• Capítulo 101
Capítulo 101
— Me solta!
Kwon Siyul usou toda a força que tinha para tentar se livrar dos homens. Só precisava de uma pequena brecha, mas aquelas pessoas pareciam habilidosas nesse tipo de coisa e o dominaram com facilidade. Uma mão tampou sua boca para abafar seus gritos. O homem de terno suspirou levemente ao ver Kwon Siyul se debater entre eles.
— Eu sei que você não acredita em mim, mas nós realmente não pretendemos te machucar. Então só venha quieto.
Esperando que ele acreditasse nisso depois de tê-lo agarrado daquele jeito, Kwon Siyul se debateu violentamente. Por mais que todo o seu corpo se contorcesse, não conseguiu se libertar dos dois homens muito maiores que ele. No fim, foi arrastado pelo beco com os braços presos como um criminoso.
Fiel à palavra do homem, eles não bateram nem ameaçaram Kwon Siyul. O ato de levá-lo à força já era uma ameaça em si, mas depois disso, apenas o sentaram no meio do banco de trás e dirigiram em silêncio. O carro finalmente parou em frente a uma mansão com muros altos, como uma fortaleza.
— Onde é isso?
— Você vai saber quando entrar.
— Por favor, me diga. Eu vim quieto, não vim?
O homem olhou para Kwon Siyul. Tentando não parecer intimidado, Kwon Siyul manteve o pescoço deliberadamente ereto.
— É a casa da família do jovem mestre. Do senhor Woo Hyunse.
O homem respondeu com mais um suspiro diante das perguntas repetidas de Kwon Siyul. Parecia improvável que ele fosse ouvir, por mais vezes que Kwon Siyul dissesse que não tinham mais nenhuma ligação.
— Entre.
O homem empurrou as costas de Kwon Siyul, forçando-o a ir na frente, caso tentasse fugir de novo. Empurrado para a frente, Kwon Siyul atravessou o gramado e parou diante da porta da mansão. Enquanto a paisagem parecia saída de uma pintura, aos olhos de Kwon Siyul aquilo parecia a beira de um precipício. Enquanto Kwon Siyul hesitava, o homem abriu a porta para ele.
O homem deixou Kwon Siyul e teve uma breve conversa com outra pessoa. Ele começou a dizer “Eui—”, mas então, parecendo notar o estranho ali, mudou o título para “Presidente”. Kwon Siyul aguçou os ouvidos, mas era difícil entender a conversa sussurrada ao seu redor.
Depois de terminar a conversa, o homem levou Kwon Siyul por um caminho nos fundos. Atravessando uma trilha cheia de pinheiros, revelou-se um prédio separado que estivera escondido atrás da casa principal. Diferente do prédio principal, moderno, aquela era uma casa tradicional coreana, silenciosa.
“…”
Na entrada da mansão, a casa de hóspedes era tão silenciosa que parecia engolir até o som. Kwon Siyul realmente não queria entrar. Se o homem não estivesse parado atrás dele feito um fantasma, ele teria tentado fugir de algum jeito.
Instigado pelo homem, Kwon Siyul entrou relutantemente. Apesar da luz forte do sol que entrava por todos os lados, o lugar parecia estranhamente assustador. Esfregando os braços arrepiados, Kwon Siyul se virou conforme o homem indicou.
— Presidente.
O homem se curvou profundamente. Embora devesse ter ouvido o chamado, aquele a quem chamaram de Presidente manteve as costas viradas, absorto no ato de podar um bonsai. Um galho bastante grosso se soltou limpamente, cortado pela tesoura afiada em sua mão. O galho caindo parecia exatamente com a cabeça de uma pessoa caindo no chão, e Kwon Siyul, sem perceber, cobriu o próprio pescoço com a mão ao ver aquilo.
Levou um bom tempo até que o Presidente finalmente se virasse. Kwon Siyul tinha se perguntado se ele seria o pai de Woo Hyunse, já que aquela era dita ser a casa da família Woo, mas o homem diante dele não se parecia nada com Woo Hyunse. Enquanto a aparência de Woo Hyunse ao menos parecia gentil e bondosa, aquele homem parecia completamente desprezível de qualquer ângulo que se olhasse.
Sobrancelhas ralas, olhos parecidos com casas de botão, nariz fino e adunco, lábios de expressão maldosa e queixo estreito. Se fosse preciso achar uma semelhança, seria mais parecida com a de um rato.
Absorto em observá-lo, Kwon Siyul esqueceu de cumprimentá-lo. O Presidente caminhou até ele. Desafivelou o relógio de pulso e o entregou ao homem ainda curvado ao seu lado. No instante em que o homem pegou o relógio, o braço do Presidente se ergueu e houve um estalo, um clarão de luz explodindo diante dos olhos de Kwon Siyul.
Com um baque, Kwon Siyul caiu no chão. Um zumbido longo e agudo sacudiu seus tímpanos. A dor veio em seguida. Sua bochecha parecia estar em chamas.
— Como ousa um plebeu como você olhar nos meus olhos.
Kwon Siyul segurou a bochecha latejante. Seu nariz ardeu, e então um líquido morno escorreu até seus lábios. Descobriu ser o gosto metálico de sangue.
Como se tivesse tocado em um inseto, o Presidente limpou a mão com um lenço e se sentou no lugar de honra. Kwon Siyul fitava o chão, incapaz de compreender a situação. O homem rapidamente puxou Kwon Siyul para cima, colocando-o de joelhos.
— Um órfão que nem sequer conhece os próprios pais, lixo que vende drogas, e um recessivo, nem sequer um dominante.
O velho recitou o histórico de Kwon Siyul. Era como uma maldição, mas Kwon Siyul não conseguiu dizer nada em resposta. Infelizmente, nenhuma daquelas informações era falsa.
— A razão pela qual um verme como você se agarrou àquele garoto é óbvia.
Ali, “aquele garoto” claramente se referia a Woo Hyunse. Kwon Siyul apressou-se a abrir a boca.
— E-eu não estou mais com o hyung…
Outro golpe caiu. Dessa vez, seu lábio se abriu. Sua boca também devia ter rasgado por dentro, pois sentiu o sabor metálico do sangue na língua. Teria doído menos se ele tivesse caído, mas o homem atrás dele o segurava firme, impedindo até isso de acontecer.
No passado, ele teria explodido em lágrimas primeiro. Mas agora, embora seus olhos ardessem, nenhuma lágrima caiu.
— Está vendo, Secretário Yoon? É por isso que tanto cães quanto humanos precisam de educação. Sem uma criação adequada, ele não saberia quando latir e quando ficar calado. Aquele moleque, o Hyunse, é a mesma coisa. Aprendeu com a mãe vulgar dele desde criança, e agora os gostos dele saíram assim. Ficar apaixonado por algum rato pulguento e perder a cabeça, tsc.
O Presidente estalou a língua em desaprovação. Kwon Siyul manteve a boca fechada. Por mais que tentasse explicar, só levaria outro tapa de qualquer forma.
— Você sabe por que está aqui, não sabe? Nem tente dizer que não sabe, por mais burro que seja. Me dá pena aquele tolo que gostou de alguém como você.
Uma sombra tremeluziu no chão. Kwon Siyul fitava aquela sombra sem conseguir encarar os olhos do Presidente. Seus ombros estavam encolhidos, as mãos cerradas, brancas de tanto apertar, sobre as pernas ajoelhadas.
— Quer você queira ou não, não ouse mostrar seu rosto para aquele garoto de novo. Nem sequer um fio de cabelo seu deve ser visto.
“…”
— Caso contrário.
O Presidente fez uma pausa. Jogou no chão o lenço manchado com o sangue de Kwon Siyul, como se fosse lixo. O pano salpicado esvoaçou diante dos olhos de Kwon Siyul.
— Não só o orfanato de onde você veio, mas todos que se importam com você e com quem você se importa, todos com quem você já cruzou caminho e ainda vai cruzar — verá todos eles acabarem na rua.
Os olhos de Kwon Siyul se arregalaram. Ele ergueu a cabeça, preparado para ser atingido de novo. Dessa vez o homem não o deteve. Embora sua bochecha inchada empurrasse para cima sob o olho, ele encarou o Presidente diretamente. O Presidente cruzou as mãos atrás das costas e fitou Kwon Siyul intensamente. Seu olhar penetrante era cruel.
— Qualquer lugar onde você já tenha trabalhado vai à falência, e quem quer que te ajude se machuca. Qualquer lugar onde você já tenha ficado se tornará um deserto onde nem uma folha de grama cresce, e se você formar uma família, essa família também não estará segura. No final, todos vão te culpar como a causa.
— Por quê…?
Diante da pergunta que escapou sem que pensasse, o Presidente ergueu o pé e, dessa vez, chutou Kwon Siyul no estômago. Com um som sufocado, Kwon Siyul agarrou a própria barriga e se encolheu como uma bola. Saliva ensanguentada pingou de sua boca aberta.
— Você deveria ter sabido o seu lugar desde o início. Há árvores que você não pode escalar, que nem deveria olhar ou se aproximar.
Seu lugar. Mesmo em meio à dor, Kwon Siyul riu, um riso vazio. Felizmente o Presidente não conseguiu ver isso, com a cabeça baixa.
Tendo dito o que queria, o Presidente se virou sem se importar em ficar por mais tempo. Pegou a tesoura de volta e se moveu em direção ao bonsai que ainda não tinha terminado de podar. Com um estalo, um galho fino foi cortado limpamente entre as lâminas se fechando.
Quando Kwon Siyul voltou a si, estava ao pé do morro que levava à pensão. Só depois que o homem abriu a porta foi que Kwon Siyul saiu do carro, como se despertasse de um sono profundo. Embora os lugares onde havia apanhado latejassem de dor, estranhamente parecia irreal, como se tivesse tido um pesadelo terrível.
— Senhor Kwon Siyul.
O homem chamou Kwon Siyul, que subia o morro atordoado. Sua expressão estava tão vazia quanto na primeira vez em que se encontraram, mas havia um leve franzir entre suas sobrancelhas. Quando Kwon Siyul o olhou, ele soltou um longo suspiro pelo nariz e tirou um envelope branco do bolso interno do paletó, estendendo-o a Kwon Siyul.
— Pegue.
— O que é isso?
— Dinheiro de consolação.
— Dinheiro de consolação?
Sua pronúncia saiu indistinta por causa de metade do rosto inchado. Kwon Siyul fitava o envelope, parado. Como ele não dava sinal de que iria pegá-lo, o homem enfiou o envelope à força no bolso dele.
— O que aconteceu na casa de hóspedes, deixe ficar lá. Isso seria o melhor para o senhor também, senhor Kwon Siyul.
— …O quê?
O interior de sua bochecha estava tão inchado que até cerrar os dentes de leve o fazia morder a própria carne. Kwon Siyul reprimiu o impulso de agarrar o colarinho do homem, cerrando o punho em vez disso.
— O que seria melhor para mim?
“…”
Kwon Siyul puxou o envelope bruscamente para fora e o jogou no homem. O envelope bateu em seu peito e caiu no chão. Kwon Siyul o encarou, respirando pesadamente. Um palavrão — “Merda” — escapou de seus lábios.
— Eu não quero essa porcaria.
O homem se abaixou em silêncio para pegar o envelope. Dessa vez, colocou-o diretamente na mão de Kwon Siyul. Deu alguns tapinhas nas costas da mão dele, como se estivesse dizendo para não jogá-lo fora, e então entrou no carro.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna