₊˚ Capítulo 05
• Capítulo 5
⚠️ Aviso de gatilho ⚠️ : Este capítulo contém descrições explícitas de assédio sexual.
— Não é que eu não confie em você…
Kwon Yuwon não conseguiu dizer que o fornecedor tinha uma preferência por Betas bonitos de pele clara. Como Siyul apontara, recusar um convite para beber naquele mundo claramente hierárquico poderia significar o fim do fornecimento. Não havia nada a ganhar em ficar do lado ruim dele.
Mas isso não significava que ele estava oferecendo Siyul como sacrifício. Para Yuwon, Siyul era como seu único irmão no mundo.
— Você não confia em mim, hyung? Ando malhando ultimamente e ganhei um pouco de músculo. Olha.
Alheio aos pensamentos internos de Yuwon, Siyul flexionou o braço, exibindo o bíceps. Para alguém de estrutura tão franzina, o músculo era surpreendentemente definido. Ainda que não soubesse brigar nem para salvar a própria vida, Siyul exibia com orgulho seu músculo, que mais parecia uma garrafinha de água do que um bíceps, tornando a cena engraçadinha e fofa.
Kwon Yuwon não demonstrou o que sentia e apenas soltou um suspiro pesado. Certamente o fornecedor não tentaria nada de estranho no primeiro encontro. Ainda que não confiasse plenamente na situação, não tinha escolha. Cerrou o punho, jurando que, se alguém encostasse em Siyul, ele esqueceria o dinheiro e todo o resto e tocaria fogo na barriga daquele porco gordo por dez dias e dez noites.
— Tudo bem. Mas me promete uma coisa. Se acontecer qualquer coisa, foge sem olhar para trás. Não se preocupa comigo.
Ainda que, se Yuwon estivesse em perigo, o corpo de Siyul provavelmente se movesse antes do pensamento. Ele não disse falas de filme como “não consigo fugir sem você”. Isso só ampliaria a ansiedade de Yuwon.
Em vez disso, para tranquilizar o outro, Siyul exibiu o sorriso mais confiável que conseguiu e assentiu com solenidade. Fingiu não notar a desconfiança crescente no rosto de Yuwon.
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— Tente parecer o menos atraente possível.
Seguindo a instrução de Yuwon, Siyul vestiu a camiseta mais surrada e a calça mais amassada que tinha. Também enterrou um boné preto até o rosto, mas nem isso pareceu satisfazer Yuwon. Franzindo a testa, ele olhou para Siyul em silêncio antes de balançar a cabeça, resmungando que ele chamaria menos atenção se o rosto estivesse coberto de espinhas.
Só depois de Yuwon bagunçar o cabelo de Siyul várias vezes é que conseguiram sair do motel. O ponto de encontro era um bar privado em algum subsolo. Yuwon debochou, dizendo que era “um clube de alto padrão só para membros, onde não é qualquer um que entra”, mas a palavra “clube” foi o que mais ficou grudado no ouvido de Siyul.
Ultimamente, parecia que ele andava com uma ligação anormalmente frequente com clubes, e nenhum desses encontros tinha terminado bem. Ainda que tudo de que se lembrasse fosse o aviso de um homem mandando ficar longe desses lugares, aquilo ecoava em sua mente agora como se o homem estivesse sussurrando em seu ouvido.
Siyul balançou a cabeça com força para clarear a mente. Aquele não era o clube sobre o qual o homem o havia avisado. Era só um bar.
Enquanto desciam para o subsolo, primeiro viram o bar e um salão espaçoso. As salas ficavam dispostas como camarotes acima. Semelhante a um clube, as salas tinham paredes de vidro, mas cortinas impediam que os de fora enxergassem com clareza.
O interior obviamente luxuoso e a iluminação suave exalavam riqueza por todos os cantos. Era um lugar intimidador, onde um plebeu medroso como Siyul se sentia indigno até de pisar.
Kwon Yuwon manteve uma expressão azeda o tempo todo, mesmo enquanto subiam as escadas. Só quando pararam diante de uma sala com cortinas ele recuperou o sorriso. Era um sorriso obviamente falso, que qualquer um perceberia.
Antes de entrar, Siyul se preparou. Ainda que não fosse especialmente perspicaz, não era tão ingênuo a ponto de não decifrar o que as reações de Kwon Yuwon indicavam. Algo desagradável certamente aconteceria. Ainda assim, correr seria seu último recurso absoluto.
— Hyung, chegamos.
Kwon Yuwon cumprimentou com a mesma voz calorosa que usara ao telefone enquanto entravam na sala. No meio de um sofá largo estava sentado um homem cuja barriga se projetava como a de um frango assado — por mais generoso que se fosse ao olhar, ele parecia um porco gordo. O homem ergueu preguiçosamente o braço para reconhecer o cumprimento.
Ele não estava sozinho. Dois outros sentados por perto olharam de relance para Yuwon e Siyul. Com suas tatuagens, grossos colares de ouro e cicatrizes, não pareciam boa companhia.
— Não é certo usar boné quando se vem cumprimentar alguém. Tira isso.
O homem-porco apontou o queixo na direção de Siyul. Siyul olhou rapidamente para Yuwon antes de tirar o boné. Enquanto passava a mão pelo cabelo bagunçado com displicência, o homem-porco riu ruidosamente e deu tapinhas no assento ao seu lado.
— Esse desgraçado do Yuwon te escondeu tanto que eu fiquei imaginando que tipo de cara você era. Vale mesmo a pena esconder. Você nem é Ômega, mas garotos como você sempre são… mais molhados.
Os homens sentados por perto riram com escárnio do comentário obsceno do porco. Siyul ouviu Kwon Yuwon murmurar um baixinho “filho da puta” entre os dentes, embora mantivesse intacto o sorriso falso. Siyul sabia que não podia estragar as coisas ali.
— Não sei quanto a ser molhado, mas eu bebo bem, hyung-nim. Quer que eu sirva um copo?
Respondendo com educação, Siyul arrancou uma risada calorosa e um gesto do homem-porco. Siyul foi correndo até ele. Tinha se preparado para aquilo antes de vir. Lembrando a si mesmo que a vida em sociedade não era fácil, decidiu aguentar mesmo que fosse desagradável.
Sentando-se ao lado do homem-porco, Siyul encheu de bebida um copo vazio. O homem já tinha jogado o braço flácido sobre o ombro de Siyul como se fossem velhos amigos. Siyul apenas sorriu abertamente, engolindo o próprio orgulho.
— Você também devia beber.
O homem-porco beliscou e sacudiu a bochecha macia de Siyul como se olhasse para algo fofo. Encheu um copo até a boca de bebida e o empurrou na direção de Siyul.
— Eu bebo. O fígado desse desgraçado é ruim, ele morre se beber isso, hyung.
Kwon Yuwon, sentado a certa distância, tentou intervir. Os olhos do homem-porco ficaram instantaneamente ferozes.
— Ei, seu merda, eu ofereci para você? Quem recebeu foi ele, por que está se metendo?
O homem-porco encarou Yuwon, segurando o copo como se fosse arremessá-lo. A atmosfera ficou hostil num instante. Uma palavra errada ali poderia acabar com o acordo, então Siyul rapidamente segurou a mão do homem e pegou o copo. Então virou a bebida pura de uma vez só. Sua garganta ardeu, mas ele aguentou sem sequer tocar em água ou nos acompanhamentos.
— Claro, eu devo beber o que o senhor me deu, hyung-nim. O Yuwon só tende a se preocupar à toa.
A expressão do porco suavizou enquanto ele soltava uma risada, deslizando o dedo indicador pelo rosto de Siyul.
— Gostei desse cara.
Tinham passado do primeiro obstáculo. Enquanto pensava freneticamente em como lidar com as incontáveis crises que viriam, Siyul fingiu timidez e coçou a cabeça.
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Os copos circulavam e as conversas fluíam. A maior parte era papo obsceno. Sobre como os Ômegas eram isso ou aquilo, como não eram tão bons quanto os Betas. Se possível, Siyul queria lavar os ouvidos e o cérebro com água limpa. Ainda que ele mesmo, como homem, curtisse uma sacanagem moderada na conversa, o que aqueles três cuspiam não era conversa, era imundície.
O homem-porco não parava de fazer Siyul beber. Siyul se manteve em alerta máximo. Tinha medo do que poderia acontecer se demonstrasse o menor sinal de embriaguez. A mão que no início estava só em seu ombro foi descendo cada vez mais. Roçou sua nuca, brincou com o lóbulo de sua orelha e até deslizou por baixo da camisa para apalpar seu peito. Sempre que Siyul tentava desviar, o homem percebia e retirava a mão de dentro da roupa.
Então aquela mão apalpava a coxa de Siyul, amassando-a com força e ousadia. O sorriso de Siyul desmoronava com o passar do tempo. Até manter o sorriso se tornou difícil. A situação de Kwon Yuwon não era muito diferente. Suas sobrancelhas tremiam toda vez que o homem-porco aproximava o rosto do de Siyul. Ele abria a boca como se fosse xingar, depois a fechava de novo ao ver os sinais desesperados de olhar e os gestos de Siyul.
No entanto, deixados sem controle, os toques do homem-porco passaram da ousadia para o crime. Agora ele estava invadindo até a parte inferior do corpo de Siyul. Quando Siyul tentou se afastar, o homem apertou dolorosamente sua coxa.
— Preciso ir ao banheiro um instante.
Sem conseguir aguentar mais, Siyul se levantou de repente. Acrescentando que tinha bebido demais e sentia que a bexiga ia estourar, saiu às pressas da sala. Se tivesse aguentado um pouco mais, a mão do homem-porco teria entrado em sua calça e tocado suas preciosas bolas.
Depois de vagar um tempo, finalmente encontrou o banheiro. Era incomparavelmente maior e mais limpo que o do motel dele. Siyul primeiro esvaziou a bexiga, depois lavou as mãos na pia. Mesmo tendo terminado, não voltou. Segurando as duas bordas da pia, soltou um suspiro fundo.
Ele não queria voltar.
Queria fugir, esquecer a determinação e o negócio.
Mas não podia deixar Yuwon para trás. Siyul olhou no espelho e murmurou que conseguia. Aguentar era a melhor opção.
Justo quando estava prestes a sair, depois de secar as mãos com uma toalha de papel, alguém bloqueou a porta. Olhando para baixo, viu uma barriga enorme que camisa nenhuma conseguiria esconder. O homem-porco o havia seguido. Porra, Siyul xingou por dentro, igual Yuwon tinha feito. Ainda assim, a necessidade forçou um sorriso sem graça em seu rosto.
— Hyung-nim, o senhor veio. Então eu volto primeiro.
Enquanto tentava sair, curvando a cabeça repetidas vezes, o homem-porco bloqueou a porta e não saiu do caminho. Com sua altura considerável e um volume maior que o da maioria, não havia brecha por onde Siyul pudesse escapar.
— Se o senhor puder só me deixar passar um instante…
— Eu também vim mijar.
— Ah, entendi.
— Mas, já que estou aqui, aproveito e solto também um pouco do suco do pinto.
Estou fodido, passou pela mente de Siyul enquanto o porco agarrava um punhado de seu cabelo. Siyul agitou os braços, engolindo em seco, mas não conseguiu empurrar aquele corpo muito maior e mais pesado. Num instante, foi jogado dentro de uma cabine vazia do banheiro.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna