₊˚ Capítulo 04
• Capítulo 4
Siyul tentou se libertar do aperto do homem, torcendo o ombro e se debatendo enquanto agarrava o pulso dele, mas não cedeu nem um pouco. Era como estar acorrentado por uma grossa corrente de ferro. O homem parecia não ter a menor intenção de soltar Siyul até resolver o que queria.
— Me sol…
Antes que Siyul terminasse de pedir para ser solto, o homem finalmente o soltou. Siyul tentou disparar, mas falhou. Dessa vez, a mão do homem mergulhou no bolso frontal do moletom de Siyul. Não encontrando nada, passou para os bolsos da calça. Apesar dos gritinhos assustados de Siyul e de sua paralisia, o homem revistou tudo minuciosamente antes de retirar a mão.
Siyul deu um passo para trás. Pensou que, se conseguisse se jogar no meio da multidão, talvez escapasse. Mas o homem esmagou essa esperança enfiando a mão sem piedade no bolso traseiro de Siyul. Os ombros de Siyul deram um espasmo e seus olhos se arregalaram.
— O-o-o que você está…
Mesmo com a calça cobrindo, parecia que a mão do homem estava agarrando sua pele nua. O calor era intenso. O homem olhou de relance para Siyul, que tremia como se tivesse sido violado, mas não demonstrou emoção alguma ao puxar a carteira do bolso traseiro dele.
Abriu-a, comparou a identidade com o rosto de Siyul e retirou cada nota e cada cartão. Depois de examinar cuidadosamente até os cantos gastos da carteira, enfiou-a de volta no bolso do moletom de Siyul. No entanto, manteve a identidade entre os dedos.
— Tira a segunda via disso.
— Devolve!
— Isso é castigo por mentir. Você não leu “O Menino que Gritava Lobo” quando criança? Não se pode mentir assim para os adultos. Se for pego por uma pessoa má, pode se machucar feio.
O homem repreendeu com uma voz deliberadamente severa. Se fosse qualquer outro, Siyul talvez tivesse ignorado, mas, diante daquele homem, só conseguia encolher os ombros para dentro. Parecia um filhote de cachorro com as orelhas achatadas na cabeça.
Com um estalo seco, o homem deu um peteleco na testa de Siyul. Por um instante, estrelas dançaram diante de seus olhos. Foi como ser atingido em velocidade máxima por uma pedra do tamanho de um punho bem no meio da testa. Siyul cambaleou, segurando a testa com um gemido.
— Este também é território do meu negócio, então tente não aparecer por aqui. Estou pegando leve porque você é novo.
Assim como tinha dito sobre aquele outro clube da última vez, este também era dele. Siyul esfregou a testa latejante e olhou para o homem. O homem deu um sorrisinho debochado e deu um tapinha no ombro de Siyul.
— Mas, se eu te pegar uma terceira vez, aí eu te dou uma lição de verdade.
A voz grave murmurando ao lado de sua orelha era mais sinistra e aterrorizante que o Ceifador anunciando que era hora de partir. Pálido, Siyul virou rápido a cabeça para acompanhar a direção em que o homem tinha sumido. Suas costas largas já haviam se dissolvido nas sombras.
Mesmo depois que o homem e seu acompanhante ficaram completamente fora de vista, Siyul continuou paralisado no lugar, segurando a testa. Meio que esperava que o homem voltasse, o pegasse pelo cangote e o arrastasse para ser enfiado num barril. Suas pernas estavam amarradas pelo medo, e ele só saiu do transe quando alguém esbarrou em seu ombro.
Quase desabou ali mesmo. Só agora seu corpo começava a tremer. Siyul esfregou os braços cobertos de arrepios.
Eu achei que estava com sorte, achei que estava com sorte!
O horóscopo do dia tinha mentido para ele. Sentindo que aquele lugar era amaldiçoado, Siyul fugiu do clube o mais rápido que pôde, esquecendo completamente a cerveja e todo o resto.
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No começo, Siyul não se importava com que tipo de droga estava distribuindo. Tudo o que tinha a fazer era deixá-la no ponto indicado. Não tinha a menor intenção de se envolver a fundo. Mesmo sendo apenas um órfão sem um tostão, ainda queria viver uma vida decente, fazer um trabalho legal e, um dia, ter uma esposa esperta e um par de filhos adoráveis, tornando-se um chefe de família respeitável.
Mas, à medida que os serviços aumentaram, ele aprendeu o que estava manuseando. Era droga, mas não maconha nem alucinógeno. Era algo incomum.
— Dizem que, quando você toma, vira temporariamente um Ômega.
Os olhos de Siyul se arregalaram com a resposta de Kwon Yuwon. Ainda que não soubesse muito sobre Ômegas ou Alfas, sabia que aquilo não era algo que pudesse ser mudado por uma droga. Não era algo que se manifestava e era determinado quando chegava a hora?
— Isso é possível?
— Mais precisamente, faz você se sentir como um Ômega. Como se estivesse no cio.
Yuwon debochou com nojo. Sacudiu o saquinho de sal com preguiça, os olhos cheios de irritação.
— No cio, nem Alfa nem Beta registram. Tudo o que você quer é sexo. Antigamente, drogas como GHB ou afrodisíacos faziam sucesso, mas agora esse troço é a última moda. São obcecados por reprodução.
Como Ômega que precisava suportar ciclos de cio regularmente, Kwon Yuwon sentia que o mundo tinha enlouquecido. Estava ao mesmo tempo com raiva e com pena de quem jogava a vida fora por causa dessas drogas sintéticas toscas. Enquanto algumas pessoas não conseguiam ter uma vida normal nem se quisessem, outras brincavam com drogas só para experimentar, como nobres fazendo turismo em favelas.
— Estão até anunciando que, se tomar com regularidade, você vira Ômega permanentemente. Os idiotas que compram ou vendem isso se atropelam como se estivessem desesperados para destruir a própria vida.
Siyul sentou-se de pernas cruzadas, ouvindo atentamente o discurso colorido de Yuwon, antes de baixar a cabeça e colher um pouco de droga com uma colherzinha de chá. Sentavam-se lado a lado no quarto apertado, dividindo a droga. Kwon Yuwon trazia um pacote, e eles o separavam em saquinhos menores, medidos com precisão em gramas. Nem uma fração acima de 1 g era aceitável, então Siyul se movia com o máximo de cuidado ao pesar a droga.
— Tem mesmo um monte de gente louca neste mundo.
Ainda que não tivesse vivido uma vida muito longa, Siyul sentia que tinha conhecido a pessoa mais intensamente louca em sua experiência recente. Ainda não tinha convivido muito com ele, então não podia chamá-lo definitivamente de louco, mas sua aparência inesquecível e sua voz penetrante deixaram uma impressão duradoura. A personalidade dele parecia mais retorcida que corda de navio, com mais de um parafuso a menos.
Mesmo para Siyul, que mal tinha interagido com ele, a natureza distorcida do homem era claramente visível. Ameaças de encher barrigas de concreto, avisos sobre castigo, sermão sobre mentir para adultos.
Era alguém de quem Siyul sabia que deveria se afastar a todo custo. Ficar bem longe dele era o plano mais inteligente.
Lembrando-se do toque em seu ombro, Siyul estremeceu. A mão que segurava a colher tremeu, derramando um pouco da droga no chão.
— Não!
Siyul se esparramou no chão, raspando cuidadosamente o pó caído com a ponta dos dedos. Vestindo apenas uma regata branca folgada, seu peito claro e seus mamilos rosados ficavam à mostra. Os mamilos eram pequenos, com aréolas estreitas, num formato capaz de provocar vontade de tocar.
Apesar da pele incomumente fina de Siyul para um Beta e dos mamilos que atraíam o olhar mesmo quando não se queria olhar, Yuwon não prestou a menor atenção. Apenas selou meticulosamente os saquinhos de sal e os juntou num único lugar.
Foi então que o celular de Yuwon tocou. Ao checar o nome na tela, Yuwon murmurou um pequeno palavrão antes de atender. Sua voz, diferente de quando xingava, saiu calorosa ao responder:
— Sim, hyung.
— Hoje? Sim, tenho tempo… O quê? Levar o Siyul também?
Yuwon olhou de relance para Siyul. Ouvindo seu nome de surpresa, Siyul ergueu os olhos para Yuwon. Apontou para si mesmo, perguntando sem emitir som se era ele.
— Por que o Siyul? Ah, você quer vê-lo uma vez…?
O murmúrio do outro lado da linha diminuiu. A expressão de Kwon Yuwon endureceu enquanto ele abaixava o volume. Siyul, tendo ouvido seu nome mencionado, parou o que fazia e aguçou os ouvidos.
— Não, hyung. Esse amigo está ocupado hoje… O quê? Você ajusta o horário? Hoje está meio… Ah, você precisa vê-lo hoje?
Kwon Yuwon, claramente tentando evitar marcar o encontro, fez uma careta enquanto a pessoa do outro lado insistia no assunto. Apertou o celular como se fosse esmagá-lo e pressionou as têmporas com os dedos, com cara de dor de cabeça iminente.
— …Sim, sim. Entendi. Então a gente vai às dez da noite.
Depois de confirmar repetidas vezes que o outro tinha desligado, Kwon Yuwon xingou alto:
— Ah, porra!
O grito estrondoso fez Siyul largar às pressas o saquinho de sal que tinha acabado de fechar.
— O que foi? O que aconteceu?
— Esse porco desgraçado está complicando. Ele insiste em te levar junto, mesmo eu não querendo te mostrar para ele. Diz que precisa ver a cara do parceiro de negócios. Porra, ele já pegou sua identidade, sua foto e seu registro familiar lá no começo; o que mais ele precisa ver?
— Tudo bem. Bom, se ele quer tanto assim me ver, eu devia pelo menos mostrar a cara uma vez.
— A gente vai sair desse ramo logo, então que história é essa de mostrar a cara? O melhor é não se verem até estarem no caixão. Ah, merda, será que eu cancelo e digo que você está doente?
— Não é dele que a gente pega a droga?
— É.
— Então vamos fazer o que ele diz. E se ele parar de fornecer porque a gente recusou?
— Mesmo assim…
Kwon Yuwon interrompeu as próprias palavras e começou a roer as unhas. Mesmo com o volume baixado, naquele quarto apertado de motel, a voz do outro lado não era completamente inaudível. Parecia que haveria consequências se ele não levasse Siyul junto.
Tendo tomado sua decisão, Siyul sorriu abertamente e deu um tapinha no ombro de Yuwon.
— Não se preocupa demais. Não vai acontecer nada. Se acontecer, eu corro na hora. Você sabe o quanto eu corro rápido.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna