⋆。˚ ◉ Capítulo 11
Capítulo 11
MANSAENGJONG
만생종
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No momento em que ele atravessou o Portal, a entrada da frente apareceu, e com uma dor de cabeça monstruosa ele mal conseguiu se arrastar até a cama. Ele tinha atravessado por volta das 7h, então só tinha dormido umas duas horas.
Seowoon refez os próprios passos um a um e olhou de novo para a entrada. Era a primeira vez que ele usava o Portal, mas havia uma coisa que ele conseguia deduzir.
O lugar onde ele estava logo antes de ser despejado em Naraka pela primeira vez provavelmente tinha sido a entrada da frente.
Parecia que, quando você ia deste mundo para Naraka, todo mundo se reunia no Portal na Encruzilhada, mas quando voltava de Naraka para este mundo, você retornava ao último lugar onde tinha estado.
Ainda segurando a Matahari contra o peito, Seowoon procurou o celular às pressas.
“Onde diabos eu coloquei o meu celular……?”
Tinha se passado mais de três meses, então a memória estava embaçada.
[Uma chamada recebida de “Pai”. Gostaria de ser conectado?]
Ele estava fuçando embaixo do sofá quando a caixa de som com IA o tirou daquilo.
— Cadê o meu celular?
[Mestre, isso eu também não sei. Devo prosseguir com a conexão?]
— Não.
[Vou marcar como perdida.]
Seowoon espremeu cada resquício de memória antiga que conseguiu, tentando descobrir onde tinha colocado o celular.
— Ah!
“Por que eu não pensei nisso antes?”
Se ele estava na entrada da frente logo antes de cair em Naraka pela primeira vez, ele devia estar indo para a rua. Ele não tinha o celular no bolso na época, então as chances eram altas de estar na prateleira do sapateiro.
Ele correu de volta para a entrada e achou o celular na prateleira onde guardava as chaves do carro. Ao contrário do que esperava, a tela nem estava empoeirada. Pensando bem, a casa inteira parecia surpreendentemente limpa para um lugar que tinha ficado vazio tanto tempo.
Só então ele lembrou que tinha autorizado a diarista a entrar duas vezes por semana. O período do contrato ainda estava correndo, então ela tinha continuado limpando conforme o combinado mesmo sem o dono por perto.
Seowoon puxou o cabo de carregamento embutido da mesa da sala e ligou o celular. Tamborilou os dedos como se estivesse tocando piano, esperando ele ligar.
Logo a tela acendeu e as mensagens jorraram como bombardeio de saturação. Seowoon ignorou as que chegavam e tocou no histórico de chamadas.
Desde o dia em que ficou trancado em Naraka, tinham chegado ligações de todo lado. Não só do Centro de Controle de Desastres Mutantes, mas dos pais e dos amigos também.
[Centro de Controle de Desastres Mutantes (83 chamadas perdidas)]
[Lee Yuseong]
……
……
[Pai (21 chamadas perdidas)]
[Mãe (11 chamadas perdidas)]
[Guilda Tacheon Cahaya]
Enquanto conferia os registros de chamadas perdidas, Seowoon inclinou a cabeça.
Havia registros de chamadas com Cahaya entre 31 de dezembro e 1º de janeiro. A ligação durou cerca de dez minutos, por volta da meia-noite.
“Que diabos a gente conversou naquele dia……?”
Por mais que cavasse, nada vinha, então provavelmente era só alguma conversa chata de administração da guilda.
[Guilda Tacheon Cahaya]
Só de olhar o nome salvo, a distância ficava concreta.
Pensando bem, nos primeiros seis meses depois de entrar na guilda, entre eles só houve negócios. Diferente do ensino médio, contato pessoal com Cahaya tinha sido raro, e eles quase nunca se encontravam fora dos compromissos da guilda. A distância provavelmente tinha vindo toda do complexo de inferioridade dele mesmo.
Ele estava prestes a mudar “Guilda Tacheon Cahaya” para só “Cahaya” e ligar para ele quando um toque ainda mais rápido veio de “Pai”.
O pai dele era o tipo de homem que ligaria mil vezes se você não atendesse.
— ……Sim, pai.
[Cha Seowoon! Você tem noção do quanto a sua mãe e eu ficamos preocupados?]
Havia preocupação genuína com o filho grossamente estratificada na voz do pai dele.
[Você devia ter ligado para os seus pais assim que voltasse. Que história é essa de ficar calado até os seus pais terem que entrar em contato primeiro? Foi assim que a gente te criou? Você está me perguntando se eu tenho que descobrir notícias suas pela TV?]
O “desculpa por ter preocupado vocês” ficou entalado na garganta dele.
[E por que a senha da casa ainda está assim? Estranhos não podem entrar? Desde quando pais viraram estranhos?]
Tudo o que tinha se acumulado ao longo dos meses veio jorrando quase em velocidade de rapper.
— Eu quase morri e voltei, pai.
Só quando o pai parou para respirar é que Seowoon conseguiu enfiar uma palavra.
[O Cahaya e os outros estão indo e vindo numa boa, então por que só você está assim? Que diabos você estava fazendo esse tempo todo?]
Ele não queria reagir emocionalmente, mas ainda era humano, e aqueles ainda eram os pais dele, então doeu.
— Eu falei que quase morri.
[…….]
— Só dizer “que bom que você voltou em segurança” já teria bastado.
No passado ele nem podia dizer que estava doente quando pegava um resfriado comum.
Tudo o que ele recebia era “Você ficou doente porque não cuidou do seu corpo”. Depois disso muitas vezes, você começava a sentir que pegaria doenças extras que nunca teve.
— Pode passar para a Mãe?
Um suspiro longo veio pela linha, depois a voz baixinha da mãe.
[Seowoon-ah, você está bem? Não está machucado em lugar nenhum?]
A voz dela estava ainda mais baixa que o normal, como se ela estivesse segurando as lágrimas.
— Sim, estou bem, mãe. Eu estressei muito a senhora? Não se sinta mal por causa da senha da entrada. Eu mudei da última vez, quando chamei a diarista.
[Seowoon-ah, você está mesmo bem? A mãe… devia ir aí agora?]
A mãe dele era a única e exclusiva razão de ele não conseguir largar a família.
— Eu vim porque tenho coisas para fazer. Não vou ficar muito tempo, então eu apareço quando puder.
[Que tipo de coisa é mais importante que os seus pais?]
Como esperado, o pai dele cortou. Ele provavelmente tinha colocado no viva-voz antes de passar o telefone.
— Que coisas eu teria? Só bater em monstros para que gente como o senhor possa dormir com os dois pés esticados, pai.
[Cha Seowoon, que porra é esse seu tom……, você perdeu o juízo?!]
“Por quê, eu não posso responder um pouquinho? Depois de vinte e três anos sem dar um pio e fazendo tudo o que mandaram, não basta? Não é só o senhor que sabe fazer birra, Pai. Eu também sou bom pra caralho nisso. Quer provar a Genkidama que eu venho carregando há vinte e três anos? Diga o que quiser, eu continuo ótimo, eu me tornei aquele Searcher incrível e vivi três meses inteiros comendo mato. Agora eu entendo por que os monges jejuam até encontrar a iluminação. Quando você está com tanta fome, tudo fica vazio e as preocupações do mundo não significam merda nenhuma. A parte injusta é que, mesmo depois de eu ter conseguido a iluminação, no segundo em que eu volto ao mundo secular as preocupações voltam junto.”
— Namo Amitabha.
[O quê?]
— Eu te ligo depois, mãe.
Seowoon desligou na cara do pai pela primeira vez na vida, com um clique seco. Mesmo enquanto bloqueava o número, as mãos dele tremiam e o coração disparava. Ele tinha encarado mutantes numa boa e, ainda assim, não conseguia fazer o mesmo com um pai que era mais fraco que ele.
Ele se sentia exatamente como um urso de circo. Muito mais forte que qualquer pessoa e, ainda assim, criado sob controle e pressão constantes até ficar burro demais para sequer pensar em revidar. Qual era a diferença entre ele e aquele animal?
“Se Cahaya tivesse nascido filho do meu pai no meu lugar…….”
Seowoon se forçou a parar o pessimismo que já tinha passado do ponto da autocrítica objetiva. Dessa vez ele finalmente apertou o botão de chamada para Cahaya.
[Já acordado, hein?]
A voz de Cahaya soava mais feliz de ouvi-lo do que nunca.
— Como é que… como você sabia que eu estava dormindo?
[Pelo visto é assim da primeira vez. Comigo não foi, porém.]
Até o riso na voz dele era bom de ouvir.
— Onde você está agora? Em casa?
Pensando bem, ele nunca nem tinha sabido onde Cahaya morava esse tempo todo.
[É, em casa.]
— Eu vou até você. Para onde eu vou?
[O lugar onde eu morava com o meu tio.]
Ele quase soltou “Não me diz que você ainda está naquele semi-subsolo?”, mas engoliu a pergunta.
[Quer que eu leia o endereço?]
— Você está me tratando como um paciente com amnésia? Eu passei lá só uma ou duas vezes? Eu sei onde é.
[Então só me encontra no destino.]
— Beleza, vou tomar um banho antes de sair.
Seowoon esperou até Cahaya desligar. A dívida que ele tinha acumulado por tentar mantê-lo à distância fazia com que quisesse fazer pelo menos isso.
[Você acreditou mesmo naquilo? Eu não moro mais lá.]
— Por que diabos você ia brincar com uma coisa dessas.
[A gente foi expulso por causa da reforma urbana no fim do meu último ano.]
— …….
Dessa vez ele realmente não teve o que dizer. Naquela época ele estava enterrado nos estudos para o CSAT e não fazia ideia.
[Cha Seowoon, você não estava nem aí para mim, né?]
Ainda bem que Cahaya fez pouco caso, como se não fosse nada.
— Eu retiro o que disse. Vou te pagar churros.
[Cem deles.]
— Fechado. Todos os churros do parque temático são seus.
[Até mais.]
— É, me dá uma hora. Eu ligo de novo quando sair.
Dessa vez foi Seowoon quem apertou o botão de encerrar a chamada.
Era por causa de um mutante, mas o fato de finalmente irem ao parque temático que nunca tinham conseguido visitar antes deixou nele uma sensação estranhamente complicada. Ele achava que talvez tivesse desligado com um “até mais” na manhã de uma excursão uma vez, mas não tinha certeza.
Era um mutante de nível 5, então ele não deveria estar animado, e ainda assim a sola dos pés coçava. Era quase como se ele tivesse voltado direto para a relação de ensino médio que costumava ter com Cahaya.
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Nota:
[1] Namo Amitabha: um canto budista para controlar e diminuir o surgimento de pensamentos negativos.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello