⋆。˚ ◉ Capítulo 25
Capítulo 25: O Túnel do Noroeste
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Cahaya pousou a sacola da loja de conveniência no bar da casa de Seowoon. Vagar por uma casa vazia provavelmente era falta de educação, mas Cahaya soltou uma risada curta quando viu a adega que carregava o gosto de Seowoon.
Era um pouco engraçado ele ter trazido vinho mesmo sem beber vinho.
A banheira ainda estava úmida, como se Seowoon tivesse acabado de tomar banho ao voltar de Naraka. Cahaya andou calmamente pela casa de Seowoon. Não havia um único porta-retratos que normalmente seria esperado.
Cahaya parou diante do piano de cauda colocado de modo que a vista noturna pudesse ser vista ao lado.
Uma risada mais profunda escapou dos lábios dele dessa vez.
Seowoon nem sabia tocar piano. Cahaya sentou na beirada do banco do piano e apoiou os braços na tampa. A vista noturna se refletiu nos olhos de Cahaya, e aqueles olhos misturados com incontáveis nebulosas absorveram a luz.
Ele tirou o telefone que vibrava no bolso e viu o nome salvo como ‘Privada’.
— Pois não, Sr. Cha.
Cahaya passou a ligação para o viva-voz.
[Você mexeu com ele de novo dessa vez, não foi?]
Por algum motivo, Cha Byeongcheon estava usando a linha oficial para despejar assuntos pessoais.
[Você sempre esteve ao lado do Seowoon quando ele saía dos trilhos. Ele não é um encrenqueiro, mas toda vez que se envolve com você ele levanta uma rebelião contra os pais.]
Cahaya inclinou a cabeça. Ele sempre tinha achado Cha Byeongcheon estranho.
Ele não era nenhum eixo do mal atormentando Seowoon, e mesmo assim a hostilidade era intensa. Claro que Cahaya também sabia quando aquela hostilidade tinha começado.
Foi no dia em que ele visitou a casa de Seowoon pela primeira vez, depois de responder honestamente à pergunta de Cha Byeongcheon sobre onde ele morava.
Como o dono da casa, Cha Byeongcheon, não gostava dele, Cahaya também não procurava especialmente aquela casa. Mas como os bairros deles eram próximos, houve vários dias em que ele esbarrou em Cha Byeongcheon por acaso.
— Cahaya, se você fosse filho do meu pai, ele provavelmente teria te carregado por aí se gabando para o bairro inteiro. Como é que um cara que nem faz cursinho tem nota melhor que a minha?
No dia seguinte a Cahaya esbarrar em Cha Byeongcheon, Seowoon sem falta cavava um buraco no chão. Graças a isso, não era difícil adivinhar o que Cha Byeongcheon devia ter dito a Seowoon.
Ele provavelmente tinha corroído a autoestima de Seowoon perguntando como um moleque de família pobre podia ter nota melhor que alguém em quem ele despejava dinheiro.
Objetivamente falando, Seowoon não tinha razão nenhuma para se sentir inferior a ele. Ele tinha pais, um background rico e era bom nos estudos. Além disso, a aparência dele era bonita.
[Não pensa que eu não sei que você empurrou e torceu as coisas para conseguir o cargo de vice-líder para ele?!]
Quando Cahaya não demonstrou reação particular, Cha Byeongcheon elevou ainda mais a voz. Cahaya olhou para o telefone, onde o tempo de chamada corria, como se achasse aquilo interessante.
— Não é melhor o Seowoon ser chamado de vice-líder da Tacheon do que de algum apelido esquisito? Não é isso que um pai faria? Um pai normal, quero dizer.
[…….]
Parecia que um tremor estava vindo pela linha, então Cahaya pensou em recuar por ali. Se provocasse mais, isso só ia importunar Cha Seowoon depois.
Ele aproximou os lábios do alto-falante.
— O Seowoon voltou para Naraka de novo. Lamentável, não é?
Ele murmurou e apertou o botão de encerrar. Ao contrário dos cantos da boca que ele tinha erguido conscientemente, o olhar direcionado à vista noturna era frio.
[ㄴVocês não acham que a cara da Privada do Cha Seowoon vai ficar perfeita como uma privada pública? Seria ótimo pra caralho como depósito de porra de velho. Os lábios dele são tão grossos que parecem um cu inchado.
ㄴEle já deve ter chupado o pau de cada cara da Privada pelo menos uma vez. Ouvi dizer que até quando caça mutantes o cu dele fica esticado e escancarado.
ㄴSe existisse uma categoria de puta entre as classes de Mansaengjong, o Cha Seowoon teria despertado primeiro kkkk
ㄴAlguém quer ver uma fanfic pornô de suruba da galera da Privada, 50 homens X Cha Seowoon? Eu bati dez vezes num dia só.
ㄴAs recompensas de caça do Cha Seowoon devem ser porra kkkk. Por que um Mansaengjong do mais alto escalão seria leal ao governo de graça?]
Cahaya tinha descoberto por acaso que existia uma comunidade que cuspia conversas imundas sobre Seowoon.
Foi no dia em que Seowoon, sob ordens do Centro de Controle de Desastres Mutantes, caçou o Mutante nº 53. Os vídeos de Seowoon eram sempre atualizados pelo canal oficial da Privada.
Depois de ver os comentários de assédio sexual anexados ali, Cahaya conseguiu rastrear o site ilegal onde aqueles desgraçados se reuniam. Era simplesmente inacreditável que nem a Privada nem Seowoon tomassem alguma atitude mesmo recebendo esse tipo de tratamento.
Em vez disso, foi Cahaya, que nem era parte envolvida, quem não conseguiu ignorar. Ele só sentiu que era a coisa certa a fazer. Vendo o amigo virar alvo de desejos sombrios, quem diabos não se sentiria compelido a intervir?
Cahaya tinha destruído o site que despejava tesão sujo sobre Seowoon e feito com que a força principal acabasse na prisão. O fato de a força principal ser um colega de ensino médio era algo com que Seowoon nem sonharia. E Cahaya também não tinha intenção nenhuma de contar a ele. Se contasse, o musaranho cheio de complexo de inferioridade poderia se esconder de novo, de vergonha.
— É irritante pra caralho que ele fique se afastando por causa desse tipo de inferioridade.
Um sopro vazio vazou da garganta de Cahaya enquanto ele murmurava consigo mesmo.
Parecia que o inconsciente dele já tinha previsto a razão de Seowoon continuar evitando ele. Ou talvez ele estivesse negando esse tempo todo que a relação dos dois pudesse ter mudado por causa de uma emoção tão trivial. Se consolando com a ideia de que devia existir algum outro motivo plausível.
“De qualquer forma, Cha Seowoon, de agora em diante você vai ter que me bajular pra caralho.”
Cahaya riu baixinho enquanto tocava a tampa do piano em vez das teclas.
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O esconderijo da guilda Tacheon, que tinha criado raízes no Sudeste, era um prédio comercial-residencial. O primeiro andar era um escritório convertido de uma loja, e os andares restantes tinham cada um dois apartamentos de dois cômodos, de frente um para o outro.
No momento em que Seowoon voltou ao escritório da guilda Tacheon, foi designado a um dos quartos vazios do terceiro andar. Quanto mais velho você fosse, mais baixo o andar que ganhava, então Abdulaziz ficava no segundo.
— Eu tinha escala de limpeza, mas se cê tiver se sentindo solitário, pode ficar comigo, Sseowoon.
Até alguns dias antes de ir para Seul, Seowoon tinha morado junto no apartamento de dois cômodos de Abdulaziz.
— Nah, o hyung ficaria desconfortável se eu estivesse lá também.
— Isso mesmo, eu morei com três pessoas no alojamento.
Se aquilo significava que era desconfortável ou que não fazia diferença, não ficou claro. Mas, dada a personalidade de Abdulaziz, era definitivamente a segunda opção.
— Mas por que o Sseowoon voltou sozinho?
— Eu também não sei.
Tendo acabado de sair do banho, Seowoon apoiou a Matahari no sofá gasto. Na mesinha lateral ao lado do sofá havia um porta-retratos apoiado de lado. A mulher na foto segurava um cachorro que parecia vira-lata.
— Parece a pessoa que morava aqui originalmente.
— Isso mesmo, ninguém sabe pra onde foi todo o povo de Naraka, né?
Abdulaziz olhou com atenção para o porta-retratos.
— O Cahaya mora bem em frente.
Perdendo rapidamente o interesse na foto, Abdulaziz apontou para a entrada. O apartamento de dois cômodos do outro lado parecia ser o quarto em que Cahaya morava.
— Pensando bem, quem é o seu vizinho, hyung?
— Aquele é um quarto sem uso.
— Por quê?
— É o quarto do Youngil.
— O Youngil hyung ainda está na guilda?
— Isso mesmo. É bom o Seowoon ter voltado em segurança. Eu também vou dormir.
Abdulaziz bagunçou grosseiramente o cabelo molhado de Seowoon com a mão.
— Seca bem, senão cê pega herpes.
— Haha, tá bom.
Parecia que o antigo gerente de fábrica tinha dito a Abdulaziz que um resfriado comum era sinônimo de herpes. Seowoon acompanhou Abdulaziz até a entrada e deu uma olhada no cômodo que estava usando como quarto.
Mesmo que o povo de Naraka tivesse todo evaporado, usar a casa de outra pessoa como bem entendia ainda parecia estranho. Ele mesmo não tinha deixado Cahaya para trás na própria casa e ficado inquieto com isso? Se o dono daquela casa soubesse que um estranho tinha entrado e estava morando ali, ficaria com arrepios.
Seowoon só tinha usado uma toalha e não tinha mexido em nenhuma outra gaveta. Ele estava relutante em usar a cama também, então só tirou um cobertor do guarda-roupa. Dobrou o cobertor ao meio, estendeu no sofá da sala e se enfiou naquele espaço.
Da manhã até ali, ele tinha forçado o corpo sem descanso, então as pálpebras estavam excessivamente pesadas. Talvez um pouco do álcool ainda permanecesse, porque a cabeça dele foi ficando gradualmente enevoada.
A funcionária do balcão de triagem tinha dito claramente que ele podia ficar três dias…
Por causa disso, ter deixado alguma folga parecia lamentável. Teria sido melhor se ele tivesse arrumado tempo para ver a mãe. Ele nem tinha tido presença de espírito para colocar os itens necessários numa mochila.
Seowoon esticou a mão e puxou a Matahari. A Matahari parecia apenas fria, como se o coração dela tivesse se voltado contra o dono que a deixou para trás. Ele ainda precisava tentar usar o cosmos, mas naquele momento não conseguia se mover segurando a Matahari.
Ainda assim, tinha sido bom ir a Seul depois de tanto tempo.
As ruas movimentadas, a bebedeira com Cahaya, tudo aquilo tinha sido bom. Talvez ele tivesse gastado em um dia a felicidade que deveria ter sido dividida em três dias e tivesse sido chutado para fora. O pensamento absurdo passou pela cabeça dele.
— Hari-yah, não fique chateada.
Seowoon fez carinho na Matahari do jeito que a dona da casa fazia na foto.
***
De manhã bem cedo, Seowoon ficou parado diante da geladeira, mergulhado em pensamentos.
Fazia quatro meses desde que os Mansaengjong tinham ficado presos em Naraka, então a comida deixada na geladeira provavelmente não estava boa. Seowoon não conseguia reunir coragem para limpar a comida mofada. Mas, até ele voltar para Seul, aquele era o ninho dele.
O momento de indecisão foi breve. Ele apertou os olhos e escancarou a geladeira. Em vez de um mofo horrível para recebê-lo, bebidas proteicas estavam empilhadas com capricho. Havia até malangso e salgadinho de milho, que podiam ser guardados em temperatura ambiente.
O Abdulaziz hyung tinha dito que tinha limpado, então aparentemente a geladeira estava incluída. Por mais que ele olhasse, Abdulaziz tinha entrado na guilda errada. Ele deveria ter entrado numa guilda Anjo simples, em vez de Anjo Caído.
Seowoon arrancou o canudinho preso a uma bebida proteica e enfiou no furo. Sugar dois pacotes de uma vez o deixou discretamente satisfeito. Depois ele sugou mais um pacote enquanto encarava fixamente a Matahari.
Tinha finalmente chegado a hora em que ele precisava fazer aquela tarefa vergonhosa.
Seowoon pousou o pacote vazio na mesa e estendeu a mão para a Matahari.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello