⋆。˚ ◉ Capítulo 17
Capítulo 17
MANSAENGJONG
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— A Privada designou a gente para lidar com o Mutante nº 170, o “Tigre Branco”. Nível de perigo 5, então você e eu estamos automaticamente incluídos.
O uniforme da guilda que Cha Seowoon usava não era muito diferente do uniforme escolar que ele tinha usado no ensino médio.
Um blazer azul-escuro enfeitado com uma linha branca e, no peito, um bode com chifres enormes e caídos. As pupilas do bode eram fendas horizontais, grotescas o bastante para simbolizar um demônio.
Se você ignorasse o emblema da guilda, Seowoon ainda poderia passar por um estudante do ensino médio.
— Cha Seowoon, só eu e você?
Cahaya o observou com atenção, mas Seowoon só olhou para a Matahari.
— Não, eu vou levar o Yoochan também. Eu e o Yoochan vamos chamar a atenção do Tigre Branco, e você finaliza.
Como se a notícia já tivesse sido passada adiante, Yoochan entrou no escritório da guilda. Seowoon, que não tinha olhado para Cahaya uma vez sequer, se levantou com um sorriso no instante em que Yoochan chegou.
“Que história é essa……. Por que diabos o Cha Seowoon mudou tanto?”
Cahaya não conseguia entender. Até o segundo ano do ensino médio eles ficavam grudados quase todo dia, mas em algum momento Seowoon tinha começado a manter distância, dizendo que precisava se preparar para o CSAT. Depois que a prova acabou e ele entrou na universidade, o contato foi cortado por completo. Depois o número de telefone dele até mudou, e ele nunca contou a Cahaya.
Quando eles se reencontraram na guilda depois de tanto tempo, ele só tinha ficado feliz, mas agora não conseguia sorrir.
— Desde quando a Tacheon virou um jardim de infância? A gente não tem folga para ficar de babá do Kim Yoochan num nível 5.
— O Yoochan também precisa da experiência. Eu não estou pedindo para você bancar o professor. Eu cuido do Yoochan.
— Ah, o Vice-líder hyung é muito foda!
Yoochan, que seguia Seowoon como um filhote, abriu um sorriso exatamente igual ao de um cachorro.
“O que o Seowoon faria se eu dissesse que não vou?”
Esperar por Han Donhee, que estava no interior, só criaria mais baixas. Cahaya não se importava particularmente com as baixas. Ele preferia não ir de jeito nenhum a levar o irritante do Kim Yoochan junto.
— Em troca de levar o Kim Yoochan, Cha Seowoon, você janta comigo.
Cahaya impôs a condição. Ele só queria ouvir a razão de Seowoon estar afastando ele. Os olhos de Seowoon ficaram redondos, e então ele imediatamente olhou para Yoochan.
— O que eu faço? Eu já prometi comer com o Yoochan hoje.
Um lampejo de confusão cruzou o rosto de Yoochan, mas ele logo sorriu como se nada estivesse errado.
— Cahaya hyung, me desculpa. Eu tenho uma coisa que preciso conversar com o Vice-líder hyung para pedir conselho, então o que a gente faz?
— Cha Seowoon, é tão difícil assim, porra, comer uma refeição comigo?
Cahaya era tão rápido quanto o esperto do Yoochan e leu a mentira óbvia. Se ele ia evitá-lo de forma tão aberta, por que tinha entrado na mesma guilda, para começo de conversa? Cahaya simplesmente não conseguia entender Seowoon.
— Eu sou o vice-líder da guilda, então eu estou ocupado pra caralho. A gente vai indo primeiro.
Seowoon pôs a mão no ombro de Yoochan e saiu do escritório.
A razão de eles terem se afastado tinha sido mesmo a preparação para o CSAT?
Cahaya não queria perturbar Seowoon quando ele disse que queria focar nos estudos. Ele só tinha pensado casualmente que, uma vez terminada a prova, os dois poderiam ir à praia ou algo assim juntos.
Cahaya lembrou da última vez em que tinha visto Seowoon antes de despertar como Mansaengjong.
Foi em março do ano em que ele fez vinte anos.
Flores de cerejeira derrubadas pela chuva que tinha começado à tarde flutuavam em poças sujas. Depois de se formar, ele tinha arrumado dois bicos, então aquela tinha sido a única contemplação de cerejeiras de verdade dele. Os turnos colados esgotavam até a boa resistência de Cahaya.
De manhã cedo, voltando para casa pela rua molhada, Cahaya parou num ponto específico.
O muro baixo construído na ladeira para evitar quedas era um lugar onde ele e Seowoon tinham conversado muitas vezes. Ele subiu com um pulinho leve no muro que batia mais ou menos na cintura dele. Olhando para baixo, dava para ver o apartamento onde Seowoon morava.
“Seu desgraçado, não me odeia mesmo se eu te deixar triste, exatamente como o meu nome sugere. Eu só nunca tive educação decente em casa. Deram o nome de Seowoon para o moleque por um motivo, né?”
Uma risada curta escapou. O corpo do tio dele não era mais o que costumava ser, então Cahaya tinha se jogado na frente de trabalho corrida no lugar dele, e ainda assim momentos como aquele faziam ele pensar em Seowoon.
“Você está curtindo tanto assim a vida de faculdade? Tanto que nem consegue me dar uma ligada?”
A decisão de ir atrás da universidade de Seowoon foi um tanto impulsiva. Ele esperou o amanhecer de olhos abertos, foi até o campus e ficou esperando por Seowoon, que poderia sair a qualquer momento. Depois de umas três horas, entre os grupos de calouros que jorravam para fora, Seowoon se destacou logo de cara. Enquanto Cahaya encarava, Seowoon pareceu sentir o olhar e os olhos deles se encontraram.
Por um momento, tanto alegria quanto surpresa permaneceram no rosto de Seowoon. Mas ele logo continuou conversando com as pessoas ao lado dele, como se estivesse dando as costas. Cahaya não segurou Seowoon quando ele passou raspando.
Só então ele percebeu que alguma coisa estava muito errada.
Fazia mais de dois meses desde que o número de telefone de Seowoon tinha mudado, mas ele tinha esperado achando que o contato viria algum dia. Assim como quando Seowoon estava se preparando para o CSAT, ele tentou entender e ser compreensivo com as circunstâncias dele. O que voltou foi apenas uma distância imensa.
— Porra, é uma sensação péssima.
Uma voz plana escapou da boca de Cahaya.
Ele queria uma razão clara para as coisas entre ele e Seowoon terem ficado daquele jeito.
“Eu devia ter agarrado o Seowoon que me ignorou e passou reto? Ou eu devia simplesmente ter parado de me importar, do jeito que algumas relações naturalmente se afastam conforme a vida segue?”
Enquanto afundava infinitamente em pensamentos, um mutante enorme apareceu de repente bem diante dele.
O mutante que lembrava o Tigre Branco dos Quatro Símbolos estava envolto em energia azul pelo corpo inteiro. Quando abria o focinho, o interior dos dentes afiados era preto como breu.
Cahaya se sentiu desconcertado com a mudança repentina de situação, mas, como alguém sonhando, não ficou na dúvida.
“Ei! Seus desgraçados loucos! Voltem a si! O parque temático vai desaparecer! A nossa guilda não tem dinheiro para cobrir tantos danos!”
O Tigre Branco pingando saliva tinha uma aura azul feroz. O comprimento do corpo da coisa que arreganhou os dentes e avançou chegava a uns dez metros e, apesar da estrutura pesada, os movimentos eram ágeis.
“Cahaya!”
Enquanto bloqueava os dentes afiados com a espada, Cahaya inclinou a cabeça em confusão de novo. Quando olhou para trás, Seowoon estava do lado de fora do recinto do Tigre Branco, gritando.
“Por que o Cha Seowoon está só assistindo lá de longe?”
“Cahaya!”
Mas a voz o chamando preocupada soava bem. Lutar contra o Tigre Branco não era difícil, e ainda assim ele não queria terminar a luta de uma vez. Ele arrastou de propósito, usando a preocupação que jorrava de Seowoon como nutriente enquanto se descontrolava.
“Você vai agir assim depois de me manter à distância esse tempo todo?”
A sede que tinha se acumulado em relação a Seowoon pareceu aliviar só um pouquinho.
O último suspiro do Tigre Branco encharcado de sangue repousou na ponta da espada de Cahaya. Ele olhou para trás de repente, mas Seowoon já tinha ido embora.
— Ah…
Cahaya soltou um muxoxo curto.
Kim Yoochan, que deveria estar ali desde o começo, não estava em lugar nenhum. Aquilo era diferente do passado de que ele se lembrava.
No dia em que enfrentaram o Tigre Branco no grande parque, Seowoon não tinha demonstrado o menor interesse por ele. Ele só estava segurando Yoochan, que tinha avançado contra o Tigre Branco com sangue quente e se machucado. Naquele dia Seowoon até tinha despejado ressentimento nele por não ter finalizado o Tigre Branco logo de cara.
A ponta da espada de Cahaya apontava para o chão. Ele puxou o ar calmamente sob a máscara. Os esporos alucinógenos que entraram junto com o ar eram matéria estranha que não deveria existir no universo dele. Ele empurrou os esporos alucinógenos para fora do mesmo jeito que liberava o cosmos.
Quando a visão dele finalmente clareou, uma bagunça espetacular se revelou. A figura encharcada de sangue ofegante por ar não era um Tigre Branco de jeito nenhum, mas Han Donhee, e Kangsan estava enlouquecido, tendo perdido toda a razão. Um terror extremo se misturava aos gritos de Kangsan.
O mesmo medo intenso de “matar ou morrer” persistia nos olhos do caído Han Donhee. Cahaya arrancou a espada de Han Donhee, que parecia pronto para jogar a vida fora e atacar. Imediatamente colocou Han Donhee nas costas e correu na direção oposta à que tinha jogado a espada.
O ponto de partida das alucinações tinha sido aquele portão do castelo.
— Bleeergh! Cof!
No segundo em que deixaram o portão, Han Donhee começou a vomitar como se estivesse esperando por isso. Ele cuspiu não só água sanguinolenta, mas coágulos de sangue de verdade. Os cortes da espada não eram só um ou dois, se demorassem mais ali, a vida dele não poderia ser garantida. Cahaya voltou correndo para dentro do parque de diversões para trazer Kangsan também.
Ele procurou por Seowoon durante toda a corrida, mas nem um retalho das roupas que ele estava usando era visível. Ainda era cedo demais para sentir alívio, mas também não havia sangue nem carne que parecesse pertencer a Seowoon. Se ele tivesse se escondido em algum lugar para não ser pego no meio deles, aquilo era na verdade uma sorte.
Fosse qual fosse o terror que o tinha tomado, a calça de Kangsan estava completamente encharcada. Como ele girava a espada de forma descontrolada, as aberturas apareciam por toda parte. Cahaya não estava em posição de achar Kangsan patético por ter perdido a razão e não conseguir demonstrar nem metade da habilidade de sempre. Afinal, ele mesmo quase tinha matado Han Donhee.
Cahaya cravou o punho da espada no espaço aberto na lateral de Kangsan.
— Aargh!
Ele agarrou o Kangsan que gritava com as costelas se estilhaçando, tratando-o como um animal. Cahaya dominou na força bruta o Kangsan que se debatia freneticamente, mas Kangsan, colocando tudo o que tinha na fuga, também não era qualquer um. Ainda assim, Kangsan era apenas um escalão superior nível 5.
Cahaya dispersou o cosmos de Kangsan para que não pudesse se juntar num lugar só. Uma energia vermelha se achatou contra o chão como se a gravidade agisse apenas sobre Kangsan, e foi atrás dele.
Cahaya basicamente jogou Kangsan no chão ao lado de Han Donhee. Carregar dois corpos pesados e correr sem parar tinha deixado até a respiração de Cahaya áspera.
— Cof, cof, bleeergh!
Kangsan nem conseguia controlar o corpo enquanto despejava tudo o que tinha comido. Fosse lá com o que tivesse se entupido, era como um esgoto ao contrário sem fim.
— Seo Kangsan.
Cahaya ergueu Kangsan e bateu com força nas costas dele. Um pedaço inteiro de peito de frango mal mastigado saiu.
— Cof, cof! Bleergh! Hy, hyung! As minhas tripas estão saindo! Ah, merda, o meu lado……. Que porra é essa…….
— Leva o Han Donhee para o hospital da guilda Geral agora mesmo.
Kangsan enxugou o rosto com a camiseta e ficou sem ar no instante em que viu Han Donhee. O cosmos de Han Donhee, operando inconscientemente, envolvia a ferida aberta no estômago dele. O sangue continuava saindo, tudo o que aquilo fazia era impedir que os órgãos se derramassem.
— O pessoal da guilda Geral está em Seul agora?!
Só depois de colocar Han Donhee no carro é que Kangsan gritou, tardiamente.
— O Jo Kyungmin está lá. Vai logo!
Kangsan segurou a lateral do corpo e abriu a porta do motorista. Levantou a cabeça de repente e olhou na direção do parque temático.
— Hyung! E o Seowoon hyung?!
— Eu acho ele.
Cahaya embainhou a espada e saiu correndo em direção ao parque temático num só fôlego.
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Nota:
[1] Seowoon (서운) a que ele se refere vem de 서운하다, que significa deixar alguém triste.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello