⋆。˚ ◉ Capítulo 65
Capítulo 65
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Cahaya vagou.
Do parque ao rio Han e, por fim, ao Mar do Leste.
Normalmente, quando as pessoas viam algo fofo, tinham vontade de morder ou beijar aqui e ali, mas, por mais adorável que fosse o filhote, ele não sentia vontade de fazer isso. E a boca escancarada do peixe-escorpião era engraçada demais.
Assim como tentava descobrir por que Seowoon tinha se distanciado, ele também buscava um motivo para as próprias atitudes. Ele viajou pelo país inteiro em busca de respostas, mas não encontrou nenhuma.
De pé nas ondas do Mar do Leste, Cahaya olhou para o sol brilhando com tanta intensidade que doía nos olhos. Sem que percebesse, seu corpo estava boiando para longe da praia.
“Você gosta dele?”
“Foi você que destruiu aquele site.” [capítulo 60]
As palavras de Uhm Jigeon não estavam erradas. Claro que ele gostava de Seowoon, e foi por isso que destruiu aqueles desgraçados que tratavam Seowoon daquele jeito.
“Mas em que eu sou diferente deles?”
Ele tinha se tornado um desgraçado ladrão, um canalha que roubou um beijo de alguém dormindo. E, pior, ele ainda ficou duro. Ele teve uma ereção só com um beijo breve.
Cahaya olhou para baixo, para a parte inferior do corpo, mas não havia reação nenhuma agora.
Ele nunca tinha reagido assim só por querer beijar alguém antes. Nem mesmo com o filhote que criou em Sulawesi.
“Vocês são só amigos?”
“E se uns desgraçados tratassem o Han Donhee ou o Kangsan assim? Eu teria reagido da mesma forma?”
Deixando tudo o mais de lado, ele tinha cometido o grave pecado de roubar um beijo de Cha Seowoon enquanto ele dormia. Se Seowoon descobrisse, ficaria bravo e perguntaria por quê.
“O que eu ia dizer?”
Os pensamentos íntimos de Cahaya eram mais altos que as ondas quebrando.
Naquele instante, o fedor nojento que ele achava ser só o cheiro de peixe do mar foi se espalhando por toda parte.
“Está tudo tão irritante pra caralho”
Cahaya virou o rosto frio e afundou no mar. Ele nem queria caçar o mutante, então nadou em direção à terra. De repente, algo disparou das profundezas — uma água-viva gigante com um chapéu marrom opaco e milhares de tentáculos vermelhos. Era claramente um mutante, com pelo menos 10 metros de diâmetro.
Quando Cahaya tentou nadar passando por ela, a água-viva se encolheu e estendeu os tentáculos, vencendo a distância num movimento rápido. O corpo em forma de sino da água-viva se esticou como quatro pernas, cada uma coberta por milhares de tentáculos.
Ao encontrar sua presa, ela liberou nematocistos dos tentáculos. Quando os nematocistos tocaram o antebraço de Cahaya, manchas vermelhas apareceram e desapareceram repetidamente.
Para Cahaya, era só um formigamento, mas o veneno teria sido letal para um humano normal. Ele ignorou o mutante grudado nele como chiclete (como Seowoon dizia) e nadou até o continente.
Ele planejava ignorá-lo se se soltasse sozinho, ou matá-lo se o seguisse até a terra firme. A julgar pelo tamanho e pela toxicidade, ele calculou que fosse por volta de nível 3.
O veneno da água-viva fazia as outras criaturas marinhas afundarem até o fundo ou boiarem até a superfície. Cahaya conseguia lidar com qualquer coisa na água, mas não queria desperdiçar energia demais.
Isso até a água-viva enrolar os tentáculos nas pernas dele. Então ele agarrou com a mão a cabeça dela em formato de guarda-chuva.
Enquanto Cahaya nadava segurando a cabeça, a água-viva se debatia e disparava seus nematocistos. O mar azul ficava vermelho-sangue por causa dos nematocistos por onde quer que ele passasse.
Quando chegou à terra firme, ele sacudiu a cabeça e puxou a água-viva para cima. Aquela coisa, cujo corpo inflava de forma tão gigantesca no mar, estava tão flácida fora d’água, e só os tentáculos se debatiam fracamente.
Cahaya rasgou a água-viva, que era várias vezes maior que ele. Quando abriu as quatro pernas dela, um fluido vermelho jorrou, liberando milhares de ovos que explodiram, fazendo as pessoas próximas gritarem.
Cahaya despedaçou o mutante sem usar nenhum cosmos para se proteger. Era um mutante de nível 3, então, mesmo que o veneno persistisse, logo desapareceria. Aquilo era em parte uma expressão da sua raiva — um castigo para uma criatura que o incomodou enquanto ele boiava no mar para espantar a confusão da mente.
Cahaya caminhou pela praia manchada de sangue, parecendo ter cometido um assassinato. Atrás dele, o cadáver do mutante queimava. Ele entrou no carro sem sequer se dar ao trabalho de limpar o fedor nojento.
Manchas vermelhas apareceram por todo o corpo de Cahaya por causa do veneno, mas não eram perceptíveis, já que estavam cobertas por um fluido parecido com sangue. Ele pisou no acelerador, sem saber para onde estava indo.
Sua audição estava mais aguçada que o normal, provavelmente porque o veneno tinha algo que estimulava seus nervos simpáticos. Até sua visão parecia intensificada, fazendo a luz do meio-dia cintilar de forma brilhante.
Como os carros à frente pareciam ter desacelerado e parado, ele acelerou um pouco mais. O ronco do motor era alto como um trovão, e as luzes do túnel eram ofuscantes. Suas células nervosas estavam disparando, aguçando seus sentidos.
Ele colocou o celular no carregador sem fio do carro. Se tivesse sido arruinado pela água do mar, não havia muito o que fazer, mas se funcionasse, já era bom o bastante.
Ele se sentia impotente, apesar dos nervos em polvorosa. Assim que o celular ligou, as mensagens inundaram a tela quase imediatamente.
[Sério, onde você está agora? Eu vou me encontrar com o Lee Gwangwoong da Ohsung hoje. Chamei o Han Donhee porque você não estava aqui.]
A mais recente era uma mensagem de texto, não do chat. Cerca de 20 minutos antes.
“Você chamou o Han Donhee porque eu não estava lá?”
As palavras da mensagem de texto se destacaram para ele como uma fotografia parada. Embora não pudesse pisar mais fundo no acelerador, ele tentou mesmo assim. Pegou o celular e mandou uma mensagem para Han Donhee, perguntando onde ele estava.
Tudo no mundo parecia tão lento que era quase entediante.
[Numa reunião no escritório da guilda. O Cha Seowoon está puto pra caralho porque você sumiu.]
Cahaya jogou o celular sobre a base de carregamento. Até o chacoalhar do carro o irritava. No fim, ele jogou o celular longe e dirigiu em frente. Ele não tinha pregado o olho desde que saiu da casa de Seowoon, e seus olhos estavam vermelhos — não por causa do fluido do mutante.
“Você chamou o Han Donhee porque eu não estava lá?”
Era uma sensação tão suja quanto a daquela vez no parque de diversões.
Olhando de perto, a resposta não deveria ser difícil de encontrar. Já que ele tinha feito uma coisa tão baixa com Seowoon, a resposta também estaria com Seowoon.
Cahaya estava à beira de perder a capacidade de pensar com clareza por causa da perturbação excessiva do seu sistema nervoso.
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— Isso está me deixando louco.
Seowoon andava de um lado para o outro no quarto de Cahaya, no prédio do escritório.
A reunião tinha sido interrompida porque Cahaya desmaiou depois de entrar na sala, mas isso não era importante. Seowoon não sentia nenhuma alegria mesmo tendo finalmente visitado a casa de Cahaya.
Assim que Seowoon viu o estado do quarto, ficou brevemente chocado, mas teve que limpar todos os fluidos corporais de Cahaya. Depois disso, esperou que Cahaya acordasse.
No entanto, depois de uma hora, depois de duas, algo estranho começou a acontecer com Cahaya. Ele estava encolhendo.
Não, mais precisamente, ele estava ficando mais novo.
Seowoon pensou em ligar para Han Donhee, que tinha ido para casa, mas decidiu não fazer isso. Han Donhee também não teria uma resposta.
“Será que eu devia ligar para o Jo Kyungmin?”
Jo Kyungmin não gostava deles, mas Seowoon não queria que mais ninguém soubesse do estado de Cahaya. Ao longo de algumas horas, Cahaya passou da sua versão do ensino médio para o que parecia uma versão do ginásio que Seowoon nunca tinha visto antes.
“É por causa do mutante? Ou é um efeito colateral de usar o Portal?”
Cahaya foi o primeiro a usar o Portal. Se aquilo fosse um efeito colateral, poderia ser um problema enorme para todos os Mansaengjongs.
Seowoon enxugou o suor da testa de Cahaya, que agora parecia tão pequena que sua mão a cobria por completo.
Ele tentou desesperadamente chamar o Mensageiro várias vezes, mas não recebeu resposta. No fim, não teve escolha a não ser ligar para Jo Kyungmin como último recurso. Se Jo Kyungmin tentasse qualquer coisa suspeita, Seowoon prometeu a si mesmo que não deixaria passar, nem que fosse preciso destruir a guilda inteira de curandeiros de Jo Kyungmin.
Jo Kyungmin chegou quando Cahaya aparentava uns seis ou sete anos. Se aquilo continuasse, ele viraria um bebê?
Seowoon bagunçou o cabelo várias e várias vezes, andando de um lado para o outro, nervoso.
— Isso aqui é uma prisão, por acaso?
Jo Kyungmin estalou a língua ao entrar no quarto e olhar em volta.
O apartamento de Cahaya, no último andar do prédio do escritório, tinha apenas um banheiro e uma sala combinada com o quarto principal. Fora uma cama e uma escrivaninha com um notebook, não havia nada que pudesse ser chamado de móvel.
Parecia pior que um quitinete comum, já que ele basicamente só dormia ali. Ninguém acreditaria que aquilo era a casa de um Mansaengjong do mais alto escalão.
— O que é isso, esse moleque? Você está sequestrando crianças agora?
Jo Kyungmin repreendeu Seowoon, que continuava andando de um lado para o outro como um louco.
— Quando você chama alguém, você precisa dizer por quê. Você… Nem pensar, você matou os pais desse moleque?
Ele parecia frustrado e exigiu saber por que Seowoon não respondia às suas perguntas.
— Doutor, se o senhor não mantiver isso em segredo, eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para destruir o senhor e a sua guilda.
Jo Kyungmin respondeu: — Que tipo de absurdo você está falando? — mas então sua expressão ficou séria.
— Você me chamou pedindo ajuda e agora está me ameaçando?
Seowoon não demonstrou nenhuma reação e apenas o encarou com seus olhos roxos. Seu olhar geralmente era caloroso, mas agora aqueles olhos estavam frios.
— Isso é uma questão tão importante assim? — Jo Kyungmin perguntou, estalando a língua. — Me conta o que está acontecendo. Contanto que não seja crime, eu guardo o seu segredo.
— É o Cahaya.
— O quê?
— O moleque deitado aqui é o Cahaya.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello