⋆。˚ ◉ Capítulo 23
Capítulo 23
MANSAENGJONG
──── ⋆。˚ ◉ ˚。⋆ ────
“Pois é……. Eu estava me perguntando por que ele não tinha aparecido.”
》Alerta de nova missão! Hora de visitar a casa do Cha Seowoon! Complete a missão com sucesso e a afinidade do “Cahaya” vai aumentar!《
Ele não fazia ideia de qual jogo de simulação de namoro aquilo tinha saído. Era ridículo. Seowoon ignorou a besteira do Mensageiro, com a qual já estava acostumado. Em vez disso, jogou na boca o álcool com que tinha enchido o copo. Depois, sem hesitar, se levantou do lugar. De qualquer forma, o sangue nas roupas de Cahaya vinha o incomodando.
Cahaya apenas o acompanhava com os olhos. Mesmo só sentado ali o cara já era um quadro, e com as habilidades dele por cima disso, todo mundo o cobiçava. Seowoon torcia para ele mesmo não estar misturado no meio dessas pessoas.
— O que você está fazendo? Vamos fazer uma inauguração.
Como tinha bebido mais rápido que o normal, Seowoon colocou força nas duas pernas e firmou o equilíbrio. Eles deviam pelo menos limpar o que tinham comido, mas…
Cahaya guardou o álcool que sobrou numa sacola de loja de conveniência. Achando que ele fosse limpar tudo e ir embora, Seowoon estava prestes a ajudar quando Cahaya virou os ombros na direção da saída.
— Ei, eu não te falei? Pega leve comigo.
— Você disse que era um elefante.
Seowoon de repente juntou as duas palmas e as mostrou. Era a postura de quem segura um animalzinho nas mãos.
— É, o nome é assim, mas na verdade ele é muito pequeno. Tipo, desse tamanhinho.
— Você redespertou como isso mesmo?
Cahaya apontou para o animal invisível na palma.
— Bom, algo assim.
O aviso do Mensageiro o impediu de falar com sinceridade.
— Você não me disse que era melhor que um Searcher?
— Isso mesmo. Eu acho mutantes com o meu instinto animal.
— E eu tenho que acreditar nisso?
— É, acredita em mim.
— Quando o vice-líder da guilda está até implorando, claro que eu tenho que acreditar nele de novo. Cha Seowoon-ah, eu vou acreditar em você…
Cahaya arrastou o final da frase de novo.
Antes de sair, Cahaya colocou a máscara. Seowoon também olhou em volta e encontrou um boné de funcionário com “Casa de Carne de Porco Tacheon” escrito. Ele pegou o boné, sacudiu o interior com uns tapinhas e enfiou fundo na cabeça.
Como o elevador tinha parado, eles desceram as escadas. Era só o segundo andar, então sair do saguão não demorou. O vento noturno ainda fresco parecia abanar as bochechas quentes deles.
Passava um pouco das 21h, então as ruas estavam lotadas de gente que tinha bebido. Mesmo com a máscara havia quem reconhecesse Cahaya pelos olhos. Olhares de esguelha e vozes cochichando inevitavelmente seguiam atrás dos dois.
— Ah, verdade. Saiu o terceiro filme, né?
Seowoon mudou de assunto para bloquear o ruído inútil. Era verdade que a continuação do filme que os dois tinham perdido no último ano do ensino médio tinha sido lançada enquanto eles estavam em Naraka.
— Eu já assisti.
— Cahaya, isso é sacanagem do caralho. Com quem você foi dessa vez?
Ele de repente abaixou o rosto e respondeu perto do ouvido de Seowoon.
— Sozinho.
A brisa leve do sussurro fez cócegas no ouvido de Seowoon.
— Eu assisti sozinho, chorando.
Quando ele sussurrou de novo, Seowoon empurrou o rosto de Cahaya e deu risadinhas. A risada de Cahaya também tinha ficado mais solta sem motivo, igual à de Seowoon.
— O que fez você assistir sozinho?
— Com licença!
Diante da voz que colidiu bem atrás das costas dele, Seowoon virou o corpo. Cahaya parou também, então as garrafas de soju dentro da sacola plástica tilintaram umas nas outras. Duas mulheres que pareciam um pouco bêbadas se cutucavam com os cotovelos, mandando uma à outra falar primeiro. Quando Cahaya tentou simplesmente se virar e ir embora, a mulher de cabelo curto diminuiu ainda mais a distância.
— Você é… o Ca…haya-ssi, né? Eu me sinto sempre em dívida com você!
Mansaengjong eram rostos bem conhecidos até só pelos vídeos de eliminação de mutantes. Ser do mais alto escalão por si só já colocava você no centro das atenções e, se a aparência fosse excelente por cima disso? Então você recebia atenção em nível de celebridade. Talvez até mais.
Especialmente Mansaengjong que tinham o conjunto de três partes — habilidade, riqueza e aparência — atraíam olhares por onde passassem. A razão de eles terem criado uma área de restaurantes no prédio da guilda que só eles podiam usar à vontade era a proteção da privacidade.
— Você é muito gentil.
Quando Cahaya respondeu e tentou seguir o caminho, a mulher bloqueou a passagem. Seowoon coçou de leve a sobrancelha com o indicador. Olhar para pessoas mais bêbadas que ele mesmo deixou a cabeça de Seowoon gradualmente mais clara.
— Vocês estão indo para um segundo round, por acaso?
— A gente está indo para casa.
Seowoon respondeu no lugar dele, e a mulher fez “hã?” enquanto olhava para o rosto escondido sob o boné.
“Puta merda, é o Cha Seowoon.”
Ela só disse as palavras com os lábios para a amiga atrás dela. A amiga que se aproximou nesse exato momento também ficou de frente para Seowoon.
— Para casa? Vocês não vão para um segundo round? Nem teve notificação de mutante aparecendo em Seul…
— Ah, foi em outro lugar.
Seowoon deu uma resposta vaga à mulher que sinalizava que eles deveriam beber juntos.
Mesmo nos tempos em que não eram Mansaengjong, havia bastante gente que se aproximava dos dois. Toda vez, Seowoon olhava para Cahaya com um “o que você quer fazer?”, e daquela vez não foi diferente.
“Você quer beber com elas? Então vai lá.”
Vendo aquela reação parecida, Cahaya estalou a língua por dentro.
“Que diabos ele pensa de mim?”
De tempos em tempos, Seowoon o tratava como um cara doido por mulher.
— Não sei se você lembra, mas quando um mutante apareceu na nossa escola, a Tacheon ajudou a gente. Eu e as minhas amigas sobrevivemos graças a vocês. Eu gostaria de dar alguma coisa para retribuir de algum jeito, mas o que você acha?
— Você sabe como a gente atravessou para cá?
Cahaya respondeu com o rosto sorridente.
— O quê? Ah… Vocês precisam de uma coisa chamada minério wu, né?
— Você tem?
— O quê?
Cahaya dobrou o dedo indicador e puxou a máscara para baixo.
— Se você me der isso, eu vou com vocês.
Ele continuava sorrindo, então Seowoon quase não percebeu que ele tinha recusado de forma indireta. Não havia como pessoas comuns terem minério wu. Antes que as coisas se complicassem, Seowoon começou com um pedido de desculpas. O outro lado também não parecia inclinado a forçá-los a ficar e reagiu como se não houvesse nada pelo que se desculpar. Seowoon terminou agradecendo pelo apoio e moveu os pés, levando Cahaya junto.
— Elas nunca nem apoiaram a gente, então o que tem para agradecer?
— Você é burro? É só uma gentileza.
A razão de eles terem saído para a rua sem pensar era porque tinham se acostumado a Naraka, onde só Mansaengjong viviam. Fazia só alguns meses, e ainda assim o modo de viver naquela terra já tinha ficado difuso. Antes, gente pedindo para tirar foto junto era tão frequente que eles nem usavam muito transporte público.
— Você achou que eu ia me divertir com aquelas garotas agora há pouco?
Diante da pergunta inesperada de Cahaya, Seowoon não conseguiu dizer com clareza “sim” nem “não”. Enquanto ele de algum jeito escolhia as palavras, o telefone tocou no momento perfeito. Seowoon estendeu de propósito a tela na direção de Cahaya.
— Número desconhecido.
— Não atende.
A ligação encerrou, seguida de uma mensagem.
[É por isso que eu odeio vocês, desgraçados da Tacheon.]
Não era um número salvo, mas alguém passou brevemente pela cabeça dele.
[Aqui é o Jo Kyungmin.]
Exatamente como esperado, era a pessoa em quem ele tinha pensado.
— Ah… A gente está encrencado.
— O que houve?
Cahaya deu uma olhada na mensagem de Seowoon.
— É uma coisa mínima, porra.
— Eu não sou você.
[Me desculpe, os membros da guilda estavam com muita fome, então a gente foi comer alguma coisa primeiro. Está ficando tarde, então eu entro em contato depois.]
Seowoon mandou a mensagem com toda a cortesia.
[Ei, vice-líder, que tal servir umas aulas de boas maneiras aos seus membros de guilda antes da refeição de verdade?]
Cahaya também viu a resposta combativa que voltou, murmurando com sarcasmo: “Desgraçado nerd”. Seowoon só pensou que ele devia estar muito puto e enfiou o telefone no bolso de trás.
— Ele é assim por causa do complexo de inferioridade.
Assustada, a mão que voltava do bolso de trás tremeu de leve.
— Ele não consegue minério com o próprio poder. É só um cachorro sem força latindo, então ignora.
— Do que você está falando? O Jo Kyungmin até que é gente boa.
— Cha Seowoon, então eu devia simplesmente virar um Curador?
— Você acha que isso é coisa que se faz quando dá vontade? Além do mais, não combina muito com você.
— Eu acho que combina mais com você.
— Do que você está falando? Ser Searcher também não combina comigo. Espadachim combina certinho comigo. Ah, eu tinha um nome para o meu cosmos, mas ele foi levado embora. Devolve a minha habilidade!
Seowoon, bem bêbado, lamentou para o ar.
— Que nome você deu?
— É segredo.
Seowoon arrastou as palavras como Cahaya fazia.
— É óbvio.
— O que é óbvio?
— Violeta, ou roxo. Eu aposto um bilhão que uma dessas palavras está aí.
Cahaya falou sem nem tomar fôlego.
— Não está, tá? A sua criatividade está apodrecendo?
Os olhos roxos de Seowoon, erguendo a voz para refutar, tremeram violentamente.
— Hã? Está tendo um terremoto?
“Terremoto?”
Seowoon olhou para os próprios pés.
— Nas pupilas do Cha Seowoon.
Cahaya deu risadinhas e provocou dizendo que tinha acertado no fim das contas.
》Ah, eu não sabia naquela época. Que os nossos tempos felizes acabariam aqui. Se eu soubesse…….《
— …….
Ele mal conseguiu segurar o palavrão que tentou sair da boca. A narração do Mensageiro era o tipo de fluxo de história que Seowoon odiava: aqueles filmes ou romances que mostram um bom momento e depois insinuam a tragédia que logo viria.
Seowoon cerrou os punhos com tanta força que as unhas cravaram nas palmas.
“Você está tentando me avisar de um futuro sinistro?”
Até então o Mensageiro tinha dado informações necessárias para a vida, não só sobre mutantes, apenas o suficiente para ele não morrer. Parte disso tinha sido próximo de premonição, então ele esperou o futuro que o Mensageiro daria, completamente tenso.
》Eu só estava brincando porque o clima estava bom, mas não esperava que você fosse ficar tão sério. Vou me desculpar te dando um presente no lugar.《
“Era brincadeira?”
Se ele pudesse pegar o Mensageiro pela gola, já teria feito isso umas cem vezes. Ainda assim, como o Mensageiro tinha salvado a vida dele várias vezes, ele podia ser um pouco generoso. Bom, sendo generoso ou não, o Mensageiro nem podia ser cortado fora.
》A partir de agora, eu darei um nome ao cosmos de Cha Seowoon! “Chuva Violeta” poderá ser usado!《
— !
Cha Seowoon parou de repente.
— O que houve?
Cahaya reagiu rápido.
— Cahaya, me empresta a sua espada, rápido.
Não pegar emprestada a arma de outra pessoa era quase uma regra não escrita entre os Mansaengjong. Mas Cahaya geralmente não atribuía significado especial à própria arma. Como esperado, ele entregou a bainha sem uma palavra de reclamação.
Talvez ali mesmo, naquele dia, ele pudesse encontrar de novo a origem de um Mansaengjong que tinha sentido no dia em que despertou. A força encheu a mão de Seowoon.
Seowoon agarrou o punho e shring! desembainhou a espada com bom impulso.
》”Chore da minha espada, Chuva Violeta!”《
— …….
》A condição de uso é gritar a 80 decibéis ou mais.《
Seowoon embainhou a espada de volta.
— Musaranhinho, você acabou de abençoar a minha espada?
Cahaya riu como se aquilo fosse absurdo e pareceu achar que eram só as palhaçadas de bêbado de Seowoon.
— ……Não. Eu estava comparando com a Matahari.
Ele tinha dito que o nome não continha violeta, mas como ele ia gritar aquilo ali? O Mensageiro realmente parecia existir só para sacanear ele.
Havia tempo de sobra de qualquer forma. Ele podia testar em segredo com a Matahari quando chegasse em casa.
— Quer que eu te dê tempo para arrumar as coisas lá dentro?
Cahaya apontou para o apartamento de Seowoon que se erguia lá no alto.
— Esse é o seu costume quando você está namorando uma garota?
— Eu nunca fui à casa de uma namorada.
Cahaya estreitou os olhos de nebulosa.
— Para de mentir.
— Eu realmente acho que nunca fiz isso.
— Qual é o problema do seu circuito cerebral?
— Eu só guardo o que é necessário.
— Mas que porra. Então a lembrança de eu te deixar triste é necessária?
— Essa é vívida pra caralho, na verdade.
Cahaya respondeu, sorrindo enquanto apertava o botão do elevador.
Seowoon às vezes achava uma sorte ser homem. A razão de ele conseguir continuar amigo de Cahaya era porque não era do sexo oposto. Se ele fosse mulher, talvez tivesse avançado sobre Cahaya pedindo para namorar. Se tivesse feito isso, teria sido deixado para trás como um passado de que Cahaya nem lembrava, igual às ex-namoradas dele.
Seowoon olhou para Cahaya refletido na porta do elevador. Cahaya, da mesma forma, encarava Seowoon.
— Por que você se afastou de mim?
Ao contrário do corpo que subia, o coração dele despencou. Ele não esperava uma pergunta tão direta, então já era tarde demais para desviar o olhar.
──── ⋆。˚ ◉ ˚。⋆ ────
♤ Nada contido se refere a realidade♧
■ Se puder, apoie o autor nas plataformas oficiais □
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello