⋆。˚ ◉ Capítulo 55
Capítulo 55
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Sem experiência em disputas de encarada, Seowoon fechou e reabriu os olhos.
— Eu fico de boa — Cahaya respondeu.
— Pois é, você seria um ótimo campeão de disputa de encarada.
A luz do painel do banco de trás, conectado ao banco do motorista, se acendeu. Seowoon apertou o botão de chamada.
[Chegaremos ao destino em 1 minuto. Por favor, verifique se esqueceu algum pertence ao descer.]
Não era a voz do motorista; era o sistema de orientação integrado. Tudo que eles tinham para carregar era a espada.
Na Coreia, portar uma espada de verdade sem autorização era ilegal mesmo que se tivesse um certificado de posse de espada, mas os Mansaengjongs tinham permissão para portar uma arma registrada. No entanto, como os Mansaengjongs combatentes tinham olhos pretos, era comum se desentenderem com a polícia em blitz de surpresa. Alguns deles eram obcecados por exibir sua superioridade e carregavam energia nas armas mesmo que bastasse mostrar a carteira de registro.
Seowoon nunca esquecia de levar a carteira de registro e deixou o boné no carro, não querendo estragar o cabelo feito por profissional. Ele também queria tranquilizar a mãe mostrando que estava bem.
O restaurante fino ao qual chegaram ofereceu a Seowoon uma sala privativa. O Deokinji, que ele costumava frequentar antes de ficar isolado em Naraka, estava tão movimentado quanto sempre, talvez porque o gerente cuidasse bem dos clientes.
Eles foram conduzidos a uma sala privativa, e o gerente entregou a cada um deles uma toalha quente. Quando Seowoon desdobrou a toalha, o cheiro de amaciante chegou ao seu nariz. Aquilo o lembrou da água do vale que Cahaya tinha aquecido.
— O que tem de engraçado na toalha molhada? — Cahaya riu junto com Seowoon, como um adolescente.
— Me lembra os macacos das fontes termais.
— Cha Seowoon não é um macaco. Ele é um musaranho de fonte termal.
— Da próxima vez, cobra um milhão de wons e guarda o dinheiro.
— Só se você estiver prestes a morrer congelado.
— Espero que uma coisa dessas nunca mais aconteça.
No entanto, mesmo que devesse estar feliz num lugar luxuoso e confortável, Seowoon estranhamente sentia como se estivesse vestindo roupas que não lhe serviam. Naraka, com toda a falta de suprimentos, ou o morro onde vagava sem teto pareciam mais adequados a ele agora.
Assim como um dia sentiu mais proximidade com a casa de meio-porão de Cahaya do que com o próprio apartamento, parecia estar se acostumando por conta própria a essa nova vida.
“Mas por que parece que não é tão ruim assim?”
As memórias deles rindo e conversando sinceramente enquanto perambulavam pela cidade eram preciosas. Olhando para trás, para o que viveram no túnel, ele na verdade sentia mais alegria do que dor. Talvez as pessoas encontrassem mais alegria naquilo que lhes faltava.
Assim como no ensino médio, quando escapava para uma lan house sem os pais saberem, ele se sentia mais feliz do que adultos curtindo em bares ou baladas. Mas ele nunca quis viver em Naraka ou naquela montanha árida pelo resto da vida.
De repente, o som da chegada de outra pessoa quebrou o momento, e o rosto de Seowoon se iluminou com um sorriso largo. A pessoa que entrou pela porta que o gerente abriu era uma mulher com um lenço de seda no pescoço. Cahaya também se levantou ao ver a mãe de Seowoon.
— Uau, você está linda hoje, mãe — Seowoon exclamou, correndo para abraçá-la depois de tanto tempo.
— Você está me chamando de “mãe” sem nem ter olhado para o meu rosto.
Ela provocou, com os olhos marejados enquanto abraçava o filho com força. Seowoon a abraçou de volta e depois apertou de leve o ombro dela.
— Ah, olhando de perto, você está realmente bonita, mãe.
— ……Por que o meu filho parece tão magro depois de tanto tempo sem eu vê-lo?
— Eu emagreci porque o Cahaya vivia roubando a minha comida.
Diante da piada do filho, ela enxugou rapidamente as lágrimas dos olhos.
— Faz tempo, senhora — Cahaya cumprimentou educadamente.
Ela só tinha olhado para o filho assim que entrou, então arregalou os olhos, surpresa e sem graça.
— Meu Deus, Haya. Quanto tempo! Você está bem?
Ela perguntou, feliz, estendendo a mão para segurar o rosto de Cahaya. Cahaya se abaixou um pouco para que ela alcançasse com facilidade.
— Ai, meu Deus, Seowoon-ah, o Haya parece mais magro do que antes. Você disse que ele roubava a sua comida?
— Hahaha. Não se preocupe, senhora. Hoje eu não vou roubar, já que a senhora está aqui.
Para Seowoon, Cahaya parecia exatamente do mesmo tamanho de antes. Na verdade, tinha ficado mais musculoso, mas aos olhos da mãe dele, quem não fosse rechonchudo pareceria magro.
— Eu não me dou bem com a internet, então só fiquei sabendo pelo noticiário. O pai do Seowoon também nunca fala de trabalho em casa… Vocês dois estão se dando bem?
— Claro, senhora. O Seowoon tem me apoiado tanto em Naraka quanto na Coreia.
— Mas mesmo assim, Haya, eu ouvi dizer que você doou todo o seu dinheiro… Você está bem?
Ela indagou, preocupada com a possibilidade de ele ter se arrependido.
— Mãe, vamos comer primeiro. O gerente ficou muito animado quando soube que a senhora vinha hoje.
— Meu filho ficou bem falante, não foi?
Respondendo com um sorriso, Seowoon puxou uma cadeira do centro da mesa redonda e fez um gesto para a mãe se sentar. Ele sentou de frente para ela, com Cahaya ao seu lado.
— É tão bom ver os meus dois filhos bonitos pessoalmente. Desde que vocês passaram por aquilo, eu fiquei tão preocupada que não conseguia dormir à noite.
— Pensa como se eu tivesse ido para o serviço militar, mãe. E hoje é tipo uma folga.
— Mas no serviço militar não tem monstros.
— Mãe, a senhora conhece barata, né?
Ela estremeceu, como se só de pensar já lhe desse nojo.
— Baratas não matam ninguém. É igualzinho a caçar aqueles bichos.
Depois de dizer isso, Seowoon se sentiu ainda mais culpado em relação ao garoto de cabelo vermelho do seu sonho.
— Senhora, o Seowoon espanta baratas gritando. A senhora ficaria surpresa se ouvisse — Cahaya acrescentou, pegando um biscoito de foie gras servido como aperitivo.
Era verdade que Seowoon tinha gritado ao encontrar uma barata na casa de Cahaya, mas agora soava como se ele tivesse berrado um feitiço especial ou algo assim.
— Tem… tem baratas no lugar onde você mora agora? — a mãe de Seowoon perguntou, preocupada.
— A senhora não precisa mesmo se preocupar com isso, mãe. A guilda mora num lugar bom, até em Naraka. Tem loja de departamentos e loja de conveniência também — Seowoon a tranquilizou.
Não havia muitos fatos sobre Naraka conhecidos pelo público em geral.
A maioria dos Mansaengjongs que conseguia vir a Seul era de escalão médio-superior ou acima, e eles não necessariamente falavam da vida miserável dos de escalão inferior. Embora alguns ajudassem, eram na verdade a minoria.
Mesmo que os cidadãos comuns soubessem dos detalhes da vida dos de escalão inferior, não teriam meios nem motivos para salvá-los. Porque eles eram vistos como pessoas com habilidades.
— Então você devia voltar para a Coreia com mais frequência, Seowoon-ah. Por melhor que você esteja, eu sempre fico preocupada com você.
— Sim, vou voltar mais daqui para frente — Seowoon prometeu.
Conforme a refeição avançava, Seowoon teve que tranquilizá-la o tempo todo.
Ao contrário, Cahaya escutava em silêncio a conversa entre mãe e filho. Não era que ele não quisesse fazer parte daquele reencontro emocionado, ele estava simplesmente maravilhado.
A mãe de Seowoon tinha uma pele tão translúcida que dava para ver as veias dela. Será que ela alguma vez na vida tinha trabalhado? Será que já tinha dormido no chão sem aquecimento? Será que já tinha passado fome?
Ela parecia apenas uma pessoa frágil e gentil da qual toda a curiosidade de antes tinha sido drenada. Talvez ela definhasse e morresse depois de apenas uma semana em Naraka. E Seowoon tinha uma semelhança impressionante com a mãe.
Cahaya vinha se perguntando por que a loucura veio antes do arrependimento quando soube, meses atrás, que Cha Seowoon tinha sumido sem dizer nada, mas agora entendia o motivo.
Ele tinha medo de que Seowoon pudesse ter morrido de fome em algum lugar.
Para ser exato, ele tinha pensado que os hábitos alimentares seletivos de Seowoon não aceitariam a comida de Naraka e que ele acabaria escolhendo uma morte nobre para si mesmo.
No entanto, Seowoon na verdade tinha sobrevivido catando artemísias e bolsas-de-pastor. Cahaya ficou quieto e conteve a risada. Ele achava graça disso agora, mas no começo aquilo o tinha irritado muito. Seowoon o tinha deixado mesmo sabendo que viveria daquele jeito.
— Haya, está bom?
A mãe de Seowoon perguntou, se sentindo culpada por estar focando só no filho.
— Sim, senhora. Está delicioso — Cahaya respondeu.
Cahaya tinha comido apenas um pedacinho de polvo, uma vieira, uma mordida de sashimi de atum, um abalone cozido no vapor e um pequeno filé mignon. Ele tentava acompanhar o ritmo deles, mas as porções eram pequenas demais e a comida saía devagar demais. Seu estômago esvaziava mais rápido do que enchia.
— Nossa, está escrito aqui que eles colhem as verduras numa propriedade particular?
Ela observou, pegando delicadamente um papel fino com as informações do menu-degustação. Depositou-o com suavidade e juntou as mãos. Seu movimento era tão delicado que nem fez barulho.
— Vamos pedir um bibimbap de legumes? Eu estou um pouco cheia, mas e vocês, Seowoon e Haya?
— Claro. Então eu peço um para nós dois dividirmos e um pequeno para o Cahaya.
Seowoon respondeu, apertando os olhos brincalhonamente para Cahaya como se dissesse: “O quê, não está satisfeito com isso?”
— Tudo bem, vamos dobrar o do Haya. Você concorda? — ela perguntou a Cahaya.
— Claro, senhora — Cahaya concordou, sorrindo. Ele continuava ocupado observando mãe e filho.
Assistir àquela cena pitoresca de mãe e filho cuidando um do outro era como assistir a um doce filme de família. Seowoon até parecia gentil e confiável o tempo todo, talvez porque estivesse se ajustando à companhia da mãe.
Seowoon misturou o bibimbap de legumes por igual e serviu à mãe o tanto que ela conseguia comer, perguntando: — Como está? — Ela olhou para ele com carinho e respondeu: — Está ótimo. — Seu olhar era tão bondoso quanto o de Seowoon.
De repente, Cahaya se perguntou se Seowoon agiria da mesma forma quando tivesse uma namorada.
“Mas será que o Cha Seowoon já teve alguma namorada?”
Ele não conhecia a vida universitária de Seowoon, mas nunca o tinha visto com ninguém. Não havia motivo para Seowoon namorar alguém em segredo, então era provável que nunca tivesse namorado ninguém.
— Haya, como foi que você cresceu tão bem? O que eu devo dar de comer para o Seowoon para deixá-lo tão forte quanto você?
A mãe de Seowoon perguntou, elogiando Cahaya com um sorriso admirado.
— Eu só roubava tudo que o Seowoon comia, senhora — Cahaya brincou.
— Cahaya, você sabe mesmo falar.
Seowoon permaneceu calado e evitou usar palavras pesadas na frente da mãe. Normalmente, ele teria retrucado: “Desgraçado, você sabe mesmo falar, hein?”
— Mãe, a senhora sabe que é tudo brincadeira.
Ele não sabia o que Cha Byeongcheon tinha dito, mas a mãe de Seowoon nunca uma vez sequer mencionou os pais dele ou a situação familiar. A natureza atenciosa de Seowoon provavelmente era algo que ele aprendeu com ela.
— Haya, você está namorando alguém? Espero não estar sendo intrometida demais.
Ela parecia curiosa sobre a vida amorosa do filho, então decidiu perguntar primeiro a Cahaya, o amigo dele.
— No momento não, senhora. E o Seowoon também não.
Cahaya respondeu, redirecionando a conversa.
— Por que você tem tanta certeza sobre a minha vida amorosa? — Seowoon perguntou, olhando para Cahaya como se estivesse chocado.
— Estou errado? Você está namorando alguém, então?
Cahaya olhou para ele com um sorriso de canto.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello