⋆。˚ ◉ Capítulo 53
Capítulo 53
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— Ahaha! Você está chamando uma besta divina de galinha?
O garoto caiu na risada.
— É uma pena que o Portal ainda não consiga me digerir. Por que você está me trazendo de volta sem nenhum plano?
A mente de Seowoon parecia turva, como se ele tivesse bebido demais.
Será que aquele garoto era o mutante galinha de nível 6 que tinha sido atingido pelo cosmos de Seowoon?
— A maioria das pessoas que viviam em Gazan tinha habilidades incríveis. A gente atravessava dimensões diferentes em busca do nosso futuro. Mas então, a parede negra…….
O garoto esticou a mão, como se desenhasse algo no ar.
— A gente chamava aquilo por outro nome, claro, mas a parede negra foi engolindo aos poucos o território de Gazan.
— Você disse que as pessoas de Naraka… quer dizer, de Gazan, atravessavam dimensões diferentes? Então onde elas estão agora? Ainda estão vivas em algum lugar?
O garoto balançou a cabeça de novo.
— Não. Eu fui o último sobrevivente.
》Aí está você! Faz tanto tempo que eu estou te procurando. Hora de sair daí!《
O chamado do Mensageiro atravessou a mente de Seowoon. A pressão desabou sobre ele com força total, e o garoto fez uma cara de raiva. Mas, na verdade, não era nada ameaçador por causa das bochechas rechonchudas e do nariz redondo.
— É só porque eu não estou acostumado com este lugar! Droga! Droga!
Mas parecia que ele precisava de uma boa ajuda com controle de raiva, a julgar por aquele chilique.
》Você é uma verdadeira besta, não é? Uma besta.《
— Eu não sou uma besta!
O garoto cerrou os punhos e soltou um berro. Seowoon mal conseguia acreditar. Era estarrecedor, porque ninguém mais nunca tinha ouvido o que o Mensageiro dizia.
— Você… Você também ouviu isso?
— Ele não está sendo legal agora! Nada legal!
O garoto bateu os pés no chão repetidamente, visivelmente frustrado.
》Pelo visto é a mesma coisa com você também.《
Diferente do normal, cada palavra do Mensageiro parecia um peso esmagando continuamente o corpo de Seowoon.
“Mas de quem é essa voz?”
Até agora, o Mensageiro tinha imitado a voz de Seowoon, mas agora soava completamente diferente. Seowoon não conseguia sequer dizer se era uma voz que ele reconhecia ou se pertencia a um estranho. O tom e o timbre eram indistinguíveis.
— Hyung, vem cá!
Era como se o chão sob ele estivesse sendo puxado em duas direções diferentes. Cada passo que Seowoon dava parecia aumentar a distância entre ele e o garoto.
— Por aqui!
O garoto esticou a mãozinha rechonchuda, se esforçando para chegar mais perto. Seowoon queria agarrá-lo, mas cada passo que dava o afundava mais no chão parecido com argila. E cada tentativa do garoto de se aproximar só fazia com que ele afundasse ainda mais na argila branca. Seowoon nem sabia o nome do garoto, então não tinha como chamá-lo.
— Não vem…!
Seowoon gritou enquanto o garoto continuava afundando.
— Nome! Qual é o seu nome?! Como eu devo te chamar?!
A culpa pelo que tinha feito com o garoto pesava no coração de Seowoon. Não fazia sentido, mas o pensamento terrível de ser responsável pela morte do garoto o aterrorizava. Ainda assim, ele sabia que tinha matado um mutante, sem dúvida, e não sentia nenhum remorso por isso.
》Pare. Retorne, “Cha Seowoon”.《
O chão sob Seowoon parecia afundar infinitamente. Conforme a superfície plana se curvava e descia rumo ao abismo sem fundo, os arredores foram se distanciando.
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— Bleeergh!
Assim que recobrou a consciência, Seowoon disparou direto para o banheiro. Seu estômago revirava como se ele tivesse andado numa montanha-russa uma dúzia de vezes. Ele agarrou a privada reluzente e vomitou, mas tudo que saiu foi uma água nojenta.
Conforme o enjoo passava, o mal-estar também passava. Por sorte, não durou tanto quanto ele temia, mas mesmo assim ele não conseguiu sair do banheiro por um tempo.
Quando o estômago se acalmou de vez, ele esfregou os olhos com força usando os ossos da mão. Saiu da privada seca e escovou os dentes de mau humor.
“Será que foi tudo só um sonho?”
Ele esperou em silêncio o Mensageiro aparecer, mas não houve resposta nem depois que terminou de escovar. A caminho do banheiro para tomar um banho, ele mudou de direção. A mochila, jogada de qualquer jeito no sofá, chamou sua atenção.
Enquanto remexia na bolsa que tinha trazido de Naraka, encontrou o minério wu embrulhado em papel-alumínio. Tentou desembrulhar, mas logo desistiu, sentindo uma pontada de relutância.
Seowoon sabia que membros da guilda DK estavam no seu encalço, então trocou o minério de grau 6 por um de grau 3 dentro da privada. Era improvável que eles o levassem, mas por precaução, se algo assim acontecesse, aquelas pessoas acabariam apenas com um precioso minério wu de grau 3 embrulhado em papel-alumínio. Além do mais, ele planejava ficar na Coreia por um tempo, mesmo que isso significasse gastar todo o minério de grau 6.
“Mas aquele sonho…….”
Não, se o que ele tinha ouvido naquele domínio da consciência ou seja lá o que fosse era mesmo verdade, o Portal não conseguiria digerir aquele minério.
Na verdade, quando passou pela mesa de triagem de Naraka, ele tinha escondido o minério de grau 6 e entregado um de grau 3, mas fez isso inconscientemente.
Removendo o papel-alumínio com cuidado, ele vislumbrou o magma vermelho e voltou a cobri-lo. Não podia simplesmente enfiar aquilo na mochila, precisava manuseá-lo com cuidado.
“Pode ir na frente. Eu vou para casa.”
Lembrando de repente das palavras de Cahaya perto da mesa de triagem, Seowoon puxou o celular descarregado e o plugou às pressas no carregador.
“E se o Cahaya tiver vindo ao meu apartamento, não tiver conseguido entrar e simplesmente ido embora?”
Seowoon andou de um lado para o outro, nervoso, e então parou de repente. Sentiu-se patético esperando o celular ligar logo.
Se Cahaya não tivesse conseguido entrar, teria simplesmente voltado. Era uma preocupação inútil, já que Cahaya não era nenhuma criança.
Seowoon desgrudou os olhos do celular e correu direto para o chuveiro. Hoje, ele pretendia vestir as roupas de que gostava pela primeira vez em muito tempo, passar no salão de cabeleireiro e depois dar uma passada para ver a mãe. Como não queria encontrá-la em casa, talvez devesse sugerir uma refeição fora?
Seowoon terminou de secar o cabelo, alisando com a mão a parte chamuscada. Ficou vagando para lá e para cá pelo mesmo lugar, como se aproveitasse aquela casa espaçosa como sua. Talvez fosse só o esforço dele para não se acostumar com Naraka.
No closet, vestiu uma camisa de uma colaboração entre duas marcas famosas. Decepcionalmente, a camiseta branca não parecia muito diferente daquela marca “Komine”, exceto pelo logo no peito.
“Mas a qualidade tem que ser melhor, né?”
Custava dez vezes mais que a “Komine”, então ele tinha que dar um jeito de levar algumas dessas. Senão, qual era o sentido de torrar dinheiro numa marca chique?
Ele vestiu uma calça jeans e um boné da mesma coleção. O tênis acolchoado o fazia sentir que estava mesmo de volta a Seul. Era raro vê-lo vestido assim em Naraka.
Pronto para sair, ele deu uma olhada na tela do celular.
[Cahaya, 5 chamadas perdidas]
A garganta de Seowoon secou ao ver que Cahaya tinha ligado cinco vezes. Um sorriso discreto puxou o canto de seus lábios, com a sensação de não ter como responder àquilo. Se Cahaya tivesse ligado só uma vez e deixado por isso mesmo, Seowoon não teria conseguido esconder a decepção.
Seowoon discou o número de Cahaya e se apressou em dar uma desculpa assim que ele atendeu.
— Ei, foi mal, eu apaguei assim que cheguei em casa.
[Eu estava na rua.]
— Como assim? Você disse que tinha uma casa no prédio da guilda.
[Seu bobo. Eu dei ela.]
— Eu sei que o escritório da guilda está no nome do seu tio, tá?
[Ah, você não caiu nessa.]
— Você está no escritório agora?
[Nop.]
Seowoon ergueu uma sobrancelha, tentando juntar as peças.
— Então onde?
[Sei lá. Acordei em algum canto aleatório de uma casa, sei lá o quê. Não tinha nada para comer, então saí para fazer uma refeição com o moleque que me cobriu com o cobertor. É perto do seu apartamento.]
Seowoon não conseguiu evitar de pensar se Cahaya não tinha dormido na casa de alguma mulher e passado a noite lá.
“Filho da puta promíscuo. Desgraçado ignorante. Castidade antes do casamento nem existe no vocabulário dele.”
Seowoon xingou Cahaya mentalmente várias e várias vezes.
— ……Beleza, bom apetite, então. Vou desligar.
[Ouvi dizer que você ia ao salão hoje.]
— Vou.
[Eu vou com você.]
……Não! Eu e o vice-líder hyung íamos juntos! Seowoon hyung! O Cahaya hyung fica me atazanando! Meus pés não fedem, mas ele está dizendo que fedem……!
Quando Seowoon ouviu a voz de Yoochan esganiçando pelo alto-falante, ele mordeu o lábio com força.
Apesar de se sentir culpado por falar mal de Cahaya na própria cabeça, ele não conseguia se livrar facilmente da imagem dele segurando a cabeça de Kim Yiji. Sabia que precisava mudar as coisas dali em diante. Tinha planejado responder de cara fechada mesmo que Cahaya viesse com palavras. Ia agir como se não gostasse dele, mesmo gostando de verdade.
— Você pode ir com o Yoochan. Eu vou ver a minha mãe hoje.
E, antes de mais nada, ele precisava manter certa distância.
Já que ficaria ali por pelo menos dez dias, parecia mais inteligente se afastar daquele cara nesse meio-tempo.
“Será que eu não deveria fazer mesmo um retiro num templo por um tempo……?”
Claro, ele tinha coisas para resolver desde que voltou, e aquele minério wu não era algo para se desperdiçar à toa.
[Eu também estava com vontade de ver a sua mãe. Vamos vê-la juntos.]
— Você está tão livre assim?
[Estou pra caralho.]
— Eu tenho compromissos hoje e amanhã, então vamos sair separados, tá?
[Que tipo de compromisso?]
Ele ficou pasmo por um instante, mas levou na esportiva.
— Senhor, o senhor poderia respeitar a minha privacidade?
[Você está fazendo aquela jogada de novo, né?]
O tom de Cahaya perdeu o riso.
[Você está me dispensando porque eu estou duro agora? Como eu não tenho nem dinheiro para comprar comida, você está com medo de que eu acabe vivendo às suas custas?]
Seowoon não conseguiu evitar um suspiro, sem esperar que Cahaya o questionasse desse jeito.
— Não é nada disso. Me manda a sua conta bancária. Eu te devo uma, de todo jeito.
[Me dá pessoalmente.]
— Não tenho tempo. Preciso ir antes de deixar a minha mãe esperando.
[Eu vou ser só um desgraçado burro para você. Ahjussi, eu vim aqui cobrar o pagamento atrasado. Estou ao telefone com o Cha Seowoon agora mesmo. Quer falar com ele daqui?]
Seowoon estava se perguntando do que aquele cara estava falando, quando veio uma chamada da portaria do prédio. Seowoon tocou o botão de chamada no painel da parede.
[Alô, Seowoon-nim. O Cahaya-nim está aqui agora. O senhor autoriza a visita dele?]
Seowoon olhou alternadamente para o celular e para o painel da parede.
— Não, não precisa. Eu vou descer agora.
Depois de encerrar a chamada, ele voltou à conversa em andamento no celular.
— Você é agiota, por acaso? Estou descendo agora. Espera aí.
Seowoon desligou rapidamente antes que Cahaya pudesse responder.
Já pronto para sair, Seowoon pendurou Matahari no ombro. Normalmente, ele a prenderia na cintura, mas era pesada demais, e o cinto gasto mal dava conta de sustentá-la. Ele atualizou mentalmente a lista de compras: precisava comprar um novo em breve.
Lá embaixo, no saguão, ele encontrou Cahaya dando autógrafos para os funcionários, sem o paletó, revelando uma camisa branca.
Seowoon se lembrou de ter feito o mesmo quando se mudou para lá.
[Cahaya, do Anjo Caído! o͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡╮(。❛ᴗ❛。)╭o͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡ ]
Seowoon não conseguiu evitar de mostrar a língua diante daquela figura onipresente. Cahaya devolveu a caneta aos funcionários e caminhou até Seowoon.
— Cha Seowoon, você dormiu bem depois de me dar um bolo, né? E ainda está tão bonito hoje?
— Pois é, eu fico bem com qualquer coisa.
Cahaya passou o braço em volta dos ombros de Seowoon, se apoiando com força. Normalmente, Seowoon reclamaria, mas hoje ele apenas deixou passar e permitiu que Cahaya fizesse o que quisesse. Sem se importar se o coração dele estava disparado ou não.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello