⋆。˚ ◉ Capítulo 54
Capítulo 54
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Sem se importar se o coração dele estava disparado ou não.
— Então, onde você largou o Yoochan?
— Sei lá.
— Eu já cansei de te ver em Naraka… por que você está me procurando agora?
Cahaya se inclinou, a expressão contorcida. O rosto dele estava tão perto que Seowoon não conseguiu evitar de se encolher.
Os olhos de Cahaya tinham a mesma cor vermelha dos daquele garoto. E não só isso: também eram roxos como os de Seowoon, além de um turbilhão de incontáveis outras cores. Tudo se juntava para formar o que parecia um par de olhos verdes.
— Você vai me abandonar agora que voltou para Seul?
O olhar inexpressivo de Cahaya era um pouco estranho para Seowoon.
— Do que diabos você está falando? Tira essa cara daqui.
— Me responde, ou eu mordo os seus lábios.
— Tenta, e eu não vou te deixar em paz.
Cahaya abriu a boca, mostrando os dentes.
“Esse desgraçado maluco!”
Seowoon deu um passo brusco para trás, escapando da tentativa de mordida de Cahaya. Cahaya então abriu um sorriso e apoiou de novo a mão no ombro de Seowoon, dessa vez sem nenhuma pressão.
— Cha Seowoon, não deixe um cara duro como eu, triste, tá? Eu também vou me arrumar direitinho. Vamos ver a sua mãe juntos.
》Uma missão para o evento “apresentação das famílias” entre “Cha Seowoon, o Musaranho-elefante” e “Cahaya” apareceu!《
Seowoon mal conseguiu manter a cara séria.
— A gente não vai a nenhuma apresentação de famílias nem nada, então para que você vai encontrar a minha mãe?
Ele acabou soltando palavras desnecessárias por causa do Mensageiro. Ao contrário do que esperava, que Cahaya simplesmente deixaria passar, aquele cara só ficou ali parado, em silêncio.
Era mesmo necessário reagir assim a uma piada? Seowoon perguntou se Cahaya não teria secretamente uma tendência homofóbica, mas mordeu o lábio para conter comentários adicionais.
Se eles fossem amigos de verdade, aquele cara não teria notado nada. Seowoon não deveria ter pensado em nada disso.
— Se você não vem, eu vou na frente.
Seowoon deixou pra lá, soando bastante plausível até para si mesmo.
— Senhora! Muito obrigado por ter dado à luz o musaranhozinho!
Cahaya gritou lá de trás, sem se importar nem um pouco em chamar atenção. Parecia satisfeito consigo mesmo ao dizer que já estava pronto para aquilo.
Jogada clássica do Cahaya. Seowoon teve que morder o lábio para segurar a risada, os lábios se contorcendo como se estivesse pasmo.
— Você trouxe o seu carro?
Seowoon perguntou de imediato a Cahaya, que rapidamente o alcançou.
— Eu nem tenho carro.
— Você doou tudo mesmo, hein? A bateria do meu carro está descarregada. A gente vai ter que chamar alguém.
— Sem problema.
Cahaya tirou o celular e discou. Seowoon quase esperava que ele fosse encher o saco do Yoochan ou do Kangsan, mas em vez disso ele fez uma coisa sensata e chamou um táxi.
— Diz aqui que eles chegam em 10 minutos.
Antes de Naraka existir, havia táxis exclusivos para Mansaengjongs operados pelos de escalão inferior.
A tarifa era dez vezes mais cara que a de um táxi comum, mas não faltavam passageiros, já que até executivos de guildas ou Mansaengjongs de escalão superior costumavam usá-los. Seowoon geralmente dirigia o próprio carro, então raramente chamava um.
Depois que todos os Mansaengjongs ficaram presos em Naraka, o serviço de táxi exclusivo para eles foi assumido pela iniciativa privada. Claro, com o número de passageiros diminuindo drasticamente, a tarifa obviamente ficou mais cara.
Seowoon e Cahaya se largaram no sofá do saguão do prédio, esperando o táxi.
— A gente só vai junto ao salão de cabeleireiro, não vai visitar a minha mãe junto, tá? Você devia arrumar outra coisa para fazer.
— Eu espero lá fora.
— Sério, por que você é assim? — Seowoon perguntou, passando a mão pelo rosto.
— Por quê? A gente não era assim antes?
— Não, não era. Pensa bem. A gente não era tão grudado assim.
Seowoon retrucou friamente. Cahaya o observou por baixo do boné. Parecia estar pensando em algo enquanto inclinava a cabeça.
— Sério?
Cahaya perguntou, questionando se Seowoon não estava idealizando o passado.
— Sei lá. Não lembro.
— Então acho que eu estou certo.
Depois disso, Cahaya ficou olhando para a frente com indiferença.
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Antes de chegarem ao salão, Seowoon ligou para Yoochan, que estava realmente chateado. Os três acabaram sentados lado a lado, cuidando do cabelo.
Como Yoochan tinha que descolorir o cabelo, Seowoon e Cahaya, que já tinham terminado o corte, saíram primeiro.
Ao passarem numa loja de departamentos próxima para comprar roupas para Cahaya, Seowoon acabou gastando mais do que devia. Disse que precisaria preparar um livro-caixa e anotar dali em diante, no bloco de notas, o dinheiro que Cahaya tinha gastado.
E Cahaya estava ocupado beliscando guloseimas, alheio à dívida que crescia a cada mordida.
— Tem mais alguma coisa que você quer comprar? — Seowoon perguntou.
Cahaya comeu metade de um donut recheado de chantilly numa mordida só.
— Uau, o Cha Seowoon está me patrocinando.
— Não fala esse tipo de coisa.
Quando Cahaya apertou o donut dentro do copo de papel, o chantilly esguichou para fora. Ele perguntou: — Quer uma mordida? — enquanto o estendia para Seowoon, mas Seowoon apenas olhou para aquilo de cara feia.
Ele se sentiu incomodado porque não conseguia nem pensar em algo doce como um beijo indireto.
— Não quer?
— Nop.
Mas então Cahaya sorriu docemente. Ele era tão naturalmente bonito que era ofuscante até de olhar. Pois é, o nome dele é Cahaya (luz), afinal.
— Eu vou ver a minha mãe.
— Beleza, eu espero lá fora.
— Ei, não precisa disso. Arruma alguma coisa para fazer. Vai levar umas duas horas ou até mais.
Seowoon insistiu. Ele tinha uma reserva de duas horas num restaurante que servia menu-degustação coreano.
— Eu consigo esperar três horas.
— Mas não tem nenhuma lan house por perto.
Ele parecia mais grudento que o normal. Seria porque realmente não tinha dinheiro nenhum?
— Você não tem dinheiro? Quer que eu te empreste o meu cartão? — Seowoon ofereceu.
— Não, eu vou só jogar no banco da praça.
Por algum motivo, a vontade de avançar era mais forte que a vontade de recuar. O cabelo de Cahaya já era naturalmente meio cacheado, então mesmo que ele secasse de qualquer jeito, ainda parecia estilizado. E agora, com o cabelo feito por um profissional daquele jeito, estava bom o bastante para ele ir direto a uma premiação.
“Mas ele não vai ficar confortável só sentado num banco…….”
Mesmo agora, se não fosse pelo táxi exclusivo, eles teriam atraído a atenção das pessoas. Alguns geralmente queriam fotos ou autógrafos, mas também havia os que odiavam Mansaengjongs. Esse tipo de gente às vezes até jogava ovos e pedras. Por sorte, a maioria dos Mansaengjongs era rápida em desviar, mas às vezes Mansaengjongs agressivos representavam uma ameaça.
— Vamos comer juntos, então.
Seowoon sugeriu baixinho, sentindo o coração amolecer.
— Tudo bem. Eu fui abandonado por mais de um ano sem saber porquê, e não só isso, ainda fui deixado sozinho por meses em Naraka. Eu fui treinado a esperar, graças a alguém.
Aquelas palavras doces e ao mesmo tempo cruéis fizeram Seowoon se sentir completamente derrotado.
— Eu me sinto mal. Eu fiz a reserva para três desde o começo, de todo jeito.
Se quisesse checar mais alguma coisa, ele explicaria a situação para a equipe do restaurante.
— Acho que vou ter que anotar no livro-caixa de novo.
Com um sorriso nos lábios, Cahaya tocou a tela do celular de Seowoon.
— É bem caro, então se prepare. E você deveria cobrar mais dali em diante. Não se contenta só com 50 ou 100 mil wons.
— Acho que eu sou barato mesmo.
O rosto de Seowoon se contraiu.
— Cara, por que você foi dizer isso? Por que alguém vestido tão bonito diria algo tão ridículo?
— Eu estou bonito?
Cahaya perguntou, apoiando a mão na bochecha e piscando, se esforçando para exibir sua fofura.
— Que nojo.
Normalmente, Seowoon teria respondido empurrando a cara daquele cara ou obrigando-o a baixar a mão, mas agora ele apenas virou a cabeça.
— O que foi? Olha para mim de novo.
Cahaya insistiu, tentando virar a cabeça de Seowoon na sua direção. Quando Cahaya tentou agarrar seus lábios carnudos, Seowoon percebeu rápido e desviou.
— Estou olhando, tá? Feliz agora?
— Mas é estranho, Cha Seowoon, por que você fica agindo como se quisesse me bater?
— Do que você está falando?
— Não sabe? Quando você fica assim, parece que quer me bater várias e várias vezes.
Cahaya explicou, literalmente dando tapas no próprio rosto.
Seowoon deu uma olhada na divisória entre o banco do motorista e o banco de trás. Estava bem coberta por uma tela.
Conforme Cahaya se aproximava, Seowoon não se moveu. Será que ainda restava algum espaço? Os olhares deles se travaram.
— O Han Donhee disse que eu sou esquisito pra caralho.
Cahaya falou, apertando levemente os olhos, o que fez a pinta embaixo do olho se destacar.
— Só agora você sabe disso?
Seowoon sorriu e virou a cabeça naturalmente.
— Eu sou esquisito mesmo? — Cahaya indagou.
— Mais ou menos?
— É assim que eu olho para você?
— …….
Seowoon não respondeu, apenas pigarreou. O pomo de Adão saltando da linha lisa do pescoço era grosso, assim como os lábios dele.
Cahaya apoiou o queixo na mão, contemplando Seowoon.
Os cílios longos de Seowoon se destacavam, emoldurando seus olhos frios e alongados, e a ponta lisa do nariz tentava Cahaya a dar um belisquinho brincalhão.
Ele sentiu uma estranha sensação de constrangimento, quase como se estivesse virando um daqueles malucos de merda que criaram aquele site maldito.
“O jeito que ele olha para mim também é estranho.”
Cahaya sabia que Seowoon o observava com frequência. Parecia que Seowoon estava sempre presente na maioria dos olhares que ele sentia de vez em quando. Sempre que Cahaya notava, Seowoon ou se assustava ou perguntava com indiferença se ele tinha algo a dizer.
“Que piada. Foi ele quem olhou para mim primeiro.”
Seowoon esfregou a parte arredondada da bochecha, como se sentisse uma ardência.
— Isso é estranho mesmo. Para de ficar me encarando.
— O que tem de estranho nisso?
— Você fica de boa quando as pessoas ficam te observando tão abertamente assim?
Seowoon rebateu, voltando-se para Cahaya, que apenas sorriu em resposta.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello