• Capítulo 103
Capítulo 103
Apesar de tentar se encontrar discretamente no bar, graças à agenda extremamente ocupada do outro, Woo Hyunse teve que vir pessoalmente até ali. Ao entrar na sala guiado por um funcionário, os sons barulhentos, como explosões repetidas, foram subitamente cortados. Ele pediu bebidas e petiscos por cortesia e se recostou no sofá.
Não queria ter vindo até tão longe quando até respirar parecia incômodo ultimamente. Mas a isca que seu interlocutor tinha jogado era tentadora demais para resistir.
— Consegui um vídeo interessante.
A voz contida estava cheia de malícia perversa. Pela experiência, quando esse desgraçado atraía as pessoas assim, o resultado raramente era bom. Mas como ele não era do tipo que contatava pessoas por questões triviais, Woo Hyunse continuou na chamada que já estava prestes a encerrar.
— Que tipo de vídeo?
— É meio demais para mandar. Vem ver com seus próprios olhos.
— É chato ir e voltar.
— Você que sabe.
A rejeição maliciosa claramente indicava que aquilo não era um assunto comum. Daí sua presença ali agora.
Depois de alguns minutos com os olhos fechados, a porta se abriu. Woo Hyunse ergueu as pálpebras lentamente. A pessoa que o cumprimentou estava com as mãos enfiadas fundo nos bolsos — uma postura bastante imprópria para receber convidados — e olhava para Woo Hyunse com a cabeça inclinada para o lado.
Embora estivesse claramente sorrindo, seus olhos eram ferozes. Talvez parecesse assim por causa de seus cantos de olho especialmente afiados, puxados para cima.
— Por que está chamando uma pessoa ocupada assim? O Diretor Joo não tem nada para fazer esses dias?
— Sua língua ficou comprida para alguém que veio abanando o rabo.
O homem se sentou pesadamente no sofá, a longa cicatriz na ponte do nariz se contraindo. Serviu-se de uma bebida e virou de uma vez. Woo Hyunse olhou para ele brevemente, mas não tentou detê-lo.
— Ouvi dizer que você está se divertindo com um brinquedo novo esses dias? Há rumores de que o Diretor Woo vai se rejuvenescer.
— Esse maldito brinquedo, merda.
Originalmente, ele tinha a intenção de não tocar no álcool. Puxando o copo vazio de volta para perto de si, bebeu de uma vez e sorriu amargamente. Onde é que esse aqui e aquele outro tinham pegado o termo “brinquedo” para usar no lugar errado? Embora não escondesse sua irritação, o outro homem, sem vergonha, comia os petiscos na mesa enquanto mexia no celular ao mesmo tempo.
Apesar de ter vindo até ali, estava sendo tratado pior que um cachorro qualquer. Ainda assim, Woo Hyunse aceitava com generosidade. Sabia que esse desgraçado era assim desde que nasceu.
Sua relação com esse homem, Joo Shindo, vinha de longe. Tinham se conhecido no momento em que ele entrara no mundo subterrâneo, e a história de brigas entre eles era numerosa demais para contar nos dedos das mãos e dos pés. Depois, chegaram até a usar facas, deixando cicatrizes correspondentes — Woo Hyunse na lateral do corpo, o outro no tornozelo. O outro homem tinha mirado o pulmão de Woo Hyunse, enquanto Woo Hyunse tentara cortar o tornozelo do outro.
Passada aquela história sangrenta, agora eram parceiros de negócios. Se as coisas fossem bem, poderiam até começar a se chamar de amigos.
— Que vídeo?
— Não devia tomar algum remédio para o coração antes de assistir? O Diretor Woo pode desmaiar de choque, sendo inesperadamente fraco de coração.
— Só me mostra logo..
Era problemático demais retrucar. Joo Shindo fitou Woo Hyunse por um instante antes de curvar os cantos da boca. Seus olhos estreitados eram tão astutos quanto as pupilas fendidas horizontalmente de uma cabra.
Depois de tocar no celular, Joo Shindo o estendeu diante de Woo Hyunse. Era o vídeo que tinha feito Woo Hyunse vir até ali. Parecia ter sido filmado secretamente, já que as pessoas nele não olhavam para a câmera. Em meio a risadas estridentes, a mesa larga era como uma cena de devassidão.
“…”
As pessoas no vídeo revelavam seus rostos, um por um. Havia muitos rostos familiares. Woo Hyunse lentamente ergueu as costas do sofá e observou o vídeo. Uma luz entrou em seus olhos, que antes não tinham demonstrado nenhum interesse.
Todos estavam nus, nem sequer usando roupa de baixo. Era um vídeo de velhos, que pareciam ter no máximo sessenta anos, brincando lascivamente com jovens que pareciam universitários, enfiados debaixo de seus braços. Não fazia distinção entre gêneros. Alguém jovem se contorcia no sofá como se estivesse drogado, enquanto um corpo velho, de pele flácida, cambaleava em direção àquele homem.
— Já chega.
Joo Shindo pegou o celular de volta e apertou o botão de pausa. Woo Hyunse esfregou o queixo com a mão grande.
Uma risada escapou de seus lábios antes do choque. Era algo e tanto. Sabia que eles jogavam sujo, mas não esperava esse nível de imundície no final. Não havia nada que não tivessem tocado — de orgias a drogas.
— Você mesmo filmou isso?
— Eu disse que consegui.
— De quem?
— Você não devia tentar aprender segredos comerciais.
Se fosse lidar com isso como tinha vivido até então, o jeito certo seria de alguma forma coagir Joo Shindo e apagar aquele vídeo, mas Woo Hyunse não tinha nenhuma intenção disso. No momento em que viu o vídeo, um ponto de exclamação se acendeu em sua mente. Aquilo era, de fato, um tesouro. Precisava colocar as mãos nele a qualquer custo.
— Ei, Joo, me manda essa coisa.
— Ah, Diretor Woo, você acha que negócio é fácil? Como assim eu vou simplesmente te dar de graça? Eu tenho família para sustentar. Preciso trabalhar duro para bancar meus filhos. Eu sou o provedor, sabia.
Joo Shindo estava extremamente exigente. Ele já esperava por isso o tempo todo. Woo Hyunse batucou na mesa como se usasse uma calculadora antes de falar.
— Vou mudar a proporção de distribuição de lucros pelos próximos seis meses.
— Esse desgraçado tentando levar de graça sem nenhuma ética nos negócios. O Diretor Woo acha que dinheiro cresce em árvore? É um milagre que seu negócio tenha durado tanto com essa atitude.
— Doze meses.
— Três anos.
— Dezoito meses.
— Três anos e seis meses. Nem um dia a menos. Ei, estou me sentindo generoso hoje.
Como um verdadeiro bandido, ele estava tentando conseguir algo de graça com apenas um vídeo. Normalmente, esse tipo de proposta levaria a insultos, mesas viradas e socos, mas agora Woo Hyunse era quem precisava. Dado o temperamento de Joo Shindo, prolongar a conversa só resultaria nele exigindo mais. Woo Hyunse ergueu a mão para sinalizar concordância.
Ainda assim, não conseguia deixar de sentir que aquele era um péssimo negócio. Até mesmo um ano já seria uma perda significativa, quanto mais três anos e meio. Sentindo-se irritado, jogou a bebida em sua mão em direção ao outro homem. Apesar de ter os olhos grudados no celular, Joo Shindo conseguiu desviar, inclinando a mão levemente.
— Você é quem não tem ética nos negócios, seu filho da puta. Tentando espremer uma pulga inocente até secar com só uma cópia, nem sequer o original.
— O que eu faria com seu fígado, Diretor Woo? Fazer sopa? Eu não como essas coisas. Você sabe disso.
— Achei que você tinha começado a comer recentemente?
— O jovem mestre não gosta.
— Desgraçado louco…
Woo Hyunse estava genuinamente enojado. Joo Shindo conseguia olhar para as entranhas se contorcendo de outros seres humanos sem problema, mas parecia que faria um escândalo até mesmo se o jovem mestre cortasse levemente o dedo.
No início, Woo Hyunse pensou que brincaria com aquela personalidade horrível até se entediar e depois o descartaria, mas por algum motivo do passado, Joo Shindo se apegava obsessivamente a uma pessoa. Woo Hyunse estava tanto chocado quanto divertido com a notável mudança em seu amigo — ou melhor, seu inimigo-amigo — que costumava ser indiferente a tudo.
Joo Shindo, que estava olhando para a tela sem dar a menor atenção a Woo Hyunse, de repente colocou o celular no ouvido. O rosto de Woo Hyunse se contorceu enquanto os comentários mordazes característicos de Joo Shindo explodiam.
Quando ele começou a divagar sobre as atividades noturnas dos dois homens — algo que Woo Hyunse nem queria saber nem ouvir — Woo Hyunse não aguentou mais e lavou as orelhas com álcool usando a palma da mão. Mesmo que ardesse, desinfetar os ouvidos das palavras vulgares tinha prioridade.
— Estou indo agora, então espera lá fora. …Como assim não pode? O quê? Não consegue inventar uma desculpa? Quer que eu incendeie o prédio?
Woo Hyunse já sabia havia muito tempo que Joo Shindo era louco, mas parecia que sua loucura piorava dia após dia. Talvez algum dia precisasse interná-lo em uma instituição mental ele mesmo. E então, como o único são que restaria, teria que cuidar das ações restantes.
Joo Shindo desligou abruptamente e se levantou. Conferiu o isqueiro no bolso como se realmente pudesse incendiar algo. Woo Hyunse pensou que teria sido melhor para a sociedade se esse desgraçado não gostasse de pessoas, e enviou suas sinceras condolências àquele jovem mestre que tinha que aturar uma coisa dessas.
Ao mesmo tempo, Woo Hyunse entendia. Conhecia a emoção por trás de todas aquelas ações loucas — mudar à força a natureza de alguém, carregar um isqueiro para possivelmente incendiar uma empresa.
Ao surgir aquela palavra em sua consciência, sentiu um gosto amargo na boca. Era como ficar acordado nas primeiras horas da madrugada, encarando o teto desconhecido de um hotel com os olhos abertos. Sentindo-se vazio, irritado, abatido, exasperado—
E sentindo falta de alguém como um louco.
Ele se ressentia do fato de que aquela pessoa não estava ao seu lado naquele momento. Só memórias não eram suficientes. Precisava segurar os pulsos e tornozelos do outro, ser envolvido em seus braços, embriagado pelo seu perfume, acariciar seus cabelos macios, e se enrolar ao seu redor como uma serpente, entrelaçados como um único caule. Só assim aquela sede infinita parecia poder ser saciada, mesmo que só um pouco.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna