⋆。˚ ◉ Capítulo 61
Capítulo 61
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— Nem mesmo o seu vice-líder?
Naquele instante, um cordão redondo se enrolou no pescoço de Uhm Jigeon, estendendo-se a partir do jarro da estátua da deusa. Conforme o jato de água envolvia seu pescoço, cortando sua pele com força, Uhm Jigeon deu um sorriso feroz.
— Ei, você é bom nisso, hein?
— Quando eu vi o que você estava fazendo, achei que também podia tentar — Cahaya respondeu.
— É porque você é uma anomalia?
De repente, toda a água da fonte disparou para cima, encharcando Cahaya por completo. O jato do jarro da deusa desapareceu, assim como o que estava em volta do pescoço de Uhm Jigeon.
Uhm Jigeon não era do tipo que soltava um adversário que o provocava, muito menos quando usavam sua principal habilidade elemental. A água da fonte se infiltrou no chão e jorrou de novo, formando uma esfera. Até as árvores do condomínio murcharam instantaneamente, somando-se à esfera de água.
A esfera, grande o bastante para prender e matar dezenas de pessoas com facilidade, atacou Cahaya. Seu cabelo se desfez e se embaraçou de qualquer jeito depois de ficar preso na água.
— Guri, você não pode simplesmente copiar os outros. Se for fazer, faz direito.
Cahaya abriu a boca.
“Morra.”
Conforme o olhar de Cahaya se voltava para cima, Uhm Jigeon sentiu uma força pressionando-o na direção oposta.
Crec! Crec!
O piso de mármore se espatifou como vidro e afundou.
Com a força enorme tentando esmagar seu corpo, Uhm Jigeon puxou toda a umidade ao seu redor, inclusive a do solo. A mata inteira do condomínio murchou por completo, a terra se esfarelando como areia. Ele formou um escudo de água ao redor de si para proteger os órgãos da pressão. A parede sólida de água oscilava violentamente, se esticando e encolhendo repetidamente.
CRAAAC
O chão rachou em todas as direções num raio de 50 metros, tendo como centro o lugar onde Uhm Jigeon estava caído de bruços. Se se espalhasse mais um pouco, poderia até comprometer a estrutura principal do prédio. Uhm Jigeon se debatia como um planeta preso num buraco negro.
— Seu moleque maluco! Eu me rendo! Eu me rendo! Para com isso!
A enorme esfera de água que prendia Cahaya se desfez em incontáveis gotículas minúsculas. A água voltou de onde tinha vindo, mas as árvores murchas não puderam ser trazidas de volta à vida.
— Cof.
Cahaya cuspiu água, que também virou gotículas e foi absorvida pelo chão.
Flashes pipocavam por toda parte, vídeos sendo gravados. As pessoas do prédio, de pé nas varandas com vista para a fonte, apontavam todas os celulares na direção deles.
Chorando e tossindo sangue, Uhm Jigeon lutou para se levantar, ofegante. Ele limpou a boca com as costas da mão, sangue escorrendo dela.
— Droga……. Você é demais, moleque.
Só Cahaya ouviu o murmúrio de Uhm Jigeon.
— Eu me empolguei um pouco. Me desculpa.
Sofrendo lesões internas, Uhm Jigeon se desculpou com sinceridade e sem nenhum sarcasmo. Ele estendeu a mão coberta de sangue para um aperto, mas Cahaya respondeu com frieza.
— Não faz espetáculo.
Cahaya sabia que Uhm Jigeon era um Mansaengjong que se importava com a opinião pública.
Se acabasse com ele ali, só teria prejuízo, mas ele nunca tinha vivido pensando nisso, para começo de conversa.
Cahaya passou a mão pelo cabelo molhado e pegou a lata de cerveja caída. O som dos passos ecoando no piso de mármore quebrado soava como se ele estivesse pisando no chão do seu meio-porão. Quando chegou à entrada e tirou o tênis, os cacos de mármore incrustados caíram.
Cahaya falou com Uhm Jigeon.
— Você paga o custo da restauração.
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[Atividades de Clube do 3º ao 4º tempo]
O clube em que Cahaya e Seowoon entraram no primeiro ano do ensino médio se chamava “Caminhando pelo Nosso Bairro”.
Apesar de outras opções populares como futebol, beisebol e sessão de cinema, os dois escolheram “Caminhando pelo Nosso Bairro” sem hesitar. Sempre que era hora do clube, eles saíam da escola e davam uma volta. Na maioria das vezes, acabavam caminhando pelos morros do bairro de Cahaya.
Originalmente, o professor responsável pelo clube deveria acompanhá-los, mas ele lhes dava liberdade para perambular. Ele só anotava as atividades do clube no quadro-negro e passava o tempo recostado, dormindo.
Os dois passavam metade do tempo livre na lan house e o resto relaxando no parquinho para matar o tempo.
— Ei!
Quando Cahaya se levantou de repente da gangorra, Seowoon bateu no pneu e quicou para cima.
— Não levanta assim do nada! A minha bunda ficou roxa!
— Sério?
Cahaya sorriu e empurrou a gangorra para baixo de novo com o braço, mandando as pernas de Seowoon para o alto. Tunc, tunc, tunc. Cahaya continuou movendo a gangorra para cima e para baixo, como se estivesse dando um passeio em Seowoon.
— Você não tem mais energia?
Seowoon segurou a alça da gangorra, as pernas esticadas para os dois lados. Cahaya se segurou na alça do outro lado, erguendo Seowoon do chão.
— Você consegue fazer isso também quando eu andar nela?
— Você não tem consciência, não?
— Por quê? Eu sou pesado demais? Eu devia perder um pouco de peso?
— Cospe o malangso antes de falar. Por que você está comendo três de uma vez?
— Porque senão seria desperdício, sabe?
Cahaya moveu a gangorra para cima e para baixo de novo, mandando Seowoon para um passeio de montanha-russa. Seowoon o xingou e o chamou de desgraçado maluco, mas mesmo assim riu muito, claramente se divertindo demais. Cahaya encarou os lábios entreabertos de Seowoon.
Aqueles lábios eram a lembrança mais nítida do seu primeiro dia de aula.
No primeiro dia, os alunos sentaram em ordem alfabética, então Seowoon ficou bem ao lado dele. Mas Han Donhee, um moleque do ginásio de Seowoon, nunca voltava para o próprio lugar. Só quando o professor da turma chegou é que Han Donhee sentou, e Cahaya finalmente pôde dizer oi.
— Esse aí é seu amigo?
Cahaya perguntou primeiro, apontando para Han Donhee.
— É, a gente estudou no mesmo ginásio. Sabe de uma coisa? A galera aqui está pirando de tanto falar de como você é bonito.
Essa foi a primeira conversa deles. Cahaya se impressionou com a rapidez com que os lábios carnudos de Seowoon se moviam.
No dia seguinte, os lugares foram redistribuídos, e ele acabou no fim da fileira com Seowoon. Se não tivesse se aproximado primeiro, talvez tivesse tido dificuldade em ficar próximo de Seowoon.
Seowoon tendia a andar com gente que já conhecia, e não com estranhos. Ele era geralmente extrovertido, mas não percebia que secretamente tinha um lado muito passivo.
— Vamos voltar.
Seowoon pulou da gangorra.
Até os cadarços do seu tênis branco eram brancos, então se destacavam mesmo que estivessem levemente sujos. Mas Seowoon nunca tinha usado sapatos sujos, para começo de conversa.
Cahaya, caminhando lado a lado com Seowoon, olhou para os próprios sapatos.
Não fazia sentido que fossem limpos, mas velhos. Coisas velhas não podiam ser limpas. Talvez fosse por isso que, um tempo atrás, uma veterana que ele tinha visto algumas vezes na loja perguntou se podia comprar um par novo para ele. Era equivalente a um convite para sair.
— Será que eu devia comprar sapatos novos?
— Por quê?
Seowoon respondeu, se perguntando se era necessário.
— Eles estão velhos.
— Está tudo bem enquanto der para usar.
Seowoon passou o braço pelo ombro de Cahaya e se apoiou nele, jogando o peso em cima dele. Ele pulou para cima e para baixo, mas Cahaya nem se moveu.
— Não importa o que ninguém diga, não deixa isso te incomodar. Eles só estão com inveja.
— Eu tenho alguma coisa de que se ter inveja?
Cahaya riu, dizendo que era pobre, e Seowoon colocou a palma da mão embaixo do queixo dele.
— Você tem isso aqui, né?
Ele fez carinho no queixo de Cahaya como num filhotinho, sorrindo.
Seowoon percebeu que Cahaya estava tentando mordê-lo como um cachorro, então saiu correndo para a frente. Ele não tinha certeza se o comprimento das passadas deles era diferente, mas Cahaya o alcançou rapidamente e mordeu a mão de Seowoon.
— Ai, seu desgraçado maluco! Agora está toda cheia da sua baba!
Como se puxar a mão não bastasse, Seowoon ainda a esfregou para lá e para cá nas costas de Cahaya. Cahaya encostou as costas da mão nos lábios de Seowoon, pedindo que ele mordesse também, mas Seowoon não mordeu.
Cahaya ficou perplexo. A sensação daqueles lábios macios era a coisa mais especial que ele já tinha tocado neste mundo.
Ele alguma vez já tinha se sentido tão feliz a ponto de não conseguir evitar de sorrir ao tocar alguém? Sem perceber, ele agarrou os lábios de Seowoon com o indicador e o polegar, se perguntando se tinha cometido um erro.
Quando teve os lábios agarrados, Seowoon olhou para ele e resmungou: — Mhaya? — com uma pronúncia enrolada. Cahaya soltou rapidamente, chocado com a própria impulsividade.
— Seu babaca, me amordaçando enquanto diz que não morde.
Seowoon resmungou e deu um tapa na mão de Cahaya, dizendo que seus lábios estavam doendo.
Seowoon costumava dar tapas nele, e às vezes o abraçava por trás de propósito para jogar o peso em cima dele. Mas, em algum momento, ele começou a se distanciar, e se Cahaya estendesse a mão primeiro, Seowoon se afastava de propósito.
Isso fez Cahaya ter o pensamento ridículo de que talvez seu uniforme velho tivesse cheiro. Ele achava que era por isso que Seowoon de repente mantinha distância, mas, por mais estranho que fosse, Cahaya não conseguia desistir de Seowoon.
“É por isso que eu vim até aqui?”
Depois que Seowoon despertou como Mansaengjong, Cha Byeongcheon o arrastava para todo lado sem o menor cuidado, então Cahaya o trouxe para a guilda.
Cahaya se lembrou do ponto de partida deles pela primeira vez em muito tempo — tudo isso enquanto encarava Seowoon dormindo.
Uma sombra escura caiu sobre Cahaya, que estava de pé no tapete redondo ao lado da cama. Como o apartamento ficava num andar alto, Seowoon parecia dormir bem, sem saber do que tinha acontecido lá fora.
Cahaya não conseguiu evitar de imaginar o olhar de reprovação que Seowoon lhe daria ao acordar e descobrir o que tinha acontecido. Ele planejava botar a culpa nas besteiras de Uhm Jigeon, mas e se Uhm Jigeon mencionasse o site?
“Talvez eu devesse ter matado ele mesmo?”
Respirando de forma regular, Seowoon soltou um suspiro profundo e gemeu. Ele estava deitado de lado, de costas para Cahaya. Só a ponta da orelha era visível dali.
Se Uhm Jigeon morresse, Cahaya naturalmente levaria a culpa, já que eles tinham brigado. Seria um pé no saco, porque Uhm Jigeon era do mais alto escalão. Como Cahaya pertencia à Tacheon, poderia até haver ressentimento contra Seowoon.
Quando estava prestes a sair, ele de repente mudou de direção e contornou metade da cama. Envolto num cobertor branco, a bochecha de Seowoon estava pressionada contra o travesseiro, fazendo seus lábios ficarem em bico.
Cahaya olhou para as costas da própria mão. O toque macio que sentiu no parquinho no passado ainda estava vívido.
“Você gosta dele?”
“Vocês são realmente só amigos?”
“E se a gente não for só amigo?”
Cahaya aproximou delicadamente as costas da mão dos lábios de Seowoon.
Como a respiração de Seowoon foi bloqueada pela sua pele, ele franziu a testa de leve, como se mal percebesse. Cahaya pressionou o dedo indicador no lábio inferior de Seowoon, achando-o tão macio quanto antes.
“E se a gente não for amigo?”
Cahaya apoiou a mão na cama e se aproximou de Seowoon. Talvez ele estivesse torcendo para que Seowoon acordasse. Mas, mesmo com a mola da cama rangendo, Seowoon não se mexeu nem um pouco.
Cahaya inclinou a cabeça para vencer a distância. Seu cabelo macio roçou a bochecha de Seowoon. Sua respiração estava bem leve, mas suas mãos pareciam estar suando. Ele levou os lábios delicadamente aos lábios de Seowoon, como se puxado pela gravidade.
Era Seowoon que estava tremendo, ou era o próprio Cahaya?
Ou os dois estavam tremendo?
Cahaya se afastou muito mais rápido do que tinha se aproximado. Seu pescoço formigava com o toque dos lábios deles. Se não tivesse conseguido resistir ao impulso, talvez tivesse mordido os lábios de Seowoon.
Cahaya se afastou de Seowoon, mostrando as costas tensas. De alguma forma, seu andar estava carregado de raiva e nervosismo.
Bam!
Cahaya fechou a porta sem cuidado e saiu sem olhar para trás.
“……Que diabos?”
Seowoon estava deitado de lado, imóvel. Seus olhos estavam bem abertos.
Seus olhos escancarados estavam tão nítidos como se ele não tivesse dormido nem por um instante.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Fim do Volume 2
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello