₊˚ Capítulo 03
• Capítulo 3
Por um tempo, Kwon Yuwon assumiu as entregas. Se Siyul tentasse fazê-las mesmo que por um instante, de tédio, Kwon Yuwon pulava como se tivesse se queimado e o impedia. Disse a Siyul para não se mexer um centímetro até o interesse daquele gerente desaparecer por completo.
Bem quando Siyul estava se sentindo envergonhado de viver de favor e pensando em arrumar outro bico, o trabalho finalmente veio até ele. Sem que ninguém tivesse encomendado.
— Isso é uma merda. Nem quero ser Alfa. Queria só poder viver como Beta.
Kwon Yuwon resmungou enquanto enfiava cinco supressores em jujuba na boca de uma vez só. Isso acontecia uma vez a cada dois meses, às vezes uma vez a cada três.
Quando o tal cio chegava, Kwon Yuwon tinha febre baixa por três ou quatro dias e gemia a noite inteira. Numa noite, chegou a sair batendo a porta do quarto dizendo que não aguentava mais. Voltou em menos de uma hora, ombros caídos, murmurando que era melhor morder a própria língua e acabar com tudo.
— A gente nem pode cancelar esse pedido.
— Eu vou.
Siyul levantou a mão. Kwon Yuwon, deitado de frente para a parede, virou a cabeça. Seus olhos, embaçados pela febre, estavam cheios de dúvida. Siyul endireitou as costas como um candidato a emprego, exibindo um sorriso confiável.
— Nem pensar.
Mesmo com um sorriso tão largo que doíam as bochechas, a resposta foi firme. Siyul pareceu desanimado por um instante, mas se recuperou rápido e encarou Kwon Yuwon.
— Eu consigo. Não é complicado. É só entregar e voltar.
— Mesmo assim, não. Você foi pego da última vez justamente tentando entregar, lembra?
Siyul revirou os olhos por um momento. Na verdade, ele tinha se empolgado com o clima do clube naquela vez, ficou olhando as pessoas e tomou uma bebida depois de terminar o serviço. Quem diria que cerveja com uma rodela de limão podia ser tão doce e gostosa?
— Isso foi há duas semanas. Aquele dono já deve ter me esquecido completamente. E esse lugar nem é aquele clube.
Fingindo que o incidente nunca tinha acontecido, Siyul tentou convencer Yuwon com sinceridade de que dava conta. No começo, Yuwon se cobriu com o cobertor e fingiu não ouvir, mas, quando Siyul começou a se esfregar nele feito cachorro ou gato, implorando, ele espiou de má vontade por baixo das cobertas. Parecia querer resolver aquilo sozinho de algum jeito, mas, contra sua vontade, o corpo não conseguia se mover um centímetro da cama.
— Tá bom. Mas só entrega e volta na hora. Não vai a lugar nenhum, não faz mais nada.
— Deixa comigo.
Siyul bateu no peito com o punho, dizendo para confiar nele. Mesmo tendo concordado, Kwon Yuwon não estava nada feliz com aquilo. Observou Siyul ir se lavar todo animado, como uma criança deixada à beira d’água, depois resmungou que dane-se e se enfiou de volta debaixo das cobertas.
— Ele já é adulto, não vai errar do mesmo jeito de novo. Além disso, nem é o mesmo lugar…
Havia tantos clubes por aí. Ouvindo o cantarolar e o som da água vindos do banheiro, Kwon Yuwon murmurava consigo mesmo. Tentava se tranquilizar, mas o desconforto continuava ali.
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Quanto tempo fazia desde a última vez que ele tinha saído?
Siyul não conseguia esconder a empolgação. Depois de ficar trancado num quarto pequeno, indo só até a loja de conveniência e voltando, aquilo parecia uma libertação de uma prisão sem grades. Não conseguia evitar a animação. A alegria que borbulhava lá do fundo quase o fez cair na dança no meio da rua.
Em vez de dançar, Siyul cantarolou uma melodia enquanto puxava o capuz. Também colocou óculos redondos de armação dourada, sem grau, e cobriu metade do rosto com uma máscara preta, por precaução. Depois de pentear a franja bagunçada com os dedos, parou diante do clube. Era um lugar completamente diferente do anterior, com outra placa e outra localização.
Assim que terminara de se arrumar, Siyul tinha conferido a previsão do dia. O índice de sorte estava alto, em 87%, com o lugar da sorte sendo um clube, o item da sorte sendo álcool e a cor da sorte, roxo. Por isso ele vestiu um moletom em tom arroxeado.
Planejava se divertir um pouco se parecesse seguro, com a intenção de ir embora logo depois de terminar o serviço. A ladainha de Yuwon mandando voltar direto depois do trabalho ecoava em seus ouvidos, mas Siyul não queria desperdiçar aquele raro gosto de liberdade. Ainda assim, Siyul não era do tipo que bebe pesado e dança feito louco. Sendo medroso, no máximo balançaria a cabeça de leve no ritmo, num canto.
Depois de esperar numa fila longa, Siyul finalmente entrou no clube. Sendo tarde da noite de sexta, estava lotado. Seus olhos brilhantes corriam de um lado para outro, absorvendo a batida grave que sincronizava com seu coração, os corpos balançando e as luzes deslumbrantes que combinavam com o clima elevado.
Os avisos de Yuwon, que persistiam em sua mente, evaporaram como um cubo de gelo no asfalto quente no instante em que ele pisou no clube. Andando como se estivesse enfeitiçado, Siyul parou de repente, sacudindo os ombros. Deu dois tapas nas próprias bochechas, dizendo a si mesmo para cair em si, e virou na direção oposta.
Mesmo que fosse se divertir, deveria terminar o serviço primeiro. Ele não era mais amador. Um profissional deve agir profissionalmente.
Seu destino era o bar. Siyul conferiu o crachá do bartender e sentou-se por perto. Depois de servir uma bebida a alguém do outro lado, o bartender se virou para Siyul.
— Uma só de ida para Santorini, por favor — Siyul levantou a mão, pedindo com confiança como um cliente habitual.
Na realidade, tal bebida não existia no cardápio nem em lugar nenhum. Era apenas uma frase-código combinada com o cliente daquele dia.
O bartender, sem demonstrar nenhuma surpresa, respondeu naturalmente “sim” e entregou a Siyul uma cerveja com uma rodela de limão. Siyul tirou da carteira uma nota com um pequeno saquinho de sal dobrado dentro e a colocou sobre o balcão, deslizando-a na direção do bartender.
Era só isso. Na verdade, até uma criança conseguiria fazer aquele trabalho. No começo, ele era cauteloso, preocupado em ser pego e ir para a cadeia, mas, depois de algumas vezes, sua coragem cresceu, e ele passou a lidar com aquilo com habilidade e sem muito medo.
Claro, podia haver situações de risco de vida como a da última vez, mas isso só aconteceria se a sorte despencasse. As chances eram menores do que as de ser atingido por um raio.
O bartender terminou o serviço e se afastou. Siyul sorriu e tomou um gole da cerveja. Embora fosse a mesma bebida, o gosto da cerveja ali era muito diferente do da que ele comprava na loja de conveniência.
Com o trabalho feito, Siyul bebericou a cerveja e olhou ao redor. Yuwon não reclamaria de ele se divertir um pouco. Pronto para se livrar de qualquer sermão na lábia, Siyul desceu do banco alto.
Depois de se afastar do bar, virou o casaco do avesso. O casaco preto discreto se transformou instantaneamente num azul-marinho brilhante. Também tirou a máscara, guardou-a no bolso e jogou o cabelo para trás da testa com displicência.
Bem quando estava prestes a se mudar para um ponto melhor, confiando na excelente sorte do dia, uma mão pousou firme em seu ombro. Assustado, ele se virou. A primeira coisa que viu foi um peito firme envolto num terno. Com a camisa tão esticada, Siyul se perguntou se os botões não iam saltar enquanto inclinava a cabeça para trás devagar.
— Ei.
As luzes piscantes do clube lançavam sombras sobre a testa, o nariz e as maçãs do rosto do homem. Era um rosto que ele queria esquecer, mas não conseguia apagar da memória. O homem que o deixara maravilhado e aterrorizado ao mesmo tempo agora o segurava.
— Você.
Siyul arfou. Por que aquele cara estava ali? Certo, o mundo era pequeno, mas a Coreia do Sul era grande demais para um reencontro tão coincidente no mesmo lugar e na mesma hora. Se aquilo era destino, era uma piada cruel dos deuses; se era intencional, alguém tinha planejado aquilo com maldade. O coração de Siyul batia mais alto que a música.
— Acho que a gente já se encontrou antes.
Siyul xingou internamente. O olho apurado do homem, capaz de reconhecê-lo imediatamente naquele lugar lotado, era impressionante. Ainda havia esperança, porém. Ele não estava de óculos e capuz? Se ao menos tivesse mantido a máscara, estaria a salvo. Era uma pena.
Será que eu vou morrer mesmo?
Siyul começou a balançar a cabeça, mas se conteve. Não. Como diz o velho ditado, se você mantiver a cabeça no lugar, sobrevive até sendo agarrado por um tigre. Siyul se recompôs rápido, escondendo o que realmente sentia.
— Não, é a primeira vez que eu te vejo.
Começou com uma negativa descarada. O homem não sorriu. Olhou para Siyul com uma expressão indecifrável. Siyul puxou as laterais do moletom, esperando ao menos cobrir metade do rosto.
— O que eu disse que faria se te visse de novo?
Como a voz do homem conseguia perfurar os tímpanos de Siyul de forma tão nítida naquele ambiente barulhento era um mistério. Segurando a nuca de Siyul para impedir a fuga, o homem inclinou levemente a cabeça. Apesar de ser um gesto inadequado para alguém de terno e com um porte tão avantajado, não pareceu deslocado.
— Esse não sou eu.
Siyul negou de novo, empurrando de leve os óculos redondos. Um suor frio escorria por suas costas. Sua testa e suas têmporas também estavam úmidas de suor, fazendo o cabelo grudar.
Porém, assim que as palavras saíram de sua boca, soaram estranhas. Não estava implicando que ele já tinha encontrado o homem antes? Siyul acrescentou às pressas:
— Quer dizer, este é o nosso primeiro encontro.
Ele torcia desesperadamente para que o homem engolisse aquilo. Sua imaginação disparou enquanto ele visualizava o homem cumprindo a ameaça feita antes. Seria colocado num tambor, cimento seria despejado sobre ele, e aquilo rolaria de algum cais, caindo com um splash no mar.
Se soubesse que isso ia acontecer, deveria ter deixado um testamento. Já sentia um calor sob os olhos, como se lágrimas estivessem prestes a se formar. Mordeu o lábio para segurá-las.
— Primeiro encontro uma ova.
O homem xingou e bufou. Não havia chance de uma mentira tão desajeitada funcionar. Uma vez pego, ele deveria ter inventado outra desculpa.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna