⋆。˚ ◉ Capítulo 59
Capítulo 59
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— Heh, é mesmo?
— Sim, isso aí. A gente vai entrar agora.
Seowoon fez um aceno educado com a cabeça e empurrou as costas de Cahaya. Cahaya não se moveu e acabou ficando de frente para Uhm Jigeon.
Uhm Jigeon invocou água da fonte, brincando com ela como se fosse um bichinho de estimação. Ao mesmo tempo, Seowoon ficou tenso, pressentindo uma ameaça em potencial naquele jeito relaxado que parecia procurar qualquer brecha. A água em toda parte era como uma arma para aquele homem.
Cahaya fez o mesmo, observando a água escorrendo entre os dedos de Uhm Jigeon. Ele parecia um espectador intrigado num show de mágica querendo descobrir os truques.
— Eu também quero entrar para a Tacheon, mas o seu vice-líder de guilda disse que eu preciso ser recomendado por todos os membros primeiro. Cahaya, você vai me recomendar?
Cahaya de repente fez um sinal de joinha.
Uhm Jigeon pareceu surpreso com o gesto que parecia dar uma aprovação, e Seowoon também. Mas, com a mesma rapidez, Cahaya virou o polegar para baixo.
— Não recomendado.
Uhm Jigeon riu apesar da recusa. Cahaya exibia um sorrisão, imperturbável.
Seowoon percebeu uma batalha silenciosa de nervos entre os dois, talvez uma disputa muda em que o primeiro a franzir a testa perdia.
— ……Ei, vamos logo entrar.
Seowoon finalmente interveio, e só então Cahaya fingiu ser empurrado pela força de Seowoon. Por sorte, Uhm Jigeon não os seguiu enquanto entravam no saguão e pegavam o elevador. Ele foi para o elevador oposto.
— Então, vocês estavam de carona?
Os números do elevador mudavam sem parar enquanto subiam.
— O Uhm Jigeon me arrastou para isso.
— Você encontrou ele na sede do centro de controle?
— É.
— Vocês viraram amigos agora?
Cahaya encarou Seowoon, como se tentasse descobrir alguma coisa.
O elevador era estreito, então os corpos deles estavam próximos. Seowoon sentiu a boca secar sob o olhar intenso de Cahaya.
— O que eu posso dizer, a minha primeira impressão dele não foi das melhores. Ele é um saco mesmo.
— O que ele disse?
— Ele só estava sendo todo condescendente.
Seowoon não queria entrar em detalhes.
— É, aquele polegar é um saco mesmo — Cahaya concordou.
— Mas como você conhece ele?
Obviamente, Uhm Jigeon tinha dito: “Quanto tempo.”
— Como eu conheço ele, hein? — Cahaya fez uma pausa, como se não conseguisse lembrar de imediato. — Ah. Eu conheci ele quando fui capturar o besouro-veado da Coreia do Norte.
Se ele estava falando daquele mutante besouro-veado, foi antes de Seowoon entrar para a Tacheon. O nível de perigo era 5, e todas as guildas estavam se estapeando para capturá-lo.
— Você capturou ele com o Uhm Jigeon?
— As guildas deles tentaram reivindicar todos os mutantes que eu capturei, então eu nocauteei todo mundo.
— Muito bem, Cahaya, por não ter se segurado.
— É, eu também não gosto daquele Geom Jigeon.
Cahaya ergueu o dedo indicador, segurou-o com a outra mão e fez de conta que o estava comendo. [ver nota]
— É Uhm Jigeon, seu maluco.
Seowoon soltou uma risada forçada.
— Ei, você assistiu ao vídeo do searcher da Ohsung?
A porta do elevador se abriu.
— A gente não ia assistir junto? Cha Seowoon, você quebrou a promessa?
— Você assistiu à terceira parte daquele filme primeiro, não foi?
— Lembra quem foi que não assistiu à segunda parte junto?
Seowoon disparou para fora do elevador para escapar de Cahaya, que tentava agarrar seus lábios.
— Uau. A sua velocidade de fuga não é brincadeira, musaranhozinho.
Cahaya soltou uma admiração nada sincera enquanto virava à esquerda com confiança, como se fosse dono do lugar. Seowoon o empurrou para o lado para alcançar a fechadura da porta, querendo abri-la ele mesmo.
Seowoon cobriu rapidamente o painel e digitou o código.
— Eu fico com mais vontade de ver quando você faz isso.
— O que você vai fazer sabendo a senha da casa dos outros?
— Dos outros?
O rosto de Cahaya ficou inexpressivo com as palavras “dos outros”. Quando ele olhava para Seowoon de um jeito tão frio, às vezes Seowoon sentia um arrepio percorrer a espinha, como se estivesse sendo engolido por uma nebulosa gigante.
— A senha da casa de um amigo. Feliz agora? — Seowoon corrigiu.
— Eu te dei todas as senhas da minha casa.
— Isso só quer dizer que não tem nada lá que valha a pena roubar.
— Se fosse você, eu conseguiria ganhar dinheiro arrancando o mármore do piso da entrada e vendendo.
Cahaya estava prestes a bater no chão com a bainha da espada, mas Seowoon bloqueou às pressas com Matahari.
Tunc, tunc.
Mas então Cahaya ergueu a espada contra Matahari, transformando aquilo numa luta brincalhona de espadas.
— Ruja minha espada, Chuva Branca!
Enquanto Cahaya empurrava a espada para a frente gritando “Hyaa!”, Seowoon foi obrigado a recuar contra a parede.
— Você é louco?
— Você prometeu dar nome ao meu golpe especial.
Cahaya foi aproximando as espadas aos poucos, diminuindo a distância. Seowoon bloqueava a espada de Cahaya enquanto era prensado contra a parede.
Pensando bem, ele nunca tinha lutado corpo a corpo com Cahaya antes. Lá no ensino médio, nenhum dos dois curtia brigar com gangues. Era até irônico que agora eles caçassem mutantes.
Seowoon achou que Cahaya fosse recuar, mas esse cara o pressionou tanto que ele mal conseguia respirar.
— Você está me sufocando. Sai de cima.
A cabeça erguida de Seowoon e os lábios de Cahaya estavam tão próximos.
— Cha Seowoon, a sua testa é tão redonda. Igual a de um bebê.
Seowoon se agachou para escapar dos lábios de Cahaya. Ele achou que aqueles lábios realmente encostariam na sua testa, e seu coração estava disparado. Ainda conseguia sentir a respiração de Cahaya.
Se tivesse sido um pouco mais lento, poderia ter sido um beijo de verdade.
“Ele está fora de si?”
Mas Seowoon agiu como se nada tivesse acontecido e deixou Matahari no sofá. Cahaya colocou a espada dele ao lado de Matahari com naturalidade.
“Será que ele tentou mesmo me beijar na testa?”
Lá vai ele de novo, Seowoon tentando dar sentido às atitudes de Cahaya mesmo que provavelmente fosse só brincadeira.
Seowoon pegou duas latas de cerveja na geladeira e jogou uma para Cahaya. Ele deu uma olhada de lado e viu que Cahaya nem estava pensando no que tinha feito, apenas abrindo a cerveja e bebendo. O sorriso que preenchia inconscientemente aqueles olhos indiferentes não era nada diferente do de sempre.
“Pois é, aquele cara sempre faz o que quer.”
Para quebrar o silêncio, Seowoon ligou a TV sem pensar e abriu a cerveja. Puxou uma cadeira e sentou, descansando as pernas cansadas de andar o dia todo. Não havia um único grão de poeira na mesa de jantar para oito pessoas.
Cahaya deu um pulo e sentou em cima da mesa, olhando de cima para Seowoon, à sua frente.
— Por que diabos você está sentado EM CIMA da mesa?
Era madeira maciça, então não quebraria, mas irritava Seowoon ver a mesa sendo tratada com tanto descuido. A mesa era um móvel precioso que ele tinha esperado um ano para receber.
— Porque eu não consigo aprender.
Tunc, tunc.
Cahaya sorriu enquanto batia na madeira com o punho.
— Que engraçado. Por que você não senta numa bandeja de aço inoxidável, então? [ver nota]
— Você não sabia? Eu quebrei e joguei fora.
Vendo o quanto ele estava orgulhoso, Seowoon só teve vontade de dar um tapa nas costas dele.
— Enfim, ouvi dizer que o searcher da Ohsung era de escalão inferior antes de redespertar.
— É tão injusto para o musaranhozinho que já foi do mais alto escalão.
Cahaya amassou a lata de cerveja.
— Mesmo assim, eu ainda sou melhor que ele.
— Alrat, entendi. [ver nota]
— Para.
Foi tão ridículo que Seowoon caiu na gargalhada, mas logo sua expressão ficou séria.
— Ei, eu também ouvi dizer que a Aliança planeja engolir o nosso território do Sudeste.
— Com a permissão de quem?
Na verdade, foi Cahaya quem organizou o acordo para engolir o Sudeste. Seowoon foi quem se juntou depois e ficou só com uma pequena parte.
— Ouvi dizer que o projeto de que ele falou no vídeo era sobre administrar os de escalão inferior no Sudeste.
Seowoon deu um gole na cerveja.
— A gente devia expulsar eles?
— A gente devia simplesmente ir para o Noroeste?
As palavras deles se sobrepuseram como um acorde.
— Como a gente lida com a Aliança? A gente já é odiado por não ter entrado para eles. Você quer mesmo que a gente vire inimigo público? Se a gente atravessar para o Noroeste, o marco deles fica perto, e viver lá não seria problema.
— Você disse que não tem mutantes lá.
O que eles precisavam agora era de minério wu, mas Seowoon balançou a cabeça.
— A gente devia se reunir com as guildas da Aliança e negociar? Em troca de a gente entregar o Sudeste sem criar problema, a gente fica responsável por todos os mutantes daqui?
— Isso é óbvio. Por que a gente ia negociar?
Cahaya costumava evitar tarefas trabalhosas, mas era teimoso em relação a certas coisas.
— Cha Seowoon, a gente devia simplesmente dizer para a Aliança nos atacar com força?
Cahaya virou a cerveja de um gole só. O cabelo bem-arrumado dele parecia quase igual a quando saiu do salão, exceto por algumas mechas que tinham caído para a frente. Seowoon quase as afastou sem pensar, então mudou de assunto rapidamente.
— Antes de mais nada, eu quero evitar uma guerra total. A gente devia discutir esse assunto com o Abdul hyung.
— É sobre isso que é o vídeo?
“Ah, é mesmo. O Cahaya ainda não assistiu.”
Seowoon mostrou o vídeo a Cahaya. Depois de assistir ao pronunciamento, Cahaya perguntou:
— Eles não disseram que iam engolir o Sudeste, né?
— O Uhm Jigeon me contou o resto.
Cahaya apertou os lábios por algum motivo.
— E você acredita nisso?
Seowoon foi atingido por um ponto-chave em que nunca tinha pensado.
Cahaya tinha razão. A história sobre administrar os de escalão inferior no Sudeste só tinha vindo de Uhm Jigeon.
— Você disse que a sua impressão dele não foi boa, mas você não acredita nele fácil demais?
Seowoon ficou perdido em pensamentos.
“Pois é, será que eu simplesmente acreditei em tudo que aquele cara disse?”
Lembrando da conversa com Uhm Jigeon, ele logo encontrou a resposta.
— Ah! Aquela pessoa até disse que era contra.
— Você me chama de “os outros”, mas o Uhm Jigeon é “aquela pessoa”? Você ficou íntimo dele mesmo?
— O.Uhm.Ji.Geon.Desgraçado disse que era contra usar o Sudeste sem a permissão da Tacheon. Feliz agora?
Seowoon percebeu que seu coração antes fechado tinha se aberto brevemente sem que ele notasse, já que Uhm Jigeon tinha ficado do lado dele.
— Ótimo. Chama ele assim de agora em diante.
“Ele não se satisfaz fácil demais? Que cara engraçado.”
— Mas ele nem é da nossa guilda, então por que ele seria contra? Não acredita nele.
— Do que você desconfia? Pode ser verdade.
Cahaya de repente se inclinou, trazendo o rosto bem à frente do de Seowoon, fazendo Seowoon quase derrubar a cerveja.
— Cha Seowoon, não confia em ninguém além de mim.
— Isso dá trabalho demais — Seowoon murmurou, se recostando na cadeira.
Seowoon encostou a lata de cerveja nos lábios quentes sem motivo, dando alguns goles.
— E se o searcher da Ohsung estiver certo sobre os mutantes aparecerem no exterior?
— Indonésia?
— É, o seu tio também está lá.
— O que você acha?
— Eu ainda não sei.
Seowoon balançou a cabeça. O Mensageiro ainda não tinha dito nada.
— Então você deve estar certo, Cha Seowoon.
— Como assim? O searcher da Ohsung pode ser um searcher melhor do que eu.
— Eu não quero te ouvir se diminuindo. Às vezes você é o maior de todos.
“Sinceramente, sem o Mensageiro, eu seria carne morta.”
》“Cha Seowoon, o Musaranho-elefante de Dois Amores”《
“Dois amores?”
》Você sente tanta saudade, mas eu não queria te incomodar. Está feliz agora? Animado? apaixonado?《
Seowoon fechou os olhos em silêncio. Aquela parecia ser a única forma de aliviar o calor.
— Você está com sono?
Cahaya pousou a mão, gelada de segurar a lata de cerveja, na testa de Seowoon.
— Não.
Ele abriu os olhos e notou uma cicatriz tênue, parecida com uma rachadura, no pulso de Cahaya. Era tão tênue que ele teve que apertar os olhos para enxergar, mas então se lembrou de que era o pulso que Cahaya tinha decepado no parque de diversões.
— O seu pulso está bem?
— Pulso?
Cahaya olhou para a mão esquerda, aquela para a qual Seowoon apontava, e a virou para mostrar.
Apesar de estar recostado, Seowoon diminuiu a distância até Cahaya, seus olhos roxo-escuros cheios de preocupação.
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Nota:
[1] Geom Jigeon: basicamente significa “Indicador-Geon”. Dedo indicador é 검지 em coreano (geomji). Vale lembrar que Cahaya é notório por mudar o sobrenome das pessoas como bem entende.
[2] bandeja de aço inoxidável: (양은밥상). Seowoon na verdade fez um trocadilho. Ele disse [양은 상에는 왜 안 앉았냐], que literalmente significa “então por que a ovelha não sentou na mesa?”. Infelizmente, esse trocadilho é difícil demais para eu incorporar na tradução, me desculpem;;
[3] alrat: um trocadilho de Cahaya. Ele disse (알았땃쥐), que é um trocadilho de “entendi” + “musaranho”. (All right + rato em inglês)
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello