⋆。˚ ◉ Capítulo 60
Capítulo 60
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— Ei……. Você não é ignorante demais no jeito de usar o pulso?
— Eu não tenho nenhum problema para usar o braço.
— Mesmo com essa cicatriz aqui?
— Está tudo bem. Senão, o Cha Seowoon ia se sentir culpado.
— Por que eu me sentiria culpado? — Seowoon fez uma pausa. — Ei, você está de brincadeira comigo? Cortar o seu próprio pulso tem alguma coisa a ver comigo?
Cahaya deu um sorriso hesitante, como se quisesse dizer alguma coisa. Ele se lembrou tardiamente de que tinha cortado o pulso para se libertar da alucinação.
— Não me diga que… Fui eu que cortei? — Seowoon largou a cerveja, umedecendo os lábios.
— Com a força de um musaranho?
Ao ouvir aquilo, Seowoon ficou um pouco aliviado pelo fato de não ser o culpado. Mas, como ainda restava dúvida em seus olhos, Cahaya explicou:
— Eu acabei incendiando a mansão do terror porque controlar os elementos é meio difícil. Eu vi você pegando fogo e tentei apagar as chamas, mas aí as nossas mãos congelaram. Assim.
Cahaya segurou a mão de Seowoon com a mão esquerda gelada, fingindo erguer a espada com a outra mão e usá-la para golpear o próprio pulso esquerdo.
— Eu não conseguia sair daquilo, então simplesmente cortei o meu pulso…….
Sentindo pena, Seowoon tocou de leve a cicatriz que restava. Provavelmente tinha sido a melhor coisa que Cahaya poderia fazer naquele momento. Mas ele não sabia disso e ainda o chamou de ignorante.
— Mas eu estou feliz que você esteja bem.
Cahaya olhou para a mão de Seowoon acariciando gentilmente seu pulso. O lugar que ele tocava fazia cócegas, como se houvesse plumas naquelas pontas de dedos. Ele sussurrou perto do ouvido de Seowoon.
— Se eu não estiver bem, você tem que cuidar de mim, Cha Seowoon. Ou você vai simplesmente me evitar?
— Do que você está falando? Claro que eu vou te compensar de alguma forma. Como a gente se livra dessa cicatriz?
Cahaya admirou em silêncio a seriedade nos olhos de Seowoon.
— De alguma forma?
— Por que você fica repetindo o óbvio?
— Eu bato punheta com a mão esquerda.
Seowoon estremeceu e apertou o pulso de Cahaya, erguendo rapidamente os olhos para ele. A expressão no rosto daquele cara confirmava que ele tinha ouvido direito.
— Força e velocidade são muito importantes, mas se eu não conseguir me mover como antes, eu ia chorar.
Cahaya acrescentou porque a reação de Seowoon era engraçada demais.
— Uma coisa dessas é mesmo tão importante para você?
— “Uma coisa dessas”? Uau, Cha Seowoon, você disse que ia me compensar e agora está voltando atrás?
Seowoon largou rapidamente o pulso de Cahaya.
— Resolve isso sozinho. Qual é a utilidade de ter uma mão direita se você não usa? Você está falando um monte de besteira.
Seowoon virou a cerveja e enxugou uma gota do queixo.
“Droga. Ele está falando merda que nem um idiota. Esse calor está me matando.”
Ele se abanou com a camisa.
— Por que você está tão envergonhado? Não me diga que você…
O olhar de Cahaya de repente desceu para a parte de baixo do corpo de Seowoon.
— Você é louco? Eu ainda estou perfeitamente bem, está me ouvindo?!
— Desgraçado fofo, por que você está tão bravo?
Seowoon corou, as bochechas tão brilhantes quanto sua testa redonda. Era inteiramente culpa dele o fato de Cahaya querer provocá-lo ainda mais.
— As pessoas não ficam se gabando de qual mão usam para fazer isso.
— Cha Seowoon, você usa a mão esquerda ou a direita?
Cahaya perguntou de brincadeira e ergueu as mãos de Seowoon. Como Cahaya estava sentado em cima da mesa, ficava mais alto, o que fez os braços de Seowoon subirem com facilidade.
— Você vai parar?
— Ah, as duas mãos?
Seowoon se levantou e tentou soltar os braços, mas Cahaya desceu da mesa também. O queixo de Cahaya não só estava bem à sua frente, como os corpos deles estavam colados um no outro.
— Você usa as duas mãos mesmo?
Quando Cahaya se aproximou mais, Seowoon agarrou o braço dele e gritou:
— Seu desgraçado maluco! Mão direita!
Seowoon puxou a mão direita e fechou a boca às pressas. Mas então seus ombros caíram como os de um fantoche com os fios cortados.
— Eu vou dormir. Estou com sono.
Ele balançou o braço esquerdo ainda preso, sinalizando para Cahaya soltar.
— Eu disse que estou com sono.
O corpo inteiro de Seowoon ficou vermelho, com a sensação de que pegaria fogo mais rápido que a mansão do terror se Cahaya o pegasse ali.
Se ele forçasse demais, ele colocaria a culpa na bebida. Eles não eram mais crianças, então falar de masturbação nem era algo de que se envergonhar.
Cahaya soltou a mão quente de Seowoon, sentindo uma pontada de arrependimento por aquele calor ter ido embora, mas se surpreendeu com o impulso repentino de agarrá-la de novo.
Seowoon colocou o resto da cerveja na mesa e se virou.
Cahaya olhou para a nuca vermelha de Seowoon. Enquanto Seowoon fingia andar com firmeza, ele olhou para trás.
— Tem uns cobertores de estação no quarto de hóspedes.
Seowoon sempre cuidava de tudo. Ele não suportava quando alguém falava mal de alguém que considerava dos seus. Era por isso que todos os membros da guilda Tacheon ficavam ao lado dele.
Cahaya olhou para a porta que Seowoon tinha acabado de fechar com firmeza.
[Vamos conversar?]
Cahaya deu uma olhada no celular, que tinha acabado de receber a mensagem.
[Eu sei que você não salvou o meu número, mas consegue adivinhar quem eu sou?]
Cahaya trocou sua lata de cerveja vazia pela que Seowoon tinha deixado. Ainda havia algumas gotas no lugar tocado pelos lábios de Seowoon.
Ele lambeu as gotas acumuladas na borda e bebeu o resto de um gole só.
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Uhm Jigeon estava sentado na beirada da fonte, fungando. Sua rinite não tinha desaparecido nem depois que ele virou um Mansaengjong, e ficava especialmente ruim à noite.
Aquele cara tinha marcado de encontrá-lo, mas, mesmo depois de 15 minutos, não havia o menor sinal dele.
Uhm Jigeon tinha pedido o encontro mesmo conhecendo a personalidade de Cahaya. E, como era de se esperar, Cahaya apareceu 30 minutos atrasado.
“Será que ele saiu antes de mim e depois voltou para dentro?”
Aquilo não parecia provável, já que Cahaya estava saindo do prédio, bocejando devagar. Ele até tinha uma lata de cerveja na mão. Quando Uhm Jigeon viu que ele só tinha trazido uma lata, resmungou: — Bem a cara dele.
— Esperou muito?
— Eu? Acabei de chegar.
— Ah, você está aqui há mais de 10 minutos, Uhm Jigeon-ssi.
— Você estava só me observando?
Uhm Jigeon o encarou com ferocidade, xingando apenas com os olhos.
— Eu só dei uma olhadinha.
Sem querer se dar por vencido, Uhm Jigeon endureceu a expressão diante do olhar de Cahaya.
— Você só trouxe a sua cerveja? Aprende a ter um pouco de traquejo social, vai.
— Ela não é minha.
— Ah, é para mim, então?
Quando Uhm Jigeon estendeu a mão, Cahaya bebeu a cerveja descaradamente.
— É do Seowoon. Veio da geladeira dele.
Uhm Jigeon segurou a irritação, lembrando a si mesmo que devia se conter, já que era o mais velho ali.
— Você vasculhou Naraka inteira atrás do seu vice-líder de guilda desaparecido, até revirando latas de lixo. E finalmente encontrou ele, hein?
— O Seowoon não gosta de sujeira. Ele nunca chegaria perto de uma lata de lixo. Ele é chique.
Ele alongou a palavra “chiiique” enquanto apontava para o prédio de apartamentos.
— Vamos parar de falar disso. Você ouviu tudo dele?
— Basicamente.
Cahaya tinha dito a Seowoon para não acreditar, mas não achava que Uhm Jigeon estivesse de fato mentindo.
— É verdade que a Aliança perdeu o juízo? Eles estão mesmo procurando briga?
— Aqueles desgraçados são nojentos demais. Foi por isso que eu saí. Me deixa entrar para a sua guilda.
— A gente não aceita usuários de habilidades elementais.
— É tão difícil assim me aceitar?
— Não. Eu só não gosto de você, Uhm Jigeon-ssi.
— O seu vice-líder de guilda não é mais um espadachim, é?
Enquanto Uhm Jigeon estava sentado, Cahaya continuava de pé, bebendo sua cerveja. Uhm Jigeon estava pronto para apunhalá-lo com sua língua afiada como faca, mas Cahaya não demonstrou nenhum sinal de agitação.
— Todo mundo achava que o Cha Seowoon era do mais alto escalão, mas algumas pessoas do nosso nível podem estar tão desconfiadas quanto eu, sabe? A cor dos seus olhos não é típica de nenhum grupo de habilidade, então a gente pode te chamar de anomalia. Mas os olhos do Cha Seowoon são definitivamente roxos. Roxo significa habilidades mentais.
Cahaya deu um sorriso de canto, como se tivesse acabado de ouvir uma besteira.
— Então por que o Seowoon estaria caçando mutantes com uma espada esse tempo todo? Você está me entediando. Você me chamou aqui só para dizer isso?
— Também tem um boato de que a Tacheon capturou um monte de mutantes recentemente.
Os membros da guilda pagavam o equivalente a um mês de minério wu ao usar o Portal, mas dava para presumir que essa era a quantidade de minério wu que eles tinham originalmente.
— A Kim Hansol, da DK, me contou isso. Ela disse que a guilda dela descobriu por acaso um túnel onde aparecem mutantes na zona deles, e que conseguiram resolver com a ajuda da Tacheon. Isso é tudo balela, né? Eles estavam monopolizando o túnel e vocês pegaram eles com a boca na botija, não foi?
— Por que você entraria para uma guilda que todo mundo abandonou e que mal tem membros?
— O Donhee, o Kangsan e o Yoochan concordam que seria bom eu entrar. Eu só preciso da sua recomendação.
— Se o Seowoon ainda se opuser, não adianta nada.
— Então eu vou espalhar por aí que o seu vice-líder de guilda redespertou como usuário de habilidade mental.
Cahaya apagou toda e qualquer expressão do rosto.
— Ele é um searcher, né?
Uhm Jigeon disse, olhando diretamente para Cahaya.
— Se ele consegue detectar o túnel de mutantes no Noroeste, as habilidades dele devem ser incríveis, né? Eu duvido que o searcher da Ohsung consiga nem entregar o cartão de visita dele. Então me deixa entrar para vocês.
Ele ainda pediu abertamente para entrar, fazendo Cahaya se perguntar se aquele homem era tão odiado assim por ter protestado contra a Aliança.
— O que você vai fazer se eu te recomendar, Uhm Jigeon-ssi?
— Você sabia que, na antiguidade, as aldeias remotas eram conectadas por barcos sobre a água?
— As aldeias também eram destruídas pela água.
— Claro, mas o mar também conecta os países, não é?
A água escorria continuamente do pequeno jarro da estátua da deusa no centro da fonte. Uhm Jigeon puxou um pouco de água e começou a moldá-la. Conforme esculpia as pernas, as coxas e o corpo, parecia que o Criador tinha modelado um ser humano.
A figura era mais baixa que Cahaya, com um rosto transparente e belo que chamaria a atenção de qualquer um. Exceto pelos olhos, que eram levemente saltados, o nariz e os lábios eram redondos e carnudos.
Um humano feito de água, parecido com uma Ondina, se ergueu diante de Cahaya.
— Você gosta dele?
A figura de água de repente explodiu em gotículas e se espalhou em todas as direções. Cahaya parecia entediado, como se tivesse ouvido algo sem interesse.
— Uhm Jigeon-ssi, você faz amizade com pessoas de quem não gosta?
Cahaya se virou para ir embora, sem conseguir encontrar mais nenhum motivo para ficar ali, mas Uhm Jigeon o deteve, achando a reação dele estranha.
— Hã? Não é isso mesmo?
Uhm Jigeon tentou ler a turbulência nos olhos de Cahaya, mas não conseguiu evitar de se perguntar se o que tinha visto era mesmo uma ilusão.
— Vocês são realmente só amigos?
— Uhm Jigeon-ssi, parece que todos os seus amigos são falsos, hein?
— Mas é estranho. Foi você, não foi?
— O quê?
— Foi você que destruiu aquele site.
Veias ameaçadoras apareceram sob o rosto de Cahaya enquanto ele tremia contendo o riso.
Uhm Jigeon sorriu.
— Nem mesmo o seu vice-líder sabia?
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello