul se soltou friamente.
— O que você quer de mim?!
Havia tanta coisa. Tantas coisas que ele gostaria de mencionar, mas não conseguia. Sem saber por onde começar, Woo Hyunse apertou os lábios, tentando organizar seus pensamentos caóticos.
De repente, lembrou-se do secador de cabelo quebrado e de um único fio de cabelo preto e fino grudado no travesseiro, das imagens residuais que não deixavam sua visão mesmo quando se mudava de casa para um hotel. Todas as ações tolas de pegar e largar o celular dezenas de vezes, querendo ouvir a voz de Kwon Siyul, de repassar as mensagens de texto até memorizá-las, e de agarrar as chaves do carro pronto para sair correndo a qualquer momento.
Ele não conseguia se trazer a revelar essas coisas a Kwon Siyul. Eram fenômenos que nunca tinham ocorrido nem mesmo quando sua mãe o deixara.
Kwon Siyul tinha tirado algo dele. Roubado e extorquido. Mas Woo Hyunse ainda não sabia o que era.
Esperando que Woo Hyunse falasse, parado ali como uma estátua, Kwon Siyul soltou uma risada amarga. “Ha…” Uma decepção profunda turvou seus olhos.
— Você me confunde toda vez que faz isso. Não importa o que eu diga, você ainda vai se casar de qualquer jeito. Se você vai me abandonar no final, por que fica me sacudindo assim? Para de brincar comigo. Por favor, só para.
Será que ele já tinha brincado com Kwon Siyul? Será que já tinha pensado em abandoná-lo?
Certamente começou como interesse, a princípio. Vamos brincar com esse garoto jovem e inexperiente que não tem ninguém para ajudá-lo. Vamos fingir ser um santo e tentar ajudá-lo. Quando essas sensações mudaram?
Quando acordou uma manhã e viu a luz do sol na bochecha de Kwon Siyul, quando Kwon Siyul sorriu radiante para ele, quando ele o chamou de “hyung” pela primeira vez, quando o abraçou gentilmente e ele retribuiu o abraço com ousadia, quando ele continuava tentando se afastar e sair de seus pés, preocupado que pudesse machucá-los.
Todos os momentos, sem exceção.
— Já resolvi tudo agora. Eu não… gosto de você. Nem um pouco.
Mas agora Kwon Siyul dizia que não havia mais nenhum fio conectando-os. Com os mesmos lábios que uma vez confessaram amor, ele agora declarava que não gostava dele.
— Não vou mais te ver. Também não vou me mudar. Não entre em contato comigo nunca mais.
Seus lábios não conseguiram formular uma resposta naquele momento. Kwon Siyul não pertencia mais a ele. No dia em que abriu a porta e saiu, no dia em que colocou os sapatos, Kwon Siyul tinha se libertado da cerca que ele havia construído ao redor dele.
O fato de que ele só tinha reconhecido isso na cabeça agora alcançou o coração. Ele não podia mais fazer nenhuma exigência a Kwon Siyul.
Woo Hyunse e Kwon Siyul não eram mais “nós”, mas “eu” e “você”.
— Estou indo.
Os olhos de Kwon Siyul estavam vermelhos. Ele não derramou lágrimas, mas seu rosto parecia como se estivesse chorando. Woo Hyunse queria abraçá-lo, mas Kwon Siyul passou por ele indiferente. Woo Hyunse não conseguiu se trazer a olhar para trás. Não conseguiu detê-lo. Foi incapaz.
Mesmo depois que o som dos passos se apagou, Woo Hyunse ficou ali, fitando o vazio.
A rua fora do beco estava barulhenta. Mas o espaço entre os prédios, onde Woo Hyunse estava parado, era estranhamente silencioso. Mesmo enquanto se instava a ir embora, dizendo que já tinha acabado tudo, não conseguia dar um único passo, como se raízes de árvore estivessem enroladas em seus tornozelos.
Barulho e luz dos letreiros na rua principal filtravam para o beco, mas não alcançavam onde Woo Hyunse estava. Ele permaneceu na escuridão, encarando infinitamente o lugar onde Kwon Siyul tinha ido embora, como se o outro pudesse voltar, pegar sua mão e puxá-lo para a luz.
Só muito depois foi que percebeu que aquilo era uma ilusão vã. Woo Hyunse tirou o maço de cigarros do bolso. Estava desesperado para fumar desde que estivera com Kwon Siyul. Ao colocar um cigarro entre os lábios, seus dedos segurando-o tremiam levemente. Descobriu que não era por causa do frio.
— Merda — praguejou, cerrando o punho.
Kwon Siyul tinha ido embora. Ele sabia que tinha acabado, mas nunca tinha sido tão claro antes. Seu estômago revirou como se pudesse vomitar. Até inalar profundamente a fumaça para se acalmar era inútil.
Tentou atribuir isso a várias razões superficiais — falta de sono, sobrecarga de trabalho, o álcool que bebera antes — mas sabia a verdade. Era Kwon Siyul quem estava arranhando suas entranhas com garras afiadas.
Tinha pensado arrogantemente que, já que o outro tinha saído primeiro, ele podia simplesmente deixar ir. Não era como se não tivesse passado por términos antes. Acreditava que, conforme o tempo passasse, o vazio desapareceria e que poderia continuar a viver normalmente. Aquilo também era uma ilusão. O que fora possível com os outros era impossível quando se tratava de Kwon Siyul.
Ele não queria deixar ir. Não queria que acabasse.
Aquele sentimento miserável era algo inédito para ele. Sentia como se estivesse caindo infinitamente em um abismo, só para se espatifar ao atingir o fundo com as palavras de Kwon Siyul de que não gostava dele. A dor parecia perfurar seu peito, ameaçando esmagar seu coração junto. O vazio que Kwon Siyul deixou era grande demais. Simplesmente não podia ser preenchido.
Kwon Siyul era uma erva daninha. Uma erva daninha comum que por acaso tinha chamado sua atenção.
Como ervas daninhas costumam fazer, Kwon Siyul tinha, sem que ninguém notasse, espalhado raízes densas profundamente dentro dele. Mesmo sem água, tinha absorvido a luz do sol e crescido vigorosamente por conta própria. Era um dente-de-leão, uma violeta, uma rosa selvagem. Florescendo profusamente à vontade, tinha enchido o campo com seu perfume.
E, no entanto.
Depois de fazer flores desabrocharem abundantemente em seu campo nevado à vontade, Kwon Siyul tinha voado como uma borboleta. E, mesmo assim, ele não conseguia acreditar. Era ele quem tinha sido abandonado.
— …Ah.
Diante da súbita percepção, Woo Hyunse ergueu a cabeça. Ao baixar a mão trêmula, a bituca de cigarro com só o filtro restante caiu no chão.
Aquele era seu castigo. O castigo por perceber tarde demais que aquilo era amor.
***
Kwon Siyul ergueu os olhos para o prédio com a boca aberta. As paredes externas brancas com iluminação azul pareciam ter sido inspiradas em uma cidade do Mediterrâneo. Os carros alinhados no estacionamento e as roupas das pessoas que entravam eram todos elegantes e luxuosos.
Ele tinha pensado que seria um restaurante de churrasco como da última vez, quando disseram que era um jantar da empresa, mas aquele era um lugar completamente diferente. Se soubesse, teria se vestido um pouco mais arrumado. Sentia-se inseguro por ter vindo apenas com um moletom gasto e um casaco desbotado.
Kwon Siyul esfregou a cabeça distraidamente e puxou as roupas, tentando alisar as rugas. Mesmo assim, não se parecia em nada com os outros. Desconfortável com sua aparência humilde, colocou as mãos nos bolsos e mexeu no celular.
Talvez devesse ligar e dizer que algo tinha surgido e que não conseguiria ir. Ainda não era tarde demais, afinal.
Como se enxergasse através da hesitação de Kwon Siyul, o celular em sua mão vibrou. Assustado, ele o puxou para fora e viu o nome de Woo Taeju na tela. Quando atendeu, o outro chamou alegremente, “Hyung!”, cortando através do barulho de fundo.
— Onde você está?
— Ah, já cheguei. Estou na frente da entrada principal.
— Sério? Espera só um instante. Eu vou aí agora.
Foi uma sorte, já que ele se sentia desconfortável em atravessar aquele ambiente sozinho. Logo depois, Woo Taeju saiu correndo. Ofegante, curvou-se diante de Kwon Siyul com as mãos nos joelhos.
— Esperou muito? Ainda está frio lá fora, devia ter saído mais cedo. Vamos entrar logo, hyung.
— Os outros já chegaram?
— Sim, todo mundo veio cedo.
Parecia que ele tinha sido o último a chegar. Apressou o passo, seguindo Woo Taeju, que o instava a andar. Atravessaram corredores e escadas adornados com pinturas e esculturas, chegando ao terceiro andar.
O terceiro andar inteiro era formado por salas privativas. Ao abrirem a porta e entrarem, Yang Hye-na foi a primeira a avistar Kwon Siyul, erguendo a mão bem alto. Sua voz estava cheia de alegria ao chamar.
— Nossa, achei que ia esquecer seu rosto.
— Você tem estado bem?
— Claro! A gente devia manter mais contato.
Não só Yang Hye-na, mas o bartender e o chef também cercaram Kwon Siyul, perguntando como ele estava. O fluxo confortável da conversa era exatamente como quando ele costumava trabalhar no bar. Os lábios de Kwon Siyul, que estavam inconscientemente tensos e rígidos, gradualmente relaxaram.
No entanto, aquela reunião não era completamente confortável. Toda vez que Woo Taeju falava, Kwon Siyul se pegava procurando, sem perceber, semelhanças com Woo Hyunse. Razões para não ter vindo ali afinal continuavam surgindo, fazendo seu lugar parecer uma cama de espinhos.
Embora ele desejasse desesperadamente ir embora logo, Kang Jiwon estava ocupada servindo bebidas a Kwon Siyul, exibindo suas antigas habilidades de misturar bomba de shots. Yang Hye-na também tagarelava sem parar, colocando as histórias em dia depois de tanto tempo sem se ver. Com Woo Taeju se juntando à conversa, sentado ao lado dele como se para impedi-lo de sair, era impossível interromper e se desculpar.
Eu devia dizer que estou indo embora agora.
Enquanto tomava sua bebida, tentando calcular quando seria um bom momento para falar, de repente um braço grosso pousou em seu ombro.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna